Fala Freela! #47 – dicas
9 de Agosto de 2010
Novamente com o time completo, a meia hora mais valiosa do seu dia, reúne Mauro Amaral, Humberto Oliveira, Carolina Vigna-Maru e Maurício Domene em mais um episódio de dicas. As seções mais esperadas da podosfera brasileira apresentam sites e aplicativos na Linkania, toques importantes sobre Produtividade, um perfil (ou mais) comentado na Galerasolo (cadastre-se já!) e dicas culturais no Subsolo.
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Só para você não se perder, fique de olho:
- Fotos antigas nos locais de hoje no HistoryPin
- CarbonMade que facilita sua vida na hora de colocar um portfólio no ar
- FilePegasus. O mais novo aplicativo da Holiveira Apps. Lançamento em breve
- Kyanja Lee e Marcio Silva Ramos
- Livro indicado: Manual do Freela – Quanto custa meu design;
- Heart Directed: Um site que coleta diversos exemplos de sites onde o layout das páginas foge do convencional.
- FileMagazine.com: Revista online de fotos. Fora do normal, com uma mostra permanente de fotos muito legal;
- Curso “Ilustração de Textos: Uma Introdução à Análise Literária e à Imagem Narrativa”, com as Profa. Janaína Tokitaka e Profa. Ana Cândida Avelar
Tem sorteio!
Vamos sortear o livro Nada a dizer, de Elvira Vigna (mãe da Carol!) . Basta jogar no twitter as duas hashtags juntas: #falafreela #elvira e concorrer.
Como distribuir meu livro?
25 de Maio de 2010
publicado no Carreira Solo em 25/05/2010
Um leitor aqui do Carreirasolo.org pediu um artigo sobre distribuição no mercado editorial e esta é a minha tentativa de expor o pouco que conheço. Sempre contratei profissionais ou empresas para isso e portanto é importante deixar claro que este artigo não se propõe, de forma alguma, a ser completo ou muito menos a resposta para tudo.
Primeiro contato com livrarias
Se você estiver pensando em fazer a distribuição você mesmo – o que eu não aconselho –, o contato com as livrarias é na base do uma por uma. Claro que existem grandes redes, com muitas lojas, onde o acordo é centralizado mas elas costumam ser mais difíceis de entrar com poucos títulos.
É bastante comum as grandes livrarias só aceitarem acordos a partir de um determinado número mínimo de títulos a serem comercializados. Quanto mais títulos, melhor o acordo normalmente. E aqui temos o primeiro grande dilema do micro-editor: para conseguir um distribuidor, ou seja, alguém que faça isso para você, muitas vezes também é necessário uma quantidade mínima de títulos.
Não desista. É difícil mas é possível. Existem distribuidores de menor porte que fazem este trabalho para você e também nada te impede de começar a distribuição em livrarias selecionadas e, aos poucos, conseguir colocação em todas (ou quase todas).
Colocação de publicações à venda
Uma vez que o acordo com aquela livraria já foi estabelecido, você precisa entrar em contato para oferecer o título. Isso vale tanto para títulos novos quanto para reposições de títulos já vendidos. Fazer uma pequena apresentação do produto não é nada mal mas nem sempre o livreiro tem tempo para ouvir, mas deixa preparada. Neste contato você pergunta quantos exemplares o livreiro quer.
O livreiro normalmente não compra o seu livro ou revista, ele coloca em consignação para venda. Quando o livreiro perguntar “qual o meu desconto?” o que ele quer saber é quanto você vai dar pra ele em cima do preço de capa. O normal para editores iniciantes é 50%. Com o tempo, com mais títulos e mais força de mercado, você vai conseguir negociar valores melhores do que esse mas no começo a facada costuma ser de metade mesmo.
Por isso é importante calcular o seu preço de forma que 40% (100% – 50% livraria – 10% autor) cubram todos os seus custos, inclusive gráfica, papel, ilustrador/fotógrafo, diagramador, infra-estrutura, revisores, salários e demais serviços.
Os dados necessários para o faturamento, que você precisa perguntar no primeiro contato com o ponto de venda são:
- Razão social
- CNPJ
- Endereço completo (rua, nº, complemento, bairro, cidade, estado e cep)
- Telefone
- Inscrição Estadual
Acertos
O “acerto” é quando você descobre o que vendeu e portanto o que você vai receber. Ou seja, a verificação de quantos exemplares foram vendidos para que então a nota fiscal de venda seja emitida. As livrarias podem levar até 90 dias para pagar. Neste momento você também pergunta se a livraria quer reposição, ou seja, se quer mais exemplares daquele título que vendeu. Nem sempre a livraria repõe tudo que foi vendido.
Então, por exemplo, supondo que você colocou 10 exemplares na livraria para vender; vendeu 8; a livraria pode pedir só 2 ou 3 de reposição, não necessariamente, ao querer uma reposição, o livreiro vai querer voltar ao número inicial da primeira colocação.
Este acerto raramente é mensal. Pergunte ao livreiro a data de sua preferência para o próximo acerto. Evite fazer acertos em dezembro. Os pontos de venda estão atolados com Natal e normalmente não fazem acertos e nem reposições nesta época.
Depois de feito o acerto, você precisa emitir a nota fiscal de venda daqueles exemplares vendidos e em seguida um boleto bancário de cobrança. A maioria dos bancos tem este serviço para as contas empresariais.
Nota Fiscal
Os pontos de venda só podem ter exemplares expostos se tiverem uma nota fiscal. Ou seja, qualquer produto que você coloque à venda em uma livraria ou outro ponto de venda precisa ser acompanhado de uma nota fiscal, que por sua vez pode ser de consignação ou de venda.
Consignação
Quando as revistas são entregues a uma livraria para posterior venda, é considerada nota fiscal de consignação. Toda nota tem um código específico, o CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações), que muda quando você emite nota para outro estado. Existe ainda um terceiro número, que é para quem emite para o exterior mas este eu nunca usei e não sei direito como funciona.
Quando é para o mesmo estado, o código CFOP para consignação é 5917 e quando for para outros é 6917. Isto é levando em consideração o endereço da sua empresa e o da empresa do ponto de venda, informação que você perguntou para poder emitir a nota; não no endereço de entrega dos exemplares, que muitas vezes é só uma central de distribuição/recebimento. A tabela completa encontra-se online neste endereço.
Venda
Depois do acerto, quando a venda já foi realizada, é necessário emitir uma nota fiscal da venda daqueles exemplares. O CFOP para isso no mesmo estado é 5113 e para outras unidades da federação é o 6113.
Depois de tudo isso, ainda tem a emissão do boleto bancário. No felizmente curto período em que eu precisei fazer isso, usei o serviço do Unibanco para as contas empresariais e nunca tive problemas. Consulte o gerente do seu banco a respeito, ele com certeza terá soluções para isso. E, se tudo mais falhar, use um dos vários serviços de emissão de boleto online que existem por aí.
As datas dos acertos e dos pagamentos são determinadas pelo ponto de venda.
Normalmente quem paga o transporte é o editor. E é o editor, inclusive, que precisa retirar o encalhe do ponto de venda.
Promoções, brindes e afins precisam ser negociados caso a caso com cada ponto de venda.
É comum o editor não ter muito tempo entre o recebimento do acerto do ponto de venda e a sua prestação de contas com o autor, então é importantíssimo que você seja extremamente organizado.
Incompleto, é verdade
Como disse no início, não sei muito a respeito de distribuição porque sempre contei com profissionais para isso, mas espero que este artigo já dê alguma luz sobre a questão. Quero também agradecer à Cláudia Mello Belhassof, tradutora e administradora de empresas, que foi quem me ensinou o pouquinho que eu sei e quem fez todo o posicionamento da revista Next Brasil, dirigida pelo sociólogo Domenico De Masi tanto aqui como na Itália e editada por mim aqui no Brasil até 2006.
Contribuições são bem-vindas nos comentários!
Como formatar o original de um livro?
22 de Maio de 2010
publicado no Carreira Solo em 20/05/2010
Mais um leitor, o Daniel de Ávila, leu os posts da seção Editorial e cavucou uma dúvida bem pertinente. Ele nos pergunta como formatar o livro que ele acabou de criar para que tenha mais chances de ser lido pela turma da editora. Um texto só? Capítulos em arquivos separados? E a carta de apresentação, vai junto?
Calma, Daniel. Não é nehuma cova cheia de leões. Para diagramação em softwares profissionais (como o InDesign, por exemplo), a separação por capítulo ajuda bastante pque normalmente é feito assim, em arquivos separados que são unidos depois no “book”, inclusive para gerar índice/sumário automaticamente.
Entretanto, é muito raro você apresentar em editoras um original com este tipo de diagramação profissional. O mais comum é um único documento do Word mesmo. E de toda forma, separar os capítulos depois para ir para diagramação não é o fim do mundo.
Quanto à formatação, esta também varia muito de acordo com o que você está escrevendo, mas um bom parâmetro geral é:
- folha A4
- times/arial/verdana (alguma fonte simples e de fácil leitura)
- corpo 12
- entrelinha 1.5
- espaço de +/- 8mm entre parágrafos OU indentação da primeira linha do parágrafo
- margens decentes, de pelo menos 2cm
- seus contatos no rodapé
- título da obra no cabeçalho
- páginas numeradas
- encadernado
Ah: não coloque a sua carta de apresentação dentro da encadernação. Muitas vezes o original vai ser lido por leitores-beta e/ou vários profissionais dentro da editora e a cartinha normalmente se destina apenas ao conselho editorial ou ao editor (leitores-beta, por exemplo, raramente lêem a carta de apresentação).
E, claro, boa sorte!
Como publicar livros estrangeiros no Brasil?
18 de Maio de 2010
publicado no Carreira Solo em 18 de maio de 2010
Mais um “post-resposta”, escrito a partir de um e-mail interessante vindo de nossos leitores. Vale o recado sempre: tanto aqui como no FalaFreela, nosso podcast, participações são mais do que bem-vindas.
A dúvida do leitor em questão se iniciava com a temática dos livros. Em retorno de viagem, na companhia de amigos pastores, surgiu a ideia de “regionalizar” o livro aqui no Brasil. Seria o fato do tema religioso um impeditivo para a tradução e publicação por aqui? Claro que não!
No que diz respeito à produção em si do livro, ou seja, da parte revisão-tradução, diagramação, design, gráfica, papel, etc, o fato do livro ter conteúdo religioso não faz nenhuma diferença. Cada publicação, naturalmente, tem sua lógica. Não tratamos um livro infantil da mesma maneira que um romance adulto, por exemplo.
O fato do conteúdo ser religioso é apenas mais um segmento, que terá as suas necessidades respeitadas pelos profissionais envolvidos assim como qualquer segmento. A comercialização do livro religioso, entretanto, é completamente diferente. Existem boas e grandes editoras especializadas neste tipo de publicação. De cabeça agora lembrei da Paulinas, mas existe um monte.
