Foi com grande felicidade que recebi o email do MASP com a bibliografia para o módulo 3 do curso de História da Arte, Do Barroco ao Romantismo, ministrado pelo prof. Renato Brolezzi.
Bibliografia geral
GOMBRICH, Ernst Hans – A História da Arte, trad. Álvaro Cabral, Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1999.
ARGAN, Giulio Carlo – A Arte Moderna, trad. Denise Bottmann e Federico Carotti, São Paulo, Companhia das Letras, 1993.
GRIMAL, Pierre – Dicionário de Mitologia Grega e Romana, São Paulo, Bertrand Brasil, 1998.
BÍBLIA DE JERUSALÉM, tradução dos textos em língua portuguesa diretamente a partir dos originais, cotejada com a edição de La Sainte Bible (Paris, Les Éditions du Cerf, 1973), São Paulo, Edições Paulinas, 1989.
VERNANT, Jean-Pierre – Mito e Pensamento entre os Gregos, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990.
ARGAN, Giulio Carlo – História da Arte Italiana, 3 volumes, São Paulo, Cosac &Naify, 2004.
PANOFSKY, Erwin – Estudos de Iconologia. Temas Humanísticos na Arte do Renascimento, Lisboa, Editorial Estampa, 1995.
ARGAN, Giulio Carlo – Imagem e Persuasão: ensaios sobre o Barroco, trad. Maurício Santana Dias, São Paulo, Companhia das Letras, 2004.
WÖLFFLIN, Heinrich – Conceitos Fundamentais da História da Arte, São Paulo, Martins Fontes, 1989.
STAROBINSKI, Jean – 1789: Os Emblemas da Razão, trad. Maria Lúcia Machado, São Paulo, Companhia das Letras, 1988.
FRIEDLAENDER, Walter – De David a Delacroix, trad. Luciano Vieira Machado, São Paulo, Cosac & Naify, 2001.
Veio ainda a indicação do Artcyclopedia, um velho (e bom) conhecido.
Neste novíssimo episódio do Papo de Artista, Eduardo Schaal e Carolina Vigna-Marú contam para nossos ouvintes como começaram e como é a rotina de trabalho de cada um deles.
Também contam histórias de trabalhos que fizeram e contam como são seus respectivos estúdios (e ficamos sabendo como é trabalhar em uma Igreja).
Estamos agora no Norte da Europa, em Flandres, durante o século XV, onde acontece o Renascimento flamengo. Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria. Esta região foi absurdamente rica do século XIII até o XVI, por causa do comércio marítimo, e tinha uma marinha mercante muito poderosa. Suas principais cidades eram Bruxelas, Antuérpia, Gent e Brugge.
São católicos mas no século XVI convertem-se protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano e é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida. Trata-se de uma cultura radicalmente baseada no mundo burguês.
Em Flandres acontece o gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.
A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.
JAN VAN EYCK
Karel van Mander escreveu o livro dos artistas nórdicos (Het schilder-boeck, 1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550). Neste livro, Jan Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica. Os artistas até bem pouco tempo atrás preparavam suas tintas e materiais, não os compravam em tubos ou em papelarias. Era necessário conhecimento em química além da técnica artística em si. Antes dos irmãos Van Eyck, o meio de solução era o ovo (têmpera), que secava muito depressa. Ao dissolver seus pigmentos em óleo, os Van Eyck conseguiram manipulá-los por mais tempo e com maior precisão.
“Aqui na verdade não há paralelo com os mestres do início da Renascença na Itália, que nunca abandonaram as tradições da arte grega e romana. Lembramos que os antigos ‘idealizaram’ a figura humana em obras como a Vênus de Milo ou o Apolo de Belvedere. Jan van Eyck não teria nada disso. Ele deve ter posto modelos nus à sua frente e pintou-os tão fielmente, que gerações mais tardias ficaram um tanto chocadas com tanta honestidade. Não que o artista não tenha olhos para a beleza.” – GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.
A OBRA
Os esposos Arnolfini, Jan Van Eyck, 1434,
London National Gallery, óleo sobre madeira (carvalho).
A obra retrata um rico casal italiano, Giovanni Arnolfini e sua esposa Giovanna Cenami. Arnolfini já era um rico comerciante de tecidos, da cidade de Lucca (perto de Florença), antes de mudar-se para Brugge com o propósito de expandir os negócios da família. A mudança foi um sucesso e o casal incorporou os valores nórdicos.
