16 de novembro de 2009
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podcast do Aguarrás com o designer, ilustrador, diretor de arte e quadrinista Flavio Soarez.
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2 de novembro de 2009
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As duas vezes em que convidei amigos mais íntimos, o Pedro Taam e o Roney Belhassof, perdi completamente a noção do tempo. Em ambos meti a tesoura para, pelo menos, não passar de uma hora. Esse podcast do Aguarrás com o Roney ficou com 50 minutos (a meta era 30!). Ainda assim o conteúdo está ótimo sem estar cansativo. Na verdade, cá entre nós, não estava nem um pouco cansativo antes das tesouradas, mas achei que quase 2 horas de podcast era um pouco demais.
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Espero que vocês gostem!
E Roney, você está desde já convidado a voltar em outro podcast para a gente continuar o papo.
19 de outubro de 2009
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Está no ar o podcast do Aguarrás com o pianista erudito Pedro Taam.
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Foi muito divertido gravar este podcast, como vocês vão notar pelos 2 rindo o tempo todo. No site do podcast do Aguarrás tem links e mais informações.
Espero que gostem (e me ajudem a divulgar)!
21 de setembro de 2009
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Está no ar o novo podcast do Aguarrás, com o Oswaldo Martins.
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Desde já peço desculpas pela qualidade do áudio. Tivemos alguns problemas de equipamento bastante sérios mas como o conteúdo é muito, muito bom, optei por manter mesmo assim.
Está no ar o primeiro podcast do Aguarrás, com o fotógrafo, designer e artista plástico Danilo Salvego.
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O podcast do Aguarrás tem uma periodicidade quinzenal e o próximo, do dia 21 de setembro, é com o poeta Oswaldo Martins.
Por favor me ajudem na divulgação!
artigo publicado no Aguarrás, edição 20, julho & agosto de 2009, ISSN 1980-7767
O PERÍODO
Estamos agora no Norte da Europa, em Flandres, durante o século XV, onde acontece o Renascimento flamengo. Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria. Esta região foi absurdamente rica do século XIII até o XVI, por causa do comércio marítimo, e tinha uma marinha mercante muito poderosa. Suas principais cidades eram Bruxelas, Antuérpia, Gent e Brugge.
São católicos mas no século XVI convertem-se protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano e é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida. Trata-se de uma cultura radicalmente baseada no mundo burguês.
Em Flandres acontece o gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.
A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.
JAN VAN EYCK
Karel van Mander escreveu o livro dos artistas nórdicos (Het schilder-boeck, 1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550). Neste livro, Jan Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica. Os artistas até bem pouco tempo atrás preparavam suas tintas e materiais, não os compravam em tubos ou em papelarias. Era necessário conhecimento em química além da técnica artística em si. Antes dos irmãos Van Eyck, o meio de solução era o ovo (têmpera), que secava muito depressa. Ao dissolver seus pigmentos em óleo, os Van Eyck conseguiram manipulá-los por mais tempo e com maior precisão.
“Aqui na verdade não há paralelo com os mestres do início da Renascença na Itália, que nunca abandonaram as tradições da arte grega e romana. Lembramos que os antigos ‘idealizaram’ a figura humana em obras como a Vênus de Milo ou o Apolo de Belvedere. Jan van Eyck não teria nada disso. Ele deve ter posto modelos nus à sua frente e pintou-os tão fielmente, que gerações mais tardias ficaram um tanto chocadas com tanta honestidade. Não que o artista não tenha olhos para a beleza.” – GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.
A OBRA

Os esposos Arnolfini, Jan Van Eyck, 1434,
London National Gallery, óleo sobre madeira (carvalho).
A obra retrata um rico casal italiano, Giovanni Arnolfini e sua esposa Giovanna Cenami. Arnolfini já era um rico comerciante de tecidos, da cidade de Lucca (perto de Florença), antes de mudar-se para Brugge com o propósito de expandir os negócios da família. A mudança foi um sucesso e o casal incorporou os valores nórdicos.
Os esposos Arnolfini é um retrato encomendado. A obra mostra diversos elementos de afirmação de riqueza e importância econômico-social, além do fato de que encomendar um quadro ao grande Van Eyck por si só já era um importante símbolo de prestígio.
A riqueza de detalhes na obra é lendária e deve-se muito à formação de Van Eyck, que, além de pintor, era miniaturista e iluminador de manuscritos . Os pintores holandeses usavam lentes de aumento em seu ofício e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única, o que só faz aumentar o seu mérito. Não por acaso o microscópio nasce na Holanda.
A obra retrata um quarto de dormir, o mundo privado. De acordo com a ética do catolicismo nórdico é pecado mortal ostentar riqueza em público (base para Lutero, por exemplo). O universo da riqueza e do luxo era restrito ao mundo privado.
ELEMENTOS ICONOGRÁFICOS

Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal. “Pela primeira vez na história, o artista tornou-se a testemunha ocular perfeita, na mais verdadeira acepção da palavra.” [GOMBRICH, E. H.]
Espelho/vidro era caríssimo e é um importante símbolo de riqueza.

Assinatura: “Johannes de eyck fuit hic” (Jan van Eyck esteve aqui). Segundo Gombrich, a assinatura pode ter tido uma função de testemunho de um ato solene.

O azul era de lápis lazuli, outro símbolo de ostentação da riqueza do casal.

O penteado de Giovanna Cenami era típico da Borgogna e tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos. Assim como os tamancos, mostra a adoção dos valores nórdicos pelo casal.

Vermelho era símbolo de nobreza. O pigmento vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil), justamente em busca deste pigmento.
O professor Adelino José da Silva d’Azevedo afirma que é do cinabre que se origina a palavra brasil. Kínnabar era uma palavra celta que, no comércio com os fenícios, designava o tom vermelho de qualquer material. Forma-se da raiz kínn – que traduz a idéia de metálico e de rubro; e da partícula bar – sobre, em cima de, superior. Uma característica do celta era a próclise das partículas, em oposição à ênclise grega. Ou seja, o celta punha as partículas no fim da palavra, ao contrário dos gregos, que a preferiam no meio. Assim, kínnabar corresponde ao barcino, brakino, breazail. Portanto, o cinabre dá nome ao pau-brasil que, por sua vez, dá nome ao país.

