Flandres

No Norte da Europa, no séc. XV, acontece a cultura flamenga (Flandres, atual Bélgica).

Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria.

Flandres (norte) inclui um pedacinho da Holanda. A Bélgica são 2 “países” que não se toleram: Brabante (norte – holandês, alemão e flamengo, que é uma língua impossível) e Valônia (sul – francês).

Séc. XIII até XVI = cidades absurdamente ricas (comércio marítimo).

Principais cidades: Bruxelas, Antuérpia, Gent, Brugge.

Em Brugge nasce o conceito de empresas que negocia papéis = 1ª bolsa de valores.

São católicos mas no séc. XVI mudam para protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano, é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida.

Cultura radicalmente baseada no mundo burguês.

Há 2 grandes padrões  culturais simultâneos: o florentino e o flamengo (Florença e Flandres).

Flandres = gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.

Marinha mercante poderosa. Região alvo de cobiça da França, do sacro império germânico e também de Borgogna (capital Dijon, fala francês mas era um reino independente e muito poderoso).

Último duque de Borgogna, Carlos, o temerário. A França mata Carlos e não lhe dá sepultura, joga o corpo na floresta para os logos o devorarem, era o “acertar as contas com o cão borgognês”.

Brugge: grande pintor Jan van Eyck (1395-1441). Sabe-se com certeza que a pintura a óleo surgiu com ele. (irmão: Hubert, era uma família de pintores/artistas).

Biógrafo de Van Eyck: Karel Van Mander escreve o livro dos artistas nórdicos (1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550).

Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica.

A pintura a óleo é uma revolução tecnológica.

Os esposos Arnolfini

Jan van Eyck, 1434, London National Gallery, oleo sobre Madeira (carvalho)

Casal italiano: Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami – se mudam para Brugge para expandir seus negócios no início da década, rico comerciante de Lucca (cidade perto de Florença).

É retrato encomendado. Encomendar um quadro ao grande Van Eyck era símbolo de prestígio.

O casal incorpora os valores nórdicos.

No quarto de dormir (mundo privado). Ética parte do catolicismo nórdico = é pecado mortal ostentar riqueza em público, base para Lutero, etc. “Sua casa é seu palácio” = tudo de bom e do melhor, luxo no mundo privado.

Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal.

Espelho/vidro também era caríssimo.

Anel e gesto de Giovanni Arnolfini = “não sou grosseiro” (não era mesmo).

Até o cachorrinho ostenta riqueza, não é de caça. (o professor: “é para chutar para lá e pra cá, um coelho bate nesse cachorro” – hahaha).

A seda vinha da China, as laranjas eram importadas também (e não eram comidas, eram envernizadas como símbolo de riqueza).

Penteado de Giovanna Cenami: típico da Borgogna, tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos.

Azul = lápis lazuli

Vermelho = nobreza, o vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil).

Mãos alongadas = gótico

Maçã = lembra-te que és mortal, que és pecado (homens degregados, filhos de Eva).

Laranjas = não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas.

Aristocratas burgueses, não são nobres, ganharam dinheiro com o comércio.

Sugestão de livro sobre a cultura holandesa do séc. XIII: SCHAMA, Simon. O desconforto da riqueza: a cultura holandesa na época de ouro. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 [1987].

A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.

Os pintores usavam lentes de aumento para pintar e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única.

Não é a toa que o microscópio nasce na Holanda.

Tríptico de Gand (a.k.a. A Adoração do Cordeiro Místico)

Burgo-mestre de Gand (Gent), 1432, Catedral de São Bravo (nórdico martirizado, santo local).

Tríptico em madeira – é uma caixa com janelinhas, tem dobradiças. Está até hoje na Catedral de São Bravo.

Jos Viyd = o encomendante. Jos = João (João Batista e João Evangelista ao seu lado é uma homenagem a ele).

O fim do Renascimento florentino

Alegorias = tradição hermética (imagem precisa ser decifrada, lida)

Venus e Marte

Botticelli, 1483 @ London National Gallery

Venus e Marte são os pais do Cupido, conta a pós-sedução (o depois da trepada) de Marte por Venus, nasce a pintura erótica.

Erótica = aquilo que estimula a imaginação

Sátiros (fazem uma sátira)

As forças foram exauridas pelo amor, a sedução está a serviço da contenção da violência, a serviço da inteligência e da astucia.

1492 – tudo entra em colapso. Lorenzo morre, descoberta a América.

Lorenzo, o grande príncipe, o grande patrono de tudo isso morre e é substituído por ser filho, Piero di Medici que, ao contrário de seu pai Lorenzo, não era ousado, sofisticado ou interessado em artes.

1492 – Os franceses, capitaneados por Carlos VIII, empreendem o grande projeto de invadir a Itália. Ao mesmo tempo, surgem os Estados nacionais (primeiro França e depois Espanha quando Fernando de Aragão se casa com Isabela de Castella), tudo coloca em cheque  as “cidade estado” como na Itália e na Alemanha.

1494 – Carlos VIII cerca Florença. Piero comete um ato de suicídio político: ele assina um acordo com Carlos VIII e, sem guerra ou sangue, os franceses entram em Florença (as cidades eram cercadas). A aristocracia florentina se revolta contra os Medici, que são expulsos de Florença (até o séc. XVI, no grão-ducado de Florença).

O fundamentalismo católico assume o poder em Florença: o padre dominicano Girolamo Savonarola é eleito guardião da cidade (1494-1498). Ele tenta uma reforma antes da Reforma, se coloca contra as “liberidades” da igreja. Baixa vários decretos, um deles proibindo a liberdade de pensamento em Florença. Diversos livros e obras de arte são proibidos e queimados em praça pública. Os artistas fogem de Florença.

Botticelli abraça a religião e entra de cabeça no fundamentalismo, chegando inclusive a queimar algumas de suas obras.

Savonarola é ex-comungado pelo Papa por causa de seus excessos e de seu fundamentalismo. Em 1498 Savonarola é preso, julgado e queimado vivo junto com alguns de seus seguidores em praça pública.

Esta época marca o final do Renascimento florentino (1401 – 1492). Existem vários renascimentos.

A crise do Renascimento florentino na verdade resultou na definitiva internacionalização da cultura florentina (os artistas fisicamente foram a outros lugares).