Os esposos Arnolfini é um retrato encomendado. A obra mostra diversos elementos de afirmação de riqueza e importância econômico-social, além do fato de que encomendar um quadro ao grande Van Eyck por si só já era um importante símbolo de prestígio.
A riqueza de detalhes na obra é lendária e deve-se muito à formação de Van Eyck, que, além de pintor, era miniaturista e iluminador de manuscritos . Os pintores holandeses usavam lentes de aumento em seu ofício e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única, o que só faz aumentar o seu mérito. Não por acaso o microscópio nasce na Holanda.
A obra retrata um quarto de dormir, o mundo privado. De acordo com a ética do catolicismo nórdico é pecado mortal ostentar riqueza em público (base para Lutero, por exemplo). O universo da riqueza e do luxo era restrito ao mundo privado.
ELEMENTOS ICONOGRÁFICOS
Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal. “Pela primeira vez na história, o artista tornou-se a testemunha ocular perfeita, na mais verdadeira acepção da palavra.” [GOMBRICH, E. H.]
Espelho/vidro era caríssimo e é um importante símbolo de riqueza.
Assinatura: “Johannes de eyck fuit hic” (Jan van Eyck esteve aqui). Segundo Gombrich, a assinatura pode ter tido uma função de testemunho de um ato solene.
O azul era de lápis lazuli, outro símbolo de ostentação da riqueza do casal.
O penteado de Giovanna Cenami era típico da Borgogna e tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos. Assim como os tamancos, mostra a adoção dos valores nórdicos pelo casal.
Vermelho era símbolo de nobreza. O pigmento vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil), justamente em busca deste pigmento.
O professor Adelino José da Silva d’Azevedo afirma que é do cinabre que se origina a palavra brasil. Kínnabar era uma palavra celta que, no comércio com os fenícios, designava o tom vermelho de qualquer material. Forma-se da raiz kínn – que traduz a idéia de metálico e de rubro; e da partícula bar – sobre, em cima de, superior. Uma característica do celta era a próclise das partículas, em oposição à ênclise grega. Ou seja, o celta punha as partículas no fim da palavra, ao contrário dos gregos, que a preferiam no meio. Assim, kínnabar corresponde ao barcino, brakino, breazail. Portanto, o cinabre dá nome ao pau-brasil que, por sua vez, dá nome ao país.
O fino anel e o gesto de Giovanni Arnolfini querem passar a mensagem “não sou grosseiro” (não era mesmo). Os Arnolfini eram aristocratas burgueses, ganharam dinheiro com o comércio. Justamente por não serem nobres, precisavam afirmar-se como não sendo rudes e sim detentores de refino e cultura.
A maçã tem um significado religioso. De acordo com a mitologia católica, os homens eram desagregados, filhos de Eva, expulsa do paraíso por morder a maçã do pecado. A maçã traz, portanto, a lembrança: “lembra-te que és mortal, que és pecado”.
Não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas. As laranjas eram importadas e envernizadas e deixadas pela casa como símbolo de riqueza.
Os tamancos, bem como suas vestimentas de uma forma geral, mostram claramente a adaptação do casal italiano emigrante aos costumes flamengos.
Os Arnolfini eram comerciantes de tecido e portanto suas roupas não apenas ostentam riqueza como também narram sua história.
Mãos alongadas, típicas do estilo gótico.
Até o cachorrinho ostenta riqueza (não é um cão de caça).
CONCLUSÃO
O Renascimento flamengo não é subserviente a significados simbólicos e/ou sobrenaturais. Há uma busca pelo retrato, pelo naturalismo. O mundo retratado é real e inclui objetos cotidianos, como mobiliário, roupas e animais domésticos, ainda que providos de significado e propósito. Ao mesmo tempo em que podemos perceber a influência direta do Helenismo em Flandres, é Flandres que influenciará o mundo das artes com seus retratos quase antropológicos e sua técnica revolucionária.
BIBLIOGRAFIA
BECKETT, Wendy; História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997.
CANTARINO, Geraldo; Uma ilha chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.
