Segunda, 29 de Junho de 2009

Flandres

No Norte da Europa, no séc. XV, acontece a cultura flamenga (Flandres, atual Bélgica).

Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria.

Flandres

Flandres (norte) inclui um pedacinho da Holanda. A Bélgica são 2 “países” que não se toleram: Brabante (norte – holandês, alemão e flamengo, que é uma língua impossível) e Valônia (sul – francês).

Séc. XIII até XVI = cidades absurdamente ricas (comércio marítimo).

Principais cidades: Bruxelas, Antuérpia, Gent, Brugge.

Em Brugge nasce o conceito de empresas que negocia papéis = 1ª bolsa de valores.

São católicos mas no séc. XVI mudam para protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano, é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida.

Cultura radicalmente baseada no mundo burguês.

Há 2 grandes padrões  culturais simultâneos: o florentino e o flamengo (Florença e Flandres).

Flandres = gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.

Marinha mercante poderosa. Região alvo de cobiça da França, do sacro império germânico e também de Borgogna (capital Dijon, fala francês mas era um reino independente e muito poderoso).

Último duque de Borgogna, Carlos, o temerário. A França mata Carlos e não lhe dá sepultura, joga o corpo na floresta para os logos o devorarem, era o “acertar as contas com o cão borgognês”.

Brugge: grande pintor Jan van Eyck (1395-1441). Sabe-se com certeza que a pintura a óleo surgiu com ele. (irmão: Hubert, era uma família de pintores/artistas).

Biógrafo de Van Eyck: Karel Van Mander escreve o livro dos artistas nórdicos (1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550).

Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica.

A pintura a óleo é uma revolução tecnológica.

Os esposos Arnolfini

Os esposos Arnolfini - Jan Van Eyck, 1434, London National Gallery Os esposos Arnolfini - Jan Van Eyck, 1434, London National Gallery (legendas) Os esposos Arnolfini - Jan Van Eyck, 1434, London National Gallery (detalhe)

Jan van Eyck, 1434, London National Gallery, oleo sobre Madeira (carvalho)

Casal italiano: Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami – se mudam para Brugge para expandir seus negócios no início da década, rico comerciante de Lucca (cidade perto de Florença).

É retrato encomendado. Encomendar um quadro ao grande Van Eyck era símbolo de prestígio.

O casal incorpora os valores nórdicos.

No quarto de dormir (mundo privado). Ética parte do catolicismo nórdico = é pecado mortal ostentar riqueza em público, base para Lutero, etc. “Sua casa é seu palácio” = tudo de bom e do melhor, luxo no mundo privado.

Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal.

Espelho/vidro também era caríssimo.

Anel e gesto de Giovanni Arnolfini = “não sou grosseiro” (não era mesmo).

Até o cachorrinho ostenta riqueza, não é de caça. (o professor: “é para chutar para lá e pra cá, um coelho bate nesse cachorro” – hahaha).

A seda vinha da China, as laranjas eram importadas também (e não eram comidas, eram envernizadas como símbolo de riqueza).

Penteado de Giovanna Cenami: típico da Borgogna, tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos.

Azul = lápis lazuli

Vermelho = nobreza, o vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil).

Mãos alongadas = gótico

Maçã = lembra-te que és mortal, que és pecado (homens degregados, filhos de Eva).

Laranjas = não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas.

Aristocratas burgueses, não são nobres, ganharam dinheiro com o comércio.

Sugestão de livro sobre a cultura holandesa do séc. XIII: SCHAMA, Simon. O desconforto da riqueza: a cultura holandesa na época de ouro. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 [1987].

A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.

Os pintores usavam lentes de aumento para pintar e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única.

Não é a toa que o microscópio nasce na Holanda.

Tríptico de Gand (a.k.a. A Adoração do Cordeiro Místico)

Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (fechado) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (fechado com legendas) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (aberto) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (aberto com legendas)

Burgo-mestre de Gand (Gent), 1432, Catedral de São Bravo (nórdico martirizado, santo local).

Tríptico em madeira – é uma caixa com janelinhas, tem dobradiças. Está até hoje na Catedral de São Bravo.

Jos Viyd = o encomendante. Jos = João (João Batista e João Evangelista ao seu lado é uma homenagem a ele).

Detalhes:

Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (detalhe) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (detalhe) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (detalhe) Tríptico de Gand, Jan Van Eyck, 1432, Catedral de São Bravo (detalhe)

relacionados:

  • Nome: Luiz Felipe Vasques

    Dados sobre o comentarista
    IP: 189.32.163.236
    Acesso via Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.0.11 com Windows Windows XP
    Data do comentário: 30-Jun-2009
    Horário do comentário: 23:48:21


    > Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.

    Ficino, lá embaixo, que me desculpe. Mas acho que ele pode ter feito um desserviço enorme à Humanidade. Pode ter ajudado a enriquecer a Arte, sem dúvida alguma: mas se lembrarmos cada pataquada esotérica que começou a aparecer sendo levado a sério a partir de então, resultado hj em dia nos diversos níveis da Teoria da Conspiração a D. Brown, argh…

    E viva o simples. Bem, viva a diversidade, as a matter of fact.

    > Não é a toa que o microscópio nasce na Holanda.

    E, dizem alguns, o “Galileoscópio”, o instrumento original utilizado por Galilei para observar os astros, após algumas modificações feitas por ele.

    É engraçado como o “novo ver” modifica a coisa toda. Na época da quebra com o classicismo do Impressionismo, era a época da fotografia, do boom das gráficas e, pouco tempo depois, do filme.