Você S/A – edição para mulheres. Editora Abril, especial no. 13, junho de 2011. Tiragem: 70 mil exemplares. ISBN 789-36-140-7472-6. 130 páginas
Você S/A – edição para mulheres. Editora Abril, especial no. 13, junho de 2011. Tiragem: 70 mil exemplares. ISBN 789-36-140-7472-6. 130 páginas
publicado no Diário do Grande ABC em 9 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Desbravadores do folclore
Thiago Mariano
Década de 1930, a composição da metrópole paulistana em polvorosa, ainda regida segundo os costumes europeus. A preocupação de Mário de Andrade como diretor do Departamento de Cultura de São Paulo era uma só: resgatar as canções e os modos do folclore que era típico nacional, o ancestral indígena fundido ao afro-brasileiro, antes que ele fosse engolido pelo avanço do asfalto.
O clássico escritor de ”Macunaíma” pôs a campo quatro pesquisadores que percorreram as regiões Norte e Nordeste do País para registrar, catalogar e difundir a cultura das populações que lá viviam. Da missão, fez o livro ”Pequena História da Música Brasileira”, que desdobrou-se em série de discos lançados já neste milênio. Com o lançamento do DVD-room ”Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo” (preço médio R$ 25), pelo Centro Cultural São Paulo, o acesso ao material fica mais simples.
A obra é composta pelas 21 cadernetas de anotações dos pesquisadores, com seleção de documentos, melodias, imagens gravadas e todas as fotografias realizadas durante a expedição.
“Mário acreditava que naquela região existiam as manifestações mais puras, sem influências do início da era do rádio e da Europa”, conta Vera Lucia Cardim Cerqueira, coordenadora do projeto.
“Naquele período as coisas estavam se institucionalizando. Esse trabalho foi um dos primeiros sobre a cultura popular com metodologia, tanto que até hoje serve de parâmetro.”
Os quatro pesquisadores – Luiz Saia (arquiteto e coordenador da equipe), Martin Braunwieser (músico), Benedicto Pacheco (técnico de som) e Antonio Ladeira (ajudante) – percorreram 23 cidades dos estados do Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
Os acessos às regiões eram difíceis, feito por balsas e caminhão. “A religião afro-brasileira e seus costumes eram considerados feitiçaria ainda. Os registros são um importante documento da vida da população mestiça e negra brasileira.”
RESGATE
“As cadernetas de campo são impressões do dia a dia. São intensas, imagina você entrando na vida dos pesquisadores desvendando comunidades e grupos que não eram deles, tentando compreender o universo em que estavam. Hoje, você tem acesso a muitas formas de visualizar a vida dos outros, mas naquela época não, era apenas o contar.”
Luiz Saia se destaca na missão. É dele a maioria dos caderninhos e a sua pesquisa ultrapassou a busca por melodias. Arquitetura, religiosidade, artesanato, nada passou despercebido pelo seu olhar.
Para Vera Lúcia, a escrita das cadernetas não chega a ser literatura, mas traz resquícios de histórias que ultrapassam a etnografia e o folclore nacional. “São anotações rápidas, feitas para juntar nas folhas o máximo de registros possíveis de maneira organizada, mas entre uma coisa e outra você percebe o ser humano, por vezes cansado, em alguns momentos deslumbrado. Dá para perceber que a missão foi uma experiência única para eles.”
publicado no Diário Catarinense em 9 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
DOCUMENTO
Resgate de uma outra realidade
Durante sete décadas, o destino da ambiciosa Missão de Pesquisas Folclóricas, idealizada pelo modernista Mário de Andrade (1893-1945), parecia ser o porão. Foi assim, afinal de contas, que o material recolhido em 1938 pela equipe coordenada por Luiz Saia (chefe da Missão), Martin Braunwieser (técnico musical), Benedicto Pacheco (técnico de som), e Antonio Ladeira (ajudante geral) viveu até os anos 1990, vindo a servir de base para o DVD Missão de Pesquisas Folclóricas.
O secretário municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, que também já esteve a frente do Centro Cultural São Paulo (CCSP), organizador e editor do material, diz que quando cheguei ao Centro Cultural, estava tudo num porão, armazenado.
Pesquisadores como Oneyda Alvarenga (1911-1984) e Camargo Guarnieri (1907-1993) haviam tateado aquela vastidão. Mas o todo permanecia oculto.
– Achei que era meu papel, como gestor público, tornar aquilo acessível – diz Calil.
