NEXT Brasil 6

NEXT Brasil 6

Acabo de receber, finalmente, os meus exemplares da NEXT Brasil número 6. A Seis é a primeira Next que não é produzida/editada por mim. Passei a revista adiante em um acordo comercial firmado no final de 2006. Este acordo previa a publicação de um anúncio meu (coloquei do Aguarrás, é óbvio) e mais nada.

O professor Domenico De Masi foi gentil em seu editorial ao citar as 2 pessoas que, sem nenhuma falsa modéstia, levantaram praticamente sozinhas a revista: Ivan e eu.

É bom, de vez em quando, algum reconhecimento.

editorial NEXT Brasil 6

NEXT Brasil 6 NEXT Brasil 6

A partir deste número, inicia-se uma nova fase da revista NEXT, nascida graças ao empenho e cuidado do inesquecível Ivan Bentini – falecido há poucos meses – e de sua colega Carolina Vigna-Marú. Com esta edição, a Unisul (Fundação Universidade do Sul de Santa Catarina) assume a organização e a distribuição da revista, fiel à mesma missão original.

A desorientação generalizada da nossa sociedade agrava a desorientação interna das empresas, causada pela dafasagem cultural e pelo impacto da globalização. Decorre daí um bloqueio à criatividade e a compulsão de repetir sempre e somente os métodos organizacionais pregados nas business schools americanas, sem valorizar a originalidade extraordinária da cultura local.

No início do século XX, depois que a indústria superou a agricultura, o tempo do trabalho prevaleceu sobre o tempo livre, e os trabalhadores em sua grande maioria eram operários industriais. Contemporâneos dessa revolução, Taylor e Ford souberam fazer a passagem da organização do trabalho agrícola e artesanal para o trabalho industrial.

Um século depois, a produção de bens imateriais suplantou a produção de bens materiais, o tempo livre superou o tempo de trabalho, e na maior parte das empresas prevalece o trabalho intelectual. Portanto, é necessário iniciar uma nova revolução cultural capaz de migrar as organizações de um postura industrial para uma postura pós-industrial.

A NEXT tem como objetivo oferecer uma contribuição científica para essa revolução.

Domenico De Masi

Ciao, Next Brasil!

A NEXT Brasil é agora editada pela Unisul (SC).

Em 05 de setembro de 2006 foi assinado um acordo entre a Cinabre, a Unisul e o professor Domenico De Masi, transferindo o periódico integralmente para a Unisul, que é responsável pelo título desde então.

Unisul: (48) 3261-0070 – unisuls3@unisul.br

A Cinabre agradece os leitores da NEXT Brasil por estas primeiras 5 edições.

Para você, leitor, nada mudará. A direção da S3.Studium Itália e do professor Domenico De Masi permanece, bem como o padrão gráfico e editorial.

A Cinabre se despede da NEXT Brasil e agradece, pelo inestimável apoio durante a implementação, criação, produção e realização dos primeiros 5 números desta publicação:

- Alexandre Hees de Negreiros
- Ana Colla
- Antonio Carlos Ribeiro
- Arão Sapiro, professor
- Domenico De Masi, professor
- Maurício Fagundes
- Reginaldo Moreira de Souza
- Ricardo Burle
- Silva Debetto Cabral Reis
- Thales Paradela, professor
- Telecom Itália Mobile – TIM
- Vanessa Ornella
- Walprint Gráfica

Agradecemos especialmente a Ivan Bentini e Stefano Palumbo, profissionais vitais para tornar a Next Brasil possível.

De nossa equipe, participaram da edição número 5:

- André Gordirro
- Carolina Vigna-Marú
- Cláudia Mello Belhassof
- Elvira Vigna Lehmann
- Joana Angélica d’Avila Melo

A todos, nossos sinceros agradecimentos.