O caminho das pedras
Como se trata de um projeto em parceria com pessoas de fora do país, a parte burocrática toma uma importância maior, que normalmente não tem no mercado nacional. Então, faz primeiro um contrato com os autores te permitindo traduzir e comercializar a obra em português. Em seguida, a tradução e pelo menos uma primeira revisão. Daí registra na Biblioteca Nacional para ter o ISBN. É rápido e barato. E aí, só aí, é que vale a pena começar a procurar editoras para o projeto.
Primeiro tenha em mãos um contrato, o texto traduzido, com pelo menos uma revisão e registrado na BN. Depois você pensa e decide como ou o que fazer e com quem. Você pode partir para uma comercialização direta também, que pode ser beeeeeem mais lucrativo para vocês. Aí é só contratar um bom designer/produtor gráfico para fazer a diagramação e o acompanhamento em gráfica, ir pra gráfica e vender diretamente o livro na sua Congregação.
Se você quiser colocar em livraria, vai precisar de uma editora. Se quiser vender diretamente, não precisa. Recentemente tivemos contato com uma editora on demand, via Editora grande ou pequena. Qual escolher?, que tem uma proposta que achei muito sólida e interessante, é a Leia Sempre, que tenho certeza de que vai te atender bem se você optar por este caminho.
Da parte do contrato, principalmente por envolver legislação de pelo menos 2 países diferentes, eu honestamente te aconselho a contratar ou pedir a ajuda de um advogado de sua confiança. Certo?
Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida, é só mandar um e-mail, ou recado de voz.
Editora grande ou pequena. Qual escolher?
4 de Maio de 2010
publicado no Carreira Solo em 4 de maio de 2010
Uma simpática leitora nos enviou um email perguntando sobre o momento de escolher a editora. Grande ou pequena? Achei que a pergunta talvez fosse de interesse para mais pessoas. Digo a pergunta porque a resposta eu não tenho.
Vou supor aqui neste artigo que estamos falando de autores ainda não consagrados. Até porque o autor que tem um “nome cartão-de-visita” certamente não precisa de orientação na escolha de editora, certo?
Grandes
A vantagem das grandes é, principalmente, a distribuição. Marketing mesmo elas só fazem para autores mais consagrados, o tal do “investimento certo”, um paradoxo que eu nunca consegui entender direito (não são estes, justamente, os autores que não precisam de marketing?). Voltando, a distribuição das grandes é uma enorme vantagem. Distribuição é o calcanhar de Aquiles do mercado editorial e nisso as editoras grandes e/ou antigas e/ou famosas saem na frente. Ser publicado por uma grande tem inúmeros benefícios, como por exemplo status, boa distribuição, melhores vendas, melhor penetração na mídia, melhores tiragens.
Pequenas
Antes de mais nada, é importante fazer uma diferença entre a pequena-jovem e a pequena-nicho. Existe a pequena que tem experiência mas que optou por um nicho de mercado e portanto é e será sempre pequena e existe a pequena que na verdade quer ser uma multinacional quando crescer mas ainda usa calças curtas.
Pequenas jovens
Nestas você vai encontrar garra, adrenalina, boa vontade, gente de cabeça jovem e idéias frescas. E isso é ótimo. Prepare-se, entretanto, para prazos mais longos e alguns tropeços no meio do caminho. Vão certamente tentar compensar a dificuldade em distribuição com uma presença online e isso é bom. O mundo é digital. Só pense bem no tipo de publicação que você escreveu antes de decidir. Se o seu trabalho é uma monografia, por exemplo, talvez não seja um bom caminho porque o seu público-alvo não está acostumado a redes sociais. Por outro lado, se você escreveu uma graphic novel, certamente uma editora jovem será uma boa parceira. Ou seja, é preciso escolher com cuidado.
Pequenas nicho
Sei que pode parecer um pouco óbvio mas… Certifique-se que o nicho da editora é o que você escreveu. Não adianta você enviar um original de poesia para uma editora especializada em ficção científica. Não adianta você enviar um livro homo-erótico para uma editora infanto-juvenil. Por melhor que seja o original, eu te garanto que a editora não vai publicar. As editoras de nicho não optaram por uma especialização à toa. O lado bom é que você provavelmente não vai encontrar ninguém que trabalhe melhor o seu livro do que eles. E aí vale sacrificar uma grande distribuição porque vão ser estas editoras que vão saber colocar melhor o livro nos eventos especializados da área, que vão colocar o livro nos fóruns de discussão, que vão trabalhar tanto a estória quanto o autor em todo acontecimento da área. E mais, são profissionais respeitados por este mesmo nicho. Esta é a cereja do sundae, é o melhor dos dois mundos. Infelizmente não são muito comuns.
Resumo da ópera
A escolha da editora é muito mais relacionada ao conteúdo do seu livro do que ao porte da editora.
Claro que não é o único método de seleção, mas um dos melhores que eu conheço é ir a uma grande e boa livraria e selecionar uns 20 ou 30 livros que se pareçam em conteúdo com o que você escreveu. Anote o nome das editoras. No site da CBL ou da SNEL tem os endereços das editoras. Imprima o seu original e envie aos cuidados do Conselho Editorial (encadernado, espaço duplo, corpo 12, fonte boa de ler tipo Arial ou Times, em preto e branco, com seu nome, email e telefone no rodapé). E, claro, boa sorte!
Como aumentar as chances…
13 de Abril de 2010
Clientes: Como aumentar as chances de seu e-mail ser lido por um profissional freelancer?
publicado no portal Carreira Solo em 12/04/2010
originalmente escrito como um post para este blog aqui,
contou com a valiosa ajuda do Mauro Amaral
para transformar o texto em algo mais coorporativo
Vocês não acreditariam se eu enumerasse a quantidade de emails de estranhos que recebo com ordens. É um tal de “primeiro quero estimativa”, “aguardo resposta imediata”, “analise isto” e “preciso da resposta até amanhã” que deixaria os piores ditadores rubros.
Pensando que estamos aqui para solucionar uma necessidade sua, enquanto cliente, e que ela exista, sigo enumerando algumas dicas que aumentarão a chance de um profissional sério e competente ler seu e-mail com toda atenção que ele merece.
Se for cliente, leia com atenção. Se for freela, leia com o dobro de atenção.
A escravidão foi abolida.
Mesmo que eu fosse sua funcionária (e eu não sou), isso não é forma de falar com os outros. Como você espera que uma pessoa que sequer te conhece responda com um mínimo de boa vontade se você já começa dando ordens?
O curioso é que eu só recebo este tipo de email de pessoas que sequer conheço e que me pedem favores. Sim, favores. Avaliar algo, orientar, dar dicas, falar onde consegue endereços, são fa-vo-res.
Analisar originais, inclusive, é um trabalho pago. Você fala assim com o seu cachorro? Quem te deu o direito de falar assim comigo? Que coisa.
Tenha um mínimo de educação, pelamordedeus
Obrigado e por favor foram abolidos do idioma, por acaso? Você quer minha ajuda? Peça. Simples assim. Não me dê ordens. Comece se apresentando, por exemplo.
“Olá, eu sou o Fulano, especialista em ração de gato. Escrevi um artigo sobre o assunto. Você pode me dar alguma dica do que fazer com o texto agora? Obrigado, Fulano” é mais que suficiente.
Não quero saber que o seu primeiro cachorro se chamava Totó em Pirapora do Bom Jesus e que quando você tinha 5 anos quebrou a perna, mas preciso saber com quem estou falando, ora bolas. Diga claramente o que quer.
Eu não sou adivinha. E, no dia em que conseguir dons divinatórios você pode ter certeza de que vou usá-los para ganhar sozinha a mega sena da virada e não para adivinhar o que você precisa. Eu não te conheço? Tudo bem, eu não mordo, mas também não tenho bola de cristal.
Não implore
Não mande um email do tipo “ah coitado de mim ninguém me ama ninguém me quer” ou “por obséquio a senhora pode…”. Eu não sou o Papa, não me trate como tal.
Quer ir a um confessionário? Tenho certeza de que você vai encontrar um na esquina da sua casa, em um lugar seco, protegido da chuva e com um pouco de sorte com luz colorida criada por uns lindos vitrais.
Sério, educação é uma coisa. Humilhação é outra e torra o saco.
Só sua mamãe, meu bem
Não chegue dizendo como o seu texto é maravilhoso, como o seu livro é fantástico, como o seu desenho vai mudar o mundo ou que o seu trabalho vai trazer a paz mundial. Muito provavelmente não é, não vai.
Os bons produtos finais (livros, sites, desenhos, o que for) são fruto de muito trabalho e de trabalho em equipe. Um bom livro com um projeto gráfico lixo não vai vender (e portanto não vai ser lido e portanto não vai livrar o mundo das cáries).
Então, apresente o que tem para apresentar. Um texto, uma imagem, um portfólio, uma ração de gato, o que for. Provavelmente não é o melhor e certamente não é o único. E isso não é problema algum.
Para cada necessidade existe um profissional. Então, o seu portfólio não ser o melhor do mundo é bom, porque o melhor portfólio do mundo precisa do melhor cliente do mundo e, como todos nós sabemos, esta é uma figura mítica.
Pediu opinião, escute
Se você pediu a opinião de um profissional da área, escute. Não importa se é um médico, um editor, um advogado ou um designer. Nada nesse mundo te obriga a concordar com o que quer que seja mas escute, pense, reflita e tire suas próprias conclusões que podem ou não concordar com o especialista. Ou então poupe o tempo do pobre infeliz e nem pergunte.
E respeite. Analisar dá trabalho. Analisar algo exige um somatório de experiência e conhecimento que o especialista normalmente levou décadas para adquirir. Ser grosseiro por ouvir uma crítica construtiva é necessariamente uma recusa ao crescimento, é coisa de criança pequena fazendo manha.
E, acredite, nada faz com que alguém perca o respeito por você mais rápido do que uma grosseria gratuita. Como já dizia padre Antonio Vieira, “a restituição do respeito é muito mais difícil do que a do dinheiro”.
O problema da auto-publicação
28 de Outubro de 2009
Antes de começar, preciso deixar claro que existem excelentes autores que publicam no esquema da auto-publicação. O livro ser integralmente ou parcialmente pago pelo autor não tem nenhuma relação com o seu conteúdo. Este artigo é apenas um alerta de que não basta escrever e pagar a impressão. Há muito mais entre o Word e a gráfica do que crê a vã filosofia.
A publicação via editor é melhor não porque o editor seja essa maravilha, não, mas porque submete o texto a inúmeras leituras, revisões e a todo um trabalho editorial que na esmagadora maioria dos casos não existe na auto-publicação. O problema é que a auto-publicação é uma prestação de serviços e, como em qualquer lugar, o cliente tem sempre razão. Na hora em que o autor se coloca como cliente e não como uma parte do conjunto necessário para fazer um livro (a parte mais importante, sem dúvida alguma, mas uma parte – carro não é só motor e outras analogias) o autor perde completamente o discernimento do texto.