FalaFreela#30 – pirataria

A questão é controversa desde a primeira versão do Windows, mas é também muito presente. Por falta de conhecimento (como no já clássico trote/ligação para o help-desk da Microsoft onde mãe e filha exigem que a estrelinha azul que avisa que a cópia de seu XP é falsa seja retirada), costume ou até mesmo má intenção mesmo, pouco ou nada fazemos para regularizar a situação de nossos softwares.

Em um bate-papo sem a intenção de julgar ninguém e muito menos c#$%agar regra nenhuma, Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru buscaram apresentar respostas básicas para três questões fundamentais: O que é um programa pirata? Porque pirateamos? Como trabalhar com o máximo de programas gratuitos legais?

Confira essas e outras dicas na meia hora mais valiosa do seu dia. E use o espaço de comentários para nos ajudar a responder essas questões, principalmente a última!

E para não dizer que não falamos de referências:

Minha listinha de Sofwares gratuitos (que eu realmente uso no dia a dia): 7-zip, Artweaver, Audacity, AVG Free, Dicionário Aulete Digital, EasyCleaner, FileZilla, Firefox, Inkscape, Media Burner, Notepad ++, OpenOffice, Opera, PSPad editor, Sib icon editor, Skype, Thunderbird, WinAmp, Wink.

A resenha do Mauro para o livro “A Cabeça de Steve Jobs”, lá no Carreirasolo.org.

A bibilografia básica que eu separei sobre empreendedorismo:

BANGS, D.H., Jr. The business planning guide, 8th ed. Upstart, Chicago, 1998.

BENNIS, Warren. A invenção de uma vida. Rio de Janeiro: Campus, São Paulo: Publifolha, 1999.

BERRY, T.: Hurdle: The book on business planning. Palo Alto Software, Oregon, 1998.

BIRLEY, Sue e Muzyka, Daniel F. Dominando os Desafios do Empreendedor – Financial Times. São Paulo: Makron Books, 2001.

BLOCK, Z.; MACMILLAN, I.C.: Corporate venturing. Creating new business within the firm. Harvard Business Scholl Press, Boston – MA, 1995.

BRITTO, Francisco; WEVER, Luiz. Empreendedores brasileiros: vivendo e aprendendo com grandes nomes. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

BROADHURST, T.: History of science park development and the existing pattern. In: Worral, B. (editor). Setting up a science park, UKSPA, 1988.

BUSINESS INCUBATION WORKS: The results of the impact of incubator investment study. NBIA, National Business Incubation Association, 1997.

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo – Dando asas ao espírito empreendedor. Rio de Janeiro: Saraiva, 2004.

DEGEN, R. J. O empreendedor, fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1989.

DERTOUZOS, M.: Four pillars of innovation. MIT’s Magazine of Innovation Technology Review. Nov-Dez. 1999.

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo corporativo: como ser empreendedor, inovar e se diferenciar em organizações estabelecidas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

DRUCKER, Peter F. Administração em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Pioneira, 1995.

DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor. São Paulo: Pioneira, 1987.

HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5. ed., Porto Alegre: Bookman, 2004.

KOTTER, John. Liderando Mudança. Rio de Janeiro: Campus, São Paulo: Publifolha, 1999.

LALKAKA, R.; BISHOP, J.: Business incubator in economic development. An initial assessment in industrializing countries. United Nations Programme. New York, 1996.

LASHER, W.: The perfect business plan made simple. Ed.: Doubleday, New York, 1994.

PINCHOT, Gifford; PELLMAN, Ron. Intra-empreendedorismo na prática: um guia de inovação nos negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

RICE, M.P.; MATTHEWS, J.B.: Growing new ventures, creating new jobs, Quorum Books, 1995.

ROBBINS, Stephen Paul. Administração – mudanças e perspectives. São Paulo: Saraiva, 2000.

SAHLMAN,W.A.; BHIDE,A.; STEVENSON, H.: Business fundamentals as taught at the Harvard Business School. Financial entrepreneurial ventures. Harvard Business Scholl Publishing, Boston – MA, 1998.

SMILOR, R.W.; Gill Jr, M.D.: The new business incubator, Lexington Books, 1986.

Fala Freela! #29 – reuniões

Fala Freela! #29 – reuniões

Desta vez reunimos apenas o time fixo para conversar sobre aquele momento mágico onde tudo pode acontecer: as reuniões entre você, sua equipe, clientes e parceiros.

Botticelli

Sandro Botticelli (1445-1510)

Botticelli era apelido de Alessandro Filipepi = “barrilzinho”

Pintor oficial dos Medici, tem uma formação altamente erudita e filosófica, cria a tradição hermética

Tinta a óleo é uma invenção flamenga (de Flandres), não é florentina.

Tudo nasce do desenho, da linha. Sempre primeiro vem o desenho, depois a luz, a cor e a textura.


Madonna do Magnificat

Um tondo (não é um quadro, quadro vem de quadrado), formato tipicamente florentino, tempera sobre madeira, c. 1465 (há polêmicas sobre a data).

É uma citação do Evangelho de São Lucas.

O Apocalipse é o fim do mundo romano, já aconteceu e o Evangelho de Lucas é uma peça literária.

Anjos andróginos – criatura que se basta, se auto-fecunda (hermafrodita) – citação dos gregos. Belo composto = beleza feminina + traços fortes masculinos unidos.

Cabelos louros = Botticelli “fisicaliza” a auréola = auréola, representa o sol, a luz.

O tondo tem este nome porque é o começo do poema que a Virgem Maria escreve para contar à prima que está grávida.

A adoração dos pastores (1474)

Os pastores = família Medici e sua entourage.

Cosimo, Il Vecchio já era morto quando o quadro foi pintado (o que segura os pés de Jesus) e portanto não era uma heresia porque ele já pertencia ao mundo etéreo. Cosimo Il Vecchio foi o fundador da dinastia Medici (c. 1380), o fundador da Florença moderna.

O filho de Cosimo Il Vecchio, Piero Di Medici (aka Piero, Il Gottoso – ele tinha gota, uma doença bem quista até XVIII porque era doença de rico), é assassinado com facadas nas costas em 1478 em uma revolta em Florença, na tentativa do golpe de estado dos Pazzi, no domingo de Páscoa, dentro da catedral de Santa Maria Del Fiore, durante a missa.