Next @ FGV

A revista NEXT Brasil foi citada no tema de redação da prova de ingresso na especialização da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 5 de novembro de 2006:

Recentemente, um artigo da revista italiana Next Brasil discorria sobre o fracasso das grandes corporações italianas, as quais, em passado próximo, integravam o rol das maiores empresas mundiais em vários segmentos: automobilístico, alimentação, informática, entre outros. Mas, perguntava-se o autor, por que, apesar dessa situação, a Itália mantinha tamanho poder econômico e estava ainda representada entre as sete maiores economias do planeta? A resposta é curta e simples: a força do poder econômico da Itália reside nas pequenas e médias empresas. Tais empresas, otimamente organizadas e preparadas, constituem-se em importante fonte geradora de empregos e riquezas.

Gibizada (Next Brasil)

Gibizada, O Globo, 07 de novembro de 2006Nova edição da pequena revista Next Brasil que chega esta semana às livrarias de nosso país traz uma entrevista com Alessandro Belloni, diretor-geral da Disney Publishing Italia, e o Topolino (Mickey) na capa. Temas como a já tradicional e criativa “escola italiana” de autores Disney e a criação, em 1993, da Accademia, uma escola destinada a formar novos artistas, são explicados por ele:

“A ‘escola italiana’ introduziu uma grande inovação nos quadrinhos: não se pensa mais neles como meio de valorização de personagens tradicionais, mas sim como oportunidades para inventar novos personagens e universos. Com freqüência, esses novos contextos em que os personagens tradicionais passam a atuar originam personagens secundários inesperados. É o caso, por exemplo, do SuperPato (Paperinik), grande sucesso mundial nascido na Itália.”

Alessandro Belloni fala também à repórter Andrea Granelli sobre números de vendas dos títulos Disney, a maioria produzidos na Itália:

“De fato, há alguns anos, o negócio sofria uma retração em relação à década de 1990 – quando, por exemplo, Topolino (Mickey) chegava a vender um milhão de exemplares. A partir de 1999, observa-se uma volta ao crescimento contínuo. Para citarmos alguns números, basta pensar que, em 2003, foram vendidos no mundo mais de 220 milhões de exemplares de revistas Disney, um total superior aos 200 milhões do ano 2000. Das histórias que povoam essas revistas – entre 18.000 e 20.000 páginas de quadrinhos produzidas em um ano -, quase 70% são concebidas e produzidas na Itália.”

Segundo Belloni, a Accademia não tem por objetivo o lucro, mas o aliciamento e a formação de novos talentos para os quadrinhos. Com uma taxa associativa simbólica de 60 a 70 euros por ano, os cursos não são abertos com periodicidade regular, mas segundo exigências da Disney. Os programas são dois: formação básica, com duração de um ano, e formação avançada, para quem trabalha fazendo parte das equipes de projeto ou em atividades independentes.

Versão brasileira da revista italiana do sociólogo Domenico De Masi, a Next Brasil é feita somente de artigos, tem periodicidade trimestral, 192 páginas em formato pocket (11,5cm x 16,5cm) e é vendida, desde o seu primeiro número, a R$ 12,00.

http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/Default.asp
Gibizada – O Globo – 7/11/2006 – 2:40

Jean Boechat (Next Brasil)

Jean Boechat, 15 de novembro

A Carol Vigna-Marú convida para o lançamento da revista NEXT Brasil. Visite o site para conhecer! É coisa fina!

leia a matéria na íntegra

A Grande Idéia!

a grande idéia

Entrevista no site A Grande Idéia!


Terça-feira, Junho 06, 2006

Uma Grande Idéia: Revista Next Brasil (entrevista: Carolina Vigna-Marú)

Bons ventos sopraram pro lado de cá. Para cumprir o prometido, publicamos, a partir de hoje, a seção “Uma Grande Idéia”, onde se pretende apresentar, periodicamente, uma boa idéia relacionada ao mundo do entretenimento, da cultura e do ócio.

Queremos ser, cada vez mais, um espaço dedicado às boas idéias, tenham elas a forma ou o conteúdo que tiverem. Pode ser o conteúdo de uma revista, um estilo de vida, uma história bem contada, a adrenalina do esporte, a apresentação de um grupo folclórico, a conversa de uma festa, as fotos de uma viagem, o sucesso de um amigo e uma infinidade de outras pequenas frações do cotidiano. Pode ser qualquer coisa, desde que seja uma grande idéia!