CAROL, STRICKLAND e BOSWELL, John. Arte Comentada – Da Pré-História ao Pós-Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 1999.
GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.
No episódio 32 da meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, vamos entender o que são referências, como procurá-las, classificá-las e determinar sua real importância para a vida do empreendedor da própria carreira.
Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru reuniram-se para explicar essas e outras coisas mais, recheando o papo com várias participações de seus ouvintes, questionamentos e insights variados.
O episódio marca ainda o início do “Diário de um Freela”, pequena “suíte onírica” co-produzira por nosso ouvinte Rodrigo Dantas que após alguns anos como Diretor de Criação em uma agência mineira, debuta na vida de freela com tudo o que tem direito; inclusive registro em áudio de seus desafios e conquistas. Está imperdível, com direito a fotinha do “antes e depois” do episódio 11, aquele no qual falamos sobre home-office.
Bom, é até engraçado, mas, claro, não podiam faltar as… referências:
Talvez uma das coisas que os artistas mais gostem nos programas digitais de pintura seja o undo. Quando a gente está lá com um pincel real na mão e comete alguma besteira, o CTRL-Z faz uma enorme falta.
A pintura digital é uma técnica como qualquer outra (óleo, aquarela, digital etc). É bastante claro, creio, para todos que cada técnica tem sua aplicação, mas o que talvez não seja tão óbvio é que algumas se prestam melhor à experimentação do que outras. E aí, quando falamos de experimentação, poucas ganham da digital.
O sketch (rascunho) nos ajuda a formular o pensamento, nos ensina a olhar e pensar grafica/visualmente. A pintura digital, além de um ótimo instrumento de sketch, é também uma ótima oportunidade de experimentação técnica. A possibilidade de testar a sua ideia em aquarela, óleo, carvão etc., antes de finalizá-la (não importa se digitalmente ou não), é valiosíssima: tanto em termos de produtividade quanto de raciocínio e aprendizado. Depois você pode escolher finalizar a sua obra no mesmo programa de pintura digital ou, depois de “resolvida”, levá-la ao mundo analógico.
Isso sem esquecer, claro, das já conhecidas vantagens de velocidade e limpeza: não precisamos esperar a tinta a óleo secar e o ambiente não fica fedendo a aguarrás por dias a fio. É importante ressaltar, entretanto, que o seu trabalho vai se enriquecer muito se você conhecer o material com que está trabalhando. Os melhores resultados serão extraídos destas ferramentas digitais justamente por quem conhece o material real, físico.
Existem muitos programas de pintura digital. O mais conhecido é o Corel Painter®, mas a minha coluna aqui no site da Webdesign sempre mostrará soluções gratuitas. Destas, a que mais gosto é o Artweaver, um programa gratuito de pintura alemão. Existem vários outros também muito bons, como o ArtRage e até mesmo o Gimp que, apesar de ser mais de edição do que de pintura, também se presta a esta atividade. O ArtRage é muito similar ao Artweaver e do Gimp tratarei em futuros artigos.
O Artweaver também possui algumas ferramentas básicas de edição, mas o seu foco principal é, sem dúvida alguma, a pintura digital. Ele fornece algumas funções básicas de manipulação de camadas (layers) similares aos seus concorrentes comerciais, tais como: efeitos de camadas como drop shadow, transparência e todas as formas de sobreposição normalmente oferecidas (normal, darken, multiply, lighten, screen, difference, exclusion, color burn, linear burn, color dodge, hard light, soft light, color, hue, saturation, luminosity e average).
Ele tem também histórico, ajustes como o prático auto levels e toda uma variedade de funções básicas que você espera de um software minimamente eficaz. Não irei listar todas aqui, mas é importante você saber que a maioria das funções mais comuns está presente.
Assim como muitas outras soluções gratuitas, o Artweaver também tem problemas com CMYK. E, ao contrário do Gimp, ainda não existe sequer um plugin para melhorar isso. A partir da versão 0.5.7, incluíram a paleta CMYK no seletor de cores, porém não tenho certeza se podemos considerar isto um sinal de que irão implementar suporte a CMYK. Da parte de arquivos, ele é bem versátil e não abre apenas arquivos “.PSD” como também salva para este – e vários outros – formatos, inclusive “.PDF”.