Observação pessoal, não relacionada à aula: conheci italianos que usavam “Pazzi” como xingamento, algo similar a “imbecil”. Como vocês provavelmente já devem ter percebido, eu não era nascida em 1478 e portanto é algo que ficou bastante enraizado na cultura italiana.

Assume o neto de Cosimo, filho de Piero, o maior príncipe que toda a Itália conhece: Lorenzo, o Magnífico. É Lorenzo quem, por exemplo, cria todo o sistema bancário europeu (fundou bancos até na Inglaterra). É um estrategista brilhante, um grande intelectual e um dos maiores poetas da Itália (ao estudar literatura/poesia é tido como referência do período). É o grande mecenas dos artistas. Ele compreende a obra de arte e debate a iconografia com os artistas, há uma relação de simbiose, há um clima de intelectualidade compartilhada entre o príncipe e o artista.

O Renascimento se opõe ao mundo camponês, é uma arte burguesa (dos burgos), da cidade.

O Príncipe de Maquiavel é muito inspirado em Lorenzo.

Lorenzo se cercou dos intelectuais Poliziano (entre outras coisas, professor de Michelangelo), Ficino (alquimista) e Pico Della Mirandola (filósofo). Lorenzo tinha a maior biblioteca da Europa (antes de Gutenberg).

Estratégia geo-política: “saber é poder” (como escreveria Francis Bacon mais tarde).

Ficino escreve um comentário sobre Platão, o Corpus Hermeticum. Bíblia, apócrifos, textos judaicos, Platão, pré-Socráticos, etc = todos contém verdades escondidas.

Hermeticum = Hermes, deus da informação, do comércio (troca de produtos) e dos ladrões (trocas ilegais).

Vivemos na Era de Hermes (informação), não na de Apolo (conhecimento).

Hemenêutica = ciência da decifração de textos e imagens.

Villa  = mundo privado da aristocracia mas que era semi-público porque convidavam artistas, filósofos e políticos a freqüentá-la.

Villa = lugar do exercício do ócio (tempo voltado para si mesmo). É necessário conhecer as si mesmo. Negócio significa a negação do ócio. É necessário que existam ambos para atingir o equilíbrio.

Escolé (escola), em grego, significa “tempo ocioso”, você vai para a escola para se conhecer.

Signo = palavra

Alegoria = frase

Botticelli fez 3 obras para a Villa Di Castello, dos Medici, que dialogam uma com as outras: Nascimento de Venus (1482), Nascimento da Primavera (1478) e Pallas e o centauro (c. 1482). Os quadros estão hoje na Galleria Uffizi.

A interpretação a seguir é baseada na obra do historiador alemão Aby Warburg.

Nascimento da Primavera

Plantas = alusão ao Jardim das Hespérides

Zéfiro (inverno) se apaixona pela ninfa Clori, a persegue e a violenta (e, rapidinho, ela já está grávida no quadro). Clori = clorofila, fila-amizade com Clori. Primavera é filha de Zéfiro com Clori.

A morte é necessária para a vida. A estação do ano só pode nascer se a anterior morrer. Há uma relação entre a vida e a morte. Em francês o orgasmo também é chamado de “la petite mort”.

As Graças (Cárites) são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor. São as bailarinas do equilíbrio cósmico e presidem todas as festas. Aglaia – a claridade; Tália – a que faz brotar flores; Eufrosina – o sentido da alegria.

Hermes também é associado ao bom governo (troca de interesses). Muitos autores acreditam que o rosto de Hermes é uma homenagem a Lorenzo, o Magnífico (o jovem governo).

Nascimento de Venus

Concha batismal: Venus acaba de nascer (e por isso está nua), é uma Venus pudica. A beleza está nascendo e a Primavera a acolhe. No outro quadro, a beleza acolhe o nascimento da Primavera = ciclo da vida.

Simonetta Vespucci (sobrinha de Americo Vespucci) era intelectual e de uma beleza extraordinária. A família Vespucci era aliada dos Medici. A moça morreu de tuberculose aos 23 anos. O rosto de Venus é uma homenagem a ela.

Urano, um titã, aprisiona os irmãos dentro da terra. A Mãe Terra, Gaia, não gosta nada disso e os liberta. Crono então vence Urano e o castra. Os órgãos sexuais de urano caem no mar. Da espuma branca do mar e da semente de Urano nasce Venus. Cronos se acasala com Gaia e tem uma série de filhos. Cronos fica louco e devora os filhos mas Gaia esconde o último, Zeus, na floresta. Zeus é criado na base de mel e leite de cabra maltesa (= ambrosia). Zeus dá uma poção ao pai Cronos, que fica fraco e vomita os outros filhos. Zeus envia Cronos, fraco, à Terra. Por isso nós somos mortais (Cronos, o tempo, está entre nós) e os deuses do Olimpo não.

Pallas e o centauro

Instinto x razão

Guerreira que acompanhava Pallas Athena.

Ramos de louro = vitória (na cabeça)

Alabarda = arma

A guerreira faz um cafuné no centauro, que tem medo dela (se o carinho não o domar, alabarda nele!).

A cultura é expulsar o medo da morte.

Em 1492 Lorenzo, o Magnífico morre. No mesmo ano, Colombo descobre a America e o mundo deixa de ser plano, o mundo deixa de ser apenas Europa (a seguir, Michelangelo, Raphael e Leonardo).

Masaccio, Paolo Uccello e Piero Della Francesca

Masaccio (1401-1428)

Afresco “A Santíssima Trindade”, na igreja de Sta Maria Novella, em Florença, 1428 = relação entre pintura e arquitetura, dá aula de erudição em arquitetura.

Pintura, escultura e arquitetura = artes plásticas, intercambiáveis

Artista não é mero artesão, é um intelectual. Conhece Vitrúvio, é arqueólogo e pesquisa. Espaço é anterior ao personagem = lição fundamental de arquitetura.

O esqueleto diz, em latim: “eu fui o que você é e eu sou o que você será” = denúncia da vaidade de condição humana, não perca tempo com coisas pequenas.

No Barroco esses temas moralizantes ganham o nome de Vanitas (“vaidade”, denúncia da vaidade), mas aqui ainda não tem esse nome.

Triangulação dos personagens.

Novidade iconográfica: personagens dentro e fora do núcleo.