O fino anel e o gesto de Giovanni Arnolfini querem passar a mensagem “não sou grosseiro” (não era mesmo). Os Arnolfini eram aristocratas burgueses, ganharam dinheiro com o comércio. Justamente por não serem nobres, precisavam afirmar-se como não sendo rudes e sim detentores de refino e cultura.

A maçã tem um significado religioso. De acordo com a mitologia católica, os homens eram desagregados, filhos de Eva, expulsa do paraíso por morder a maçã do pecado. A maçã traz, portanto, a lembrança: “lembra-te que és mortal, que és pecado”.
Não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas. As laranjas eram importadas e envernizadas e deixadas pela casa como símbolo de riqueza.

Os tamancos, bem como suas vestimentas de uma forma geral, mostram claramente a adaptação do casal italiano emigrante aos costumes flamengos.

Os Arnolfini eram comerciantes de tecido e portanto suas roupas não apenas ostentam riqueza como também narram sua história.

Mãos alongadas, típicas do estilo gótico.

Até o cachorrinho ostenta riqueza (não é um cão de caça).
CONCLUSÃO
O Renascimento flamengo não é subserviente a significados simbólicos e/ou sobrenaturais. Há uma busca pelo retrato, pelo naturalismo. O mundo retratado é real e inclui objetos cotidianos, como mobiliário, roupas e animais domésticos, ainda que providos de significado e propósito. Ao mesmo tempo em que podemos perceber a influência direta do Helenismo em Flandres, é Flandres que influenciará o mundo das artes com seus retratos quase antropológicos e sua técnica revolucionária.
BIBLIOGRAFIA
BECKETT, Wendy; História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997.
CANTARINO, Geraldo; Uma ilha chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.
CAROL, STRICKLAND e BOSWELL, John. Arte Comentada – Da Pré-História ao Pós-Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 1999.
GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.
12 de julho de 2009
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O Anima Mundi, agora completando 17 anos bem vividos, continua sendo o momento de rever amigos. Nem todos são de carne e osso. Alguns têm até mesmo uma banda na floresta.
A grande novidade é o AnimaBusiness, um fórum onde se encontram animadores, distribuidores, produtores e demais profissionais do meio. Este é talvez o acontecimento mais esperado da edição deste ano.
O festival tem faz tempo o Papo Animado, onde podemos conversar com animadores consagrados. Este ano os convidados são Amid Amidi, Irmãos Latini (Anélio Latini Filho e Mário Latini), Michel Ocelot e, Priit Pärn. Estes encontros acabam sendo de maior interesse de profissionais de animação. Estive em alguns, nestes anos todos, e raramente encontrei pessoas que não trabalhavam com isso. A oportunidade de conversar com um biólogo animador da Estônia não acontece todo dia, por exemplo.
O Estúdio Aberto, como sempre, tem muitas oficinas e monitores pacientíssimos para explicar como funciona aquela técnica e orientar aqueles que querem colocar um pouco a mão na massa. Se forem levar os pequenos futuros animadores, prestem atenção nas idades mínimas necessárias para cada atividade antes de entrar na fila. A mesma atenção, aliás, vale para as sessões de filme/vídeo: muitas são impróprias.
Todo ano eu saio da sessão de abertura do Anima Mundi com a mesma sensação de estranhamento a respeito da seleção. A sessão de abertura é, teoricamente, o que os organizadores do festival consideram o melhor daquele ano. Colocar ali o chatíssimo L.E.R. e não dar espaço ao igualmente brasileiro Um Lugar Comum é realmente incompreensível. Assim como o Jam, um grafismo bobo e demodè japonês, poderia ceder espaço a filmes mais interessantes (e bons) que encontramos espalhados na grade de programação. É muito difícil até mesmo para quem é do meio selecionar o joio do trigo a partir do título, autor e um still. Supomos sempre que, para isso, existe o crivo da seleção e frequentemente nos surpreendemos. Não falo aqui de um gosto pessoal ou de escolhas absolutamente particulares mas sim de critérios claros que incluem roteiro. Saí de lá com a nítida sensação de que falta um bom roteirista/escritor na produção do festival. Os filmes são muitas vezes selecionados apenas pela técnica, sem levar em conta qualquer outro aspecto. O texto vem primeiro, sempre. Roteiro ruim é sinônimo de filme ruim, não importa quão inovadora, perfeita ou maravilhosa seja a técnica. Outra estranheza minha antiga é que filmes live action usando um ou outro efeito na pós-produção entrem em um evento que se propõe de animação.
Falando de coisas boas, foi um prazer ver Her Morning Elegance na telona. O videoclipe rodou a internet e não devia ser novidade para muita gente, mas vê-lo na tela grande foi uma felicidade. O French roast e o Les pieds sur terre são imperdíveis. Não percam os brasileiros Um Lugar Comum, do Jonas Brandão; O Divino, De Repente, do Fábio Yamaji; e o Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem de animação brasileiro, de 1953, feito pelos irmãos Latini (presentes no Papo Animado).
Para ver online:
- Animania, programa do Canal Brasil, com uma matéria especial dedicada à Sinfonia Amazônica
- Bendito Machine
- French roast (trailer)
- Her Morning Elegance
- Log jam
– Um Lugar Comum
publicado no Aguarrás, ISSN 1980-7767,
edição 20, ano 4 – julho & agosto de 2009.
3 de junho de 2009
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Artigo originalmente escrito como
trabalho de conclusão do módulo 1
do curso de História da Arte do MASP,
ministrado pelo professor Prof. Renato Brolezzi