Dando um exemplo (existem muitos durante toda a linha de produção de um livro): leitores-beta são leitores profissionais (às vezes até mesmo especializados em análise literária) e não aquele seu amigo super legal e inteligente que jurou de pés juntos que faria uma leitura não-tendenciosa do seu livro. A não ser, claro, que você seja amigo de um leitor profissional do porte de um Eric Novello da vida, mas aí ele mesmo com certeza já te falou isso tudo. É melhor inclusive que seja alguém que não te conhece pessoalmente. A separação entre o texto e o que o leitor conhece do autor é uma tarefa que exige muito tempo de estrada e não é para qualquer um. E isso estou falando só da parte da primeira leitura especializada, não estou nem falando de adequação de discurso, de colocação no mercado, de nada disso…
Outro problema sério é a distribuição. Se você só tem um livro – por melhor que seja – para comercializar, os distribuidores sequer te atendem. A editora, por outro lado, liga para o distribuidor e, depois do ok do produtor gráfico da editora, requisita que o caminhão busque os exemplares direto na gráfica. Caminhão, não aquele carro com um enorme porta-malas da sua prima.
O trabalho de design também não é simples. Não, não serve aquele arquivo seu do Word tão lindo já no formato de livro, com até números de páginas. E não, aquela sua amiga artista plástica que tem um clima assim tão legal, tão próximo do livro, que entendeu tudo, não, ela não pode fazer a sua capa. Quer dizer, nada contra ela fornecer uma imagem para a capa, mas capa não é só uma imagem bonita e chamativa com o título grande.
Repare que nem estou falando de copy-desk e revisão. Copy-desk, aliás, é outra questão. O copy-desk está trabalhando a favor do seu texto, não contra. Não mande um peixe enrolado no jornal para a casa do sujeito só porque ele sugeriu cortar 2 parágrafos do seu texto. É claro que copy-desk erra, assim como revisor, assim como o designer, assim como o editor e, pasme, assim como o autor. Não precisa se angustiar, basta conversar e explicar o seu ponto de vista. E, igualmente importante, ouvir o ponto de vista do outro.
O problema da auto-publicação é que, na maioria das vezes, não há troca. É apenas o autor pagando para uma gráfica imprimir o texto. E o produto final sempre reflete o cuidado que se teve com ele. O leitor não é burro. Não o trate como tal.
publicado em 28 de outubro de 2009
no portal Carreira Solo
Contrato editorial é uma armadilha?
20 de Janeiro de 2009
O lado negro do mercado editorial
Não que eu seja autoridade no assunto, longe disso. Não sou advogada ou jurista e sempre estive do outro lado do balcão, mas ainda assim achei que seria legal colocar aqui as armadilhas mais comuns, que os autores precisam ficar atentos.
- O encalhe: Às vezes a editora tenta empurrar para cima do autor a resposabilidade de lidar com o encalhe. As formas mais comuns de fazer isso é colocar uma cláusula em que aquele título é da editora até que a edição se esgote ou que o autor pague por ela. Cartão vermelho aqui! É claro que a editora precisa de um tempo para trabalhar o livro e como esse é um mercado lento, esse tempo costuma ser grande (7, às vezes 10 anos), mas se depois desse prazo a editora ainda tiver exemplares lá no estoque, problema dela.
- Sem garantia: O contrato deve conter algum tipo de cláusula dizendo que a editora se compromete a publicar o trabalho em X tempo (freqüentemente algo em torno de 6 meses a 1 ano).
- Sem tiragem: A tiragem (quantos exemplares serão impressos) é algo que consta de contrato. É muito comum, entretanto, a possibilidade de adendos ao contrato, modificando este número (em função de um edital que abriu, por exemplo).
Coisas que são assim mesmo
Portanto relaxe e vá pensar em seu novo livro.
- Novas edições*: Durante o período em que o livro está com a editora, ela pode sim fazer quantas edições precisar para atender o mercado.
- Autenticidade: Quem responde por plágio e afins é o autor.
- Impedimento de outras mídias: O autor compromete-se a não fazer nada que possa prejudicar a venda da obra.
Conclusão
Agora, pessoal, pelamordedeus, consultem um advogado antes de assinar qualquer documento. Estas são apenas alguns pontos a prestar atenção, ok?
* “novas edições” aqui é usado no sentido de uma nova reimpressão.
publicado no Carreira Solo em 20/01/2009
A editora pode mudar o conteúdo do meu livro?
14 de Janeiro de 2009
Nota do editor: mais um post nascido comentário. As coisas são assim, às vezes a gente tem que dar uma alteradinha para dar vida nova. Opa, esse é o tema do post. Vamos ler?
Quando fui editora da Next, mudava muito textos, que eram artigos que precisavam estar completamente em sintonia com a revista e com os demais artigos. Por outro lado, não mudava quase nada de livros ou textos de ficção.
Eu entendo que um artigo técnico precisa estar de acordo com a publicação e com os objetivos a que se destina mas que uma obra ficcional é uma criação que se sustenta sozinha e portanto deve ser respeitada como uma unidade.
Claro que já recusei textos que poderiam até ser trabalhados e publicados mas, justamente por considerar que o autor apresenta aquilo que considera pronto, achei que não devia nem propor alterações.
Agora, alguns bons editores tem o hábito de mudar sim. Na minha experiência e no que vi acontecer com autores amigos, a maior área de conflito é na diagramação do livro, não no conteúdo. Coisas como ilustrações feitas para fundo branco e o diagramador “decide” que “precisa de uma corzinha” e taca um tenebroso tom pastel por trás, coisas assim.
E aí a gente não tem muito o que fazer além de engolir em seco e esperar por uma segunda edição melhor.
publicado no Carreira Solo em 14/01/2009
Eu fiz as ilustrações … editora vai aceitar?
13 de Janeiro de 2009
Eu fiz as ilustrações de meu livro infantil. A editora vai aceitar?
Nota do editor: Este é mais um post que nasceu de uma resposta a um comentário neste outro post aqui. Fiz uma ligeira adaptação para iniciarmos aqui uma nova conversa sobre este tema.
Cá entre nós, a verdade nua e crua é que a maioria dos autores infantis, por melhor que desenhe, não conhece bem gráfica. O que a gente recebe de ilustração com especificações inadequadas, nem te conto. Isso sem nem falar em formato. Às vezes (ok, na maioria das vezes, ok, quase sempre) as editoras trabalham com determinados formatos e sair deles é uma dor de cabeça sem tamanho.
Sair de um formato habitual, para a editora, muitas vezes significa reposicionamento no PDV, perda de papel e às vezes até troca de gráfica. Olha, dá tanto, mas tanto trabalho, que por isso eu sempre recomendo os autores de mandar os textos sem nada, para não ter mais um “quesito atrapalhador” na aprovação do texto.
Mandando as ilustrações separadas
Ao optar por esse caminho, você tem a vantagem de deixar o editor mais livre para adequar o seu original dentro da linha dele mas tem a desvantagem de que o resultado pode não sair exatamente o que você considera mais adequado para aquele texto/imagem.
Entregando a boneca pronta
Optar pelo caminho 2 tem a vantagem de que você sabe o que vai sair dali mas a desvantagem de que você “engessa” o editor. Aí, se você for neurótico com TOC como eu, monta uma boneca para cada editor, de forma a não atrapalhar a vida do cara e ao mesmo tempo manter o que você quer.
Ilustrando para outros escritores
Pode ocorrer de você querer também ilustrar para outros escritores, uma vez que tenha seu trabalho aceito pela editora. Isso é, ao mesmo tempo, muito legal e difícil. Mas é isso mesmo: só mandando o seu trabalho é que o editor vai saber.
Se você tiver isso em mente, é melhor enviar o texto e ilustrações separadas, com o argumento de “é esta ilustração que eu gostaria de apresentar para o texto e este estilo que eu gostaria de oferecer para outros títulos, como freelancer.”
Acho mais simpático do que “ó, taí o livro como deve ser”, que, cá entre nós, é meio arrogante.
publicado no Carreira Solo em 13/01/2009
Quanto ganha um escritor?
27 de Dezembro de 2008
Você tem talento, disciplina e até mesmo uma editora querendo publicar seu original. Mas aí, pinta a dúvida: afinal, quanto eu vou ganhar com isso? As respostas que se seguem são os casos mais comuns, a partir da minha experiência, mas na verdade as editoras estão livres para outras negociações. Então vamos lá entender quanto ganha um escritor:
- Critério: na maioria dos casos é percentual de direito autoral, que costuma ser entre 8 e 10% do preço de capa do exemplar vendido.
- Vendagem: cada livraria fecha de um jeito e em uma data. As editoras normalmente disponibilizam as planilhas de contabilidade para os autores só uma vez no semestre ou no máximo no trimestre, justamente porque tem livrarias que fecham trimestralmente, por exemplo, então para não ficar incompreensível, muitas editoras optam por mostrar o balancete para o autor também com uma periodicidade baixa.
- Tempo de repasse: novamente, na maioria das vezes, ok? Normalmente as editoras adiantam uma quantia a combinar para o autor, antes das vendas e vão descontando desta quantia os livros vendidos. O autor só torna a receber quando e se ultrapassar aquela quantia já recebida em direitos autorais (ítem 1). Algumas editoras muito pequenas e sem fluxo de caixa para isso, pagam o autor nas suas datas de fechamento, normalmente de 3 em 3 meses.
- Exemplares de autor: isso varia muito, principalmente do tipo de livro que vc escreveu. Livros didáticos normalmente recebem 10 exemplares, ficção costuma receber um pouco mais, em torno de 30, mas isso você pode conversar com o seu editor. Se a quantia que você precisa for maior do que a editora pode lhe dar, vc pode sempre comprar os seus livros com o preço de autor (com um desconto em torno de 30% do preço de capa).
- Tiragem: sim, as edições sempre tem uma quantidade de exemplares determinada e isto é sempre colocado muito claramente e muitas vezes consta até mesmo do seu contrato. Você fica sabendo exatamente quantos exemplares rodaram em gráfica, quantos foram para imprensa, quantos foram para livraria, etc. Isto tudo é feito de forma muito transparente e às vezes o editor pede para você assinar junto com ele os exemplares de cortesia do editor (jornalistas, etc).
Vale lembrar que…
Esses são detalhes técnicos que em nada devem impedir sua vontade de publicar ou doutrinar seu talento e disposição para compartilhar suas idéias, certo? E por falar em idéias, depois dá uma lida nos posts que temos sobre o Mercado Editorial!
publicado no Carreira Solo em 27 de dezembro de 2008
Quero montar uma editora. Como fazer?
1 de Dezembro de 2008
Nota rápida do Editor: a Carol responde seus e-mails com posts. É um hábito que, para o leitor que mandou o email é uma surpresa e tanto e para o editor aqui um presente sempre bem-vindo: um post prontinho! Então aí vai mais uma resposta fundamental para uma dúvida bastante especial da comunidade dos freelancers brasileiros. Capítulo de hoje: montar a própria editora!
O mercado editorial está em transformação e, muito sinceramente, ninguém sabe direito para onde vai. Não tem fórmula mágica, acredite. Vou tentar te passar aqui algumas linhas gerais mas é extremamente importante que você siga a sua intuição e não leve isso aqui a ferro e fogo, ok?