Começava assim o trabalho do DVD-rom, que reúne, digitalizadas, 21 cadernetas, com cerca de cem páginas cada, 14 breves filmes, 87 fonogramas registrados em comunidades do Norte e Nordeste, fotografias e o vídeo Mário de Andrade e a Missão de Pesquisas Folclóricas.
– Era o projeto de vida do Mário. Mas, caro e inovador, sofreu todo tipo de incompreensão – diz Calil.
A la Debret
Inspirado nas missões do século 19, como aquelas feitas por Debret (1768-1848) e Langsdorff (1774-1852), esse registro foi marcado, de um lado, pela descoberta etnográfica, e, de outro, pela alta tecnologia.
– Eles compraram o equipamento mais moderno que havia na época, capaz de gravar imagem e som. Era enorme – conta Calil.
Os pesquisadores tinham a incumbência de anotar, desenhar, filmar, gravar sons, recolher objetos, reproduzir, nas cadernetas, esquemas dos passos de bailados e projetos arquitetônicos.
Segundo Calil, Andrade organizou tal empreitada pelo fato de inquietar-se com o alarme que seu contemporâneo Theodor Adorno (1903-1969) fez soar: a chegada da indústria cultural faria desaparecer as manifestações culturais espontâneas escondidas em pequenos recantos.
Andrade investiu o que pôde na missão. Mas, acusado de perdulário, acabou sendo demitido do Departamento de Cultura pelo prefeito Prestes Maia. E foi assim que a Missão, que começava a percorrer o Norte do país, viu-se obrigada a dar meia volta.
Durante a passagem pelo Departamento de Cultura, que ele próprio criou em 1935, Mário de Andrade criou o Coral Paulistano, o Quarteto de Cordas, a Biblioteca Circulante.
– Com inconformismo e desassombro, Mário de Andrade lançou desafios que só agora estamos começando a enfrentar – diz o secretário de Cultura da capital paulista, para, em seguida, perguntar-se até quando do baú do poeta modernista sairão surpresas.
Fato é que qualquer interessado em conhecer as bases de nossa política cultural trombará com algum feito ou pensamento de Mário.
Enquanto seus amigos Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral viajavam para Paris, ele tentava descobrir o Nordeste ou a Amazônia.
– Apesar da formação e da cultura estrangeiras, ele jamais dedicou-se a qualquer questão fora do universo brasileiro – observa Calil.
Missão de Pesquisas Folclóricas. Distribuição Centro Cultural São Paulo. R$ 25
ANA PAULA SOUSA | Folhapress
reportagem que foi ao ar no Jornal da Gazeta em 06/05/2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
No final da década de 30, o escritor Mário de Andrade, na época diretor de departamento de cultura do município de São Paulo enviou uma equipe ao norte e nordeste do país para registrar as manifestações folclóricas dessas regiões. Os registros dessa viagem, agora recuperados, estão ao alcance de todos.
Repórter: Sabrina Pires
Tema: História / Cultura
publicado no Estadão em 6 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Anotações de uma missão
CCSP lança DVD sobre pesquisa idealizada por Mário de Andrade
06 de maio de 2011 | 0h 00
Camila Molina – O Estado de S.Paulo
O acervo da Missão de Pesquisas Folclóricas organizada pelo escritor Mário de Andrade quando, em 1938, ele foi diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, é uma das coleções mais importantes sob guarda do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Pensada como uma maneira de sair a campo pelo País para registrar diversas manifestações culturais, a Missão, na época realizada por equipe comandada pelo arquiteto Luiz Saia, percorreu as regiões Norte e Nordeste e documentou as mais diferentes manifestações culturais. Agora, o público terá a oportunidade de conhecer as cadernetas que apresentam preciosidades dessa pesquisa, por meio de DVD que é lançado hoje, às 19 horas, no CCSP, com apresentações de música (leia abaixo).

Resgate. Imagens estão entre as preciosidades
Digitalizadas sob coordenação de Vera Lucia Cardim Cerqueira e por meio de programa patrocinado pela Caixa Econômica Federal, 21 cadernetas produzidas naquela experiência histórica trazem as anotações e desenhos dos pesquisadores (a maioria de Luiz Saia) que participaram da Missão de Pesquisas Folclóricas. Os fac-símiles das cadernetas estão reunidos no DVD por termas como Paisagens, Textos, Fisionomias, Arquitetura, Coreografias, Instrumentos e Partituras.
Mais ainda, o compacto digital apresenta seleção de melodias, documentos, fotografias, filmes e o vídeo Mário de Andrade e a Missão de Pesquisas Folclóricas. “Uma tiragem dos DVDs será distribuída para instituições públicas e outra parte será colocada à venda no mercado” diz Ricardo Resende, diretor do CCSP. Os exemplares serão distribuídos pela empresa Lua Music, com preço de venda de R$ 25.
