Umberto Eco desistiu de editar seu próprio verbete na wikipedia. Eu também desistiria, no lugar dele. Fica, aliás, a sugestão aqui de tornar o verbete cada vez mais nonsense (pactos secretos com alienígenas são só o começo).
Eu não gosto da wikipedia. Sempre achei que é a perpetuação do senso comum mais raso e eu ainda carrego comigo a inocência de achar que verbetes enciclopédicos deveriam ser escritos por especialistas em seus respectivos assuntos.
Não tenho o invejável bom humor de Umberto Eco. Vejo nisto uma falência da razão. É a cultura do fácil, da lei do menor esforço, que tem como único caminho possível o empobrecimento do raciocínio. Neste mesmo saco enfio os memes, os plagiadores, a população do copy-paste e todos aqueles sem pensamento próprio.
Por outro lado pode ser só a minha já lendária impaciência com o mundo.
(via CrisDias, no twitter)
comentário nº 1 do post “wikipedia”
Nome: Luiz Felipe Vasques
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IP: 189.122.118.15
Data do comentário: 06-Out-2009
Horário do comentário: 13:52:26
Faz todo o sentido, sim. Wiki é boa para uma consulta muito por alto, geral, passa-tempo até.
Sofrem, claro, os artigos realmente levados a sério.
Mas é o tal lance: de democrático, o conhecimento deve ser compartilhado. Para ser construído, desculpem a antipatia: meritocrático.
comentário nº 2 do post “wikipedia”
Nome: Daniel Gárgula
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IP: 200.214.65.143
Data do comentário: 06-Out-2009
Horário do comentário: 15:47:11
A wikipédia se baseia na Lei de Linus onde dado a quantidade de olhos observando, menor a chance de erro. Foi assim que o Linux andos do que era, para o que é hoje.
Existem problemas mas que tendem a ser contornados. Se você quer uma informação mais profunda, concordo que deva procurar outras fontes. Alí é o raso, fácil e rápido.
comentário nº 3 do post “wikipedia”
Nome: Carolina Vigna-Marú
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IP: 201.42.217.54
Data do comentário: 06-Out-2009
Horário do comentário: 18:13:47
Daniel,
Linus, que por sua vez vem de Peirce, que por sua vez vem de Saussure, que por sua vez tem relação com Heidegger, que veio de Kant, que veio de Hume, que veio de Descartes, que até onde eu saiba não veio de ninguém.
O lance é que, na minha opinião, existe um problema cíclico sem solução:
Democratização do conhecimento e da informação sempre, mas, ao colocar sob uma determinada chancela, a informação deve necessariamente passar por um crivo seletivo não-quantitativo e sim qualitativo, sob o risco de que o conjunto original (a tal chancela, o selo editorial, o blog, whatever) perca completamente a credibilidade. E aí, sem o respeito da comunidade, a auto-regulamentação se torna uma utopia. Ou seja, a tal da meritocracia de que falou Felipe é necessária, assim como os professores são necessários em uma escola mesmo com todo este conteúdo disponível de formas mais rápidas e muitas vezes mais interessantes por aí.
E não falo nem de informação mais profunda, não. Falo apenas de informações corretas.
Bjins implicantes.
comentário nº 4 do post “wikipedia”
Nome: Luiz Felipe Vasques
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IP: 189.122.118.15
Data do comentário: 07-Out-2009
Horário do comentário: 13:50:05
Não conhecia isto da Lei de Linus… interessante, sim. Mas me parece ilusório aplicar-se a um caso como a da construção de uma enciclopédia de temas variados.
Na construção do Linux, temos um perfil de uma comunidade engajada em irritar o sistema capitalista.
Não é o mesmo tipo de motivação por trás de um artigo sobre, chutando, um nobre menor da corte de Oto I dos godos.
Parece-me que, com o tempo, mas ênfase em teeeeeeeeeeeempo, correções seriam feitas, mas na ordem inversa, proporcional à importância de um dado tema.
Ou seja, basear construção de conhecimento em relevância estatística parece-me algo temerário…
comentário nº 5 do post “wikipedia”
Nome: Carolina Vigna-Marú
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IP: 201.27.182.160
Data do comentário: 07-Out-2009
Horário do comentário: 15:34:10
basear construção de conhecimento em relevância estatística parece-me algo temerário… [2]