O quê
Escultura em mármore de uma mulher vestida, com um elmo, um escudo e com uma serpente a seus pés (na face interior do escudo). Em sua mão direita pousa uma figura feminina alada.
Quando
A escultura é uma miniatura romana do original grego em madeira, couro e marfim, de Fídias, entre 447 e 432 a.C.
A obra original pertence ao período clássico grego. Nota-se uma grande virtuose, tanto de técnica quanto de anatomia e o equilíbrio dinâmico característico da época, onde as partes estão em movimento, mas sempre obedecendo à harmonia grega. Ainda que sutilmente por razão da vestimenta, podemos perceber a perna estrutural (razão masculina) e a perna decorativa ligeiramente dobrada (sensibilidade e graça feminina). O belo composto ainda não denota emoção na fisionomia, característica que só acontecerá mais tarde no período Helenístico.
Quem
A escultura representa Pallas Athena.
Por quê
O elmo indica se tratar de uma guerreira. Ela segura ainda um daimon, Nike, que representa a vitória. A presença da serpente, em referência à medicina de Asclépio, indica a habilidade e esperteza. A figura representada é, sem sombra de dúvidas, a deusa Pallas Athena, filha de Zeus e Metis.
Onde
A escultura original recebeu seu nome por ter sido parte do complexo arquitetônico do Partenon. A miniatura romana atualmente encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
O escultor oficial de Atenas, Fídias, usava materiais preciosos (ouro, marfim, pedras preciosas, etc). Todas as esculturas foram destruídas por colonizadores, para aproveitar a matéria-prima. Fídias fez também os relevos dos templos de Zeus, em Olímpia e do Partenon.
O Partenon era inicialmente um prédio público, e comportava o arsenal e a reserva do tesouro. O que conhecemos é a ruína da reconstrução. O original foi explodido quando os turcos invadiram e armazenaram pólvora no Partenon (que foi pelos ares). Gregos e turcos brigam até hoje. Péricles reconstruiu Atenas, com o saldo da guerra. Depois da reconstrução, o Partenon passou a homenagear a padroeira da cidade, Pallas Athena (Minerva).

Logo na entrada, no interior do Partenon encontrava-se uma colossal estátua de Pallas Athena, com 11 metros de altura, feita em madeira, coberta com materiais preciosos (armadura e a roupa em ouro, pele de marfim, olhos – tanto de Athena quanto da serpente – de pedras preciosas) e cravejada com todo tipo de riquezas.
Mitologia
Pallas Athena é filha de Zeus com a Titã Metis. Gaia profetizou que Zeus, assim como seu pai, seria destronado pelo filho. Contou ainda que Metis daria à luz primeiramente uma filha e depois um filho, o próximo rei dos deuses e dos homens.
Zeus resolveu então, assim como seu pai Cronos havia feito com os filhos, engolir Metis grávida. A filha de Metis cresce dentro do corpo do pai até que Zeus começou a ter dores de cabeça insuportáveis. Ordenou a Hefesto que abrisse seu cérebro com um machado, de onde saiu (já vestida e equipada) a sua filha, Athena.
Athena, a filha favorita de Zeus, sempre lhe foi leal. É a deusa da habilidade, da astúcia, da inteligência, da indústria, da guerra e da justiça.
Elementos iconográficos
Roupa

A figura feminina na cultura Greco-romana pertence ao núcleo privativo e íntimo e jamais pode ser vista nua em público. O universo público, da pólis, pertence à política e aos homens.
Por cima de sua roupa podemos ver um aegis que, de acordo com a mitologia, foi emprestado por Zeus. O aegis é um tipo de armadura que protege os seios e as costas e é – desde a tradição egípcia – um símbolo de proteção e/ou patrocínio. É muito mais um signo do que uma proteção efetiva contra lanças ou golpes. No caso de Athena, o seu aegis mostra a todos que ela é protegida de Zeus. Athena é sempre representada com o aegis mas a sua forma pode variar bastante, indo desde uma cobertura relativamente simples até armaduras ricas em detalhes e símbolos.
Em Athena Parthenos, o aegis repousa abaixo de cachos de cabelo de Athena e mostra também pequenas serpentes espalhadas em sua superfície.
Serpente

Athena é a deusa da habilidade, da inteligência e é muitas vezes associada a Asclépio e à medicina.
A serpente é o animal-símbolo de Asclépio, da medicina.
Higéia, outra deusa, filha de Asclépio, é a deusa da saúde, limpeza, higiene e saneamento. “Higéia” pode ser entendido como um conceito maior, entretanto, o de auxiliares de saúde (atuais enfermeiras), que trabalhavam diretamente com Asclépio. Athena Higéia é um dos títulos dados à Athena, segundo Plutarco: “One of its artificers, the most active and zealous of them all, lost his footing and fell from a great height, and lay in a sorry plight, despaired of by the physicians. Pericles was much cast down at this, but the goddess appeared to him in a dream and prescribed a course of treatment for him to use, so that he speedily and easily healed the man. It was in commemoration of this that he set up the bronze statue of Athena Hygieia on the acropolis near the altar of that goddess, which was there before, as they say.” [PLUTARCO, Life of Pericles. A wikipédia possui uma tradução razoável deste trecho em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hígia]
A imagem de Athena é associada tanto às guerras (e estratégias de guerra) quanto ao saber e à medicina. Por este motivo é representada com serpente(s).
É importante lembrar que, para a cultura Greco-romana, a serpente não transmitia temor ou perigo. Seu veneno era usado como anestesia e era considerada como um animal útil para deuses e humanos.
Elmo

O elmo é um dos elementos representativos de guerra, indicando a deusa guerreira.
O elmo possui três (número sagrado dos gregos) sub-elementos, sendo dois cavalos alados (laterais; o animal-símbolo de Athena é a coruja e portanto faz sentido que os elementos do elmo sejam alados) e uma esfinge (central). Todos possuem elmos individuais, formando o complexo iconográfico do elmo de Athena.
O mito egípcio da Esfinge foi reinterpretado na tradição grega e era uma demonstração de poder (leão, asas de águia).
Gombrich refere-se aos cavalos alados como grifos mas o corpo claramente é de cavalo, não de leão. Pensei na possibilidade de um hipogrifo mas não encontrei referências a respeito.
Nike