0. Linha editorial
Botei “zero” de propósito, por ser o ponto mais crucial de uma editora. Tenha uma linha editorial definida e seja fiel a ela. De nada adianta você receber, por exemplo, o novo original do Harry Potter se você não publica livros infanto-juvenis. Você não vai conseguir trabalhar o livro direito, até pela falta dos canais certos e vai acabar matando o original. Com o crescimento natural da editora, nada te impede de, depois, abrir novas linhas, ou até mesmo novos selos editoriais, mas mantenha-se sempre fiel às suas escolhas, por mais tentador que seja algo diferente. É melhor recusar um livro ótimo do que matar um livro ótimo.
1. Tiragens pequenas É muito comum que a gente, por entusiasmo, dimensione as vendas de um determinado projeto com um otimismo além da conta. É fácil cair nessa armadilha porque os projetos editoriais são feitos com tanto carinho que é muito difícil acreditar que o resultado final não vá revolucionar o mundo e vender feito água no deserto. O mercado editorial é um mercado de paciência. Você pode mudar o mundo sim, mas não vai ser com uma única publicação. É tudo muito devagar e tudo muito aos poucos. Então, pelo menos no começo, limite suas tiragens a mil exemplares (o mínimo de gráficas). Não tem nada de errado – muito pelo contrário – em rodar uma segunda edição se precisar depois. Tem uma piada velha no meio: “Como o editor se suicida? Pula do alto do seu estoque.” Então lembre-se: pense muito, crie muito, imprima pouco.
2. Use tudo que puder Eu estou absolutamente convencida de que a solução para o mercado editorial vai vir dos novos. Use twitter, plurk, orkut, qualquer coisa. Desenvolva aplicativos (joguinho, coisas pro facebook, etc), crie sites colaborativos (e gerencie-os bem!), coloque vídeos no youtube. Enfim, use as ferramentas que as editoras grandes não estão usando ainda (juro que não sei se por ignorância ou arrogância). Não ignore os pequenos. Tente conseguir que autores e/ou ilustradores seus visitem escolas ou universidades, dando palestras sobre o trabalho deles e monte uma banquinha na porta. Mesmo que a venda nestes lugares seja efetivamente pequena, vá onde está o seu público leitor, dê atenção a ele, valorize a sua opinião, escute o que tem a dizer. Se você conseguir ganhar o respeito do seu leitor, você está feito na vida. E para isso você precisa ir onde ele está. Converse com o seu autor sobre destinar alguns exemplares gratuitamente, dependendo do caso é claro, a professores, blogueiros ou outros “disseminadores”.
3. Cuidado com listas de discussão Especialmente na linha editorial que você pretende seguir, que aqui no Brasil ainda é bem restrita (e portanto uma oportunidade interessante editorial, boa escolha!), as listas de discussão tendem a ser panelinhas fechadas e qualquer iniciativa de divulgar o trabalho nelas será entendido como spam. Entre, participe, debata outros temas e, claro, quando couber na conversa, divulgue o seu trabalho. As listas são essenciais mas precisam sempre ser entendidas como um centro de debate, nunca como um grande mailing.
4. seleção de originais Quando você abrir para chamada de publicação, precisa deixar claro os seus termos. Deixe claro que é submeter original para análise e que você não responde por telefone, etc. O processo de ler e analisar um original é e deve ser lento para ser bem feito, mas é como em uma festa: quem está na festa se divertindo não sente o tempo passar mas, para quem está na porta esperando, cada minuto é uma tortura. Ou seja, não importa o quão rápido você seja nesta análise, o autor sempre estará ansioso do outro lado. É natural e você precisa respeitar o seu autor, mas não permita que ele o leve à loucura tampouco.
5. gráfica Gráfica boa, felizmente, é o que não falta no Brasil. Esta é a parte mais simples. Contrate um produtor gráfico e peça orçamento (*) em duas ou três gráficas diferentes. O produtor gráfico é o sujeito que vai ver o seu original e vai analisar que gráfica é melhor para o job, que papel é mais adequado, etc. Nem sempre a melhor gráfica é a mais indicada para aquele job. Existem autores e ilustradores geniais (Will Eisner, só para citar logo o rei) que criam suas obras em preto e branco. Dependendo da quantidade de preto, pode ser necessário um papel mais grosso, para não “vazar” do outro lado, mas por outro lado existem gráficas menores que fazem bons trabalhos em preto e branco, por exemplo. E você pode rodar o miolo em um lugar, a capa em outro e juntar tudo em um terceiro, coisa que pouca gente sabe.
Enfim, é uma área com muitos detalhes e, a menos que você tenha gosto pela coisa, contrate um produtor gráfico. A boa notícia é que existem muitos e bons. O custo do profissional se paga com a economia que você faz em adequar o seu job certinho.
(*) Não estranhe se depois de um certo tempo, a gráfica X sempre vier com o melhor preço. As gráficas dão descontos para clientes fiéis e como o seu produtor gráfico sabe disso, vai tentar rodar o seu job sempre nos mesmos lugares (além do fato dele já conhecer a gráfica, com quem falar, onde ir, essas coisas). Depois de umas quatro ou cinco “concorrências” é natural que você escolha algumas gráficas de sua preferência e fique com elas.
6. Distribuição
A distribuição é o calcanhar de Aquiles de todo editor. É o ponto mais dfícil. E é enlouquecedor. A maneira mais simples de não ter vontade e matar um ser humano todo dia no café da manhã é contratar um distribuidor.
O problema é que eles não aceitam poucos títulos no primeiro contrato e cobram uma fortuna. Muita gente, por falta de opção, acaba erguendo as mangas e fazendo a distribuição in house. É nesse momento que você enlouquece.
Cada livraria fecha de um jeito, em uma data, em determinadas condições. Os livros e revistas são sempre deixados em consignação nos pontos de venda e, na data de fechamento, você vai lá e recebe o que foi vendido. Nesta hora tanto você quanto o ponto de venda podem decidir renovar o estoque, manter como está ou não continuar mais (e neste caso você retira, é sempre o editor que paga a retirada, o restante do estoque).
O percentual de venda, que as livrarias chamam de “o meu desconto”, gira em torno de 50% do preço de capa. Se você for muito bom negociador, pode conseguir 40%. Se você for muito bom negociador e tiver muitos títulos, pode conseguir até 35, 30%, nunca menos que isso. Quem está começando paga 50% normalmente.
Os seus maiores custos são distribuição e papel. Sobre a distribuição, temos muito pouco a fazer. Sobre o papel, entra a figura do produtor gráfico que falei lá em cima. Ele vai saber como economizar no papel. E isso significa até mesmo mudar o tamanho da publicação para ter um aproveitamento melhor no corte da folha de papel. Portanto, contrate o produtor gráfico antes de começar a produção do livro.
7. Autores e ilustradores
Este é um contato pessoal e que a gente desenvolve com o passar dos anos. Respeite sempre o seu autor e o seu ilustrador mas se faça respeitar também. Proponha contratos corretos para ambos os lados (sim, isso é possível). Lembre sempre de colocar uma cláusula no contrato que te permita usar uma parte do trabalho para divulgação.
Se for de ilustração, deixe claro que você não vai usar a imagem para outro trabalho mas que precisa usá-la para divulgar o livro. Se for o de autor, deixe claro que você não vai republicar o texto dele sem a sua autorização mas que precisa de trechos para divulgação.
Outra coisa muito importante é cultivar o seu autor. Seja transparente. Mostre a contabilidade a ele (apesar de que eu acho que isso pode ser entendido como uma forma de tortura). Tenha uma contabilidade certinha, aliás. Atenda-o quando possível, tirando suas dúvidas ou simplesmente batendo um papo.
A atividade autoral é uma atividade muito solitária, o autor escreve absolutamente sozinho e sem certeza alguma de retorno e/ou publicação. O editor precisa se colocar como um parceiro do autor e nunca como um negociante. Acredite, tanto você quanto o autor só tem a lucrar com isso.
8. Organização
Você precisa ser muito, muito, muito (eu já disse muito?) organizado. Crie arquivos fup (follow up) para cada pessoa com quem você falar, escrevendo data, horário e conteúdo de telefonema ou email (ou pombo correio, ou sinal de fumaça, ah você entendeu!). Crie cronogramas realistas. Tenha cronogramas, aliás. Planilhas são suas amigas.
Organize a sua agenda por segmento (fornecedores, autores, ilustradores, etc), vai chegar uma hora em que você não vai lembrar se o Fulano da Silva é designer ou ilustrador, por exemplo.
No começo pode parecer que o tempo que você vai gastar para criar estas ferramentas de organização é precioso demais para ser gasto com isso, mas isso vai ser tão útil para você em um futuro breve que vale a pena, juro.
9. Revisores
Português é um idioma que só não é mais difícil que aramaico arcaico. Passe seus textos por revisão, de preferência mais que uma. O meu método pessoal de trabalho é assim (ênfase em pessoal, ok?):
- Rev1 – sempre do editor
- Rev2 – um redator, que muitas vezes pode sugerir alguma melhoria em estrutura
- Rev3 – revisor, para resolver todos os buracos que deixamos na língua pátria.
E, claro, no final volta ao autor. Com o tempo você vai perceber que existem autores que aceitam este trabalho bem e até te agradecem eventualmente e existem aqueles que não aceitam mudança alguma.
É óbvio que você precisa ouvir o autor e muitas vezes existe uma intenção por trás de um erro ou de uma determinada estrutura lingüística, mas você precisa ter muito cuidado (e fugir destes!) com autores intransigentes. O respeito precisa ser bilateral.
Lembre sempre que um original que não se adéqua à sua linha editorial não significa, em absoluto, que o autor não se adéqüe à sua linha editorial e é importante tratá-lo com respeito, respondê-lo quando possível, etc, até porque amanhã ele pode te apresentar um texto fantástico que você vai querer publicar.
Esta relação é sempre muito delicada porque trata-se da criação do autor, mas valorize os autores que entendem que publicação é um processo e que cada etapa é importante para o produto final.
De nada adianta um original bem trabalhado e um serviço porco em gráfica, por exemplo, ou ainda uma ilustração magnífica impressa em um papel tão vagabundo que se vê a frente e o verso juntos. Editar algo, não importa o quê (livro, revista, vídeo, cinema, áudio, etc) é necessariamente um processo onde cada etapa tem a sua importância e o seu valor.
E se o seu autor não entender isso, passe-o adiante, na boa.
Agora, isso também não significa que você é o dono do texto. Você não é. O dono do texto é o autor. E se ele te justificar algo, escute e respeite.
10. Lucro
Pois é… Aqui é o grande X da questão. Editores experientes debatem a questão todo dia. Editores de todos os lugares do mundo não pensam em outra coisa. O mercado está mudando, e muito. A fórmula preço de capa – distribuição, direito autoral, custos de produção, gráfica, etc = lucro ainda funciona mas eu tenho certeza de que por pouco tempo.
Precisamos nos reinventar e, sem saber para onde o mercado vai, é bem difícil acertar. Comece devagar, sem medo mas sem pressa. Edite três, quatro títulos e trabalhe-os bem. Tiragens pequenas. Pense em formas de divulgar os livros que saia do ordinário. Sei lá, é caso a caso, uma história em quadrinho adulta de repente pode ter uma aceitação incrível no circuito da noite, de barzinhos e etc.