1 = Virgem Maria;

2 = S. João Evangelista;

3 = encomendante da obra, Sr. Lanzi (comerciante de tecidos);

4 = esposa, sra. Lanzi;

5 = Jesus Cristo;

6 = Deus;

7 = (a gola) anagrama da pomba branca (Espírito Santo).

Encomendantes fora do sagrado

Relação das cores: vermelho = homem; azul = mulher

Arquitetura não é mais simbólica, assume escala colossal, perspectiva, realidade visual, verossimilhança.

Paolo Uccello (1397-1475)

Uccello = pássaro, apelido, era exímio pintor de passarinhos

Gótico internacional + florentinos; dialoga com outras culturas

O gótico internacional tem fortes raizes na França e Flandres (atual Bélgica)

O conceito de moderno é o italiano florentino, o flamengo/gótico era considerado arcaico.

Uccello desenvolve o conceito de fantasia (imaginação)

Imaginação = faculdade da razão humana, a capacidade de gerar imagens, de dar visibilidade ao invisível.

c. 1452 – S. Jorge e o dragão (atualmente na National Gallery de Londres)

princesa Margarita (“elegância” gótica; alongamento do corpo) – dragão – S. Jorge e o cavalo

Piero Della Francesca (1422-1492)

Escreve tratado sobre perspectiva, desenvolve todas as conseqüências da perspectiva; trabalha fora de Florença, para Marche e Umbria, por ex.

Primeira internacionalização do mundo florentino dentro da Itália = Urbino (cidade de montanha, onde nasce Raphael, república aristocrática).

Em Urbino governava a família Montefeltro, nos sec XV e XVI.

Sr. Federico Da Montefeltro = grande nome do sec. XV em Urbino

Príncipe = primeiro entre os seus iguais.

Príncipe Federico Da Montefeltro era mercenário militar mas tinha um grande refino intelectual. Era um mecenas e discutia a iconografia com o artista de igual para igual, o diálogo com os artistas não era “burguês x artista”, havia uma troca.

A política, o governo, a guerra e a diplomacia são consideradas formas de arte e podem ser belas.

Federico se casa com a princesa Battista Sforza, de tradição anglo-germânica, de Milão, em 1460.

Della Francesca também realiza afrescos importantes em Arezzo.

Pala de altar encomendada em 1471. Della Francesca termina em 1472, quando nasce o primeiro herdeiro masculino dos Montefeltros (já tinham um monte de filhas meninas).

Cena = sacra conversação = santos de épocas e locais diferentes uma ao lado do outro.

Pala Montefeltro (ou Pala di Brera, está na Pinacoteca de Brera, em Milão) é um óleo sobre madeira.

1 = S. João Batista

2 = S. Pedro Escolástico

3 = S. Gerônimo

4 e 5 = 2 anjos

6 = Virgem Maria

7 e 8 = 2 anjos

9 = Francisco de Assis

10 = não se sabe ao certo

11 =Sto. André

12 = Jesus Cristo -> colar vermelho: é uma fita vermelha com um pedaço de coral vermelho ou uma figa vermelha na ponta, tradição européia para que a criança “vingue” (altíssima mortalidade infantil na época). As figas não são originalmente da cultura afro; a cultura afro é que lê a milanesa ou portuguesa. A presença iconográfica do coral vermelho diz que o quadro trará bons fluidos para a criança que acaba de nascer. A criança é Guidobaldo Da Montefeltro, que será o próximo príncipe.

13 = Federico Da Montefeltro

14 = citação da arquitetura Greco-romana

15 = concha vieira (bastismal), com um fio de prumo que segura um ovo (o pêndulo); ovo é um dos signos do mundo cósmico e da vida.

A pala, encomendada para ficar na catedral de Urbino, é também uma propaganda política.

Característica de Della Francesca = sem auréolas, “pintor do silêncio”, os personagens quase não gesticulam.

Federico Da Montefeltro encomenda entre 1460 e 1465 dois retratos a Della Francesca, um pendant (2 quadros que dialogam um com o outro). São quadros intelectualizados, vão além do retrato. A encomenda: “na frente como os olhos me vêem e no verso uma alegoria da minha alma”.

Alegoria = representação de idéia ou conceito abstrato, sempre composta por signos. Ex: velho barbudo, com asas, foice e ampulheta = tempo.

Visível/invisível, o retrato mostra e esconde ao mesmo tempo.

Os quadros estão no Museu dos Uffizi em Florença mas o público só vê a frente. Os quadros estão afixados sobre a parede, não mostram o verso.

Segundo a tradição do Renascimento (que vem do cristianismo), as alegorias cardinais (força, temperança, justiça e prudência) eram voltadas para o universo masculino e as alegorias teologais (fé, esperança e caridade) eram voltadas para o universo feminino.

Federico Da Montefeltro

Frente: Federico Da Montefeltro exigia que sempre fosse retratado do perfil esquerdo pque teve o olho perfurado em uma batalha. Chapéu = masoccio (turbante vermelho), alusão à nobreza romana, vermelho é nobre. Paisagem fantástica ao fundo, o personagem é um retrato mas a paisagem não.

Verso: Alegoria da alma do príncipe. Federico Da Montefeltro é coroado por Nike, com perfil direito que nunca é revelado ao público; cortejo do triunfo com a mesma paisagem da frente. 4 alegorias cardinais (figuras de retórica). Anjo e daimon (Nike) ao mesmo tempo = diálogo com Greco-romano. Cupido (daimon) de asa vermelha = amor à ousadia, que contamina a alma masculina, é o ímpeto que toca o cavalo da carruagem. A virtude tem as rédeas do cavalo. Não existe vida sem agressividade. Virtude = vir = força = determinação da vontade.


Battista Sforza

Frente: penteado em concha (regularidade matemática); paisagem ideal ao fundo; pérolas = riqueza.

Verso: Battista Sforza era uma intelectual, falava grego, era alfabetizada, etc. Carruagem é puxada por unicórnios que, na tradição cristã, estão associados à pureza, virtude, animais celestes, pureza celeste, etc. Cupido de asa branca; virtudes teologais. Em azul: alegoria, mulher idosa = matriarcado.

A interpretação dos versos é artistocrática (aristos = o melhor; crasto = poder; o governo deve ser dado aos mais capacitados, aos cultos, ou então o Estado irá falir). A interpretação das alegorias é intelectualizada. O povo era inculto.