Música. Além de Saia, a Missão de Pesquisas Folclóricas contou com o músico Martin Braunwieser, o técnico de som Benedicto Pacheco e o ajudante Antonio Ladeira. A música tornou-se o grande foco do trabalho, já que o intuito era a gravação de discos das manifestações populares a partir da visitação de 5 cidades em Pernambuco, 18 na Paraíba, 2 no Piauí, 1 no Ceará, 1 no Maranhão e 1 no Pará.
Hoje, o acervo da Missão, que integra a Discoteca Oneyda Alvarenga do CCSP, conta com discos com 1,5 mil melodias; 1.126 fotografias; 17.936 documentos (desenhos, notas, letras de músicas, versos da poética popular e dados sobre arquitetura); 19 filmes; objetos e instrumentos musicais.
“Mário moveu mundos e fundos para levantar sua bandeira e convencer a incipiente administração pública de seu intento”, escreve o secretário Municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, no texto do livreto do DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo. “Conseguiu, mas não podia imaginar a que custo. Caro e inovador, seu projeto de enciclopédia folclórica nacional ilustrada sofreu toda sorte de incompreensões, que culminaram na sua interrupção. E na demissão de seu idealizador, acusado de perdulário”, continua Calil.
Desde 1982 a coleção da Missão está no CCSP, instituição da Prefeitura de São Paulo. Outro DVD já foi lançado em 2006 com material digitalizado dessa pesquisa de 1938, com músicas tradicionais do Norte e Nordeste. Acervo dos mais emblemáticos do CCSP, há um projeto em curso proposto por Calil para que a coleção seja transferida para o Pavilhão das Culturas Brasileiras no Ibirapuera, que ainda não tem sua estrutura museológica concluída. “É algo polêmico, mas como gestor público acho que só devem ser garantidas as condições de conservação. O acervo apenas mudaria de lugar, mas continuaria público”, diz Resende. Segundo o diretor do CCSP, a instituição tem área expositiva pequena para mostrar todo o seu acervo, de “2 milhões de itens museais”.
SHOWS GRATUITOS
Pífanos de Caruaru
Como parte do lançamento, ocorrerá a partir de 19h30 apresentação da Banda de Pífanos de Caruaru na Sala Adoniran Barbosa do CCSP (Rua Vergueiro, 1.000). Fundada na década de 1950, o grupo, com a morte de um dos fundadores, Benedito Biano, é composto por Sebastião Biano (Pífano), Amaro Biano (Surdo), José Biano (Prato), Gilberto Biano (Caixa), João Biano (Zabumba) e Jadelson Biano (Percussão).
Nhambuzim
Já a partir das 20 horas está previsto show do Grupo Nhambuzim, criado em São Paulo em 2002. Os integrantes apresentam composições, tradicionais ou novas, em que usam viola, berrante, piano e baixo elétrico.
publicado na Revista Museu, em 6 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
6 / 05 /2011 – CCSP lança DVD de projeto idealizado por Mário de Andrade
SÃO PAULO, São Paulo – O Centro Cultural São Paulo (CCSP) lança nesta sexta-feira (6/5) o DVD “Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo”, um programa multimídia com anotações da viagem da Missão de Pesquisas Folclóricas, feita em 1938, às regiões Norte e Nordeste do Brasil, sob as ordens de Mário de Andrade.
O Centro Cultural São Paulo (CCSP) lança nesta sexta-feira (6/5) o DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo. Trata-se de um programa multimídia com anotações da viagem da Missão de Pesquisas Folclóricas, feita em 1938, às regiões Norte e Nordeste do Brasil, sob as ordens de Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. O lançamento será acompanhado por shows com entrada franca. A iniciativa é patrocinada pela Caixa Econômica Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Além das 21 Cadernetas de Campo, com a seleção de melodias, imagens e documentos, o público poderá visualizar todas as fotografias registradas pela missão de pesquisas, os filmes originais e o vídeo Mário de Andrade e a Missão de Pesquisas Folclóricas. Acompanha o DVD um livreto com seleção de páginas das cadernetas impressa em papel.
Acervo de referência
O resultado continua a impressionar o mundo cultural, como ocorreu naquela oportunidade: são discos, fotografias, filmes, objetos e documentos em papel que constituem um acervo de referência sobre a produção cultural brasileira e um símbolo das propostas de proteção do patrimônio brasileiro promovido por Mário de Andrade.
