Paradigmas

A ficção científica normalmente não me atrai muito. Existe um problema intrínseco, para mim, que é a da suspensão da realidade na escrita pretensamente calcada em parâmetros científicos. Este é um problema que nasceu com a FC (como carinhosamente é chamada a ficção científica). Existem raríssimos autores que conseguem o fazer acreditar dentro deste contexto, de um irreal científico.

Eric Novello é um desses raros e preciosos autores.

Paradigmas

Eric é um dos autores do livro Paradigmas 1, lançado recentemente pela Tarja Editorial.

Por motivos óbvios, comecei o livro pelo conto dele.

Fogo de Artifício na verdade não é FC, é fantasia urbana, e isso por si só talvez já explique eu ter gostado. O conto se baseia no universo ficcional de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, ou seja, espere encontrar um gato sorridente e um chapeleiro maluco mas não leia para seus filhos. É um conto adulto. Adulto como em assassinatos brutais e sexo selvagem. Adorei.

“Eu havia pedido o encontro. Perdido o controle. As mortes precisavam parar. As mortes, só por elas eu transpirava prazer.”

Pelos mesmos motivos, gostei de Um Forte Desejo, de M. D. Amado, um tipo de “fantasia pulp erótica”, se é que existe esta classificação.

Gostei também de Aqui Há Monstros, de Camila Fernandes, que, assim como Eric, se baseia em um universo ficcional pré-existente, o da mitologia grega.

Não li os outros contos ainda, mas tenho certeza de que a editoria do organizador/autor Richard Diegues fará justiça aos bons autores que assinam o livro.

 

publicado em 1/4/2009 no Aguarrás

9 comentários

  1. Luiz Felipe Vasques disse:

    Eu comecei a ler o artigo achando que era 1o de Abril, e endereçado a mim — como assim, ela contemporizando para poder chegar próximo de falar bem de FC?

    Ai entendi, o mérito era pelo autor, e não pelo gênero. Mérito merecido, de tudo o que ouço falar, diga-se de passagem. Ainda não tive o prazer de ter a coletânea em mãos.

  2. :D

    Pô, Felipe… Vc me conhece desde… 1990 (91, talvez? – não importa, a velhice é a mesma!).

    Quando foi que eu fiz uma pegadinha de 1º de abril?

    Mas sim… Gosto de tudo que o Eric escreve. O Paradigmas 1, já andei vendo, tem daquelas coisas que não curto, com mundos paralelos e quetais, mas acho que você vai curtir.

    Bjs!

  3. Luiz Felipe Vasques disse:

    Em uma época em que as grandes editoras resolveram torcer o nariz para o gênero, apenas lançando um título quando sai algo relacionado a um blockbuster no cinema (engraçado é ver a Cia das Letras toda esnobe, dizendo que não publica isso, e ver a lista de lançamentos, atual, dela – só pq dado autor é badalado na lista do NYT); o papel das editoras de menor porte vem sendo fundamental para manter o gênero vivo. Ano passado e esse vêm sendo de lançamentos sistemáticos.

  4. É verdade. Aliás, esse é um processo muito curioso pque as pequenas editoras sempre tiveram um papel importantíssimo na literatura. Paradoxalmente são as que mais investem no autor novo, no pequeno. Fico aqui sempre – ano após ano – na torcida para que o próximo fenômeno de vendas saia de uma pequena. Elas lavam a nossa alma (FC, poesia, literatura brasileira, tanto faz qual a cor do “pequeno”).
    Bjs

  5. Luiz Felipe Vasques disse:

    É por essas e outras que eu sou muito mais ligado na Primavera de Livros do que na FLIP ou na Bienal…

  6. Da Flip eu não posso falar pque nunca fui, mas a Bienal deixou de ser “a bienal” faz tempo. Hoje é um grande feirão, nada mais.

    Gosto muito da Primavera também.

    :*