Nota minha, que não veio da aula: o cabelo-concha de Battista Sforza deve ter alguma relação com a espiral de Fibonacci. É parecido demais para ser apenas uma coincidência.

update: perguntei ao professor e é, de fato, uma citação direta de Fibonacci. \o/

Contos de fada

Contos de fada

Fada vem de fatum (latim): destino, fatalidade.

Morfologia de um conto de fada

Núcleo problemático é existencial (realização pessoal)

Para que a realização ocorra, o herói/heroína deve passar por provas/ritos iniciáticos.

Estrutura de um conto de fada

1. Travessia: terra diferente, marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas.

2. Encontro: com uma presença diabólica (madastra, ogro, lobo, mago ameaçador, feiticeiro, etc)

3. Conquista: herói/heroína mergulha em uma luta de vida ou morte com a figura do encontro, que inevitavelmente leva à morte do mal – o bem sempre vence o mal

4. Celebração: reunião (casamento de gala, reunião de família, etc) em que a vitória sobre o mal é enaltecida e todos vivem felizes para sempre.

Os elementos constantes, permanentes, do conto maravilhoso são as funções dos personagens, independentemente da maneira pela qual eles as executam. Essas funções formam as partes constituintes básicas do conto.” [PROPP, Vladimir Iakovlevich. Morfologia do conto maravilhoso. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1984.]

Todos os contos de magia são monotípicos quanto à construção.” [BETTELHEIM. Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. Tradução de Arlete Caetano. 163. Ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.]

Os contos de fada eram escritos para as moças da corte, com conteúdo moralizante. Exemplos: Precisosas, de Perrault; A Tempestade, Sonho de uma noite de verão e Romeu e Julieta, de Shakespeare.

Perrault, mais tarde, com Pele de Asno, se dirige ao público infantil, ainda com intuito moralizante, mas já começando a transição do gênero.

Irmãos Grimm, no século XIX apenas, é que finalmente transformam os contos de fada em estórias infantis. Eram folcloristas e lingüistas. Tinham o intuito de revelar o “espírito germânico” das estórias tradicionais pertencentes ao livro “Contos de Fada para adultos e crianças”.

Andersen: espírito do Romantismo; escreveu cerca de 200 contos infantis, de inspiração popular mas de sua autoria.

Os contos de fada não dizem para as crianças que os dragões existem: mas sim, eu eles podem vencê-los.” – G. K. Chesterron

Ilustração infantil XVI-XX

XVI – chapbooks

XVII – John Newberry (1713 – 1767), “A little pretty pocket book”

XVIII – Harlequinade books

XIX -bibliotecas juvenis e livros-brinquedo. “É no século XIX que se inventa a infância”, florescimento da literatura infantil

Pintores de contos de fada

Richard Dadd (1817-1896)

John Anster Fitzgerald (1819-1906)

Gustave Doré (1832-1883)

Walter Crane (1845-1915)

Richard Doyle (1824–1883)

Randolph Caldecott (1846-1886) – principal prêmio de ilustração = Caldecott medal

Sir John Tenniel (1820-1914)

Arthur Rackham (1867-1939)

Edmund Dulac (1882-1953)

Beatrix Potter (1866-1943)

Renascimento Florentino II

Donatello

Donatello (1386-1466) – formado no atelier do Ghiberti.

Santa Maria del Fiore: geometrização do interior, elimina o absolutamente colorido do gótico, há uma simplificação do gótico, é um gótico “mais comportado”.

1348-1350 – Basílica Santo Antonio de Padua

Sto Antonio era franciscano, contemporâneo de Francisco de Assis, português emigrante, sepultado na basílica.

Estátua eqüestre, monumento cívico encomendado pela comuna de Padua a Donatello.

Cidades italianas contratavam exércitos mercenários para que o poder não tendesse apenas para uma única família. Os generais mercenários eram chamados de Condottieri (condutores).

Padua, ao longo do XIV, se envolve com muitas disputas (até que Veneza a conquista). O grande condottieri de Padua era Erasmo Da Narni, um grande estrategista considerado “astuto como um gato”. Seu apelido era Il Gattamelata.

Fusão em bronze, a partir do método tradicional de molde, etc

Retomada de um dos grandes signos, a estátua eqüestre. O imperador que domina a natureza (o cavalo) sem negar o desejo. Dialoga/conduz os instintos/agressividade da natureza. A vida é agressiva, violenta. A questão é saber usá-la a seu propósito. Um animal domesticado não serve para nada, é preciso adestrar a natureza.

Fortuna (acaso) x Virtu (capacidade de dominar o acaso), escreve o florentino Maquiavel.

Il Gattamelata apóia-se em uma esfera, modelo de geometria perfeita. Dialoga com o mundo Greco-romano mas deseja superá-lo (dimensões maiores que a estátua de Marco Aurélio, por ex). Triunfo técnico de se fundir algo nesta escala (pedaços fundidos soldados).

San Lorenzo = santo protetor da família Medici. Na igreja de San Lorenzo estão as tumbas dos Medici, feitas por Michelangelo.

Pulpitos esculpidos por Donatello para a igreja de San Lorenzo – decoração fundida em bronze e depois colada no mármore, 1465.

Quadrinhos novamente, assim como Giotto e Ghiberti.

Ghiberti: portas do Paraíso – controle do gesto, nada que ameace a estrutura estética do espaço

Donatello: San Lorenzo – movimento extremo, personagem sai de cena, dramaticidade, a perspectiva já é uma conquista, agora é tirar proveito dela (Ghiberti  é de 30 anos antes). Possui energia vital, estória dramática, violenta, para comover o espectador.

1 – San Lorenzo / 2 – fole de acender fogueira / 3 – anjo com palmas na mão (palmas = signo de sofrimento e martírio)

Segundo a agiografia “Legenda áurea: história dos santos”, de Jacopo Da Varazze, do séc. XIII (considerado como biógrafo consagrado dos santos até S. Francisco de Assis), San Lorenzo ao ser grelhado vivo não teria gritado, teria suportado a dor e ainda teria dito ao seu carrasco: “pode virar que deste lado já está bom”.

Deposição da cruz

atualmente no Museo Nazionale del Bargello, feita para Santa Maria del Fiore por Donatello.

Enquadramento atualíssimo, fragmento quase fotográfico. As figuras de Donatello explodem em expressividade. A forma como pathos é o que atrai as novas gerações para Donatello, sobretudo Michelangelo, que o estuda.