O daimon da vitória, Nike, pousa sobre sua mão direita, garantindo o sucesso tanto em guerra quanto em tempos de paz. Sabemos tratar-se de Nike por causa das asas, da vestimenta feminina e do contexto.
Escudo

O escudo protege não apenas Athena e Nike mas também a serpente. Ou seja, protege a guerra (e suas conquistas vitoriosas) e o conhecimento (a medicina). O escudo está apoiado na base, em uma posição de paz, ou seja, a imagem representa uma vitória, uma guerra passada e vencida. Trata-se de um momento pós-guerra, portanto.
Acredito que a vitória a que se refere este contexto seja a contra a Pérsia, marcando o início do Século de Péricles e da democracia grega, mas não encontrei nenhuma referência a este respeito.
Bibliografia
CHEERS, Gordon. Mitologia – Mitos e lendas de todo o mundo, trad. Maria Isaura Morais. Lisboa: Lisma, 2006.
GOMBRICH, Ernst Hans. A História da Arte, trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2008.
HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte. São Paulo: Mestre Jou, 1982.
OSTROWER, Fayga. Universos da Arte. Rio de Janeiro: Campus, 1991.
OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas de espaço e tempo na arte e na ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
WALDSTEIN, Charles, Sir. Greek sculpture and modern art, two lectures delivered to the students of the Royal Academy of London. Londres: Cambridge University Press, 1914. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/greeksculpturemo00waldrich
WALDSTEIN, Charles, Sir. Essays on the art of Pheidias. Londres: Cambridge University Press, 1885. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/essaysonartofphe00walduoft
Web-sites de apoio (acessados em 1º de maio de 2009)
INTERNET ARCHIVE: http://www.archive.org/
PLUTARCO, Life of Pericles, p.45: http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Pericles*.html
PHEIDIAS, SCULPTOR TO THE GODS, artigo de Colin Delaney: http://www.perseus.tufts.edu/cl135/Students/Colin_Delaney/fathena.html
WIKI COMMONS (imagens): http://commons.wikimedia.org/
publicado no Aguarrás, ISSN 1980-7767,
ano 4 n° 19, maio & junho de 2009, em 4/6/09
publicado no Aguarrás em 18/05/2009, ano 4 n° 19,
maio & junho de 2009, ISSN 1980-7767
As invenções do homem, grandes ou pequenas, sempre nascem de um desejo ou de uma necessidade. Não é diferente com a informática e tudo que gira em torno dela.
Santos-Dumont inventou o avião porque acreditava que se as pessoas pudessem viajar e conhecer outras culturas com mais facilidade, veriam que não somos tão diferentes assim e não haveria mais guerras.
A internet foi inventada por um comodismo, para facilitar a transferência de arquivos entre dois pontos. Curiosamente, é exatamente esta característica que as grandes corporações lutam para combater.
A web não tem um berço nobre como o avião mas teve uma boa criação e tem um bom coração. É esta quebra de fronteiras, tão sonhada por Santos-Dumont, que torna a web este local tão atraente para muitos.
Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
– John Lennon, Imagine (trecho).
A web retira automaticamente o pré judice, onde a cor da pele, a marca da roupa, a localização geográfica e às vezes até mesmo o idioma não importam mais. Isso faz da web o ambiente mais humano que nós já conseguimos criar.
Não é a tecnologia, é este aspecto humano que tanto fascina os seus alunos.
Qualquer ferramenta online tem relacionamento como pedra fundamental. O email serve para uma comunicação pessoal. Os sites, mesmo os de empresa, expõem opiniões e sonhos da mesma forma que as meninas de nosso tempo faziam em diários. Os blogs se diferenciam justamente pela possibilidade de interação com o visitante. As ferramentas de relacionamento, como o Orkut ou o Twitter se colocam, obviamente, como um instrumental relevante.
Não há possibilidade de compreensão da web e seus ambientes sem colocar o ser humano no centro. A web é antropocêntrica por natureza.
A web é rica e heterogênea, portanto. Nada é feito por humanos sem ser um reflexo de nós mesmos. Nossas criações são imagem e semelhança de nós mesmos.
É comum ouvirmos “na web encontra-se de tudo”. Sim, na humanidade também.
O ser humano constrói máquinas incríveis e depois precisa domá-las. Não sei se alguém aqui já tentou, mas dirigir um trator é dificílimo e tem poucos controles a mais que um carro comum. É natural que quanto mais variáveis, mais difícil é o aprendizado da tecnologia/máquina.
Vocês passaram a vida estudando as suas matérias. São especialistas e professores de áreas muito mais complexas do que a internet. As ferramentas online são mais fáceis e intuitivas do que coisas estranhas como oração subordinada ou física quântica.
Nós somos mais inteligentes do que a máquina.
Acredito que todos os leitores, mesmo que não usem muito, tenham um endereço de email. Email é fácil de usar, é como uma carta, nossa velha conhecida, mas e quando o recurso começa a gastar mais neurônios do que estamos dispostos a ceder?
O erro, na maioria das vezes, é do desenvolvedor. As ferramentas deveriam ser simples e fáceis de usar.
As ferramentas que começam a se mostrar muito complexas são fadadas a sobreviver apenas dentro de um seleto grupo de nerds/geeks e não se tornará popular. Até mesmo aquelas que são “fenômenos” (de acordo com a imprensa, pelo menos) de audiência seguem esta simples regra. O fiasco que se tornou o Second Life ou a WebTV são bons exemplos disso; ou ainda o domínio do Google onde antes reinavam Yahoo, Altavista e Cadê?; ou, por último, a simplicidade do i-pod.
O simples sempre vence.
Então, se o seu aluno fala sobre algo muito complexo, difícil de usar, inacessível, não se preocupe: a moda passará rapidamente ou não se tornará consolidada até que melhore sua interface. O inverso também é verdadeiro: se o seu aluno falar sobre algo com uma interface simples, a poucos cliques de distância, pode ter a certeza de que mesmo que você não entenda a utilidade ou a função da ferramenta, esta vai ser bem sucedida.
Existem, naturalmente, ferramentas óbvias como VOIP (voice over ip, ex: Skype) que fazem exatamente aquilo que você imagina.
O seu aluno é capaz de aprender coisas estranhas como equação de segundo grau. Algo como o Twitter é mais simples para ele do que abrir a geladeira.
Assim como qualquer coisa online, a chave é como nós nos relacionamos com a ferramenta e seus usuários. Qual botão apertar qualquer um aprende. Entender o signo e o significado é sempre mais complexo, não importa se na web ou não.
Talvez o melhor norte que se possa fornecer neste assunto seja a quebra do pré judice. Na web não apenas o pré julgamento (roupa, aparência, cor, etc) se quebra mas também rui a relação de poder: você e seu aluno estão no mesmo nível hierárquico e ele espera ser tratado como igual.
Você precisa falar a linguagem dele. Dois ótimos exemplos disso são o blog Física na veia e o portal Lablogatórios que unem o conteúdo com uma linguagem (tanto em termos de ambiente e interface quanto no que diz respeito à linguagem escrita) a que o aluno/jovem está acostumado, tratando-o com respeito e de igual para igual.