A pesquisa foi cuidadosamente planejada, tanto na escolha de seus integrantes quanto em sua estrutura, por meio da compra de equipamento de gravação, fotografia e filmagem, além da impressão de fichas para catalogação, cartas de apresentação e instruções de pesquisa.
O grupo escalado naquela época por Mário de Andrade era composto por Luiz Saia, coordenador da equipe; Martin Braunwieser, músico; Benedicto Pacheco, técnico de som; e Antonio Ladeira, ajudante geral. O objetivo principal foi gravar em discos manifestações musicais das localidades visitadas durante a viagem.
A maioria das Cadernetas de Campo é formada por anotações de Luiz Saia, que participou do curso de Etnografia e Folclore, ministrado por Dina Levi-Strauss, em 1936. Luiz Saia fez, durante a viagem, registros que ultrapassaram os objetivos da Missão de Pesquisas Folclóricas, sobre a arquitetura popular, ex-votos, técnicas de trabalho, de construção de instrumentos, de tecelagem, entre outros.
Digitalização preserva originais
Para o DVD, as cadernetas foram digitalizadas, garantindo a preservação dos originais e ampliando a possibilidade de consulta. Em 2000, José Saia Neto, filho de Luiz Saia, realizou a transcrição de todas as Cadernetas de Campo, trabalho que tornou viável o desenvolvimento do programa multimídia. O público poderá consultar a imagem de cada página manuscrita acompanhada por sua transcrição e em algumas delas estão indexadas imagens, melodias, documentos ou filmes selecionados.
O trabalho de organização do conteúdo foi feito pela equipe do Acervo Histórico da Discoteca Oneyda Alvarenga, com a participação de José Saia Neto, responsável pelas transcrições das Cadernetas de Campo, e Flávia Camargo Toni, pesquisadora do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo. Ele é integrante ainda da equipe de técnicos da antiga Divisão de Pesquisas do CCSP, responsável pela incorporação da coleção da Missão de Pesquisas Folclóricas, na década de 1980.
O DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo é um material de pesquisa inestimável, pois torna viável o estudo, até o momento restrito àqueles que se deslocavam ao Centro Cultural São Paulo, e também possibilita a compreensão do que foi a Missão de Pesquisas Folclóricas, por meio dos registros de seus protagonistas e documentos da época. O DVD amplia a possibilidade de pesquisas e construção de conhecimento sobre o patrimônio cultural brasileiro, seja pela navegação ou leitura da publicação, seja através da página da internet que dará acesso à versão multimídia e ao catálogo com os títulos das melodias gravadas em 1938.
Nesta sexta-feira (6/5), a partir das 19h, a Sala Adoniran Barbosa será palco para o lançamento do projeto cultural da Missão de Pesquisas Folclóricas. Na seqüência, com entrada franca, o local receberá as apresentações musicais da Banda de Pífanos de Caruaru, às 19h30, e da banda Nhambuzim, às 20h. Os ingressos devem ser retirados nas bilheterias do CCSP a partir das 10h.
Lançamento do DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo
Data: 6 de maio
Horário: 19h
Local: Sala Adoniran Barbosa (480 lugares)
Show de abertura com a Banda de Pífanos de Caruaru
19h30 às 19h55h
Show da Banda Nhambuzim
20h às 20h50
publicado no portal da Prefeitura de São Paulo, em 6 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Centro Cultural lança DVD de projeto idealizado por Mário de Andrade
Mídia é um programa multimídia com anotações da viagem de pesquisa feita em 1938, sob as ordens de Mário de Andrade; lançamento é hoje (6)
O Centro Cultural São Paulo (CCSP) lança, nesta sexta-feira (6), o DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo, na Sala Adoniran Barbosa, fazendo parte do projeto cultural da Missão de Pesquisas Folclóricas. O DVD é um material de pesquisa inestimável de uma viagem feita em 1938, às regiões Norte e Nordeste do Brasil, sob as ordens de Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. A iniciativa é patrocinada pela Caixa Econômica Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Além das 21 Cadernetas de Campo, presentes no DVD, o público poderá visualizar todas as fotografias registradas pela missão de pesquisas, os filmes originais e o vídeo Mário de Andrade e a Missão de Pesquisas Folclóricas. A mídia torna viável o estudo e também possibilita a compreensão do que foi a viagem, por meio dos registros de seus protagonistas e documentos da época. O trabalho de organização do conteúdo foi feito pela equipe do Acervo Histórico da Discoteca Oneyda Alvarenga, com a participação de José Saia Neto, responsável pelas transcrições das Cadernetas de Campo, e Flávia Camargo Toni, pesquisadora do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo.
