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Dia 08 de março de 2010 – dia internacional da mulher
100 anos de luta constante, por um mundo mais justo para todos.

Publicado por Márcia Neves no
Fanzine eletrônico Marketing Social no Brasil,
ano 8, nº 44.

A violência simbólica envolve o processo de socialização do indivíduo e está baseada na fabricação de crenças, onde este passa a avaliar o mundo de acordo com os critérios, valores e padrões definidos por uma pessoa, grupo de pessoas, ou classe dominante. Como exemplos clássicos de violência simbólica podemos citar as interpretações sexistas religiosas com relação à mulher, pois “Eva ao entregar a maçã a Adão” passa a ‘culpa’ do pecado original à mulher. Outro forte exemplo está no Evangelho de Maria Madalena (Os pergaminhos de Nag Hammadi), texto gnóstico, encontrado em Oxirrinco, Egito, cujos textos foram publicados entre os anos de 1938 e 1983, que nos revela a face preconceituosa de Pedro, que rejeita os ensinamentos passados a Maria Madalena, por Jesus, por esta ser mulher, que, por sua vez, no ano de 591, foi associada pelo Papa Gregório com a figura da prostituta. E somente no ano de 1969 o Vaticano corrigiu essa afirmação, ou seja, 1.378 anos depois. Uma prova cabal da Igreja oficial contra a liderança da mulher, visto ser, entre os discípulos de Jesus, Maria Madalena a mais próxima. Como reflexo temos exemplos, como o do juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas, MG, que foi contra a Lei Maria da Penha, um marco na defesa da mulher contra a violência doméstica, que rejeitou pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras, com a seguinte justificativa:

“Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”

Segundo o juiz, o controle sobre a violência contra a mulher “tornará o homem um tolo”.

NEVES, Márcia. A violência contra a mulher no mercado de trabalho. E-papers: Rio de Janeiro, 2009, p.26,27.

A escola do meu filho pediu 2 livros de inglês, importados, com apenas 2 opções de local de compra. As duas livrarias/importadoras tem site, ambas com venda online. Entro na primeira, faço o maldito cadastro que me pergunta cpf, rg, nascimento, profissão, email, celular e a cor da minha calcinha. As coisas que a gente faz por filho. Confirmo o cadastro via email. Entro na tela de compra. Digito os ISBNs dos livros. Localiza. Seleciono. Coloco no carrinho. Próxima tela. Entro com todos os dados, inclusive a calcinha, de novo. E o sistema dá erro. Ligo para o atendimento. Por telefone, o rapaz me informa um pouco constrangido que a compra só é possível 24 horas após o cadastro e me sugere que vá até uma de suas lojas. Não vou nem comentar. Entro no outro site. Além do sistema, um simpático “compre pelo telefone”. Ligo. Tudo resolvido com um telefonema que durou exatos 4 minutos, com cálculo de frete e com o atendente me avisando que havia uma edição mais nova dos livros pedidos, caso fosse do meu interesse. Era. E o rapaz ainda sugeriu “se a senhora tiver acesso à internet, pelo site é mais rápido”. Você consegue adivinhar de quem eu virei cliente?

Andei conversando com algumas pessoas a respeito do caso do menino Sean. Interessei-me especialmente pelas opiniões contrárias à minha, justamente por compreender o quão complexa é esta questão. Independente do que eu acho ou deixe de achar a respeito de famílias poderosas de advogados ou de norte-americanos oportunistas, percebi que algumas pessoas confudem conceitos básicos. É importante ressaltar, entretanto, que eu não sou advogada.

1. “rapto”

Antes de mais nada, rapto é a ação de levar alguém contra sua vontade, como refém, o que não foi o caso em absoluto. Rapto e sequestro são coisas diferentes.

2. “sequestro” e a Convenção de Haia

A noção que temos de sequestro aqui no Brasil é reter à força um bem ou pessoa com intenção de cobrar dinheiro, vantagens ou providências imediatas para a concessão do resgate. Também não foi o caso.

Segundo a Convenção de Haia, quando o período da autorização de saída de um país é estendido sem a autorização de um dos pais, configura-se sequestro. Entretanto, a mãe obteve a guarda legal do menino e em acordo com o pai biológico e portanto em nenhum momento esta criança esteve em solo brasileiro de forma ilegal. Cabe sim, a Convenção de Haia, por se tratar de uma disputa internacional de custódia, mas não se trata de um sequestro, já que o menino saiu do país com autorização do pai biológico e aqui permaneceu sob a guarda legal da mãe.