A primeira idéia que apresentamos é a Revista Next Brasil, publicação impressa e eletrônica, dedicada à inovação e à criatividade, dirigida pelo professor Domenico de Masi, autor do livro mundialmente conhecido “O Ócio Criativo”, já mencionado aqui nesse espaço anteriormente.

A revista, que já tem 4 números publicados e o 5º número saindo do forno, traz “estudos sobre a sociedade pós-industrial, o mercado do trabalho, a criatividade, a ética, a estética, a ciência, a arte e a cultura nas organizações”.

Para conhecer um pouco melhor essa idéia, conversamos com Carolina Vigna-Marú, a multifuncional editora e jornalista, que também cuida da arte e produção gráfica da revista.

Essa carioca, desenhista e ilustradora de mão cheia, conversou com A Grande Idéia! e, com a maior simpatia, nos contou sobre a revista, seu trabalho, novos projetos, editoria, inovação e qualidade. Com vocês, Carolina e a Next Brasil! Até a próxima idéia!

Entrevista – Carolina Vigna-Marú

A Grande Idéia!: A revista Next Brasil, publicação dirigida pelo professor Domenico de Masi, autor do livro mundialmente conhecido “O Ócio Criativo”, tem o subtítulo “instrumentos para a inovação”. Conceitos como inovação e criatividade aplicam-se às mais diferentes atividades humanas, sejam profissionais, sociais, políticas ou culturais, dentre outras. A quem se dirige exatamente a Next Brasil e por que a preocupação com a “Inovação”? O que é inovar?

Carolina Vigna-Marú: A revista tem como leitor-alvo principal o executivo, ou seja, pessoas em empresas em cargos de decisão. O empresariado do mundo todo – o Brasil não é exceção – precisa urgentemente se inovar, se renovar, se recriar. A relação produtor-consumidor mudou, deixou de ser orientada ao objeto e passou a ser orientada ao serviço. Em miúdos: o foco de importância hoje em dia é na capacidade e na criatividade e não mais no produto A ou B. Você (só para dar um exemplo prático) compra um celular de A ou B operadora por conta dos serviços que esta oferece e não pelo objeto em si. Antigamente a colocação no mercado de um aparelho de telefonia (fixa) era uma disputa nas áreas de design e engenharia, o serviço oferecido era o mesmo. Assim como a relação de consumo mudou, as regras de produção/serviço também mudaram. Acontece que o executivo – o ser humano que está lá no cargo de decisão – é o mesmo e, portanto, precisa se atualizar. Muitas vezes esta atualização vai além de questões técnicas, passando por recursos humanos e posicionamento na imprensa. O grupo do professor De Masi se especializa em, dá aulas/seminários de, e aplica na prática esta nova “sociologia do trabalho”. A Next fala disso. A Next leva estes novos preceitos a esta pessoa, que está lá no cargo de decisão totalmente sozinha. O poder é solitário. A Next é uma boa companhia nesta busca infindável pela atualização.

A Grande Idéia!: O Comitê Científico da Revista é formado por um time de primeira linha (Cristovam Buarque, Frei Betto, Ivo Pitanguy, Marina Colasanti, Washington Olivetto, Sebastião Salgado, dentre outros tantos). Quais os principais temas abordados pela revista e como essas personalidades participam da publicação de cada número?

Carolina Vigna-Marú: O Comitê Científico tem prioridade na publicação. São pessoas que o professor De Masi considera com emérito saber em suas respectivas áreas e, portanto, não necessitam de aprovação para publicação. Esta escolha é única e exclusivamente do professor De Masi. Os temas principais são sociologia, economia, administração e outras áreas do managment em geral.

A Grande Idéia!: Carolina, você acumula as funções de editora, jornalista responsável, arte e produção gráfica da revista. Conte um pouco como é o exercício de cada uma dessas funções. Com quais detalhes você deve mais se preocupar em cada uma dessas atividades?

