lá e cá

Tenho brincado com a idéia de escrever a respeito da reforma ortográfica mas a verdade é que tenho pouco a dizer.

Assim como qualquer resolução imposta verticalmente, ou seja, uma decisão política/comercial, a reforma também beneficia um grupo específico. Não vou entrar aqui nas teorias de conspiração que se tornam rapidamente populares na internet: eu não sei se a intenção original era beneficiar este grupo ou se isto foi apenas uma conseqüência (sim, eu ainda uso trema), mas o fato é que os grandes grupos editoriais saíram ganhando.

Explico: é claro que em um projeto editorial existe muito mais do que ortografia mas esta unificação já permite, por exemplo, que uma grande editora rode em gráfica um miolo único para todos os países e rode apenas as capas separadamente.

Poucas pessoas – para a minha surpresa – tem a noção de que rodar em gráfica uma quantidade enorme sai mais barato do que uma pequena, considerando o preço unitário. Isso sem nem falar dos custos da produção do texto propriamente dito (copy-desk, revisão, etc).

Considerando este fator, é natural supor que viveremos uma invasão das grandes casas editoriais européias aqui no Brasil. A literatura brasileira, já tão pisoteada, coitada, ficará ainda mais massacrada por projetos enlatados, unificados e pasteurizados.

A solução, me parece, é usar a força do oponente contra ele próprio, ao melhor estilo Aikido: a reforma serve tanto aqui como lá e os autores brasileiros podem lutar por seu lugar ao sol na terra de Camões.

4 comentários

  1. Luiz Felipe Vasques disse:

    É, tivemos essa conversa outro dia, até… que bom que você se manifestou. Estou ecoando isto lá no blog, tá?

    Beijo!

  2. Ju disse:

    Cara… as tremas… ai, ai… gosto tanto delas… E ainda nao consegui escrever ideia sem acento (claro, que quando o teclado funciona direito…). Doi, saca? Mas, sei la, ainda nao entendi direito essa reforma, mas to achando que eh so dificuldade minha mesmo, que vivo em conflito direto e diario com o idioma…
    Beijo
    Ju

    • Ju,
      A gente tem 10 anos para se acostumar. Só daqui a 10 anos é que a nova ortografia pode ser exigida em concursos e a antiga considerada errada. Eu sou meio lenta mas acho que 10 anos dá…
      Até lá continuarei tendo idéias freqüentes.
      :*