Quando nasci minha mãe, Elvira Vigna, e meu pai, Eduardo Prado, tinham uma editora chamada Bonde que, entre outras muitas coisas publicou uma revista de enorme sucesso, A Pomba. Edu era metido também com cinema e teatro. Minha mãe já publicava livros, ganhava prêmios e, como é até hoje, não parava. Meu pai-drasto, Roberto Lehmann, que na época era analista de sistemas e hoje é tradutor, sempre foi muito envolvido com teatro e filosofia. Minha madastra era designer em uma época em que o design gráfico ainda se chamava comunicação visual. Lá pelos meus 11 anos de idade, eu acho, Edu abriu outra editora, a Terceira Margem. Aprendi paste-up, raspar fotolito com gilete, composição, colei muita Letraset, essas coisas.
Tenho grande dificuldade em responder quando foi meu início profissional. Eu já nasci nesse meio e não lembro de um único dia da minha vida em que eu não estivesse, de alguma forma, envolvida com (ou envolta por) o processo editorial.
Resolvi, pela questão prática de poder comprovar, eleger meu início profissional aos 12 anos, quando publiquei minha primeira crônica, sobre a morte, nos Cadernos de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Logo em seguida saiu também o primeiro livro que ilustrei, o Vicente, de José Mário Tamas. Nunca mais parei.