Carolina Vigna-Marú: Bom, as coisas meio que aconteceram. Eu comecei na Next fazendo só a arte e produção gráfica da revista. No segundo número publiquei um artigo meu, sobre o Da Vinci e comecei a ajudar nas revisões. Aí, no número 3, o editor da revista precisou se afastar por motivos pessoais e entrei para tapar buraco. Acabei ficando. A editoria de qualquer veículo seleciona os textos. Nesta não. A editoria italiana da Next centraliza quase tudo, cabendo a mim apenas trabalhar o texto, ou seja, cuidar de possíveis traduções, de todas as revisões, etc. A parte de arte e produção gráfica é que realmente é toda feita aqui. Desde o cuidado com o material gráfico inserido, a diagramação e até mesmo o acompanhamento em gráfica, lá direto na boca da máquina. Eu sou uma pessoa de produção. Sou designer, me entendo como designer, é o que eu faço de melhor na vida, mas não sei viver sem livro. Não sei viver sem editar algo. Agora estou envolvida no Aguarrás. Este sim é uma editoria comme il faut, onde seleciono os artigos, convido diretamente as pessoas que escrevem, faço copy dos textos, essas coisas…

A Grande Idéia!: Fale um pouco mais sobre o Aguarrás.

Carolina Vigna-Marú: O Aguarrás é um sonho antigo meu. Já tinha tentado botá-lo no ar algumas vezes antes. A que merece lembrança foi a que aconteceu dentro de um portal colaborativo chamado 700km, mas mesmo lá, por culpa minha e não deles, o Aguarrás ainda não estava no formato que eu queria. Faltavam pessoas, faltavam cabeças pensantes junto comigo, nem que fosse para discordar de mim (é muito importante ter alguém colocando sempre as suas idéias em cheque). Dei voltas e voltas na cabeça com o Aguarrás até chegar ao formato dele hoje. O Aguarrás é muito importante pra mim por ser um projeto mais pessoal que a Next. A Next é business. O Aguarrás é sonho. São coisas completamente diferentes. Bom, o Aguarrás nada mais é que um grande portal de pensamento em arte. Com isso eu quero dizer que é uma grande cesta de idéias. De idéias, não de press-releases ou de coberturas de eventos no estilo coluna social. As resenhas são todas pensadas. Sei que vai parecer redundante mas são todas escritas por escritores. Todos ali são escritores e tratam o texto com a importância que ele merece. Pesquisam o assunto, escrevem do que entendem intimamente. Então, o resultado final são resenhas do mais alto nível de conteúdo mas com uma forma absolutamente compreensível e palatável. Isso a gente só consegue com escritores profissionais, não tem jeito.

A Grande Idéia!: A Next Brasil é um projeto apenas editorial ou pretende ampliar seus objetivos para além da publicação da revista? Existem ou estão programadas parcerias com outros projetos relacionados à temática da inovação/criatividade?

Carolina Vigna-Marú: A Next italiana já implementou as áreas de pesquisa e seminários. A brasileira ainda engatinha nisso. O projeto Next tem 3 áreas principais: ensino (seminários, palestras, etc), divulgação (a revista) e pesquisa (parceria com universidades, etc). Aqui nós só conseguimos até agora botar em campo a revista. O resto ainda depende de levantar patrocínio.

A Grande Idéia!: Quais foram os principais resultados alcançados pela publicação dos 4 primeiros números da revista? Novidades para as próximas edições?

Carolina Vigna-Marú: O leitor. Sem dúvida alguma o principal resultado foi o leitor da Next Brasil. Nós temos leitores nos mais altos cargos do empresariado brasileiro. Seria indelicado de minha parte divulgar os nomes, mas estes leitores formam um time que muito nos orgulha. As próximas edições talvez venham a ser publicadas em parceria com uma universidade, mas como o acordo ainda não está certo, prefiro não comentá-lo.

A Grande Idéia!: Tendo a Next Brasil essa proposta de ser um instrumento para a inovação, como podem ser definidas as inovações apresentadas pela própria revista em relação ao mercado editorial, que é extremamente competitivo e recheado de boas publicações sobre os mais diversos assuntos?