Masaccio

Massaccio era apelido, como era comum na Itália, sabe-se pouquíssimo de sua vida. 1401-1428. Massaccio = “o desmazelado”, aquele que não se cuida, que só trabalha intensamente sem trégua. Encarna a figura do prodígio, do gênio.

Afresco em Florença, segue os passos de Giotto.

Bernard Berenson diz sobre Masaccio: “Giotto born again”.

Dialoga com o humanismo.

Igreja do Carmo (Santa Maria Del Carmine).

Família florentina rica = Brancacci, que fazia equilíbrio com os Medici. Pietro Brancacci é o patrono de Sta Maria Del Carmine, onde estão sepultados os membros da família Brancacci.

2 fotos: antes e depois do restauro, já tem 12 anos que a capela foi restaurada (o processo levou 4 anos).

Obs: formação de um restaurados na Itália: faculdade de química aplicada + história da arte + especialização em um determinado período + formação em atelier (são pelo menos 20 anos estudando para começar a restaurar). Refizeram as tintas da época: a partir de análise espectométrica recriaram as receitas das tintas.

O teto é barroco, não é de Masaccio. O altar também não é dele. As paredes e as laterais são.

Termina a capela no ano de sua morte, 1428.

A capela conta a estória de S. Pedro (padroeiro da família Brancacci) e mostra os primeiros dois nus integrais da história cristã, Adão e Eva em dois momentos: tentados pela serpente e expulsos do Paraíso. Masaccio inspira Michelangelo.

Questão tipicamente florentina = promove polêmica.

Ícones sagrados naturais, não são homens como nós.

A imagem sempre representa a coisa, apresenta de novo, apresenta na ausência: torna visível e concreto o invisível.

A igreja dialoga com o humanismo científico.

A imagem é sempre uma forma de pensamento.

A nudez, quase 150 anos depois, é censurada e pintam parreiras de uva por cima das imagens. Esta intervenção (XVI) é retirada apenas no restauro.

Pose de Venus pudica: nasce neles a consciência da vergonha, nudez dos 2 representa a culpa.

Mitologia: homem tem o pomo de Adão, que é na verdade um pedaço da maçã entalada na garganta.

Michelangelo depois vai se inspirar nisso.

Volta a anatomia.

Água transparente é difícil de fazer com afresco.

Milagre da cobrança do dízimo (a.k.a. A morte de Ananias)

1 – Ananias / 2 – Safira, esposa de Ananias / 3 – Pedro  / 4 – Tiago Maior

O dízimo surgiu para ajudar os cristãos perseguidos, não havia igreja institucionalizada na época de Pedro.

Ananias vende uma propriedade e não dá o dízimo, só uma parte pequena (moedas). Cai um raio na cabeça dele, que morre fulminado (primeiro imposto de renda da história!). Sua esposa então paga o dízimo correto a Pedro.

O drachma do tributo

Drachma  = moeda da época

Era cobrado um drachma para entrar em Jerusalém. É nesta cena que Jesus Cristo diz “a Cesar o que é de Cesar”. Eram mendicantes, não tinham moedas, mas Jesus diz que é a lei e que vai pagar. O quadro é uma cena contada em 3 momentos de tempo simultaneamente:

2: Jesus falando para Pedro pegar um peixe na poça d’água e abrir sua boca, que lá dentro terá um drachma.

4: Pedro pegando o peixe

5: Pedro paga o tributo.

Outros destaques:

1: o cobrador de impostos (vestido como romano, era um soldado de Cesar)

3: Pedro não entende e aponta para a poça em dúvida

Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos

Artigo originalmente escrito como
trabalho de conclusão do módulo 1
do curso de História da Arte do MASP,
ministrado pelo professor Prof. Renato Brolezzi

 


Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos, por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

O quê

Escultura em mármore de uma mulher vestida, com um elmo, um escudo e com uma serpente a seus pés (na face interior do escudo). Em sua mão direita pousa uma figura feminina alada.

Quando

A escultura é uma miniatura romana do original grego em madeira, couro e marfim, de Fídias, entre 447 e 432 a.C.

A obra original pertence ao período clássico grego. Nota-se uma grande virtuose, tanto de técnica quanto de anatomia e o equilíbrio dinâmico característico da época, onde as partes estão em movimento, mas sempre obedecendo à harmonia grega. Ainda que sutilmente por razão da vestimenta, podemos perceber a perna estrutural (razão masculina) e a perna decorativa ligeiramente dobrada (sensibilidade e graça feminina). O belo composto ainda não denota emoção na fisionomia, característica que só acontecerá mais tarde no período Helenístico.

Quem

A escultura representa Pallas Athena.

Por quê

O elmo indica se tratar de uma guerreira. Ela segura ainda um daimon, Nike, que representa a vitória. A presença da serpente, em referência à medicina de Asclépio, indica a habilidade e esperteza. A figura representada é, sem sombra de dúvidas, a deusa Pallas Athena, filha de Zeus e Metis.

Onde

A escultura original recebeu seu nome por ter sido parte do complexo arquitetônico do Partenon. A miniatura romana atualmente encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

O escultor oficial de Atenas, Fídias, usava materiais preciosos (ouro, marfim, pedras preciosas, etc). Todas as esculturas foram destruídas por colonizadores, para aproveitar a matéria-prima. Fídias fez também os relevos dos templos de Zeus, em Olímpia e do Partenon.

O Partenon era inicialmente um prédio público, e comportava o arsenal e a reserva do tesouro. O que conhecemos é a ruína da reconstrução. O original foi explodido quando os turcos invadiram e armazenaram pólvora no Partenon (que foi pelos ares). Gregos e turcos brigam até hoje. Péricles reconstruiu Atenas, com o saldo da guerra. Depois da reconstrução, o Partenon passou a homenagear a padroeira da cidade, Pallas Athena (Minerva).

Ilustração do interior do Partenon mostrando a estátua colossal de Athena, de Candace Smith, 1990, in "Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos", por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

Logo na entrada, no interior do Partenon encontrava-se uma colossal estátua de Pallas Athena, com 11 metros de altura, feita em madeira, coberta com materiais preciosos (armadura e a roupa em ouro, pele de marfim, olhos – tanto de Athena quanto da serpente – de pedras preciosas) e cravejada com todo tipo de riquezas.

