pequena bibliografia

Recomendação de leitura da oficina Ilustrando textos: uma introdução à análise literária e à interpretação gráfica (aula de 28/05/09):

CANDIDO, Antonio. O estudo analítico do poema. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1987.

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.

HALLEWELL, Lawrence. O livro no Brasil (sua história). São Paulo: Editora da USP, 1985.

SIMIONI, A. P. C. . Di Cavalcanti Ilustrador: Trajetória de um Jovem Artista Gráfico na Imprensa (1914-1922). São Paulo: Sumaré, 2002.

Renascimento Florentino

Giotto (1267-1337) pegou 2 trabalhos grandes, a decoração da Basílica de São Francisco de Assis (1290-1300) e a Cappella degli Scrovegni, em Pádua (1302-1306).

Afresco: primeiro entra a linha, o desenho. O fundo nasce a partir da linha; tinta sobre argamassa molhada.

Menos de 1% da população era alfabetizada, a imagem é a mídia.

Francisco de Assis criou o presépio. Presépio de Greccio: boneco de madeira se mexe e chora e depois volta a ser madeira (algo passageiro). Milagre é uma intervenção de deus na ordem que ele mesmo criou.

Cultura giottesca vai até o início da Renascença em Florença.

Séc. XV se auto-intitulava humanista, renascimento é um termo de 1860, criado pelo filósofo e historiador suíço Jacob Burckhardt (1818-1897), no livro A Cultura do Renascimento na Itália.

1401 – Renascimento Florentino

O século XIV foi marcado por crises em todos os setores da vida européia. O humanismo se congela, fica paralisado.

- Peste negra (1348-1351). Vetor: pulga dos ratos (não os ratos), que viajavam também nos comerciantes. Dizima quase metade da população da Inglaterra, por ex. Pânico e declínio demográfico. Conseqüências devastadoras.

- Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre França e Inglaterra (Lei Sagra francesa). Guerras aconteciam nos campos, não nos burgos. As duas maiores potências militares brigando em cima das plantações = sem colheita = fome. Graças a Joana D’Arc os franceses vencem a guerra e se afirmam como maior potência européia do final do XV.

- Crise espiritual. Papa Bonifácio VIII apóia a Inglaterra. Felipe IV, o Belo, se opõe a ele. Emissários de Felipe IV literalmente esbofeteiam o papa e o papado se transfere para Avignon, no sul da França. Existem então 2 papados: Roma e Avignon. Os romanos chamavam o papado francês de “o cativeiro católico da Babilônia de Avignon”. Os franceses chamavam o romano de “usurpador”.

Itália = cidades-estado, sem unidade.

Florença é uma república artistocrática desde 1380, quando o conselho entrega o poder à família Medici. Os italianos inventam a política de interesses.

A democracia era uma experiência exótica grega que durou apenas 15 anos. O poder era aristocrático.

A família Medici permanece no poder até o final do XV. Criam, entre outras coisas, as bases do sistema bancário europeu.

No final do XIV / início do XV, Florença já tinha uma reserva financeira extraordinária graças aos Medici. Os Medici então estabelecem o projeto de embelezar Florença e transformá-la em uma cidade invejável, inclusive em termos filosóficos. O poder se pensa e se vê como belo. A beleza é fundamental.

Em 1401 é aberto um edital público na República de Florença para portas em bronze para o Battistero di San Giovanni Battista.

Lorenzo Ghiberti (1378-1455) vence o concurso. As portas começam a ser feitas em 1403 e terminam em 1424. São chamadas “as portas do paraíso”.

Fundidas em bronze e douradas depois. As portas são uma grande HQ, uma menção a Giotto (como em Basílica de Santo Antonio de Pádua e Scrovegni),

Tudo nasce a partir do desenho, da linha. O artista deve desenhar. Desegno = desígnio, desejo. O desenho é a torna visível o desejo da alma. Este conceito nasce na Renascença.

Leon Battista Alberti, em Da Pintura (1435), diz: “vou falar aqui de pintura, escultura e arquitetura, ou seja, das artes do desenho”. O desenho adquire uma importância maior, não mais um rascunho descartável.