Na seqüência do lançamento, também com entrada franca, o local receberá as apresentações musicais da Banda de Pífanos de Caruaru, às 19h30, e da banda Nhambuzim, às 20h. Os ingressos devem ser retirados nas bilheterias do CCSP a partir das 10h.
Acervo de referência
O resultado continua a impressionar o mundo cultural, como ocorreu naquela oportunidade: são discos, fotografias, filmes, objetos e documentos em papel que constituem um acervo de referência sobre a produção cultural brasileira e um símbolo das propostas de proteção do patrimônio brasileiro promovido por Mário de Andrade.
A pesquisa foi cuidadosamente planejada, tanto na escolha de seus integrantes quanto em sua estrutura, por meio da compra de equipamento de gravação, fotografia e filmagem, além da impressão de fichas para catalogação, cartas de apresentação e instruções de pesquisa.
A maioria das Cadernetas de Campo é formada por anotações de Luiz Saia, que participou do curso de Etnografia e Folclore, ministrado por Dina Levi-Strauss, em 1936. Saia fez, durante a viagem, registros que ultrapassaram os objetivos da Missão de Pesquisas Folclóricas, sobre a arquitetura popular, ex-votos, técnicas de trabalho, de construção de instrumentos, de tecelagem, entre outros.
Serviço:
Lançamento do DVD Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo
Data: Sexta-feira, 6 de maio, às 19h
Local: Sala Adoniran Barbosa (480 lugares)
Show de abertura com a Banda de Pífanos de Caruaru
19h30 às 19h55h
Show da Banda Nhambuzim
20h às 20h50
publicado no Diário do Grande ABC, em 6 de maio de 2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Shows na edição da pesquisa de Mário de Andrade
Thiago Mariano
Especial para o Diário
A efeméride dos shows que o CCSP (Centro Cultural São Paulo) (Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo. Tel.: 3397-4002) promove hoje, às 19h, é a mais especial possível.
Para celebrar o lançamento do DVD ”Missão de Pesquisas Folclóricas – Cadernetas de Campo”, trabalho de expedição organizado por Mário de Andrade em 1938, para registros da cultura popular e folclórica do Norte e Nordeste brasileiro, o espaço traz ao palco as bandas Pífanos de Caruaru e Nhambuzim.
O DVD reúne imagens, gravações e arquivos dos cadernos de pesquisa dos exploradores que o então diretor do Departamento de Cultura de São Paulo pediu que alguns homens colhessem em campos longínquos da parte superior do País.
Com medo de que as tradições e a pureza da cultura brasileira sumissem por meio do avanço das metrópoles e pela culturalização européia, o escritor decidiu criar um catálogo especial do folclore que aqui era feito.
O resultado é um calhamaço que, ao longos dos séculos, desdobrou-se em vários projetos, como uma série de CDs produzidos a partir das partituras recolhidas nas regiões visitadas. Agora, o acréscimo são os blocos de nota dos pesquisadores, com material que reúne 21 cadernetas que compõem o DVD multimídia.
Detalhes das viagens dão um sabor quase literário às observações, que resgatam costumes, descrevem povos e crenças, falam do percalço de percorrer um país extenso e pouco desenvolvido. Fotografias e vídeo didático também fazem parte do acervo.
PROGRAMAÇÃO
Formada em 1924 no sertão de Alagoas, a banda Pífanos de Caruaru é o mais tradicional grupo instrumental brasileiro. Compõem hoje o conjunto filhos, sobrinhos e netos dos fundadores. Seus primeiros discos foram gravados em 1971, quando começaram a fazer alguns shows no Rio de Janeiro. Seu som é feito por pífanos e percussão. Em 2004, a banda ganhou o Prêmio Tim na categoria Melhor Grupo Regional e o Grammy de Música Latina na categoria Melhor Grupo Regional Raiz. O repertório é tipicamente junino.
Prova de que o temor de Mário de Andrade de que a metrópole engoliria o regionalismo e a tradição brasileira era despreocupante é a banda paulistana Nhambuzim, que incorpora nos seus trabalhos a busca pela ancestralidade regionalista brasileira. Seu primeiro disco foi inspirado no sertão de Guimarães Rosa. O trabalho mais recente, ”Assombrio – Inventário de Encantados”, traz para música as lendas e criaturas que povoam os rios e sertões do País. No repertório, composições próprias e melodias de domínio público.
publicado na Folha de São Paulo em 05/05/2011 – 10h34
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade vira DVD
ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO
Durante sete décadas, o destino da ambiciosa Missão de Pesquisas Folclóricas, idealizada pelo modernista Mário de Andrade (1893-1945), parecia ser o porão.