Carolina Vigna-Marú: A Next começa a inovar pelo formato. É uma revista-livro. É um pequeno pocket book, com 192 páginas de texto, 11,5 x 16,5cm, e com um zelo gráfico de primeira linha. Aqui no Brasil, a Next é a única publicação periódica de que temos conhecimento que conta com 3 (sim, três) revisões inteiras, para todos os textos publicados. Nós temos uma certa obsessão com a qualidade dos textos. Isto não deveria ser inovador, mas é. Isto deveria ser o padrão de toda publicação, mas infelizmente não é isso que acontece. Outro aspecto interessante da Next é a distribuição. Nós distribuímos apenas em livrarias. É uma revista que não vai à banca. Como vocês podem ver, é uma revista que recebe tratamento de livro.

Da Mundi

Artigo publicado na Next Brasil nº 2, antes da minha entrada no corpo editorial.

 

“Ferro enferruja com o desuso;
água parada perde sua pureza e no frio congela;
da mesma forma, a inatividade também tira o vigor da mente.”
- Leonardo da Vinci

Rápida bio

Leonardo nasceu ilegítimo, de mãe pobre, às três da manhã do sábado de 15 de abril de 1452. Aos cinco anos, foi largado pela mãe na casa dos avós paternos e, a partir de então, foi criado pela família paterna. Na certidão de nasci­mento de Leonardo consta ape­nas o nome do pai. Leonardo foi filho de mãe ausente. Em 1468, seu pai mostrou alguns de seus desenhos a Andrea del Verrocchio. No ano seguinte, Leonardo ingressou no atelier de Verrocchio onde aprendeu algo extremamente valioso: andar sempre com um caderno de ras­cunhos para todo canto. Preciso voltar a ter esse hábito.

Em janeiro de 1478, Leonardo recebe sua primeira encomenda importante: uma pintura de altar para a capela Bernhard na sede do governo em Florença, que ele não terminou. Em março de 1481, recebe outro pedido grande, dessa vez para a igreja San Donato a Scopeto, que Leonardo tam­bém não concluiu. De 1489 a 1494, Leonardo trabalha na estátua do cavalo de Francesco Sforza em Milão, encomendada por Ludovico Sforza, o mesmo mecenas que encomendou A Última Ceia, que Leonardo pintou de 1495 a 1498. Em 1500, retorna a Florença. Em 1503, pinta a Mona Lisa, retra­to da esposa de Francesco del Giocondo, que nunca recebeu o quadro encomendado.

De 1508 a 1512, serve ao governador francês em Milão, Charles d’Amboise. Em 1512 os franceses são expulsos de Milão e, em 1513, da Vinci vai para Roma trabalhar para Giuliano de Medici, irmão do Papa Leão X.

Fidelidade política não era o seu forte. Em 1516, muda-se para a França com dois alu­nos seus, Francesco Melzi e Giocomo Salai, ocupando o lu­gar de pintor da corte. Em 23 de abril de 1519, escreve o seu testamento, deixando todos os seus manuscritos, desenhos, instrumentos e ferramentas para Melzi, e suas pinturas (inclusive a Mona Lisa) para Salai. Morre nove dias depois, aos 67 anos.

Leonardo da Vinci terminou 12 pinturas e milhares de desenhos. Considero esse fato muito significativo. Os desenhos são sempre a origem do pensamento, da criação. Ninguém projeta alguma coisa sem desenhá-la antes. Leonardo foi um criador, não um arte-finalista, e isso é suficiente para defini-lo como gênio, penso eu. O desenho, justamente por ser o princí­pio, mantém-se moderno e atual. As mídias mudam, as técnicas evoluem, mas um bom desenho será sempre um bom desenho. Como disse o fotógrafo Cartier-Bresson, o importante mesmo é saber desenhar bem.

