Flandres
No Norte da Europa, no séc. XV, acontece a cultura flamenga (Flandres, atual Bélgica).
Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria.
Flandres (norte) inclui um pedacinho da Holanda. A Bélgica são 2 “países” que não se toleram: Brabante (norte – holandês, alemão e flamengo, que é uma língua impossível) e Valônia (sul – francês).
Séc. XIII até XVI = cidades absurdamente ricas (comércio marítimo).
Principais cidades: Bruxelas, Antuérpia, Gent, Brugge.
Em Brugge nasce o conceito de empresas que negocia papéis = 1ª bolsa de valores.
São católicos mas no séc. XVI mudam para protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano, é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida.
Cultura radicalmente baseada no mundo burguês.
Há 2 grandes padrões culturais simultâneos: o florentino e o flamengo (Florença e Flandres).
Flandres = gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.
Marinha mercante poderosa. Região alvo de cobiça da França, do sacro império germânico e também de Borgogna (capital Dijon, fala francês mas era um reino independente e muito poderoso).
Último duque de Borgogna, Carlos, o temerário. A França mata Carlos e não lhe dá sepultura, joga o corpo na floresta para os logos o devorarem, era o “acertar as contas com o cão borgognês”.
Brugge: grande pintor Jan van Eyck (1395-1441). Sabe-se com certeza que a pintura a óleo surgiu com ele. (irmão: Hubert, era uma família de pintores/artistas).
Biógrafo de Van Eyck: Karel Van Mander escreve o livro dos artistas nórdicos (1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550).
Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica.
A pintura a óleo é uma revolução tecnológica.
Os esposos Arnolfini
Jan van Eyck, 1434, London National Gallery, oleo sobre Madeira (carvalho)
Casal italiano: Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami – se mudam para Brugge para expandir seus negócios no início da década, rico comerciante de Lucca (cidade perto de Florença).
É retrato encomendado. Encomendar um quadro ao grande Van Eyck era símbolo de prestígio.
O casal incorpora os valores nórdicos.
No quarto de dormir (mundo privado). Ética parte do catolicismo nórdico = é pecado mortal ostentar riqueza em público, base para Lutero, etc. “Sua casa é seu palácio” = tudo de bom e do melhor, luxo no mundo privado.
Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal.
Espelho/vidro também era caríssimo.
Anel e gesto de Giovanni Arnolfini = “não sou grosseiro” (não era mesmo).
Até o cachorrinho ostenta riqueza, não é de caça. (o professor: “é para chutar para lá e pra cá, um coelho bate nesse cachorro” – hahaha).
A seda vinha da China, as laranjas eram importadas também (e não eram comidas, eram envernizadas como símbolo de riqueza).
Penteado de Giovanna Cenami: típico da Borgogna, tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos.
Azul = lápis lazuli
Vermelho = nobreza, o vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil).
Mãos alongadas = gótico
Maçã = lembra-te que és mortal, que és pecado (homens degregados, filhos de Eva).
Laranjas = não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas.
Aristocratas burgueses, não são nobres, ganharam dinheiro com o comércio.
Sugestão de livro sobre a cultura holandesa do séc. XIII: SCHAMA, Simon. O desconforto da riqueza: a cultura holandesa na época de ouro. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 [1987].
A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.
Os pintores usavam lentes de aumento para pintar e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única.
Não é a toa que o microscópio nasce na Holanda.
Tríptico de Gand (a.k.a. A Adoração do Cordeiro Místico)
Burgo-mestre de Gand (Gent), 1432, Catedral de São Bravo (nórdico martirizado, santo local).
Tríptico em madeira – é uma caixa com janelinhas, tem dobradiças. Está até hoje na Catedral de São Bravo.
Jos Viyd = o encomendante. Jos = João (João Batista e João Evangelista ao seu lado é uma homenagem a ele).
Detalhes:












comentário nº 1 do post “Flandres”
Nome: Luiz Felipe Vasques
Dados sobre o comentarista
Mozilla Firefox 3.0.11 com
Windows XP
IP: 189.32.163.236
Acesso via
Data do comentário: 30-Jun-2009
Horário do comentário: 23:48:21
> Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.
Ficino, lá embaixo, que me desculpe. Mas acho que ele pode ter feito um desserviço enorme à Humanidade. Pode ter ajudado a enriquecer a Arte, sem dúvida alguma: mas se lembrarmos cada pataquada esotérica que começou a aparecer sendo levado a sério a partir de então, resultado hj em dia nos diversos níveis da Teoria da Conspiração a D. Brown, argh…
E viva o simples. Bem, viva a diversidade, as a matter of fact.
> Não é a toa que o microscópio nasce na Holanda.
E, dizem alguns, o “Galileoscópio”, o instrumento original utilizado por Galilei para observar os astros, após algumas modificações feitas por ele.
É engraçado como o “novo ver” modifica a coisa toda. Na época da quebra com o classicismo do Impressionismo, era a época da fotografia, do boom das gráficas e, pouco tempo depois, do filme.