Aproveitando que este artigo é para a Webdesign on-line, vou fazer uso de vídeo, algo impossível na revista impressa. É importante ressaltar que o vídeo se propõe a ser uma demonstração do programa e não de arte, técnica ou estética. Então, vejamos o programa em ação:
Este vídeo foi feito usando o CamStudio e a trilha sonora é a música Sonnet 116, de Maggie Doucet, encontrada no site Podsafe Audio, especializado em conteúdo com licenças livres.
Deixei o melhor para o final. Sabe aquela sua coleção de brushes fantásticas que você levou anos selecionando? O Artweaver importa “.ABR”:
E, então, o que você está esperando? Download e mãos ao tablet!
Se o home-office é a fronteira inicial de todo aspirante a freelancer, vale lembrar que sentados ali 18 horas por dia esses profissionais acabam abrindo uma porta para o fantasma do stress físico e psicológico. Pense bem: produzimos mais informação nos últimos 10 anos do que toda a aventura humana até agora. Muito lixo, é verdade , e até por isso, sem querer nosso cérebro se vê boiando em rios de informação que… nos estressam.
Mas calma! Ter uma empresa de um homem só não é um atalho para a psicopatia. Até por isso, na meia hora mais valiosa do seu dia, Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru reuniram-se mais uma vez para desvendar o que está por trás da falta de paciência e daquela dorzinha no ombro que não larga você. E, claro, dar várias dicas para que isso não se repita.
O Anima Mundi, agora completando 17 anos bem vividos, continua sendo o momento de rever amigos. Nem todos são de carne e osso. Alguns têm até mesmo uma banda na floresta.
A grande novidade é o AnimaBusiness, um fórum onde se encontram animadores, distribuidores, produtores e demais profissionais do meio. Este é talvez o acontecimento mais esperado da edição deste ano.
O festival tem faz tempo o Papo Animado, onde podemos conversar com animadores consagrados. Este ano os convidados são Amid Amidi, Irmãos Latini (Anélio Latini Filho e Mário Latini), Michel Ocelot e, Priit Pärn. Estes encontros acabam sendo de maior interesse de profissionais de animação. Estive em alguns, nestes anos todos, e raramente encontrei pessoas que não trabalhavam com isso. A oportunidade de conversar com um biólogo animador da Estônia não acontece todo dia, por exemplo.
O Estúdio Aberto, como sempre, tem muitas oficinas e monitores pacientíssimos para explicar como funciona aquela técnica e orientar aqueles que querem colocar um pouco a mão na massa. Se forem levar os pequenos futuros animadores, prestem atenção nas idades mínimas necessárias para cada atividade antes de entrar na fila. A mesma atenção, aliás, vale para as sessões de filme/vídeo: muitas são impróprias.
Todo ano eu saio da sessão de abertura do Anima Mundi com a mesma sensação de estranhamento a respeito da seleção. A sessão de abertura é, teoricamente, o que os organizadores do festival consideram o melhor daquele ano. Colocar ali o chatíssimo L.E.R. e não dar espaço ao igualmente brasileiro Um Lugar Comum é realmente incompreensível. Assim como o Jam, um grafismo bobo e demodè japonês, poderia ceder espaço a filmes mais interessantes (e bons) que encontramos espalhados na grade de programação. É muito difícil até mesmo para quem é do meio selecionar o joio do trigo a partir do título, autor e um still. Supomos sempre que, para isso, existe o crivo da seleção e frequentemente nos surpreendemos. Não falo aqui de um gosto pessoal ou de escolhas absolutamente particulares mas sim de critérios claros que incluem roteiro. Saí de lá com a nítida sensação de que falta um bom roteirista/escritor na produção do festival. Os filmes são muitas vezes selecionados apenas pela técnica, sem levar em conta qualquer outro aspecto. O texto vem primeiro, sempre. Roteiro ruim é sinônimo de filme ruim, não importa quão inovadora, perfeita ou maravilhosa seja a técnica. Outra estranheza minha antiga é que filmes live action usando um ou outro efeito na pós-produção entrem em um evento que se propõe de animação.
Falando de coisas boas, foi um prazer ver Her Morning Elegance na telona. O videoclipe rodou a internet e não devia ser novidade para muita gente, mas vê-lo na tela grande foi uma felicidade. O French roast e o Les pieds sur terre são imperdíveis. Não percam os brasileiros Um Lugar Comum, do Jonas Brandão; O Divino, De Repente, do Fábio Yamaji; e o Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem de animação brasileiro, de 1953, feito pelos irmãos Latini (presentes no Papo Animado).