O Gênio

Alto, louro, cabelos longos e cacheados, Leonardo canta­va divinamente e tinha bom papo. Era um sujeito distraí­do, desatento, volúvel, cheio de caprichos e que se ente­diava facilmente. Leonardo era considerado um homem belo, sedutor e bem sucedido. Gozou de fama e popularidade enquanto vivo. Reza a lenda que a população de Florença aguardou durante dois dias em frente a seu atelier, na rua, só para poder ver um de seus quadros. Esse negócio de artista sofredor, pobre e que só ganha fama depois de morto surgiu mais tarde, com o Maneirismo.

Leonardo foi arquiteto, de­senhista, pintor, músico, engenheiro, cantor, alpinista, naturalista, inventor e mais um monte de outras coisas igualmente impressionan­tes. Foi ele quem inventou o helicóptero, a tesoura, o carro blindado e várias má­quinas de guerra. Um homem incrível, que pertenceu a dois grandes mundos: o da arte e o da ciência. A genialidade de Leonardo pode ser lida em qualquer biografia sua. O que me impressiona é a serieda­de com que ele se dedicava a um determinado projeto. Não deixe o fato de ele não ter terminado muitos deles confundir você – Leonardo se cansava rapidamente, e uma vez que atingisse o co­nhecimento do assunto, este perdia a graça. Contudo, ele era obstinado, disciplinado e sério em seus estudos.

Leonardo passou anos como interno em um hospital e dissecou mais de trinta cadáveres para aprender anatomia, coisa proibida na época. Fatos como esse são o que mais me apaixonam nele. Tenho um certo repú­dio a esses pretensos profis­sionais de hoje em dia que fazem as coisas sem entender os porquês. Existe hoje uma grande confusão entre ferra­menta e criação por causa do computador. Não basta saber usar um programa, é preciso entender os motivos de cada coisa. A informática é uma ferramenta ímpar, mas, sob o aspecto do embasamento, é o câncer da criatividade.

Diga-me com quem

Leonardo e Niccolò Machiavelli, autor de O Príncipe, fo­ram bons amigos. Maquiavel era um conselheiro impor­tante em Florença e prova­velmente a sua influência conseguiu para Leonardo dois importantes trabalhos: uma obra para desviar as águas do Arno (impedindo que fossem até Pisa, cidade rival na época) e um mural – Batalha de Anghiari – para o Palazzo Vecchio. A Signoria (corpo governante, algo como uma prefeitura) entregou a ta­refa a dois rivais, Leonardo e Michelangelo. Os dois pinta­ram em paredes diferentes da mesma sala as suas versões para o mural, numa espécie de competição pública. A situação se tornou um even­to popular justamente pelo fato de os dois não se darem. Nenhum dos dois cumpriu o contrato. Michelangelo fez um enorme esboço da Batalha de Coscina, mas nunca a pintou, ao passo que Leonardo terminou apenas a parte central de seu mural.

A Renascença foi repleta de grandes rivais. Leonardo, Michelangelo e Rafael se admiravam mutuamente e competiam o tempo todo. Antes de a Mona Lisa ter sido terminada, Rafael visi­tou o atelier de Leonardo e ficou tão impressionado que adotou o seu esquema de re­trato (meia figura virada dois terços na direção do observa­dor, balaustrada com pilares ligando os planos e objeto próximo à extremidade fron­tal do quadro). Este modelo de retrato perdurou por déca­das. Por outro lado, o único desenho que Leonardo fez de uma outra obra, que não sua, foi o David, de Michelangelo. Eles competiam pelos mesmos trabalhos e por quem desen­volvia melhor uma técnica ou estilo. Briga de cachorro grande, sem dúvida.

Inventum

A casa em que Leonardo nasceu e viveu seus cinco pri­meiros anos, em Anchiano, era pobre, pequena, mal ilumina­da e de poucas janelas, como mandava a arquitetura cam­pesina da época. Criou para si um universo belo e rico, oposto à sua realidade natal. O grande homem renascen­tista se recriou, transformou a sua primeira infância ruim e de poucos carinhos em uma vida plena e cheia de admira­ção. Pegou a sua vivência do abandono materno e pintou a mulher mais bela e famosa do mundo. Leonardo é reconheci­do por suas criações e, de fato, ninguém mais, antes ou depois dele, mereceu o título de gê­nio. Entretanto, poucos falam de sua maior criação, a de si mesmo. Em poucos momentos o termo “renascentista” fez mais sentido para mim.