[link com várias obras de Alberti disponíveis para download; maioria em italiano]

O artista expressa tudo na linha.

A perspectiva não é uma invenção da Renascença mas é aqui que recebe um significado simbólico, canônico.

Da Pintura (Alberti) é o primeiro tratado sobre pintura. Tenta ensinar perspectiva aos pintores. Elimina-se a idéia aristotélica do espaço (quem é mais importante é maior).

As artes se aproximam das ciências porque são a descrição do visível.

Ciência e fé são 2 caminhos para se chegar a deus. A idéia de deus não mais como luz, mas como arquiteto. É o grande arquiteto que descreveu o mundo com a linguagem matemática.

Diálogo intenso com o Greco-romano: a beleza é simétrica, é matemática.

Volta a idéia grega da divindade da matemática, busca da perfeição científica.

Ghiberti – novidade: ele assina as portas do paraíso com um auto-retrato.

Nasce a individualidade do artista.

A matemática é a linguagem do sagrado, é a linguagem pura da beleza e da ordem.

Nasce também a idéia do gênio. Gênio = espírito iluminado do artista. A obra de arte é uma mentira que revela o mundo.

Triunfo da racionalidade, da razão.

Ser belo é ter ordem (conceito grego).

Simetria, harmonia, equilíbrio, ordem = linguagem de deus, matemática.

Nasce a arte como pensamento plástico, como um pensamento, como um raciocínio, como uma ciência.

O artista se torna um criador, não mais um artesão.

Nasce a idéia de que o espírito humano pode moldar a natureza desde que a entenda.

A Renascença é o triunfo da civilização manual (sem máquinas, sem eletricidade). Hoje vivemos o declínio da civilização manual.

A natureza está a serviço do intelecto humano.

Genesis: “deus moldou o mundo como um artesão”.

Matemática tem elementos místicos, é a matemática pitagórica.

Fé é o sentimento do sagrado. Ciência é o conhecimento do sagrado.

Geometria é a linguagem do sagrado.

1406: concurso público para a Basílica de Santa Maria Del Fiore (onde fica o Batistério). Vence Filippo Brunelleschi (1377-1446), que foi também o primeiro a teorizar e escrever sobre perspectiva (fez vários estudos de perspectiva, inclusive com câmera obscura), é o primeiro arquiteto moderno.

Da Pintura é dedicado a Brunelleschi.

“Io solea maravigliarmi insieme e dolermi che tante ottime e divine arti e scienze, quali per loro opere e per le istorie veggiamo copiose erano in que’ vertuosissimi passati antiqui, ora così siano mancate e quasi in tutto perdute: pittori, scultori, architetti, musici, ieometri, retorici, auguri e simili nobilissimi e maravigliosi intelletti oggi si truovano rarissimi e poco da lodarli. Onde stimai fusse, quanto da molti questo così essere udiva, che già la natura, maestra delle cose, fatta antica e stracca, più non producea come né giuganti così né ingegni, quali in que’ suoi quasi giovinili e più gloriosi tempi produsse, amplissimi e maravigliosi. Ma poi che io dal lungo essilio in quale siamo noi Alberti invecchiati, qui fui in questa nostra sopra l’altre ornatissima patria ridutto, compresi in molti ma prima in te, Filippo, e in quel nostro amicissimo Donato scultore e in quegli altri Nencio e Luca e Masaccio, essere a ogni lodata cosa ingegno da non posporli a qual si sia stato antiquo e famoso in queste arti. Pertanto m’avidi in nostra industria e diligenza non meno che in benificio della natura e de’ tempi stare il potere acquistarsi ogni laude di qual si sia virtù. Confessoti sì a quegli antiqui, avendo quale aveano copia da chi imparare e imitarli, meno era difficile salire in cognizione di quelle supreme arti quali oggi a noi sono faticosissime; ma quinci tanto più el nostro nome più debba essere maggiore, se noi sanza precettori, senza essemplo alcuno, troviamo arti e scienze non udite e mai vedute. Chi mai sì duro o sì invido non lodasse Pippo architetto vedendo qui struttura sì grande, erta sopra e’ cieli, ampla da coprire con sua ombra tutti e’ popoli toscani, fatta sanza alcuno aiuto di travamenti o di copia di legname, quale artificio certo, se io ben iudico, come a questi tempi era incredibile potersi, così forse appresso gli antichi fu non saputo né conosciuto? Ma delle tue lodi e della virtù del nostro Donato, insieme e degli altri quali a me sono per loro costumi gratissimi, altro luogo sarà da recitarne. Tu tanto persevera in trovare, quanto fai di dì in dì, cose per quali il tuo ingegno maraviglioso s’acquista perpetua fama e nome, e se in tempo t’accade ozio, mi piacerà rivegga questa mia operetta de pictura quale a tuo nome feci in lingua toscana. Vederai tre libri: el primo, tutto matematico, dalle radici entro dalla natura fa sorgere questa leggiadra e nobilissima arte. El secondo libro pone l’arte in mano allo artefice, distinguendo sue parti e tutto dimostrando. El terzo instituisce l’artefice quale e come possa e debba acquistare perfetta arte e notizia di tutta la pittura. Piacciati adunque leggermi con diligenza, e se cosa vi ti par da emendarla, correggimi. Niuno scrittore mai fu sì dotto al quale non fussero utilissimi gli amici eruditi; e io in prima da te desidero essere emendato per non essere morso da’ detrattori.”