Vai dar trabalho mas vale muito a pena. Quem começa agora precisa não apenas ser bom no que faz mas precisa ser melhor do que os que já estão estabelecidos. Se você pensar “ah, a editora grande XPTO faz assim, então isso é bom pra mim também” vai fracassar. Você precisa pensar “ah, a editora grande XPTO faz assim, então eu vou fazer isso e mais aquilo”. Faça sempre mais, pense muito, reflita muito e gaste pouco.
Uma dica final?
Existem editais de governo que você precisa ficar atento, porque são uma venda enorme e valem muito a pena. Acompanhe sempre o site da CBL – http://www.cbl.org.br/ – para ficar informado.
E, claro, boa sorte!
publicado no Carreira Solo em 01 de dezembro de 2008
Como evitar que meu email seja ignorado?
24 de Setembro de 2008
Muita gente envia toneladas de e-mails e não sabe porque motivo eles não são respondidos. Na vida corrida de hoje, quando sua concorrência é composta POR TODO O PLANETA, a grande lance é ser simples, direto e útil a quem recebe uma mensagem sua. Quer saber O QUE NÂO FAZER? Acompanhe essa lista dos 10 erros mais comuns:
1. Emails pesados, em HTML
Você tem idéia de quantos emails um editor recebe por dia? E do tamanho do fluxo de informação com que ele precisa lidar por hora? E da quantidade de coisas que um editor lê? É sério. Tudo que a gente não precisa é receber aquele fantástico PowerPoint que você levou dias fazendo.
O texto, para um editor, é a essência da vida. Você precisa ganhá-lo no conteúdo. Escreva o que quer, simplesmente. Palavras deveriam ser suficientes e o editor não precisa que o texto seja colorido, em extra bold, corpo 32, para enxergar. Acredite, ele provavelmente não é cego. Você pode apenas escrever o que quer dizer.
2. Imagens anexadas
Imagens anexadas pesam o email e muito provavelmente o editor não pediu para que você a enviasse. Primeiro faça contato e se – somente se – o editor pedir, você envia imagem. E mesmo assim, envie sempre em baixa resolução, leve, pequena (a menos que o editor peça diferente, é claro).
3. Faça-o trabalhar!
Quer mostrar o seu portfólio online? Não faça o editor ser obrigado a pesquisar no Google para te achar.
Envie o link de maneira clara. Algo como “veja o meu portfólio no link www.blablabla.com” . Simples, direto, fácil de achar. Se no seu site não tiver, envie uma mini (mini!) biografia no final do email. É sempre bom saber com quem estamos falando.
4. Erros crassos de português
Português é um idioma complexo e difícil. Todo mundo erra. É natural que um profissional da área erre menos. Espera-se que um médico saiba onde fica o fígado, por exemplo, mas não que ele tenha todas as respostas de todas as especialidades. Vai doer no olho de um editor cachorro com x. Não precisa enviar para um revisor profissional cada email que você troque, mas releia com atenção antes de enviar.
5. Muita informação!
Juro, o editor não precisa saber que o seu livro é baseado na triste história da sua Tia Conchita, que veio de Costa Rica para tentar a sorte vendendo mariola na porta do Banco Xurumbambos Inc., mas que ela então casou com Rodoaldo, um engenheiro mecânico especializado em tratores e por causa disso se mudou para Pirapora do Bom Jesus e… Não, ele não precisa saber de tudo isso! Diga “baseado em uma história real”, é suficiente. Mesmo que a sua Tia Conchita tenha sido a pessoa mais importante na sua vida, não foi na vida do editor.
O editor também não precisa saber que você mora em um aprazível sobrado do lado da editora e que pode ir lá sempre que ele precisar de uma fotografia. Envie apenas o seu endereço. Editores pensam, juro para vocês! Se esta informação for de alguma forma importante, ele vai notar, acredite.
6. Pouca informação
Pelo amor de deus também não envie um email apenas com “portfólio link tal”. Apresente-se, diga ao menos o seu nome e o que deseja! Editores costumam ser pessoas inteligentes mas não são videntes!
7. Use hotmail e afins
Nada contra o hotmail especificamente, mas infelizmente este é um daqueles endereços que acabou caindo nas mãos dos spammers. E não tem nada nesse mundo que um editor tenha mais nojo que spam. Uma barata morta dentro de um envelope faz mais sucesso que um spam. Se o editor achar, por um segundo que seja, que o seu email é spam, você já era.
8. Formal demais! Informal demais!
Você não é amigo íntimo do editor, não o trate como tal. Agora, o editor tampouco é juiz do Supremo. Tratamento informal como “você” não tem problema algum, mas “aí cara, tá ligado?” é um pouco demais. Um bom parâmetro é falar com o editor como você normalmente fala com o gerente do seu banco. Não precisa ter medo do sujeito mas não é de bom tom botar o pé na mesa dele.
9. Arrogância
Não, você não é o melhor e muito menos o único fotógrafo / ilustrador / autor do mundo. Sinto muito. E a oportunidade não é imperdível. O seu livro não vai mudar o mundo. A sua ilustração não é a única solução possível para aquele texto. Lamento muitíssimo mas o seu texto não é revolucionário e não trará, sozinho, a paz ao mundo.
O editor muito provavelmente tem muito – mas muito! – mais experiência do que você. Escute o que ele tem a dizer.
10. Envie algo completamente fora da linha editorial
Por melhor que seja, de nada adianta você enviar um texto infantil para uma editora que não tem um selo infanto-juvenil. Ela vai recusar. Antes de enviar qualquer coisa a um editor, pesquise. Entre no site, veja o catálogo, leia o “quem somos”. Você mesmo vai perceber se vale a pena entrar em contato com aquela editora ou não.
publicado no Carreira Solo
Onde encontrar um bom agente?
23 de Setembro de 2008
Eles já foram citados duas vezes nos podcasts do Carreirasolo.org e são figuras fundamentais se você é do tipo que não curte muito o mundo burocrático e mundano das contas a pagar, a receber, contratos, etc e tal.
Falamos, claro, dos agentes. Comum no mundo das celebridades e artistas em geral, pouco se fala da atuação destes profisisonais no ambiente freelancer. Quem sabe é algo que o Carreirasolo.org virá a instituir?
Carolina Vigna-Marú, nossa colaboradora aqui e no Fala Freela, listou alugns, dedicamos ao mercado de ilustração, com suas respectivas avaliações. É lista mais do que valiosa!
Aquent
Pronto positivo: São grandes
Ponto Negativo: muitas vezes acabam sendo mais uma agência de empregos do que de representação
Link: http://www.aquent.com/
The July Group
Pronto positivo: são respeitadíssimos
Ponto Negativo: são fechados, não é muito fácil ser representado por eles (mas
eu acho que vale tentar!)
Link: http://www.thejulygroup.com/
Whirledvisions
Sem avaliação, foi apenas um link recebido
Link: http://www.whirledvisions.com/
DeFreece Group
Pronto positivo: tem fama de dar resultado rápido
Ponto Negativo: é mais de fotografia, nem sei se aceitam design
Link: http://defreece-group.com/
Ripcord graphics
Sem avaliação, foi apenas um link recebido
Link: http://www.ripcordgraphics.com/
Giant Artists
De todos, foi o que eu mais gostei. Mas acho legal você entrar em todos e, claro, dar uma googlada por “artist representation” e entrar em contato
Link: http://www.giantartists.com/
publicado no Carreira Solo
Ainda tem espaço para novos editores?
4 de Setembro de 2008
Entrevista com o Richard Diegues, autor e editor, dono da Tarja Livros.
A Tarja é uma editora especializada em literatura de fantasia e ficção científica.
Quem o entrevista é o também autor Eric Novello.
Richard Diegues from Aguarrás on Vimeo.
Eu fiz questão de colocar este vídeo aqui porque ele fala de algo que todos que pretendem entrar no mercado editorial se perguntam: ainda tem espaço?
Sim, tem. Você só precisa encontrar o seu nicho, a sua especialidade, aquilo que você faz melhor que qualquer outro.
Não abra uma editora agora achando que vai ser a próxima Companhia das Letras. Não, você não vai. Agora, se você começar determinado a ser a melhor editora de XYZ, suas chances são bem melhores e o espaço existe.
Quer ser editor? Mantenha-se fiel ao que você sabe.
publicado no Carreira Solo
Como enviar um livro infantil a editora?
28 de Agosto de 2008
Nota introdutória do Editor: Carolina Vigna-Marú responde a todos os e-mails que recebe de nossos leitores. E em cada um deles, vejo material para um post muito bom. E como aqui, no Carreirasolo.org vivemos de conteúdo muito, muito bom; não me furto em publicar versões adaptadas destes e-mails. O post abaixo surgiu da dúvida de uma leitora aqui no Carreirasolo.org sobre como enviar seu livro infantil as Editoras. É uma continuação perfeita ao Como enviar meus originais para análise
Livro infanto-juvenil é aquilo…
Todo autor quer enviar ilustração junto. A menos que a ilustração seja premiada ou seja imprenscindível para a compreensão do texto, não envie. Deixa o editor escolher o ilustrador. Apenas manda uma cartinha junto, dizendo que você gostaria de apresentar imagens para este texto. Normalmente, uma vez aprovado o texto, os editores acatam as sugestões dos autores, mas são processos separados e você precisa deixar o editor livre para escolher.
O mesmo vale para capas de livros adultos (adultos como em “não-infantis”). O único tipo de livro que não tem problema você enviar as imagens junto é livro técnico e mesmo assim às vezes o editor contrata algum ilustrador ou fotógrafo para melhorar/aumentar a quantidade de imagens.
O tamanho do livro varia muito, mas muito mesmo, até mesmo da escolha da gráfica da editora. Eu já vi, para você ter uma idéia, um mesmo livro (mesmo texto, mesmo autor) ter um ilutrador e um formato em cada edição.
Às vezes a gente faz um projeto em que a imagem faz parte, é uma parte meio que grudada no texto. Se for muito, mas muito mesmo, importante para você que a imagem seja aquela, envie uma xerox colorida de UM ÚNICO exemplo de ilustração com um bilhetinho dizendo que é esta ilustração que você gostaria de PROPOR para aquele texto.
All we need is Type
Agora, seu texto será melhor recebido, honestamente, se for só o texto, sem mais nenhuma informação editorial. Envie apenas o texto, em páginas A4 numeradas, fonte Times New Roman, espaço duplo, corpo (tamanho da fonte) 12. No cabeçalho você coloca o título e no rodapé o seu nome com um telefone e um email de contato. Encaderne de forma simples, em espiral mesmo. Coloque junto uma carta de apresentação (atenção: é junto, não é encadernada no texto!!!!) assim:
Prezado Conselho Editorial,
Encaminho para sua análise o texto em anexo.
Resumo do livro ou comentários que julgar pertinentes (como a apresentação de imagens, por exemplo) – 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Resumo biográfico seu – 1 parágrafo de no máximo 5 linhas
Atenciosamente,
Assinatura
telefone/email
Prontinho. E boa sorte!
publicado no Carreira Solo em 29/08/2008
Como começar a carreira de Editor?