No que diz respeito à tecnologia, hoje temos uma entidade sem fins lucrativos chamada w3C (World Wide Web Consortium), que orienta como construir sites e aplicativos de forma acessível por todos. A acessibilidade hoje é uma das maiores preocupações dos desenvolvedores. Uma das grandes mudanças foi a separação da informação do conteúdo.
A informação ou o conteúdo não existem mais localizados, centralizados. Nós somos múltiplos e estamos em muitos lugares.
O que muda, essencialmente, é o tom. Não apenas uma questão de linguagem, onde a escrita é tratada como oral, mas também (e principalmente) a quebra absoluta da relação de poder. O leitor não é mais apenas um receptor e o discurso pode ser complementado a qualquer momento, por qualquer um.
O modelo da Wikipedia, por exemplo, pode ser usado com milhares de outros fins, inclusive o pedagógico. Um professor pode, por exemplo, criar um site no modelo Wiki sobre a sua matéria e com isso montar de uma forma muito dinâmica e participativa um modelo inovador de gestão de conteúdo, junto com seus alunos.
O sistema da Wikipedia é de código aberto, gratuito e pode ser baixado no endereço http://www.mediawiki.org/wiki/MediaWiki
A maioria dos provedores de hospedagem trabalha com um gerenciador chamado Cpanel (painel de controle) e possui o Fantastico, um instalador automático de diversos sistemas, entre eles alguns modelos diferentes de Wikis, ao alcance de um clique.
O miguxês e outros códigos
O designer Mario Amaya falou com muita propriedade sobre o assunto em seu blog e merece a sua visita.
O miguxês, ou seja, aquele dialeto de internet que a gente não entende, não é um empobrecimento do idioma, é outro idioma. A comunicação em miguxês é uma opção do jovem, e não falta de.
Este aspecto, o de não ser uma limitação e sim uma opção é crucial para entendermos esta comunicação.
Redes sociais
Acho hilário o termo “rede social”. Existe alguma rede de pessoas que não seja social? A internet toda é humana, formada por pessoas que se comunicam entre si e portanto é toda uma grande rede social.
O termo na verdade se refere a sistemas que facilitam esta comunicação interpessoal, como o Twitter, Orkut, Facebook e muitos outros. Assim como em qualquer festa, é mais importante saber se comportar no ambiente do que saber a receita do bolo.
Tanto nas ditas redes sociais como na tal da “blogosfera”, o crédito é importantíssimo. Apesar de abrir mão da privacidade, o jovem não abre – e nem deveria – mão da individualidade. A internet toda funciona muito por mérito e crédito, ou seja, se você viu um link interessante no Twitter de alguém, ao invés de copiar e colar para repassar para o seu grupo, faça um “retwitt”, ou seja, assuma que você está repassando algo feito/descoberto por outra pessoa, citando a fonte. O mesmo vale para blogs. Os blogs mais respeitados são aqueles que criam conteúdo próprio e que quando reproduzem algo de outra pessoa, dão os devidos créditos. Esta é uma regra que não pode ser quebrada online, sob o risco de perder completamente a credibilidade. E, como sabemos em qualquer ambiente (online ou offline), credibilidade é tudo nessa vida.
Outra regra importante para a sobrevivência online é a periodicidade. É melhor não ter um blog/twitter/etc do que ter um bissexto. A presença online exige alguma manutenção.
O contato direto com o aluno e no ambiente dele pode trazer bons frutos. Muitos problemas como a falta de tempo, a timidez ou mesmo a pressão de grupo caem por terra quando o jovem está online. Muitas vezes ele consegue se expressar com mais desenvoltura, rapidez e facilidade na internet do que na sala de aula.
A semelhança com audiovisuais e seus blocos pequenos de texto
O quadro-negro não passa vídeo, não permite o copy-and-paste, não tem hiperlink, não toca mp3, não reproduz podcast e não aceita comentários, mas na verdade a estrutura lingüística é muito similar à internet. São tópicos com pouco texto que dão suporte ao que é dito verbalmente.
Apesar de o texto ser o seu suporte fundamental, a linguagem é verbal e conta com todo e qualquer recurso audiovisual disponível naquele momento.
Essa capacidade de síntese que o professor tem para dar e vender é extremamente valorizada online.
Assim como na sala de aula, na internet o aluno que se interessar por determinado assunto irá procurar textos e subsídios mais aprofundados. A grande diferença é que o processo não é passivo: o aluno assume o papel de responsável e ator da busca por aquela informação.
O professor tem à sua disposição diversas mídias e formatos diferentes. Aqueles que se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo podem, por exemplo, criar um podcast.
Escrever em um blog, por exemplo, não exclui outras possibilidades. O blog pode inclusive conter um podcast, vídeos, um fórum e conteúdos de redes sociais.
A questão da atenção dividida
Paradoxalmente, quanto mais o professor espalhar as suas informações online, mais o aluno vai focar no assunto. Esta pulverização que pode enlouquecer alguém ainda não habituado com a tecnologia é, na verdade, percebida como um símbolo de importância. Quase que uma reprodução das medidas de um clipping, onde o volume de notícias é contabilizado como uma vitória. O internauta presta mais atenção àquilo que chegou a ele de várias fontes diferentes porque entende como sendo de uma relevância maior.
Qualquer informação online que venha de forma intrusiva ou impositiva é imediatamente descartada, mesmo que de interesse do aluno. Ele precisa se sentir e se perceber como agente daquela informação. Aqui entram, com grande importância, as redes sociais e os blogs, onde o professor pode, além de interagir com outras pessoas, colocar o seu conteúdo online de uma forma em que o aluno vá até ele sem se sentir em uma posição submissa ou passiva.
A passividade no recebimento da informação é sempre entendida como spam. Nada online é unilateral, mesmo que a bilateralidade seja apenas a de clicar em um endereço para chegar ao blog.
Dicas de ferramentas
Colocar uma matéria online no Google Docs, onde o aluno pode copiar e colar o que interessa, interagir deixando comentários e/ou dúvidas ou mesmo acrescentar algo.
Publicar slides, imagens, ilustrações e apresentações nas ferramentas gráficas (Flickr, Picasa, etc), de forma que o aluno tenha acesso a estas informações com maior clareza do que uma reprodução xerox ou cópias feitas em cadernos.
Publicar textos em domínio público no Scribd, de forma não apenas a compartilhá-los com toda a web mas também facilitando o acesso e busca deste material.
Indicar a leitura de trechos ou livros na íntegra no Google Books, dependendo se em domínio público ou não.
Abrir um canal de comunicação direta com alunos e colegas através do Skype, msn ou similares.
Tocar/mostrar músicas no Blip.fm, como demonstrativas de uma figura de linguagem ou de uma época.
Estimular a leitura através de hipertexto e a assimilação de conteúdo de qualidade em palestras online e vídeos educativos.
Criar coleções (listas) no Youtube ou no Vimeo de vídeos interessantes e recomendados para os seus alunos.
Criar versões WAP de seus blogs para que os alunos possam ler no celular. A maioria dos sistemas de blog possui versão WAP ou algum plugin gratuito para esta finalidade.