Brunelleschi projeta a cúpula de Santa Maria Del Fiore, que era uma catedral gótica e portanto não tinha cúpula. Esta é a primeira cúpula a ser construída no ocidente desde o Pantheon romano. 30 metros de diâmetro com 25 metros de altura. Sem cálculo diferencial e sem concreto armado, usando a geometria de Euclides.

Brunelleschi tinha concorrido também pelas portas do paraíso e perdeu. A cúpula ficou pronta em 1438.

Sobre concreto armado: “construir Brasília é fácil, depende só de dinheiro”.

A cúpula é uma ogiva, não é redonda. Tem um anel aberto em cima, assim como o Pantheon romano.

A razão humana venceu as forças da estabilidade (como era chamada a gravidade).

O desenho do arquiteto vence e doma as forças naturais.

A Basílica de Santa Maria Del Fiore se torna o símbolo da arquitetura renascentista.

Arquitetos agora assinam projetos. Há uma hierarquia: o arquiteto é o deus, o autor, e o engenheiro que se dane para fazer a coisa funcionar. O engenheiro é considerado um artesão.

O conhecimento deve levar à unidade, à totalidade e jamais à fragmentação do ser. Ciência, arte e fé andam juntos.

Séc. XV = século do Renascimento Florentino.

alguns usos pedagógicos da internet

publicado no Aguarrás em 18/05/2009, ano 4 n° 19,
maio & junho de 2009, ISSN 1980-7767


As invenções do homem, grandes ou pequenas, sempre nascem de um desejo ou de uma necessidade. Não é diferente com a informática e tudo que gira em torno dela.

Santos-Dumont inventou o avião porque acreditava que se as pessoas pudessem viajar e conhecer outras culturas com mais facilidade, veriam que não somos tão diferentes assim e não haveria mais guerras.

A internet foi inventada por um comodismo, para facilitar a transferência de arquivos entre dois pontos. Curiosamente, é exatamente esta característica que as grandes corporações lutam para combater.

A web não tem um berço nobre como o avião mas teve uma boa criação e tem um bom coração. É esta quebra de fronteiras, tão sonhada por Santos-Dumont, que torna a web este local tão atraente para muitos.

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
– John Lennon, Imagine (trecho).

A web retira automaticamente o pré judice, onde a cor da pele, a marca da roupa, a localização geográfica e às vezes até mesmo o idioma não importam mais. Isso faz da web o ambiente mais humano que nós já conseguimos criar.

Não é a tecnologia, é este aspecto humano que tanto fascina os seus alunos.