Às vezes me pergunto se o que vivemos hoje não é uma idade “remedieval”. Tempos confusos, com uma sociedade quase feudal, de tão injusta. A burguesia, que nunca foi lá essas coisas, está cada vez mais decadente e burra, e se não investir em cultura – a exemplo da época do mecenato – vai ser comida viva. As pes­soas precisam se reinventar o tempo todo para sobreviver, mesmo que em uma sala de chat para prazeres imediatos. Criamos personas, nos sub­dividimos em profissionais, parentes, amigos e outros inúmeros sub-rótulos de nós mesmos. Não somos mais pessoas inteiras. É necessá­rio saber “separar as coisas” – “amigos, amigos, negócios à parte”. Os grandes centros carregam consigo a solidão da pólis e sua estratificação so­cial. Conviver consigo mesmo já é difícil; com pedaços de si, então, nem se fala. Precisamos nos inventar a cada instante. E é justamente este aspecto da nossa sociedade que torna Leonardo da Vinci tão neces­sário. Precisamos reunificar as nossas vidas. Precisamos juntar arte com economia e colocar um pouco de poesia na política.

Talvez a internet seja um Leonardo contemporâneo, nos falando em zeros e uns como em um espelho de nossos tantos idiomas. A internet é a democratização da informa­ção e da expressão individual e, portanto, da arte. Ela nos traz novos horizontes, notí­cias frescas d’além mar. É o mundo sendo solucionado pela navegação mais uma vez. A boa notícia é que depois de tudo isso vem algum tipo de renascimento. A má é que só vem com uma reestruturação profunda das relações sociais e trabalhistas, e isso não é lá muito rápido nem indolor.

O Povo – Fortaleza

o povo

O Povo – Fortaleza
24 de maio de 2004
TECNOLOGIA
Blog muda de cara e conceito

A agilidade e a praticidade dos weblogs, diários virtuais que surgiram em 1999, está atraindo profissionais que querem divulgar seus trabalhos ou trocar idéias com colegas da mesma área

Sílvio Mauro
da Redação

[24 Maio 02h12min 2004]

Os weblogs, ou simplesmente ”blogs”, diários pessoais que surgiram na Internet em 1999, chegaram à fase adulta. De simples páginas onde os autores apenas descreviam o cotidiano para amigos e conhecidos, eles agora são importantes instrumentos de divulgação de idéias, projetos profissionais e currículos. Jornalistas, programadores, escritores, artistas plásticos e até especialistas em conceitos novos como arquitetura da informação e usabilidade estão se expondo na rede através dos diários.

Esse é o caso, por exemplo, de Carolina Vigna-Maru, que mantém um blog (www.vignamaru.com.br) com um portifólio dos seus trabalhos de direção de arte, fotografia, design e ilustração. Nos comentários periódicos que coloca no site (chamados de ”posts” pelos usuários de blogs), ela expõe idéias sobre sua área de atuação profissional – e nenhum detalhe sobre sua vida pessoal. ”Sou uma pessoa muito fechada. Não saberia escrever sobre o meu cotidiano”, explica.

Para ela, o mais importante do uso profissional do blog não é fazer contatos ou negócios, mas conseguir credibilidade. ”Já fiz alguns trabalhos de leitores que me acharam pelo blog, mas isso não é o mais importante. Quero que as pessoas, quando lerem o que escrevo, percebam que eu sei do que estou falando. É um investimento na minha imagem”, diz.

Divulgar conceitos também é a intenção do consultor de usabilidade Alexandre Castro e Silva. Ele mantém dois sites (www.sobresites.com/usabilidade/blog e blogdeusabilidade.blogspot.com), ambos em formato de blog, sobre o tema, com a intenção de popularizá-lo. ”Muitos clientes não conhecem nem sabem que precisam dela”, afirma. De acordo com Alexandre, a usabilidade estuda métodos e propõe alternativas para simplificar e facilitar o uso das tecnologias.