Usar o Google Earth ou Maps para mostrar locais ou o History do Google Earth para representações em 3D históricas (Roma Antiga, por exemplo), ou ainda o céu ou a Lua ou Marte.
Reproduzir experiências bem sucedidas como o Mil Casmurros, por exemplo.
Centralizar bookmarks de forma pública e acessível no Delicious.
Ampliar o repertório dos alunos com palestras do Teachertube, do MIT ou do TED.
O senso de comunidade
O ser humano é engraçado: basta ver a casa de um que já quer construir a sua do lado. Nós temos o senso de comunidade muito enraizado em nossa formação. Desde o homem primata que formamos comunidades. Os princípios de auto-preservação e proteção seguem em nossas vidas o tempo todo.
Os alunos formam grupos, tanto em sala de aula quanto em intervalos. O ser humano se relaciona em bandos, mesmo que este bando seja composto por apenas duas pessoas. É natural portanto que na web este senso de comunidade se reproduza também.
Um dos pecados mortais é ir contra ou trair grupos estabelecidos (exemplo: a propaganda do Estadão contra os blogs), mas às vezes é difícil detectar os grupos que são por natureza voláteis, orgânicos e flexíveis, ainda mais online.
Uma boa forma de se medir a relevância daquele grupo ou pessoa online é uma simples busca no Google. Coloco aqui alguns truques práticos de uso do Google para este fim:
Para limitar a busca naquele termo específico e não em todas as palavras que o compõe, use aspas. Ex: “gato siamês” irá retornar um resultado muito mais relevante do que apenas procurar por gato e siamês.
Para descobrir quem ou quantos sites têm links para alguém, use o “link:”. Exemplo: “link:aguarras.com.br”. Não é necessário usar o www.
Para buscar algo apenas dentro de um determinado site, comece a busca com “site:URL busca”. Exemplo: “site:aguarras.com.br arte-educação”.
Para buscar um conteúdo apenas em um determinado tipo de arquivo, use o filetype:TIPO. Exemplo: “hauser filetype:pdf”
Existem outras dicas no próprio Google.
Muitas vezes a própria internet fornece informações sobre quem é o seu visitante, o que ele pensa, como age e o que a comunidade pensa dele.
O potencial disseminador do internauta
As técnicas de divulgação mudam de nome e formato com o tempo. O que antigamente era o RP (relações públicas) hoje é o especialista em rede social. As ferramentas mudam mas o princípio é o mesmo (nós somos os mesmos).
“Aquilo que é bom não precisa de propaganda”. Esse é um dos mitos mais conhecidos na publicidade e é apenas isso: um mito. O professor faz propaganda de sua matéria. A mãe faz propaganda de suas opções de vida ao filho. O padre faz propaganda de sua religião. Os formatos e os objetivos mudam, naturalmente, de acordo com o caso, mas a disseminação de idéias e ideais faz parte de nosso instinto de preservação, a preservação de nossa memória.
Na Grécia Antiga, era considerado “clássico” aquilo digno de ser copiado. A expectativa de vida então era de 35 anos e a noção da finitude da condição humana era claríssima. Assim como na internet, a nacionalidade era uma essência, um pertencimento espiritual e cultural e não algo limitado por fronteiras: se você fala grego, segue a religião grega, pensa como um grego, você é grego, não importa onde viva ou tenha nascido. As artes eram consideradas de suma importância porque perpetuavam o registro da cultura. As conquistas eram não apenas militares mas também culturais.
Estes mesmos conceitos são reproduzidos na internet que, assim como a Grécia Antiga, não tem a noção do Estado-nação. O modo de vida do internauta o qualifica. Aqueles que não são internautas (“não falam grego”) são considerados pelo grupo como inferiores culturalmente (bárbaros). O conceito de clássico é aquilo que é reproduzido, independente se um vídeo tosco no Youtube ou uma palestra no TED.
Surge então o conceito de uma informação viral, ou seja, que se reproduz além de uma intenção ou controle, que se reproduz de forma autônoma, espontânea. Um bom viral é aquele que move alguma emoção, que toca em algum ponto da formação do ser, mesmo que seja o de considerar o diferente como um bárbaro.
O fenômeno de dissipação destes conteúdos é às vezes batizado de “meme”, uma analogia ao conceito criado pelo zoólogo Richard Dawkins para explicar a disseminação de pensamentos, idéias e produtos culturais. Segundo Dawkins, algumas informações são transmitidas da mesma forma que os genes, replicando-se automaticamente e tornando-se parte da cultura universal.
A internet é o veículo ideal para a transmissão desses “memes”. E, com o advento de sites que permitem a criação e a divulgação de conteúdo produzido pelos próprios internautas, os memes ganharam um novo aspecto: a possibilidade de estas unidades de informação não apenas serem retransmitidas, mas ganharem novas leituras.
E tudo isso ao alcance de um clique. Não precisamos mais esculpir em pedra a nossa visão de mundo. E com a facilidade vem também o alcance exponencial.
O professor pode se colocar como receptor e requisitar aos seus alunos, por exemplo, que indiquem conteúdo relativo a um tema. A pesquisa estimulada na web movimentará a comunidade de alunos e, conseqüentemente seu interesse. Ou, ainda, analisar algum conteúdo online junto a seus alunos, estimulando desta forma a busca por similares.
Conteúdo é a chave do negócio, sempre foi e sempre vai ser.
O que você tem a dizer é muito mais importante do que a forma.
Nota importante: este artigo foi originalmente escrito como uma linha geral de uma palestra para professores e não tem a pretensão de ser nada além de um apanhado de dicas sobre alguns dos usos possíveis da internet como instrumento didático. Este não é um whitepaper e a autora é especializada em internet e não em pedagogia.
Na década de 30 (e por reflexo, na de 40 também), o mundo estava de cabeça para baixo. Sangue para todo lado, Hitler, Segunda Guerra, crise de 1929, enfim, aquele bom e velho caos que todos conhecemos. Não por acaso as pin-ups surgem no país com maiores problemas financeiros naquele momento, os Estados Unidos. As pin-ups tentavam resgatar algum tipo de identidade a um povo massacrado, através da sexualidade e do humor. Naquele contexto já era uma objetificação, já era ruim. Hoje é apenas ridículo.
Existe uma corrente errr.. cof, cof filosófica de endeusamento da mulher que nada mais é que uma objetificação. Explico. Ao retirar aquele determinado grupo de indivíduos (mulher, gay, negro, astigmático, não importa) do ambiente humano, ou seja, ao desumanizar alguém, você o objetifica, mesmo quando sob o pretexto da divinização. Acontece que este tipo de ação, em pleno 2009, não apenas perdeu o sentido como perdeu também qualquer possibilidade de justificativa ou embasamento. Não é mais aceito fora do universo pornô assim tão facilmente.
Diz um amigo meu que as pin-ups não vão além do alcance da mão, referindo-se, justamente, às tentativas de parecer fazer mais do que esta mera objetificação de que falei anteriormente.
O cenário fotográfico geral da SP-Arte é que as pin-ups voltaram. E voltaram em preto e branco, em uma tentativa de posicionar o estilo em um tempo cronológico em que isso era possível, usando a técnica como uma bengala, como uma pseudo-justificativa artística. Além de ridículo fica datado.
Alguns se salvam.
Só na galeria Babel gostei de três:

Thomas Hoepker com uma print de 1936. Hoepker foi historiador da arte e arqueólogo mas acabou sendo mais conhecido como repórter fotográfico. Hoepker sempre tem um olhar poético, tanto na composição quanto no assunto sem aquele distanciamento estereotipado que se espera de um arqueólogo alemão. É um fotógrafo sem clichês.
Iatã Cannabrava, com uma color de 2008 intitulada Capão. A figura dialoga dentro de si, com o quadro dentro do quadro e com o fruidor que entra no cenário e na biografia da imagem. Elvira imediatamente apontou a estrutura de Velásquez, onde uma parte da estória anterior permanece dentro da contada, como um roteiro que cria passados não-vistos das personagens.
E, ainda na Babel, gUi Mohallem, com o seu Ensaio para loucura, pinholes de 1979. Ele se/nos aproxima em camadas, em etapas, devagarzinho para ficar mais gostoso. A primeira é a própria técnica, que retira a lente entre o fotógrafo e o fotografado. Outra aproximação é a da interação, onde o visitante é convidado a usar carimbos. A idéia do carimbo é gostosa, funciona como uma lembrança. E mais uma, as pessoas fotografadas estão em movimento, são reais, fazem parte do seu-nosso cotidiano. Poderia ser você, daí a loucura, uma loucura não ensaiada mas de todos nós, você, eu, fotógrafo e fotografados. E aí tem os carimbos em si, que trazem textos íntimos dos fotografados. São seis, selecionei um: Eu sou tão normal, tudo que eu faço é normal, eu penso tanto antes de fazer as coisas… mesmo quando eu me drogo ou trepo com um desconhecido é muito normal, sabe, dentro dos limites da normalidade.