Foi assim, afinal de contas, que o material recolhido em 1938 pela equipe coordenada por Luiz Saia (chefe da Missão), Martin Braunwieser (técnico musical), Benedicto Pacheco (técnico de som), e Antonio Ladeira (ajudante geral) viveu até os anos 1990.
“Quando cheguei ao Centro Cultural, estava tudo num porão, armazenado”, conta Carlos Augusto Calil, atual secretário municipal de Cultura e ex-diretor do Centro Cultural São Paulo (CCSP).
Pesquisadores como Oneyda Alvarenga (1911-1984) e Camargo Guarnieri (1907-1993) haviam tateado aquela vastidão. Mas o todo permanecia oculto. “Achei que era meu papel, como gestor público, tornar aquilo acessível”, diz Calil.
Começava assim o trabalho que culmina, amanhã, no lançamento no DVD-rom “Missão de Pesquisas Folclóricas”, que reúne, digitalizadas, 21 cadernetas, com cerca de cem páginas cada, 14 breves filmes, 87 fonogramas registrados em comunidades do Norte e Nordeste, fotografias e o vídeo “Mário de Andrade e a Missão de Pesquisas Folclóricas”.
“Era o projeto de vida do Mário. Mas, caro e inovador, sofreu todo tipo de incompreensão”, diz Calil.
A LA DEBRET
Inspirado nas missões do século 19, como aquelas feitas por Debret (1768-1848) e Langsdorff (1774-1852), esse registro foi marcado, de um lado, pela descoberta etnográfica, e, de outro, pela alta tecnologia. “Eles compraram o equipamento mais moderno que havia na época, capaz de gravar imagem e som. Era enorme”, conta Calil.
Os pesquisadores tinham a incumbência de anotar, desenhar, filmar, gravar sons, recolher objetos, reproduzir, nas cadernetas, esquemas dos passos de bailados e projetos arquitetônicos.
Segundo Calil, Andrade organizou tal empreitada pelo fato de inquietar-se com o alarme que seu contemporâneo Theodor Adorno (1903-1969) fez soar: a chegada da indústria cultural faria desaparecer as manifestações culturais espontâneas escondidas em pequenos recantos.
Andrade investiu o que pôde na missão. Mas, acusado de perdulário, acabou sendo demitido do Departamento de Cultura pelo prefeito Prestes Maia. E foi assim que a Missão, que começava a percorrer o Norte do país, viu-se obrigada a dar meia volta.
MISSÃO DE PESQUISAS FOLCLÓRICAS
DISTRIBUIÇÃO CCSP
QUANTO R$ 25
Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938 ganha lançamento em DVD
André Carvalho em 05/05/11
publicado no Catraca Livre em 05/05/2011
(clipping: eu fiz a direção de arte do DVD-Rom e dos impressos)
Evento contará com shows da Banda de Pífanos de Caruaru e Nhambuzim. As apresentações começam às 19h no Centro Cultural São Paulo.

Reis de Congo em Pombal, Paraíba (1938)
Em 1938, numa iniciativa inédita e visionária, uma comitiva ligada ao Departamento Cultural da Cidade de São Paulo embarcou para o Nordeste e o Norte do país com o intuito de registrar as manifestações folclóricas das populações locais.
A ideia partiu de Mário de Andrade, que à época estava à frente do órgão municipal, e quatro pesquisadores foram enviados para registrar fotos, filmes e anotações. As 21 cadernetas de campo foram digitalizadas em 2000 e agora chegam ao público, num DVD-rom que será lançado nesta sexta-feira, 6, no Centro Cultural São Paulo, numa solenidade que se inicia às 19h.
Vera Cardim, socióloga e responsável pelo acervo histórico da Prefeitura até 2010 e atualmente assessora do Pavilhão da Cultura Brasileira, avalia a importância histórica do material e a relevância da digitalização de tal obra: “Foi um projeto pioneiro, uma viagem-símbolo para a proteção do patrimônio cultural, muito antes da Lei de Preservação de Patrimônio Imaterial. Os pesquisadores embarcaram com equipamentos modernos para época e os registros impressionam até hoje, sendo um exemplo bem-sucedido de documentação do folclore”.