Mitologia

Pallas Athena é filha de Zeus com a Titã Metis. Gaia profetizou que Zeus, assim como seu pai, seria destronado pelo filho. Contou ainda que Metis daria à luz primeiramente uma filha e depois um filho, o próximo rei dos deuses e dos homens.

Zeus resolveu então, assim como seu pai Cronos havia feito com os filhos, engolir Metis grávida. A filha de Metis cresce dentro do corpo do pai até que Zeus começou a ter dores de cabeça insuportáveis. Ordenou a Hefesto que abrisse seu cérebro com um machado, de onde saiu (já vestida e equipada) a sua filha, Athena.

Athena, a filha favorita de Zeus, sempre lhe foi leal. É a deusa da habilidade, da astúcia, da inteligência, da indústria, da guerra e da justiça.

Elementos iconográficos

Roupa

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A figura feminina na cultura Greco-romana pertence ao núcleo privativo e íntimo e jamais pode ser vista nua em público. O universo público, da pólis, pertence à política e aos homens.

Por cima de sua roupa podemos ver um aegis que, de acordo com a mitologia, foi emprestado por Zeus. O aegis é um tipo de armadura que protege os seios e as costas e é – desde a tradição egípcia – um símbolo de proteção e/ou patrocínio. É muito mais um signo do que uma proteção efetiva contra lanças ou golpes. No caso de Athena, o seu aegis mostra a todos que ela é protegida de Zeus. Athena é sempre representada com o aegis mas a sua forma pode variar bastante, indo desde uma cobertura relativamente simples até armaduras ricas em detalhes e símbolos.

Em Athena Parthenos, o aegis repousa abaixo de cachos de cabelo de Athena e mostra também pequenas serpentes espalhadas em sua superfície.

Serpente

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Athena é a deusa da habilidade, da inteligência e é muitas vezes associada a Asclépio e à medicina.

A serpente é o animal-símbolo de Asclépio, da medicina.

Higéia, outra deusa, filha de Asclépio, é a deusa da saúde, limpeza, higiene e saneamento. “Higéia” pode ser entendido como um conceito maior, entretanto, o de auxiliares de saúde (atuais enfermeiras), que trabalhavam diretamente com Asclépio. Athena Higéia é um dos títulos dados à Athena, segundo Plutarco: “One of its artificers, the most active and zealous of them all, lost his footing and fell from a great height, and lay in a sorry plight, despaired of by the physicians. Pericles was much cast down at this, but the goddess appeared to him in a dream and prescribed a course of treatment for him to use, so that he speedily and easily healed the man. It was in commemoration of this that he set up the bronze statue of Athena Hygieia on the acropolis near the altar of that goddess, which was there before, as they say.” [PLUTARCO, Life of Pericles. A wikipédia possui uma tradução razoável deste trecho em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hígia]

A imagem de Athena é associada tanto às guerras (e estratégias de guerra) quanto ao saber e à medicina. Por este motivo é representada com serpente(s).

É importante lembrar que, para a cultura Greco-romana, a serpente não transmitia temor ou perigo. Seu veneno era usado como anestesia e era considerada como um animal útil para deuses e humanos.

Elmo

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O elmo é um dos elementos representativos de guerra, indicando a deusa guerreira.

O elmo possui três (número sagrado dos gregos) sub-elementos, sendo dois cavalos alados (laterais; o animal-símbolo de Athena é a coruja e portanto faz sentido que os elementos do elmo sejam alados) e uma esfinge (central). Todos possuem elmos individuais, formando o complexo iconográfico do elmo de Athena.

O mito egípcio da Esfinge foi reinterpretado na tradição grega e era uma demonstração de poder (leão, asas de águia).

Gombrich refere-se aos cavalos alados como grifos mas o corpo claramente é de cavalo, não de leão. Pensei na possibilidade de um hipogrifo mas não encontrei referências a respeito.

Nike

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O daimon da vitória, Nike, pousa sobre sua mão direita, garantindo o sucesso tanto em guerra quanto em tempos de paz. Sabemos tratar-se de Nike por causa das asas, da vestimenta feminina e do contexto.

Escudo

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O escudo protege não apenas Athena e Nike mas também a serpente. Ou seja, protege a guerra (e suas conquistas vitoriosas) e o conhecimento (a medicina). O escudo está apoiado na base, em uma posição de paz, ou seja, a imagem representa uma vitória, uma guerra passada e vencida. Trata-se de um momento pós-guerra, portanto.

Acredito que a vitória a que se refere este contexto seja a contra a Pérsia, marcando o início do Século de Péricles e da democracia grega, mas não encontrei nenhuma referência a este respeito.

Bibliografia

CHEERS, Gordon. Mitologia – Mitos e lendas de todo o mundo, trad. Maria Isaura Morais. Lisboa: Lisma, 2006.

GOMBRICH, Ernst Hans. A História da Arte, trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2008.

HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

OSTROWER, Fayga. Universos da Arte. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas de espaço e tempo na arte e na ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

WALDSTEIN, Charles, Sir. Greek sculpture and modern art, two lectures delivered to the students of the Royal Academy of London. Londres: Cambridge University Press, 1914. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/greeksculpturemo00waldrich

WALDSTEIN, Charles, Sir. Essays on the art of Pheidias. Londres: Cambridge University Press, 1885. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/essaysonartofphe00walduoft

Web-sites de apoio (acessados em 1º de maio de 2009)

INTERNET ARCHIVE: http://www.archive.org/

PLUTARCO, Life of Pericles, p.45: http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Pericles*.html

PHEIDIAS, SCULPTOR TO THE GODS, artigo de Colin Delaney: http://www.perseus.tufts.edu/cl135/Students/Colin_Delaney/fathena.html

WIKI COMMONS (imagens): http://commons.wikimedia.org/

publicado no Aguarrás, ISSN 1980-7767,
ano 4 n° 19, maio & junho de 2009, em 4/6/09

Rascunhos

publicado na Revista Webdesign de junho de 2009, ano 6, nº 66, ISSN 1806-0099.
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

O desenho inacabado existe desde que o mundo é humano e as cavernas habitadas, mas o sketch como forma representativa dotada de algum valor – e não mais como apenas uma etapa descartável de um outro produto, como a pintura ou a escultura – só começou a existir no início da Renascença, durante o Quattrocento.