3. O julgamento da custódia tinha que acontecer no país de origem da criança

Sim, é verdade. Entretanto, como a última guarda legal do menino foi brasileira, o processo corre aqui. Tem também a questão da “residência habitual”, ou seja, onde a criança tem o hábito de residir. O hábito de Sean é obviamente brasileiro. Além disso, trata-se de um menino com dupla nacionalidade, mas isso nem entrou em questão. Não houve qualquer irregularidade – mesmo de acordo com a convenção – pelo fato da custódia ser julgada aqui. Os EUA, se fosse o caso, poderiam a qualquer momento ter requisitado que o julgamento fosse transferido para lá, como já fizeram com inúmeros casos (não apenas de custódia).

4. criança tem que ficar com o pai

Claro! Só que pai não é necessariamente o biológico. As famílias não são mais configuradas pela genética faz tempo. O bem estar da criança deve sempre prevalecer. Gostaria de perguntar se aqueles que apoiaram o pai biológico o fariam se ele fosse, digamos, etíope ou guineense.

5. se fosse o seu filho, você gostaria que fosse levado para outro país?

É óbvio que não. Mas também, se fosse meu filho, eu já teria me mudado para o outro país, enfrentado qualquer tipo de dificuldade e não teria esperado anos para entrar com um recurso à distância. Mas claro, isso sou eu.

6. ah, o pai mandou cartas que voltaram!

Esse menino deve ter sido alfabetizado em português uns 2 ou 3 anos atrás. Certamente uma carta (em inglês) é a melhor forma de mostrar o seu afeto, lógico. Como não pensei nisso?

Outra coisa: os Lins e Silva podem ser chamados de qualquer coisa menos de burros. Essa história das cartas está muito mal contada. Seria um tiro no pé devolver cartas. Aposto muito mais em outra explicação, indo desde greve nos Correios até armação ou fraude. Adoraria que estas cartas fossem analisadas por peritos.

É sempre bom lembrar que um direito civil deste menor foi violado. Ele tem o direito de ser ouvido, de acordo com a própria Convenção de Haia (Decreto 3.413/2000, artigo 13), de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Crianças (Decreto 99.710/90, artigo 12), e de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069, inciso II do artigo 16). Portanto, um direito civil internacional desta criança foi violado.

“A própria Convenção de Haia aponta que a autoridade central do país requerido pode recusar a entrega se contar com a manifestação de vontade da criança, que até os 16 anos está protegida pela Convenção”

É sempre bom lembrar também que a própria Convenção de Haia prevê a possibilidade da adoção de menores (artigo 16).

Não vou nem entrar no mérito da questão de se tratar de um herdeiro. Ou da pressão norte-americana usando acordos comerciais. Ou do contrato com a NBC. Ou do pai biológico não ter esperado nem uma semana para cobrar 500 mil dólares da família brasileira. Não vou.

Fica aqui o meu apoio à família brasileira e meu voto para que continuem lutando e que entrem com um processo nos EUA e que façam tudo. Tudo.


adendo: leiam o depoimento do Sean no 13º ofício de notas (em pdf).

Conheço um norte-americano que me disse, com lágrimas nos olhos, que ele acreditava que o Obama ia fazer Good, que ele era um good man. Naquele momento pelo menos, ele acreditava de verdade nisso. Assim como acreditava que todo o mundo – sim, o mundo todo, todos os seres humanos, eu e você inclusive - tem inveja dos Estados Unidos. E completou dizendo que não tinha dúvidas de que o ataque às torres gêmeas havia sido motivado por ciúmes do american way of life. Não estou inventando, gente, juro.

Por motivos completamente alheios à política norte-americana, hoje entrei nos sites do Barack Obama e do Mike Huckabee. Tanto mudei de provedor e meu site de um lado pro outro que alguns posts acabaram perdendo fotos. Fui lá recapturar os printscreens dos sites para começar a diminuir os erros de not found daqui do meu blog.

O cara ganhou até um prêmio Nobel mas minha estranheza continua.

Vocês vão achar que é implicância minha. Não é.

Observem.

Fotos capturadas:

Mike Huckabee / Barack Obama

Isolei a testa de ambos (maior área):

Mike Huckabee / Barack Obama (testas)

Mike Huckabee / Barack Obama (testas)

Barack Obama está mais claro que o Mike Huckabee.

Cor de pele é tão relevante quanto cor de camisa e eu considero todo preconceito (racial, sexual, religioso, etc) imbecil. Aliás vale a lembrança que preconceito significa pré-conceito, conceito prévio ao conhecimento, ou seja, quando você forma um conceito sobre algo sem conhecer. Portanto todo preconceito é ignorante.