Em 2006, finalmente o material veio à tona: uma parceria com o Sesc possibilitou a edição de seis CDs de áudio e um livreto sobre a Missão. Agora, com o DVD-rom – que vem acompanhado de um livreto com algumas imagens das cadernetas e textos-, o público poderá ter acesso aos 14 filmes, 87 fonogramas e às 21 cadernetas da expedição. Manifestações como Dança dos Praiás, Caboclinhos, Carimbó e Bumba meu Boi, entre várias outras, foram registradas.
Shows com entrada Catraca Livre
O lançamento deste importante material, na sexta-feira, será acompanhado dos shows da Banda de Pífanos de Caruaru, às 19h30 e da Banda Nhambuzim, às 20h. No domingo, 8, haverá a apresentação da Marajuda Nossa Senhora do Rosário, às 14h. As apresentações tem entrada Catraca Livre.
Confira abaixo um trailer do DVD-rom:
(a direção de arte e o projeto gráfico são meus)
Lançamento do dvd-rom “MISSÃO DE PESQUISAS FOLCLÓRICAS – CADERNETAS DE CAMPO”, sobre a pesquisa comandada por Mario de Andrade em 1938.
A programação de lançamento, no Centro Cultural São Paulo (estação Vergueiro do metrô):
I EVENTO DE LANÇAMENTO
Dia 06 de maio, sexta-feira
Horário: 19h
Local: Sala Adoniran Barbosa
Entrada Franca
Discurso das autoridades: 19 às 19:20h
Show de abertura com a Banda de Pífanos de Caruaru: 19:30 às 19:55h
Show da Banda Nhambuzim: 20 às 20:50h
II EVENTO DE LANÇAMENTO
Dia 08 de maio, domingo
Horário: 14h
Local: Espaço de Convivência ao lado da lanchonete Graffiti
Entrada Franca
Apresentação de grupo folclórico Congada/Marujada Nossa Senhora do Rosário
Espero vocês lá!
entrevista para o Livros de Design, em 1 de fevereiro de 2011
Olá galera,
O Papo na Estante hoje é com uma pessoa muito especial, da qual escuto a voz e saboreio os seus conselhos há muito tempo. Não, ela não é radialista de horóscopos, ok? É que além de todos os sensacionais trabalhos que faz, também faz parte da equipe do Fala Freela, e diz ai quem nunca foi ajudado por aquele podcast? De acordo com eles, voltam agora no começo do ano, é só aguardar. Enquanto isso, vamos para a nossa sensacional entrevista.
Carolina Vigna-Marú, nas palavras dela mesma:
“Sou ilustradora, designer e apaixonada por qualquer tipo de publicação, em qualquer mídia. Trabalho com artes gráficas de uma forma geral. Leia também o FAQ e o 10 motivos! Sou a autora e ilustradora do livro infantil Godofredo (ISBN 9788520431030), para crianças em fase de alfabetização, publicado pela Amarilys.”
Livros de Design: Como e quando surgiu o seu interesse pelo design? Quais foram suas primeiras experiências na área?
Carolina Vigna-Marú: A minha madastra era designer, em uma época em que ainda não tinha esse nome. A profissão era chamada de “comunicação visual”. Ela era uma mulher muito generosa e aberta e, percebendo o meu total fascínio com o seu estúdio, às vezes me levava junto para visitar algum atelier. Nós nunca moramos na mesma casa, então estas visitas exigiam certo planejamento e esforço. Ainda assim, eram até freqüentes. Lembro de uma, para o atelier de um alemão que me mostrou como fazer o traço por cima da cor e que me deu a sua caixa de pastéis secos suíços, que tenho até hoje. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos e sempre que podia ficava no estúdio vendo-a trabalhar.
Lá pelos meus 11 anos de idade, mais ou menos, comecei a freqüentar uma pequena editora, chamada Terceira Margem, que não existe mais. Lá aprendi paste-up, raspar fotolito com gilette, composição, colei muita Letraset, essas coisas. Eu devia ser uma criança muito grudenta porque a lembrança que tenho é de ir todo santo dia, mas isso provavelmente é um exagero da memória que sempre me trai. De toda forma, mais ou menos nesta época comecei a escrever. Com 12 anos publiquei minha primeira crônica, sobre a morte, nos Cadernos de Psicanálise, da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Claro que, ao publicar, eles tinham um olhar científico-observador sobre o que alguém desta idade poderia ter a dizer sobre a morte, mas para mim foi um grande estímulo. A convivência na editora durou alguns anos e é onde eu registro, sem muita precisão, o meu início profissional.
LdD: Quando decidiu virar freelancer full-time? Conte-nos um pouco como foi isso.