Alexandre mantém um dos blogs com outros dois profissionais da área e cada um intervém de forma independente no site, valendo-se da agilidade de atualização dos blogs. Ele assegura que o retorno tem sido muito bom. ”O blog possibilita a troca de informações com os colegas. E surgem convites para palestras sobre usabilidade graças a ele”, diz.

O uso coletivo dos blogs, que já era comum quando turmas de amigos atualizavam informações sobre festas e programas de lazer em comum, também se estende para o campo profissional. A escritora e publicitária Daniela Abade juntou-se a outros seis colaboradores e criou o projeto Cadeia de Palavras. Através de ”posts” semanais em um blog (www.cadeiadepalavras.com.br), eles pretendem escrever um livro com o acompanhamento periódico dos leitores. Um detalhe: em cada capítulo, todas as palavras começam sempre com a mesma letra do alfabeto.

A idéia dos autores, segundo ela, é aproveitar a estrutura do blog, que permite comentários dos internautas a cada novo ”post” enviado, para ver a aceitação do livro enquanto ele está sendo escrito. ”Queremos proteger a criação e por isso os textos estão sendo colocados em forma de imagem, para que ninguém copie ou faça alterações. Mas as pessoas podem ler e deixar comentários dizendo o que acharam”, informa.

Além dos blogs de divulgação dos trabalhos, como os já citados, também é possível encontrar na Internet páginas mais direcionadas, destinadas a públicos bem específicos. Esse é o caso, por exemplo, do Blog do Rafa (www.clickrafa.com.br/blog), do programador Rafael Silva. Além dos ”posts” em linguagem bastante técnica, ele aproveita o espaço para dar dicas de programação, além de expor os projetos nos quais já trabalhou e disponibilizar o seu currículo.

Em comum com os primeiros usuários das páginas pessoais, os profissionais têm o gosto pela praticidade dos blogs, que permitem atualização rápida, inclusão de links e fotos e interação com os leitores através dos espaços para comentários. Mas as semelhanças acabam nos detalhes técnicos. A atualização quase diária, por exemplo, não é um hábito usual. ”Normalmente, faço uma vez por semana. Não tenho assunto para ficar fazendo comentários diários”, informa Alexandre.

Outro detalhe que diferencia os blogs pessoais dos profissionais é a preocupação com o conteúdo do que é escrito. ”Não tenho muita paciência para ler alguns blogs pessoais”, afirma Carolina. Ela garante que acessa poucas páginas com esse perfil. ”Não é todo mundo que escreve bem o suficiente para tornar uma página pessoal interessante. Eu conheço muita gente que chama esses blogs mais bobinhos de debilogs”, brinca.

Idéias JB (Next Brasil)

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Jornal do Brasil, Caderno Idéias, 29 de novembro de 2003

meg

Meg Guimarães

27 de novembro de 2003

Se para você, Domenico de Masi, o profesor, sociólogo, dispensa apresentação; se você não confunde algumas de suas idéias de Sociologia do Trabalho com as de Lafargue:-) ótimo, então você tem programa para os dias 28 e 29 de novembro, no Rio e em São Paulo. Agora, se você, conhece, desconhece ou reconhece a qualidade do trabalho de Carolina Vigna-Marú e de Elvira Vigna, aí então você tem o compromisso consigo mesmo de atender a a esse gentil convite:

[...]

OK Ok… Mas esses meus amigos *realmente* importantes me dão um orgulho danado: Faltou dizer no convite que Carolina Vigna-Marú é *TAMBÉM* a jornalista responsável e a webdesigner do site. E que a a seção de Literatura da revista traz ninguém menos que Elvira Vigna. Não perca, mas de jeito nehum!

Leia a matéria na íntegra

JB (Next Brasil)

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Jornal do Brasil, 26 de novembro de 2003

Os amigos Domenico De Masi, Lélia Salgado e Roberto D’Ávila, no lançamento da revista Next, no Rio.