5 de Agosto de 2008
Olha, honestamente, ser editor não é algo que a gente decide se tornar. É uma coisa meio que os profissionais se tornam com o tempo. É uma profissão que leva muito tempo para formar um bom profissional.
Agora, nada, absolutamente nada, impede você de começar abrindo uma editora, publicando um ou outro livro na sua área de especialidade e, com o tempo, ir aprendendo e se expandindo. O que não existe é o “vou abrir uma editora e ser a próxima líder de mercado”.
E, claro, precisa ter dinheiro para investir. Livros são caros (revistas mais ainda!) e a quantidade de erro é muito grande (erro = livro que não vende). Tem uma piadinha velha no setor: “Como um editor comete suicídio? Se joga do alto do seu estoque.” ;D
A gente está passando por um período de transição muito grande e ninguém tem muitas respostas ainda. É óbvio que o mercado está mudando mas a verdade nua e crua é que nenhum profissional do meio sabe em que direção.
A gente sabe que existem caminhos que fracassaram, como o ebook por exemplo, mas qual a resposta certa ninguém sabe. Por este motivo, acho que a melhor dica que eu tenho pra te dar é: comece pequeno, devagar e faça uma coisa de cada vez.
Habilidades, conhecimento e dicas
Alguma coisa a gente sempre pode indicar. O editor é meio que uma soma de várias especialidades. Aqui vou relacionar algumas delas sem nenhuma ordem específica, só a da minha lembrança, ok? Antes de tudo, recomendo o MBA da Indústria do Livro na ESPM, um ótimo ponto de partida para quem quer entrar no mercado.
Vamos lá as habilidades e conhecimento que você precisa ter na cartola, ou estante…
- Produção gráfica: Os livros do Amaury Fernandes são um bom começo. É importante vc visitar uma gráfica também, de preferência duas: uma bem pequena e uma grande, pra você ver como funciona a coisa toda.
- Direito autoral: Essa é paradoxalmente a área mais difícil de entender e a mais fácil de achar referências.
- Relação com o autor: Isso vai muito mais de experiência. Não é uma coisa que eu consiga passar rapidamente e muito menos num post. E posso garantir que você vai começar bem devagar (ou seja, pessimamente) mas vai ficar ótima com o tempo. De cara, a dica que eu tenho pra te dar é sempre respeitar o autor como o “pai” da criança mas nunca abrir mão do que você pensa e se isso significa abrir mão daquele título, paciência, outros virão. O que não falta no mercado é bom texto e se o autor “empaca” você gentilmente – sempre na delicadeza! – recusa o livro.
E isso não significa que o livro seja bom ou ruim (é verdade) mas que apenas não está adequado à sua necessidade editorial. Agora, autores, como qualquer artista, são muito sensíveis e precisam ser tratados com o máximo de delicadeza.
- Mercado: Olha, isso é tão, mas tão confuso, que honestamente eu te recomendo contratar um gerente comercial especializado em editoras. As livrarias enlouquecem um ser humano: fecham ao seu bel prazer, em datas específicas. Só pra citar um exemplo concreto: se você não consegue ser atendido (não é nem se você não consegue ir lá, repare!) numa livraria no Rio de Janeiro na terceira quarta-feira do mês na parte da tarde, você perde um mês inteiro de contabilidade. É sério. E cada livraria tem o seu fechamento e que nem sempre é mensal. Isso, fora a questão da distribuição que são a prova-mor de que editores são pessoas pacíficas. O distribuidor fica com 50 a 60% do preço de capa e muitas vezes simplesmente se recusa a atender novos editores. Quando eu comecei, eu mesma fazia a distribuição mas isso é como se eu decidisse ter um restaurante e um açougue ao mesmo tempo – são duas profissões, foi uma loucura. A emissão de notas fiscais também é uma zona. Tem código separado para se é consignação, se é venda, se é recebimento da consignação, se é recebimento da venda, se é reposição, se é… Enfim, é quase uma sub-especialização dentro do mercado editorial.
- Escrever bem: Escrever bem não é escrever sem erros. Para isso temos os revisores. Escrever bem é escrever com clareza e fluidez. E isso vai além da sua área de especialidade. Você ser geóloga não significa que sabe escrever um livro de geologia, por exemplo. E isso é um erro que muitos cometem e cabe a você discernir entre uma coisa e outra. E, para ter esse discernimento, você precisa primeiro saber fazer.
- Ter um profundo conhecimento de livros: Isso não é algo que se adquira. Ou você tem a essa altura ou vai levar anos construindo. E é aqui que está a diferença entre o bom e medíocre editor. Esse conhecimento do que investir, do que e como publicar, de que jeito, de que formato, enfim… Isso a gente leva anos construindo. Agora, nada te impede de contratar um editor. De ser dona de editora e contratar um editor para trabalhar para você.
Para fechar
Os tópicos acima são sugestões inciais. Não deixem de comentar e compartilhar experiências neste sentido, ok?
publicado no Carreira Solo em 05/08/2008
Pessoal, Um pequeno esclarecimento rápido: este é mais um caso de email respondido que virou post. Por este motivo no texto vocês vão encontrar coisas como “mas vai ficar ótimA com o tempo” (eu respondia uma moça). O que tem de mais legal no Carreira Solo é justamente este ser orgânico que é construído por todos nós. Comentem, acrescentem! Abraços, Carolina
Concursos de fotografia
7 de Maio de 2008
Sou fotógrafo mas (ainda) não sou conhecido
Concursos fotográficos podem ser um bom início. Em um mundo ideal, assessoria de imprensa seria bom, mas nem sempre isso é po$$ível. Então, encarne você mesmo seu lado divulgador e se inscreva em concursos para fazer seu nome aparecer.
Existem alguns concursos tradicionais, como o da National Geographic, da Nikon ou o Pilsner Urquell.
Nestes casos, ficar entre os 3 primeiros colocados é garantia de boas matérias na mídia especializada e de bons clientes no futuro.
Outros concursos que merecem sua atenção
Muitos destes concursos estão com inscrições abertas, é bom ficar atento!
Dicas rápidas
Mesmo com tantas “janelas” possíveis, existem boas práticas para se sair bem em concursos de fotografia. Separei algumas delas e se alguém tiver mais, é só comentar.
- Leia com atenção as regras
- Pesquise sobre vencedores de anos anteriores
- Envie o máximo de fotografias permitido
- Quando for enviar um resumo biográfico seu em outro idioma, peça para um professor ou tradutor revisar para você. Os idiomas são vivos e, mesmo você se considerando fluente no idioma, um profissional da área saberá melhor adequar e modernizar o seu texto.
- Se você tiver cartão de visitas, é de bom tom enviá-lo junto com o material, mesmo que em português e com um telefone que a organização do concurso jamais utilizará.
Boa sorte!
Devo mandar o registro autoral junto com os originais?
25 de Abril de 2008
Devo mandar o registro autoral junto com os originais?
Pedro Cruz trouxe a dúvida, eu comentei lá no post, mas como aquilo que serve a um, muito mais intensamente serve a muitos, transformei o comentário em post.
Ele nos pergunta se, ao enviar nossos originais para análise é aconselhável enviar o registro autoral da obra em questão.
Olha, regra geral, fazer isso é bobagem e dá um recado ao editor que você não confia nele, além de parecer um início ruim de relacionamento. Para ajudar a clarear a idéia dos demais leitores aqui do Carreirasolo.org separei alguma dicas bem iniciais que, espero, sejam complementadas por vocês, leitores.
Segurança, confiança e envelopes para todos
- Para editoras grandes e conhecidas, como Cia das Letras, Rocco, etc, eu nem me daria ao trabalho de registrar a obra antes, a editora mesmo faz isso.
- É muito comum que a versão a ser impressa fique muito diferente do que o autor considerou na hora de registrar a obra. E aí isso pode ser uma dificuldade para você e para a editora, na hora de registrar a obra como foi publicada (mesmo nome/autor com a mesma sinopse, a BN não vai aceitar).
- O mais importante é que você se sinta seguro e confiante na hora de enviar o seu original e se registrar antes é importante, registre. Mas guarde com você o registro até o “ok” do editor, aí você apenas o informa. Eu não aconselho a fazer nem isso, entretanto. Existem outras soluções possíveis. Por este motivo, o das inúmeras revisões, edições, copy-desk, etc, normalmente a gente deixa para registrar o livro pouco antes de ir pra gráfica.
- As editoras não tem nenhum interesse em roubar o seu original e muito menos estão dispostas a jogar a sua imagem no lixo por causa de um livro, mas eu entendo a insegurança de enviar o seu “filho” sem conhecer quem vai recebê-lo.
- Então, para que você se sinta seguro em enviar o seu original para análise e, ao mesmo tempo, não caia nesse problema das revisões, te aconselho a fazer o que o Sid Field contou que faz em uma entrevista: envie para você mesmo, em um envelope lacrado, em carta registrada, o seu original. Não abra quando receber. Guarde este envelope. Se precisar, só o abra em frente a um juiz. A data dos Correios vale como prova jurídica. Desta forma, você se protege e ao mesmo tempo não entra em conflito com a editora e/ou com a Biblioteca Nacional.
Resumo da Ópera
Você é um autor seguro, sabe o valor de sua obra e, em uma editora decente, não será roubado. Mas como o seguro morreu de velho, e com alguma poupança na Suíça, custa nada se auto presentear com uma carta semi-anônima, certo?
Como montar meu portfólio online?
14 de Abril de 2008
Como montar meu portfólio online?
publicado no Carreira Solo
Depois de muito trabalho você conseguiu juntar um bom material e está na hora de montar um portfólio online . E agora? Junta tudo e manda? Usa flash, faz na unha ou em um CMS? Domínio próprio ou Flickr? Nem sempre começar é fácil.
Escolhas e mais escolhas. Algumas delas, no entanto precisam ser tomadas antes do processo de criação do seu porfólio para que você não caia em erros comuns de quem está começando. Outras têm a ver com o processo de criação do material em si. E tem até aquelas que só lembra quem está pensando em divulgar seu trabalho em escala planetária, o que é o mínimo em tratando-se do mundo de hoje.
Primeiro passo: selecione só o que há de melhor.
Normalmente eu recomendo a todos que escutem outras pessoas, que peçam opiniões, até por um vício da profissão. Mas esta é a hora de ser egoísta, egocêntrico, arrogante e fechado. E meter a mão na massa!
O seu portfólio precisa conter apenas o que você acha que tem de melhor . Dane-se o que o cliente achou. Compre um bom livro para a sua (seu) namorada(o) ficar ocupada(o) enquanto você escolhe as suas fotos ou ilustrações. Tranque a porta do seu escritório/quarto. Feche-se ao mundo. Essa é e precisa ser uma escolha absolutamente pessoal. Escolher o nosso melhor material exige um esforço, tempo, distanciamento e desprendimento que a gente só consegue com muita paz. Não faça isso correndo. Coloque suas músicas favoritas. Faça tudo com calma e privacidade.
Tenha critério . Não tenha dó de descartar aquela ilustração que você sabe que poderia ter ficado melhor mas que custou dias de trabalho. Jogue para escanteio sem piedade aquela foto que todos gostam menos você. Um portfólio pequeno e bem selecionado é infinitamente melhor que um portfólio enorme onde qualquer coisa vale.