Espero que Obama faça um bom governo assim como torço para qualquer um. O importante é que a humanidade dê seus pequenos passos de tartaruga manca, independente se com o meu voto ou não. Entretanto não posso deixar de notar a manipulação das massas. Se acreditarmos na imprensa e nos comentaristas dos sites de notícias, a “culpa” da photoshopada dos políticos norte-americanos com certeza é do Lula.

Para vocês não ficarem aí pensando que eu reclamo só de norte-americano que tenta impor suas opiniões, um exemplo tupiniquim: uma agência de propaganda brasileira recém-chegada em Portugal criou uma peça publicitária para TV tão inadequada à cultura local que conseguiu comunidades no facebook intituladas “Gente que não grama o anúncio do Pingo Doce do Duda” e “Que cliché do Pingo Doce és tu?“, com direito a camiseta e tudo mais. Clientes do produto anunciado deram entrevistas, dizendo “Obviamente não gostei (…) e achei perfeitamente desenquadrado do património construído pela marca.” É o pesadelo de todo publicitário com mais neurônios que divisões do ego (são 3, caso você esteja perdido: ego, superego e id).

O grande problema é esta falta absoluta de adequação que qualquer empresa recém-chegada em qualquer país/comunidade tem e terá sempre à cultura local. É um dos malefícios da globalização (existem benefícios também, claro). Sei que é difícil de acreditar mas ler pesquisas não faz de você um entendedor da cultura. E pasme, nem todo mundo engole aquela sua “fórmula de sucesso”. Esta é uma questão que só é possível de ser resolvida colocando o ego de lado (sim, isso é possível!) e não apenas contratando mas efetivamente ouvindo profissionais locais. Sim, aqueles (insira aqui o preconceito de sua preferência) locais. Eles talvez não tenham leões nas costas ou tenham estudado em Harvard/whatever mas entendem muito melhor do que você a cultura deles. E isso vale para brasileiro chegando em Portugal, norte-americano chegando aqui, inglês chegando na Austrália ou ET chegando em Varginha.

Repitam comigo: cultura é um lance tipo assim que existe, saca, gênio?

Quantas vezes já ouvimos que subir um lance de escada faz bem, ajuda na circulação sangüínea, melhora o tonus muscular, queima calorias e ainda por cima é de graça (academias são pagas, etc)?

Ainda assim todos nós, cansados, pensando em outras coisas e com o relógio apertado, muitas vezes damos preferência à escada rolante.

O sedentarismo, a hipertensão e a obesidade se tornaram um problema de saúde pública faz tempo. Campanhas do tipo “para descer 2 ou subir 1 andar, use as escadas” é tão eficiente quanto dizer para uma criança que muito doce faz mal: às vezes até funciona mas a maioria simplesmente ignora.

Este vídeo, apesar de em um idioma incompreensível, mostra uma solução simples e eficaz para a questão. Olhem que legal:

Umberto Eco desistiu de editar seu próprio verbete na wikipedia. Eu também desistiria, no lugar dele. Fica, aliás, a sugestão aqui de tornar o verbete cada vez mais nonsense (pactos secretos com alienígenas são só o começo).

Eu não gosto da wikipedia. Sempre achei que é a perpetuação do senso comum mais raso e eu ainda carrego comigo a inocência de achar que verbetes enciclopédicos deveriam ser escritos por especialistas em seus respectivos assuntos.

“Recentemente, alguns amigos informaram-me que o texto da Wikipedia dizia que eu havia me casado com a filha de meu ex-chefe, o editor italiano Valentino Bompiani. Isso não é nem um pouco difamatório, mas no caso de suas filhas – minhas queridas amigas Ginevra e Emanuela – pensarem assim, eu eliminei a informação. (…) Outro método é ler sobre o mesmo tópico na Wikipedia, mas em outra língua – se o seu Urdu estiver meio enferrujado, você pode experimentar as versões italiana ou francesa. Se elas forem diferentes, você poderá encontrar a contradição. Isso, por sua vez, fará com que você se levante da escrivaninha e consulte uma enciclopédia impressa, apesar de sua fé convicta no virtual.”

Não tenho o invejável bom humor de Umberto Eco. Vejo nisto uma falência da razão. É a cultura do fácil, da lei do menor esforço, que tem como único caminho possível o empobrecimento do raciocínio. Neste mesmo saco enfio os memes, os plagiadores, a população do copy-paste e todos aqueles sem pensamento próprio.

Por outro lado pode ser só a minha já lendária impaciência com o mundo.

(via CrisDias, no twitter)

vale ver grande