Até a Idade Média o artista era considerado não como um autor mas como um artesão servil ou, no melhor dos casos, como um canal entre o divino e a matéria, que por sua vez representava este divino. Era extremamente comum, por exemplo, o artista não assinar suas obras.

A idéia do gênio nasce junto com a propriedade intelectual, bem como o desejo pela originalidade e a individualidade do artista.

Gênio era aquele capaz de transformar um conceito (etéreo) em algo realizado com sucesso (matéria).

O conceito da arte como tradução entre mundos considerados distintos, o plano da alma e o plano do palpável, acompanhou a humanidade até bem recentemente quando, em meados do século XIX, surgiu o conceito de ars gratia artis (a arte pela arte) ou seja, uma arte autônoma e que pode ser apreciada por seu prazer estético puramente e não mais apenas e/ou necessariamente por seu valor representativo ou de tradução entre a idéia e a matéria.

A relação com o sagrado continuou na Renascença, tanto que Michelangelo acreditava que a criatividade era uma inspiração divina. O que mudou foi a noção do papel do artista. Ainda que inspirado pelo(s) deus(es), o artista passa a ser um intérprete único e seu dom é entendido como determinante para que a obra evolua daquela determinada forma. Ou seja, nasce o conceito de traço.

O passo mais importante na distinção entre os gênios foi a noção da realização, aquilo que une o desejo ou a idéia e o sucesso em criar aquilo imaginado. Esta capacidade é o que os torna únicos e, portanto, autores de suas obras.

É natural compreender, portanto, que o rascunho ou o sketch – então chamado de bozzetto – assuma um papel fundamental pois é ele que comprova esta ligação entre a idéia e o ato realizado. Tornaram-se registros inquestionáveis do processo artístico e eram considerados e apreciados como uma forma única de arte, mesmo sabendo-se inacabada, porque demonstravam o subjetivo, o plano das idéias dos gênios.

Observar um sketch de um destes gênios era o mesmo que abrir uma janela para os seus processos criativos.

Isto não significa que antes do Renascimento não faziam sketches, significa apenas que, por não serem apreciados, não foram conservados.

Os desenhos mais famosos deste período (na verdade um século depois, já no Cinquecento) são sem dúvida alguma os de Leonardo Da Vinci (1452-1519). Prometo que resistirei à tentação de escrever mais uma das incontáveis odes à genialidade e versatilidade de Leonardo, já que seus fãs e estudiosos são em maior número e competência e que as referências podem ser facilmente encontradas online.

Algo que talvez não seja tão conhecimento comum assim é que Leonardo jamais saía de casa sem o seu sketchbook.

Hoje, 500 anos depois, o sketch é uma forma de arte reconhecida, independente se parte de um processo ainda inacabado ou como resultado final do traço pretendido. Existem inclusive bons workshops e até mesmo eventos mundiais organizados em torno do sketch, como o Sketchcrawl.

Você não precisa de material caro ou nada complicado para começar. Bastam poucas folhas de papel sem pauta e algo que escreva (lápis, caneta, tinta e pincel, tanto faz). O desenho de observação mais rápido, como de alguém passando na rua, precisa de um pouco mais de prática mas você pode começar com modelos mais pacientes. As estátuas, por exemplo. Se até o Leonardo desenhou o David, de Michelangelo, você também pode.

Apenas dê preferência a estátuas do que a fotografias de estátuas. É impossível dar a volta na fotografia para observar melhor um detalhe.

Outros bons e pacientes modelos são árvores, que apesar de esperarem você terminar o desenho com bastante calma, têm formas orgânicas e complexas e podem resultar em desenhos ricos e interessantes. E, claro, quando você estiver um pouco mais afiado, transforme o tempo perdido na condução em tempo ganho de desenho ou então aquele almoço solitário em uma boa oportunidade artística.

Leonardo da Vinci terminou 12 pinturas e milhares de desenhos. Esta informação, por si só, já deveria ser suficiente para explicar seu processo criativo. Os rascunhos – tanto os gráficos quanto os escritos – são a origem do pensamento e da criação. Ninguém projeta alguma coisa sem desenhá-la antes. O desenho é o princípio, a idéia, o conceito, é a “alma” da criação gráfica. As técnicas evoluem mas um bom desenho será sempre um bom desenho.

Os gregos consideravam como “clássico” tudo aquilo digno de ser copiado. Leonardo é um clássico. Pegue logo o seu sketchbook e comece a desenhar por aí! Está esperando o quê?



Bibliografia:
ZÖLLNER, Frank;  Leonardo; Editora Taschen; 2000.
STRICKLAND, Carol; Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Moderno; Editora Ediouro; 1999.
HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte; Mestre Jou, 1982.
OSTROWER, Fayga. Universos da Arte; Campus, 1991.
OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas de espaço e tempo na arte e na ciência; Campus, 1998.
GOMBRICH, Ernest; The Renaissance: theory of art and the rise of landscape; Phaidon, 1966.
GOMBRICH, Ernest; Arte e ilusão: um estudo da psicologia da representação pictórica; Martins Fontes, 1986.

Fala Freela #28 – fotógrafos

Em mais um episódio sobre uma atividade freelancer, a meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, ouviu a turma que vive por aí clicando nossos momentos mais especiais, ou nas redações dos jornais e estúdios de publicidade: os fotógrafos.

Mauro Amaral, Humberto Oliveira, Carolina Vigna-Maru convidaram o fotógrafo Luciano Sampaio para um papo recheado de dicas valiosíssimas para quem quer ou já está nesta atividade.

Que cursos fazer? Qual equipamento utilizar? Como encarar a concorrência do mercado amador que de uns anos pra cá anda turbinado com câmeras que prometem fazer de um tudo?! O episódio está tão completo que criamos um bloco-bônus só com dicas e leitura de e-mails e twittadas. Coisa chique, daquelas que que só acontecem na meia hora mais valiosa do seu dia.

E para valorizar ainda mais sua visita, tome aí algumas referências:

Comece com chave de ouro conhecendo o Guia para fotografia Pin-hole, do nosso convidado

Dê um pulinho no Flickr do Luciano, e confira seus trabalhos mais recentes

Sabia mais sobre alguns dos cursos citados: SENAC-SP, SENAC-RJ,
SENAC-PR, Instituto Darcy Ribeiro (RJ), Centro Europeu (PR), Portfólio (PR), Omicron (PR)