A grosso modo podemos dizer que começa em 1470 e termina em 1576 (morte de Ticiano), mas estas são datas basilares apenas, muito aproximadas. Ao contrário do Renascimento florentino, não tem datas precisas.
Séc. XV – Florença
Séc. XVI – Veneza, Roma, etc (depois da diáspora florentina)
Veneza se torna a cidade mais rica do mundo porque se dedica ao comérico com o oriente. Tinha uma enorme frota e dominava toda a rota de comércio com o oriente.
Aristocrática, elege o “doge” (como eram chamados os governantes, vem de dux).
Nunca existiu revolução política em Veneza, por isso é chamada “La Serenissima” (a que nunca se abala). O único que tentou um golpe no poder foi Marino Faliero, decapitado no alto da escada do palácio ducal, a cabeça rolou escada abaixo. Até hoje o retrato dele na galeria dos doges, no palácio ducal, é coberto com um manto negro para que se esqueça sua fisionomia.
Veneto – os venezianos tem orgulho nacional, dizem que não são italianos, são venezianos.
Eles desprezam o continente (pobres, incultos, etc).
Os venezianos participaram de quase todas as cruzadas medievais para manter a rota comercial. Veneza é cosmopolita, internacional. É a cidade mais cosmopolita do mundo nos séculos XV e XVI.
O bairro judeu de Veneza se chama “ghetto”, vem daí o nome.
Veneza só perde o monopólio do comércio para Portugal e Espanha com os novos caminhos para as Índias.
Junto com o comércio, trocam micróbios. Todas as pestes entraram por Veneza, inclusive a peste negra.
Chegou a ter 1.300.000 habitantes, hoje tem no máximo 25 mil.
O Carnaval durava 4 meses, era a celebração da riqueza da cidade.
Por causa da umidade, praticamente não existem afrescos em Veneza, só tapeçarias e mosaicos.
Leão alado = símbolo de Veneza, leão de S. Marcos. Vermelho púrpura e amarelo = cores da cidade (diálogo direto com Roma Antiga).
A cidade toda é um grande diálogo entre as arquiteturas romana e bizantina.
Família de pintores: Bellini.
Giovanni Bellini
Madona com Jesus, 1480, MASP
Bellini estudou com Antonello da Messina, que por sua vez estudou com os nórdicos e foi quem levou a tinta a óleo para a Itália. Foi Bellini quem primeiro usou sistematicamente o óleo na Itália.
Bellini = pintor oficial do doge, da Reública de Veneza. Teve muitos alunos, muitos seguidores (dentre eles, Ticiano).
Pietá (Jesus, Virgem Maria e S. João Evangelista), 1460, Pinacoteca di Brera, Milão.
Mureta separa o espectador (profano) do quadro (sagrado no 1º plano) e da paisagem.
Florença = linha, desenho
Veneza = cor, cromática
Bellini é o fundador da tradição veneziana moderna.
Andrea Mantegna
O MASP tem a 1ª obra pintada por Mantegna.
Mantegna se casa com a irmã de Bellini.
Era considerado o “grande mestre da petrificação da matéria”, poética arqueológica.
Cristo morto (da esquerda pra direita: Maria Madalena, Virgem Maria, Cristo morto, pote de óleo para ungir o corpo). Óleo sobre tela, 1490 (tem 2 versões).
Ticiano Vecellio
(1485-1576)
Ao lado de Michelangelo, o grande titã.
Grande retratista.
Assunta
Assunta = “a que ascendeu aos céus”, na N. S. Gloriosa Dei Frari, em Veneza (no altar), onde Ticiano está enterrado.
Com Ticiano nasce o erótico como gênero. Erótico é tudo aquilo que desperta Eros a partir dos sentidos (odores, sabores, música, etc; visão = pintura).