A galeria Eduardo H Fernandes mostra o Tríptico umbilical do colombiano Fernando Arias. É um mesmo homem, nu, em posição fetal, visto em três planos diferentes e sim, são três fotos. Fazem parte de uma exposição intitulada Humanos Derechos, uma antiga bandeira do artista.

Na Silvia Cintra encontrei um tríptico de Miguel Rio Branco, de quem eu sempre gosto. Ele retrata a tragédia urbana e cotidiana sem recorrer a excessos de texturas ou outros modismos.

A galeria Mário Sequeira trouxe duas fotos de Helena Almeida que brincam com o tempo e com a seqüência narrativa. Estão em um corredor e portanto você pode vê-las sem uma intenção de ordem, de sentido. As fotos são da mesma cena em dois momentos e em um destes o retratado olha para você. É sempre bom encontrar novas linguagens em velhas técnicas.

A Amarelonegro Bei mostra Vaqueiros, de Andreas Heiniger. Vaqueiros merece um duplo elogio. Obviamente pela qualidade fotográfica e narrativa mas também pela montagem. A Amarelonegro Bei colocou as fotos, portraits dos nossos peões, em colunas enviesadas em relação ao visitante, fazendo com que o olhar fosse imediatamente impactado pela força das pessoas retratadas mas ao mesmo tempo permitindo uma aproximação gentil.

Na H.A.P. encontrei outra sempre ótima, a Claudia Jaguaribe. Ela é artista plástica e historiadora da arte mas poderia perfeitamente ser designer também. As suas duas fotos fazem uma brincadeira cromática, em que ela pega o tom dominante/emocional da fotografia e o (re)aplica sobre a foto em uma faixa, uma foto se contrapondo à outra inclusive em termos de diagramação e com esta delicada interferência ela mostra (e educa) um olhar.

E na Vermelho, vi Odires Mlaszho, com seus seis portraits mixados entre estátuas/figuras notórias e fragmentos de pessoas, em um encaixe perfeito entre as duas imagens. Ao humanizar a estátua, mostrando o carne-e-osso, ele desumaniza a noção de realidade. Odires, aliás, não é nome próprio, é um acrônimo de Objetos Derivados Intrínsecos Restos Emulsionados ou Saqueados.

A SP-Arte sempre vale uma visita. Só fique longe do café, que além de custar inacreditáveis R$4,50 é ruim e veio frio. E ainda vem acompanhado do olhar de desprezo do atendente que está naquele fantástico lugar superior e é o guardião da única fonte de cafeína da feira. Na próxima eu levo uma garrafa térmica. Juro que levo.
ERRATA – Tatiane Lopes escreveu: Apenas uma correção: as fotos da exposição “Vaqueiros” é do estande da Bei Editora, no qual ele está lançando um livro.
publicado no Aguarrás em 15/05/2009
ISSN 1980-7767, ano 4 n° 19, maio & junho de 2009
Tenho brincado com a idéia de escrever a respeito da reforma ortográfica mas a verdade é que tenho pouco a dizer.
Assim como qualquer resolução imposta verticalmente, ou seja, uma decisão política/comercial, a reforma também beneficia um grupo específico. Não vou entrar aqui nas teorias de conspiração que se tornam rapidamente populares na internet: eu não sei se a intenção original era beneficiar este grupo ou se isto foi apenas uma conseqüência (sim, eu ainda uso trema), mas o fato é que os grandes grupos editoriais saíram ganhando.
Explico: é claro que em um projeto editorial existe muito mais do que ortografia mas esta unificação já permite, por exemplo, que uma grande editora rode em gráfica um miolo único para todos os países e rode apenas as capas separadamente.
Poucas pessoas – para a minha surpresa – tem a noção de que rodar em gráfica uma quantidade enorme sai mais barato do que uma pequena, considerando o preço unitário. Isso sem nem falar dos custos da produção do texto propriamente dito (copy-desk, revisão, etc).
Considerando este fator, é natural supor que viveremos uma invasão das grandes casas editoriais européias aqui no Brasil. A literatura brasileira, já tão pisoteada, coitada, ficará ainda mais massacrada por projetos enlatados, unificados e pasteurizados.
A solução, me parece, é usar a força do oponente contra ele próprio, ao melhor estilo Aikido: a reforma serve tanto aqui como lá e os autores brasileiros podem lutar por seu lugar ao sol na terra de Camões.
A ficção científica normalmente não me atrai muito. Existe um problema intrínseco, para mim, que é a da suspensão da realidade na escrita pretensamente calcada em parâmetros científicos. Este é um problema que nasceu com a FC (como carinhosamente é chamada a ficção científica). Existem raríssimos autores que conseguem o fazer acreditar dentro deste contexto, de um irreal científico.
Eric Novello é um desses raros e preciosos autores.

Eric é um dos autores do livro Paradigmas 1, lançado recentemente pela Tarja Editorial.
Por motivos óbvios, comecei o livro pelo conto dele.
Fogo de Artifício na verdade não é FC, é fantasia urbana, e isso por si só talvez já explique eu ter gostado. O conto se baseia no universo ficcional de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, ou seja, espere encontrar um gato sorridente e um chapeleiro maluco mas não leia para seus filhos. É um conto adulto. Adulto como em assassinatos brutais e sexo selvagem. Adorei.
“Eu havia pedido o encontro. Perdido o controle. As mortes precisavam parar. As mortes, só por elas eu transpirava prazer.”
Pelos mesmos motivos, gostei de Um Forte Desejo, de M. D. Amado, um tipo de “fantasia pulp erótica”, se é que existe esta classificação.
Gostei também de Aqui Há Monstros, de Camila Fernandes, que, assim como Eric, se baseia em um universo ficcional pré-existente, o da mitologia grega.
Não li os outros contos ainda, mas tenho certeza de que a editoria do organizador/autor Richard Diegues fará justiça aos bons autores que assinam o livro.
publicado em 1/4/2009 no Aguarrás