CVM: Foi em 1992 quando pedi demissão de uma grande multinacional onde trabalhava com multimídia. Não gostava do meu grupo de trabalho e não estava feliz. A decepção com o mundo corporativo teve grande influência em como levei a minha vida daí em diante. Eu já tinha trabalhado como freelancer antes disso, mas foi neste momento que este estilo de vida passou a ser uma opção, em que tomei uma decisão consciente e clara a respeito.
Levo o conceito de freelancer bem a sério. É profissional liberal, livre. Freelancer não significa amador, significa livre. Gosto, entretanto, de ter escritório. Preciso da separação casa-trabalho, nem que seja do outro lado do quintal. Preciso de alguma formalidade ainda. Por opções pessoais de vida, hoje meu escritório é dentro de casa, mas acredito que isso mude em breve.
Como venho de uma família com muitos profissionais liberais, nunca tive problemas comuns como precisar impor respeito ou coisas assim. As pessoas à minha volta sempre entenderam o trabalho freelancer como um trabalho igual a outro qualquer. Isso facilitou muito.
LdD: Você tem o costume de ler? O que mais gosta de ler?
CVM: Leio de tudo. Mesmo. Leio até manual de software.
LdD: O que você está lendo agora?
CVM: Estou relendo Crítica, teoria e literatura infantil, do Peter Hunt.
LdD: Qual(is) livro(s) de design você acha que mais contribuiu com algo para a sua carreira freelancer?
CVM: O livro de design que mais me influenciou, disparado, foi Identidade Visual, a Direção do Olhar, do Gilberto Strunck. Guardo até hoje, a sete chaves, o meu exemplar surrado e gasto da edição de 1989. Depois dele tiveram vários, mas aí eu não saberia nomear com tanta facilidade.
LdD: Por que destes livros?
CVM: O Strunck, além de ser um designer fenomenal, é também muito didático. Foi meu primeiro contato com o conceito de identidade visual e o primeiro, você sabe, a gente não esquece.
LdD: Quão importante você considera a leitura de livros para o desenvolvimento profissional do designer?
CVM: Fundamental, mas é fundamental para qualquer profissão. E é importante ler não só livros da área e correlatos. É importante ler literatura, é importante ler de tudo. História é a forma como evitamos repetir erros. Geografia nos dá entendimento deste mundo cada vez menor. Qualquer assunto é importante e ligado às nossas vidas. A literatura (ficção) é a melhor forma de conhecer e visitar pessoas e culturas diferentes da sua. Ou, mesmo que seja a mesma cultura, uma opinião diferente de mundo. Sem sairmos de nós mesmos, somos incapazes de criar qualquer coisa para outra pessoa, estaremos falando sempre para nosso umbigo.
Harold Bloom disse melhor do que eu seria capaz: “Ler nos conduz à alteridade, seja à nossa própria ou à de nossos amigos, presentes ou futuros.”
LdD: Vocês já chegaram a falar algumas vezes no Fala Freela, de alguns livros dedicados a freelancers. Você acredita que isso incentivou as pessoas a procurarem ler mais?
CVM: Não, não acredito. Acho que esta leitura prática é imediatista e não desenvolve o hábito da leitura. Estes livros são muito importantes e úteis em vários momentos das nossas vidas, mas não são estes que fazem um leitor. Estes livros ajudam a resolver problemas e questões pontuais. O livro que desenvolve o hábito da leitura é aquele que emociona o leitor.
LdD: No caso do freelancer, o tempo dele é na maioria das vezes muito escasso. Acha que as pausas do profissional devem ser feitas só para esvaziar a mente ou pode descansar enchendo a cabeça com mais informações através de um livro?
CVM: Não consigo perceber como uma coisa pode ser oposta à outra. Você pode esvaziar a sua cabeça dos problemas que te assolam naquele momento lendo um livro. E, lendo o livro, pode ainda encontrar soluções para os seus problemas, inclusive lendo ficção. Às vezes um personagem passa por uma situação análoga à sua e, só pelo fato de ler sobre ela na voz de outra pessoa, você consegue distanciamento suficiente para lidar com o seu problema de maneira mais eficaz. Se o livro for de não-ficção, a solução pode vir diretamente inclusive. E, bem, encher a cabeça sempre me parece uma coisa boa. Cabeças vazias vão para o BBB, cabeças cheias transformam o mundo.
LdD: Tudo de bom para ti, boa sorte e obrigado pela entrevista!
CVM: Eu que agradeço. Todo o sucesso e sorte com o site que, por sinal, eu curto muito.