Segundo passo: hora de organizar o trigo
Depois dessa etapa “ostra”, vem a hora de organizar o material. É aí que a maioria dos profissionais se perde.
Lembre-se que o seu futuro cliente não está nem um pouco interessado em saber com quem a Maria se casou ou como é o nome do cachorro do vizinho. Ele quer saber se você sabe fazer portraits bem, por exemplo. Ele quer saber se a sua ilustração vetorial tem qualidade ou o estilo que ele precisa. Então, organize o seu portfólio de forma que faça sentido para quem está comprando. Pode ser por técnica (ilustração vetorial x lápis), por cor (fotografia PB x cor), por tema (natureza, portraits, natureza morta), linha narrativa (ex: fotógrafo português Bruno Espadana ), etc. Qualquer coisa menos “viagem a Itaboraí” .
O estilo do portfólio também é muito pessoal e qualquer um vale. Pessoalmente, não gosto de flash porque dificulta a mídia espontânea gerada pelos FFFound da vida. E, bem, mídia espontânea é algo que nós sempre queremos.
Terceiro passo: Domínio próprio ou plataforma livre?
Os dois! Se você puder ter um domínio só seu, ótimo! Mesmo com um endereço só seu, não é bom desprezar os mais conhecidos.
Sites como o Flickr , o CarbonMade e o Picasaweb são instrumentos de divulgação importantes e não podem ser desprezados. Use-os a seu favor. Eles tem ferramentas de busca interessantes, mais acessos do que você e eu juntos jamais teremos, e são referência para quem não sabe onde começar a procurar.
Hoje em dia o editor não vai mais ao Google procurar fotógrafos ou ilustradores, vai direto a catálogos, sites especializados, Flickr , FFFound . Ninguém tem mais paciência nem tempo para ficar garimpando nos sei-lá-quantos milhões de resultados dos buscadores. Seu cliente vai direto em sites com rankings, comentários, etc. E, uma vez vendo algo que agrade, entra no site pessoal do artista para ver e saber mais, entrar em contato, etc.
Não cometa o erro que eu fiz com toooodo o meu portfólio: coloque seu nome e/ou url em cada jpg que publicar. Vocês não acreditariam se eu contasse em quantos lugares já vi meu trabalho reproduzido sem qualquer tipo de crédito ou link. Uma boa forma de diminuir esse problema é “assinando” as imagens.
Dependendo to tipo de trabalho que você desenvolve, as galerias de arte online podem ser uma boa opção também, mas a maioria depende da aprovação de um curador, não são registrar-login-upload.
Quarto passo: se colocou o ovo é hora de cantar!
Saia por aí divulgando o seu trabalho! Comece com blogs de amigos, essas coisas. É bom fazer um test-drive do seu material antes de enviá-lo a possíveis clientes para evitar constrangimento como uma url quebrada ou outra besteira do gênero.
Um bom início é enviar o link do portfólio com uma minúscula apresentação (coisa de 2 frases, sério) para agências de publicidade. Na Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda) tem listas e mais listas das agências, organizadas por sindicatos estaduais e por cidade.
Como você vai fazer o fup depois, comece pela sua cidade, para evitar os horríveis interurbanos. Não se esqueça de fornecer uma forma de contato viável e ativa.
Boa sorte!
Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?
10 de Abril de 2008
Meu editor no Carreira Solo, Mauro Amaral, gentil como sempre, sugeriu que um comentário-resposta que escrevi fosse transformado em um post inteiro . Como se não bastasse o apoio dele (e bastaria!), o Mauro ainda fez uma super revisão e copy-desk que até me fazem soar inteligente. Fiquei muito feliz. Obrigada, Mauro!
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Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?
Você tem uma câmera. Você tem um estúdio. Você tem até talento e um belo portfólio. Mas isso não é tudo quando se trata da vida de fotógrafos freelancers e mercado editorial.
Sempre dá para chegar melhor e mais rápido onde se quer acumulando conhecimento e experiência de outros trabalhos e desafios parecidos.
Reuni aqui algumas dicas baseadas em minha experiência que, claro, estão abertas a sugestões e adendos. Este post começou como um comentário na minha primeira participação aqui no Carreirasolo.org e, portanto, é um “work in progress” .
Regra Geral
Para começar, revistas como a National Geographic , acredito, costumam trabalhar de duas maneiras:
1 – convite (eles entram em contato com o fotógrafo para um determinado projeto) ou,
2 – projeto (você envia um projeto, normalmente já meio encaminhado, e eles aprovam).
Até onde eu saiba os fotógrafos do staff deste tipo de publicação são headhunted , ou seja, escolhidos por eles e não selecionados por contato direto.
A maioria das publicações possui regras muito definidas e claras sobre colaborações e possíveis contratações. A National Geographic , só para citar nosso exemplo, não é exceção e tem até um Faq sobre o assunto .
E de nada adianta você tentar vender algo para alguém que não quer comprar. Sempre haverá alguma publicação procurando o material que você tem, é só uma questão de procurar e se adequar.
Dicas
Você tem portfolio online? Pode ser uma boa forma – mesmo que em um Flickr ou um Carbonmade da vida – de ser visto, conhecido e chamado para os assignments.
Outra forma bastante eficaz de ser contratado é pertencer a uma agência de imagens. A própria Corbis , por exemplo, avalia portfolios para inclusão em seu banco de dados de fotógrafos. Isso vale para qualquer tipo de publicação.
Vale a pena, mesmo que talvez não financeiramente no início, entrar para organizações grandes como essa por que são eles que os editores procuram quando querem alguém novo.
Outro caminho, mas isso é apenas para poucos felizardos, é conseguir um agente , ou um “art dealer ” para continuar nos jargões (e facilitar a sua busca no Google). Conselho: quando você conseguir um agente lembre-se sempre de enviar o contrato para algum advogado da sua confiança. Não assine nada antes de entender completamente as consequências do que você está assinando, ok? A grande maioria dos agentes de fotografia é correta e profissional mas infelizmente ética não é uma lei da física.
Enquando isso…na terra dos papagaios…
Isso tudo que falei acima é em termos de mundo. Quando falamos de Brasil isso é verdadeiro também mas o poder do boca-a-boca ainda é muito grande e um contato com editores diretamente pode ser um bom caminho.
É legal também acompanhar algumas revistas do meio , para começar a saber quem é quem na indústria. Recomento da Editor & Publisher , a Publishing News inglês e o Publish News brasileiro (tem até uma newsletter).
Estas revistas falam muito do mainstream , e muitas excelentes publicações e/ou editoras ficam de fora, mas ainda assim vale acompanhar como termômetro do que está em moda e, conseqüentemente, de que tipo de trabalho estão “comprando”. Por falar em “comprar”, é bom sempre dar uma espiada na Media Job Market também.
Importante: lá fora existe a distinção entre o “editor” e o “publisher” . Normalmente quem bate o martelo final sobre imagens é o publisher, não o editor. São poucos os lugares como o Brasil, onde o editor e o publisher são uma pessoa só.
Ah sim: aconselho a primeiro fazer um portfolio online e depois enviar cartas curtas e simpáticas – (curtas, já falei curtas? curtas é importante!) – para os editores se apresentando e dando o endereço do seu portfolio.
Não esqueça de fazer o famoso fup (follow-up) , ou seja, ligue e pergunte se recebeu, se viu, se gostou, essas coisas. E claro, não esqueça de fornecer formas diferentes de contato (email, tel, celular, sinal de fumaça, qualquer coisa que você atenda sempre).
Os periódicos de natureza documental e/ou científica costumam funcionar muito mais por projeto. Vamos documentar as antas no cerrado! Aí você vai, escreve o projeto, apresenta e manda. Depois de você já ter feito um projeto desses, passa a ser conhecido e considerado por aquele periódico no quadro fixo.
Para fechar
Eu estou preparando um artigo com o perfil das editoras brasileiras, o que cada uma prefere publicar, endereço de contato, etc. Tá dando um trabalhão mas vai valer a pena. Será uma fonte de consulta valiosa para todos que quiserem enveredar por esta aventura que é publicar e…enfim…ser lido.
entrevista
28 de Março de 2008
Entrevista publicada no Carreira Solo.
Carolina Vigna-Maru debate quantro pontos cruciais para o mercado editorial.
Acompanho o trabalho de Carolina Vigna-Maru há algum tempo e sempre o vi como uma mistura exponencial de disciplinas várias como música, literatura, fotografia e ilustração. É o tipo de profissional que você olha, olha, não entende direito o que faz, só sabe que faz muito bem. O convite para ser uma das colaboradoras do Carreirasolo.org em sua nova fase veio naturalmente, em rápida troca de e-mails: Topa? Claro. Deixa eu explicar como vai ser…Não precisa, eu topo. Coisa de quem trabalhar o bem, sabe?
E foi ao trabalhar para o bem, mantendo este e outros sites, que acabei por descobrir e realizar que Carolina tem mais de 20 anos de mercado editorial tendo trabalhado com tanta gente de peso, dentre eles o Domenico Demasi, e que em posts que já publicou e continuará a publicar, os integrantes desta comunidade aqui terão tanto a ganhar quando a investir em si mesmos.
A entrevista que se segue teria por função, basicamente, apresentá-la aos leitores que ainda não leram o “Como enviar meu original para análise“, sua primeira colaboração por aqui; só que acabou se transformando numa fonte de idéias bem interessantes para quem ousa, ousará ou já ousou, levar sua obra ao público naquele formato retangular que cheira tão bem (não, não é bolo de tabuleiro), que convencionamos chamar de Livro.
1. Livro X Blogs
(explicando: fala-se muito do surgimento de uma nova geração que publicará somente na web, principalmente através de blogs. É isso mesmo, ou é só falácia para atrair leitores e depois você lançar seu livro pela Companhia das Letras?)
Mauro, estamos vivendo uma transformação e como não poderia deixar de ser, temos mais perguntas do que respostas. Eu não tenho dúvidas de que a internet é o grande publisher da nova geração, assim como eram os jornais e revistas na época do Machado de Assis.
Assim como já naquele tempo a publicação nas mídias de maior circulação era um grande filtro onde só os melhores se tornavam autores de livros publicados, a internet hoje cumpre esse papel, de um grande mostruário, um grande sarau literário. E é aqui (aqui, internet) de onde estão e continuarão surgindo os melhores novos talentos.
Então, não é falácia mas tampouco é o objetivo máximo do autor. É parte do processo. Você gosta de escrever? Tenha um blog! Não temos atualmente um exercício melhor ou uma vitrine maior.
Ainda é preciso resolver uma série de questões como direito autoral, proteção ao autor, cópias ilegais e, principalmente, de onde vem o dinheiro. Quando falamos de um livro impresso tradicional, todos sabem mais ou menos como se dá o processo: o editor paga ao autor um percentual na venda do livro, simples assim.
E na internet? Quem paga o autor? Somos privilegiados em não apenas presenciarmos esta revolução mas em fazermos parte dela. Digo revolução porque desde Gutenberg o mercado editorial não muda tanto. Ando curiosa para saber quem serão os padres copistas de agora.