Dânae
Era princesa de Tebas, cidade grega, filha do rei Acrísio. Acrísio não tinha filhos homens e foi consultar um oráculo para saber o motivo e se algum dia teria um herdeiro homem. “Você é afortunado por não ter tido filho homem mas sua filha Dânae vai te dar um neto homem que será o seu fim, que irá matá-lo e assumir o trono”. Acrísio tranca a filha em um porão para que a profecia não se cumpra. Zeus, que se acasala com qualquer coisa que se mova, fica estimulado pela dificuldade de acesso a Dânae e se transforma em vapor, em névoa. No por do sol, Zeus entra pelas frestas dentro do quarto de Dânae. Cria uma chuva de moedas de ouro que atrai a empregada corredor afora. Zeus se metamorfoseia em humano e engravida Dânae. Desta união nasce Perseu. Acrísio descobre que a filha está grávida e, sem saber que o filho é de Zeus, ordena que tranquem a filha e o neto num baú de madeira e joguem em alto mar. Zeus, para salvá-los, ordena que Netuno os coloque em uma ilha segura. Já adulto, Perseu vence Medusa e há uma grande celebração para a qual Acrísio é convidado. Nestas festas sempre aconteciam jogos esportivos. Perseu lança um disco que bate na têmpora de Acrísio, que estava na platéia (a profecia se cumpre). Dânae então reconhece o pai e Perseu assume o trono.
Representar o ato em si mesmo é grosseiro.
Ter a pele bronzeada, nesta cultura, significa ser pobre. É quem trabalha no sol.
“é fundamental ao artista nórdico banhar-se na tradição romana”; Dürer é nórdico (alemão).
Ele disse: “na Alemanha eu, artista, sou tratado como mero artesão; na Itália eu sou o príncipe”.
Auto-retrato, 1498, Museu do Prado (aos 26 anos de idade) – ele inaugura a tradição de insistência pelo auto-retrato do artista como uma documentação da evolução de sua técnica e história.
Albrecht Dürer era um polítropos. Era considerado “o Leonardo da Alemanha”: era arquiteto, botânico, gravurista, anatomista, escreveu tratados de pintura, anatomia e perspectiva, etc.
Na pintura está escrito, em alemão: “Eu, Albrecht Dürer de Nuremberg, pintei meu próprio retrato, com cores imperecíveis, no meu 26º aniversário.”
Está ambientada dentro da residência, mas é separada do mundo profano pelo nicho em que se apóia.
O óleo (no vidro) é um símbolo de Jesus também, por causa da unção.
Tapeçaria = eram mestres tecelões, tapeçaria flamenga era famosa
Virgem burguesa.
Muito vermelho, roupa quase personagem
Composição em triângulo – floreamento do livro, se revela o livro das profecias.
Tapeçaria vulgar no chão, a boa ia na parede para decorar e aquecer a casa.
Outros nomes desta mesma sensibilidade: Rogier van der Weyden (o “Rogério do pasto”, porque pintava paisagem, não se sabe o sobrenome dele) e Jan van Dornicke (tem um quadro de 1520 dele no MASP).
ilustração em nanquim para trecho do livro romance “Alguém para amar a vida inteira”, de Roniwalter Jabotá, Jornal Rascunho, ano 12, n. 141, p. 27, janeiro de 2012;
artigo “Vetores, alemão e um pouco de rum”, revista Wide de janeiro/fevereiro de 2012, ano 8, n° 88, ISSN 2178-2407, editora Arteccom;
ilustração em nanquim para trecho do livro “O desabamento”, de Martim Vasques da Cunha, Jornal Rascunho, ano 11, n. 140, p. 30, dezembro de 2011;
ilustração na revista Wide de novembro/dezembro de 2011, ano 8, n° 87, ISSN 2178-2407, para o artigo “Shopper marketing: estratégias de estímulos a compra”, de Tiago Bosco, editora Arteccom;
artigo “#quebrando #limites”, revista Wide de novembro/dezembro de 2011, ano 8, n° 87, ISSN 2178-2407, editora Arteccom;
ilustração no jornal literário Rascunho, edição nº 139, novembro de 2011, para o artigo “Lengalenga sertanista”, de Rodrigo Gurgel;
ilustração no jornal literário Rascunho, edição nº 138, outubro de 2011, para o artigo “O anti-revolucionário”, de Rodrigo Gurgel;
ilustração no jornal literário Rascunho, edição nº 138, outubro de 2011, para o artigo “Mensagem a leitores assassinos”, de José Castello.