Não sei te responder se a internet será a única forma de publicação. Acredito que não. Surgirão outras, talvez híbridas, mas é impossível prever os caminhos que a tecnologia nos abrirá.
Agora, a internet não deve e não pode ser desprezada ou entendida apenas como um mero suporte. É um ambiente rico, vivo, orgânico e volátil. Por isso mesmo, os editores tradicionais, acostumados ao “rodou na gráfica já era”, tem muita dificuldade de compreender essa nova relação com o texto, com o autor e com o leitor.
2. Internet X Papel
(explicando: A velha questão dos formatos que se anulam ou não. Procurarei ser imparcial, mas claro, Internet não têm cheiro de papel velho. Mas por outro lado, papel derruba árvores para acontecer)
Já ouvimos isso antes, com a televisão e o rádio ou com o video e o cinema. É uma grande bobagem. O ser humano é multifacetado por natureza e nós somos capazes de absorver e lidar com diversos estímulos diferentes. Os meios se complementam. A internet ressucitou o rádio. O dvd ajuda o cinema.
É claro que quem não souber o que está fazendo vai dançar. Um meio não é uma adaptação do outro, é um meio único, independente e singular e deve ser respeitado como tal. Não envie para um jornal impresso de grande circulação um post de blog achando que será publicado como matéria e não publique no seu blog uma tese de mestrado. Acredite, ninguém vai ler. Respeite as características de cada meio que estes lhe serão gentis.
3. Autor X Editora
(explicando: Quem manda em quem, quem veio antes…até que ponto precisamos de editora para lançar nossos livros etc etc Será que cabe um parelelo com a indústria fonográfica? No lo sé…)
Ninguém manda em ninguém. Um não vive sem o outro. A questão da indústria fonográfica, me parece (não sou dessa área e a minha relação com a música termina no play), passa muito pela distribuição e pelo marketing. Livros também precisam de distribuição e de marketing mas precisam ainda mais de um critério, de uma análise maior. A música pode ser absorvida em conjunto, em público e involuntariamente.
Quantas músicas você já não ouviu em um filme, uma novela, no táxi, na rua ou em outros lugares em que a decisão do que ouvir não fosse sua? Quantos livros você já leu sem querer, por acaso, na rua, no táxi? A relação é outra, o sentido é outro, a percepção é outra, o mercado também precisa ser. O papel da editora pode ser dividido em 3 etapas de igual importância:
- A análise do original, quando o livro ainda não entrou em produção.
- A produção do livro
- A comercialização do livro
Durante a etapa de análise, o editor nada mais é que um leitor muito, muito, muito treinado. Depois, na produção do livro, o editor precisa de um olhar bifurcado, com um olho focado no conteúdo e outro na forma. Um livro fantástico com o formato errado pode morrer por falta de espaço na estante, por mais ridículo que isso pareça. E, claro, o inverso é verdadeiro. A comercialização do livro não inclui apenas lidar com as livrarias (que já seria suficiente para enlouquecer um ser humano – cada um fecha em um dia e de um jeito, é coisa de doido) mas também toda a questão do marketing, da disposição, da possível relação com escolas/universidades, envio para jornalistas, etc. Dá muito trabalho fazer um livro. Comme il faut, pelo menos.
Textos precisam de várias leituras, de muitas e muitas revisões, de ajustes. Escrever é difícil. Publicar é difícil.
Há também uma outra coisa, que é uma regra não-dita e injusta, de que o livro publicado sem uma editora é o livro que não conseguiu “nada melhor” e portanto tratado como carne de segunda pelo mercado e pelos jornalistas e críticos literários. É injusto e eu não concordo com isso mas é assim.O meu conselho é: não conseguiu um editor? Transforme o seu texto em outra coisa, um ebook, uma história em quadrinhos, entregue para aquele seu amigo roteirista, faça uma animação, um espetáculo mambembe na praça, enfim, evite com todas as suas forças essa publicação independente que só vai fazer você perder dinheiro, prestígio e tempo.
Tem uma piada velha: “como um editor se suicida?” / “pula do alto do seu estoque”. Isso o editor, com toda uma equipe e uma máquina comercial trabalhando para ele. Agora imagine o autor independente. O coitado não tem a menor chance.
4. Mercado X Qualidade
(explicando: escrever para o mercado ou escrever aquilo que você acha muito bom)
Posso te dizer que conheço 2 tipos de autores. Os que escrevem por necessidade, uma necessidade quase física, que se não escreverem adoecem. A estes, digo: escrevam o que acha bom. Conheço alguns poucos que escrevem com o mesmo distanciamento emocional com que um programador resolve um problema em PHP. Estes escrevem para o mercado.
A questão é que o editor, que vai analisar o texto, tem uma visão (na maioria das vezes) radicalmente diferente do autor do que seja o tal “mercado”. Além de entrarem na equação questões como o foco que o editor precisa naquele momento (como um edital do governo para escolas públicas versus uma feira altamente comercial no exterior, por exemplo) ou mesmo que tipo de verba a editora tem para que tipo de linha editorial.
Falando de literatura, existem editoras maravilhosas (como a 7Letras, só para citar uma) que vivem com títulos não-comerciais, que não foram escritos para o mercado.
Quando o assunto é livro técnico, a realidade é outra, aí quem manda é mercado. Muitos títulos são inclusive encomendados. Em literatura / ficção não é assim.
Seja fiel àquilo que você quer. Na vida, não só nos livros. O resto se resolve. Como diz meu pai, se não teve solução é porque ainda não acabou.
Página inicial do mesmo site, na seção de indicações, a chamada para esta entrevista:
Obrigada, Mauro!
28 de Março de 2008
Mauro Amaral, das criaturas mais gentis dessa internet sem porteira, me entrevistou lá pro Carreira Solo.
É praxe para os novos colaboradores mas eu me senti nas nuvens.
Obrigada, Mauro!
Como enviar meu original para análise?
12 de Março de 2008
Como enviar meu original para análise?
Depois de todas aquelas intermináveis horas de trabalho, finalmente você terminou o seu livro. E agora? Uma das principais questões que surgem logo de cara é como enviar o livro para uma editora.
Esta coluna se propõe a sanar algumas dúvidas mais comuns do mercado editorial e, sem dúvida alguma, as etapas envolvidas no envio de um original para análise são uma parte importante do processo.
Como preparar o meu original para análise?
Antes de mais nada, certifique-se de que o seu texto está pronto para ser analisado. Ou seja, ao relê-lo, a sua mão não coça por mudanças estruturais. Claro que um ou outro polimento vai sempre existir. Tenho certeza de que se perguntássemos ao Camões hoje, 500 anos depois, ele teria alguma vírgula a alterar em Lusíadas. É importante, entretanto, que a sua estória esteja toda lá e contada como você quer.
Formatação
A parte de formatação é simples. A menos que o editor peça diferente, mande impresso, pelo Correio, em times ou fonte similar, corpo 12, espaço duplo, páginas A4 ou Carta numeradas, com cabeçalho ou rodapé que conste o título e o seu nome. Algumas editoras gostam de receber encadernado, outras não. Se você não sabe a priori, envie encadernado de forma simples, com espiral. Não fique inventando moda onde o que deve brilhar é o seu texto.
Ah, estamos no século 21, eu quero enviar por email!
Algumas editoras até aceitam originais por email, mas é raro. O motivo é que aceitar o texto por email significa provavelmente imprimí-lo. É que a versão impressa dá ao editor uma noção muito melhor do tamanho do texto e facilita anotações. Além disso, é muito comum os editores levarem trabalho para casa e vão lendo no caminho. Agora, imagine trabalhar 12, 14 horas por dia com leitura. Não há olho que aguente tanta tela de computador. Lembre-se que é um humano que lerá o seu texto.
Mando para um revisor antes?
Muitas pessoas me perguntam sobre revisão. Revise seu texto, é lógico. Cachorro com x dói na alma de qualquer um, ainda mais na de um leitor profissional como um editor. Não é tampouco para ficar neurótico com isso. As editoras tem revisores e, se o seu texto for aprovado para produção, passará com toda certeza por pelo menos uma revisão competente.
Eu tenho tudo pronto, capa, diagramação, tudo!
Outro aspecto importantíssimo é o acompanhamento de imagens. Não mande, simples assim. As editoras tem suas preferências e seus motivos para escolher a ou b fotógrafo/ilustrador/capista. Se você for ilustrador e escritor infantil ao mesmo, por exemplo, notifique o editor de que você gostaria de apresentar imagens para aquele texto e deixe que ele escolha. Você não está ajudando o editor ao enviar o seu maravilhoso livro ilustrado e diagramado “pronto” para publicação, você está enviando um recado alto e claro de que você é um desses escritores chatos que debatem cada escolha do editor, esquecendo que ele não ganha tanto assim para te aguentar. É lógico que existem exceções. Conheço textos que foram escritos a partir de imagens, mas são casos muito específicos e merecem uma cartinha explanatória ao editor.
Você é o famoso quem?
O que me leva a outro ponto. A famosa cartinha de apresentação. “Prezado conselho editorial…”. A coisa funciona como uma carta a outra pessoa qualquer. Não finja uma intimidade que você não tem e nem use um formalismo excessivo como se estivesse se dirigindo ao Papa. Conheço autores premiados que gelam frente à cartinha de apresentação, mas não entendo o mistério. Se você conhece o editor, envie diretamente. Se você não conhece ou não tem uma apresentação (“prezado Editor Fulano de Tal, sou primo do Zezinho de Mogi, seu vizinho…”), envie direto ao conselho editorial. A carta deve conter 2 parágrafos: no primeiro você escreve um resumo do livro e no segundo um sobre você, coisa não mais que 6, 7 linhas em cada. Assine com uma forma de contato, de preferência dando opção entre telefone, celular e email. Lembre-se de colocar endereço de correspondência também.
Saber esperar
A demora das editoras em responder depende muito mais da quantidade de originais a serem avaliados do que de quem você é ou deixa de ser. Então, editoras menores tendem a ter uma resposta mais rápida do que as maiores, mas isso não é regra. Depende da época do ano (editoras com linhas didáticas estão naturalmente atoladas em janeiro, por exemplo), da quantidade de leitores disponíveis e de mais um monte de outras variáveis que muitas vezes nem o editor sabe, que dirá o autor. Eu sei que é horrível essa espera, mas não tem como ser diferente, afinal, você quer que o seu texto seja lido, não quer?
Outra dúvida que surge muito é sobre enviar simultaneamente para várias editoras. Brigas por originais acontecem nas feiras literárias mas é briga de cachorro grande. Aqui tem uma “regra de boa etiqueta” não-dita, não-escrita, não-declarada mas que todo mundo sabe que diz que para livros infanto-juvenis você pode enviar para um monte de editoras ao mesmo tempo e que literatura ficcional adulta não. Os livros técnicos tem tão pouca opção que aconselho a esperar a resposta de um antes de enviar para outro. Esse povo todo se conhece e a última coisa que você quer é ter dois editores aceitando o seu livro e você tendo de, necessariamente, se queimar com um. O seu relacionamento com o mercado não é determinante de publicação mas conta.
Envie email, comente, pergunte, o seu contato é muito bem-vindo!