Qualquer ferramenta online tem relacionamento como pedra fundamental. O email serve para uma comunicação pessoal. Os sites, mesmo os de empresa, expõem opiniões e sonhos da mesma forma que as meninas de nosso tempo faziam em diários. Os blogs se diferenciam justamente pela possibilidade de interação com o visitante. As ferramentas de relacionamento, como o Orkut ou o Twitter se colocam, obviamente, como um instrumental relevante.

Não há possibilidade de compreensão da web e seus ambientes sem colocar o ser humano no centro. A web é antropocêntrica por natureza.

A web é rica e heterogênea, portanto. Nada é feito por humanos sem ser um reflexo de nós mesmos. Nossas criações são imagem e semelhança de nós mesmos.

É comum ouvirmos “na web encontra-se de tudo”. Sim, na humanidade também.

O ser humano constrói máquinas incríveis e depois precisa domá-las. Não sei se alguém aqui já tentou, mas dirigir um trator é dificílimo e tem poucos controles a mais que um carro comum. É natural que quanto mais variáveis, mais difícil é o aprendizado da tecnologia/máquina.

Vocês passaram a vida estudando as suas matérias. São especialistas e professores de áreas muito mais complexas do que a internet. As ferramentas online são mais fáceis e intuitivas do que coisas estranhas como oração subordinada ou física quântica.

Nós somos mais inteligentes do que a máquina.

Acredito que todos os leitores, mesmo que não usem muito, tenham um endereço de email. Email é fácil de usar, é como uma carta, nossa velha conhecida, mas e quando o recurso começa a gastar mais neurônios do que estamos dispostos a ceder?

O erro, na maioria das vezes, é do desenvolvedor. As ferramentas deveriam ser simples e fáceis de usar.

As ferramentas que começam a se mostrar muito complexas são fadadas a sobreviver apenas dentro de um seleto grupo de nerds/geeks e não se tornará popular. Até mesmo aquelas que são “fenômenos” (de acordo com a imprensa, pelo menos) de audiência seguem esta simples regra. O fiasco que se tornou o Second Life ou a WebTV são bons exemplos disso; ou ainda o domínio do Google onde antes reinavam Yahoo, Altavista e Cadê?; ou, por último, a simplicidade do i-pod.

O simples sempre vence.

Então, se o seu aluno fala sobre algo muito complexo, difícil de usar, inacessível, não se preocupe: a moda passará rapidamente ou não se tornará consolidada até que melhore sua interface. O inverso também é verdadeiro: se o seu aluno falar sobre algo com uma interface simples, a poucos cliques de distância, pode ter a certeza de que mesmo que você não entenda a utilidade ou a função da ferramenta, esta vai ser bem sucedida.

Existem, naturalmente, ferramentas óbvias como VOIP (voice over ip, ex: Skype) que fazem exatamente aquilo que você imagina.

O seu aluno é capaz de aprender coisas estranhas como equação de segundo grau. Algo como o Twitter é mais simples para ele do que abrir a geladeira.

Assim como qualquer coisa online, a chave é como nós nos relacionamos com a ferramenta e seus usuários. Qual botão apertar qualquer um aprende. Entender o signo e o significado é sempre mais complexo, não importa se na web ou não.

Talvez o melhor norte que se possa fornecer neste assunto seja a quebra do pré judice. Na web não apenas o pré julgamento (roupa, aparência, cor, etc) se quebra mas também rui a relação de poder: você e seu aluno estão no mesmo nível hierárquico e ele espera ser tratado como igual.

Você precisa falar a linguagem dele. Dois ótimos exemplos disso são o blog Física na veia e o portal Lablogatórios que unem o conteúdo com uma linguagem (tanto em termos de ambiente e interface quanto no que diz respeito à linguagem escrita) a que o aluno/jovem está acostumado, tratando-o com respeito e de igual para igual.

No que diz respeito à tecnologia, hoje temos uma entidade sem fins lucrativos chamada w3C (World Wide Web Consortium), que orienta como construir sites e aplicativos de forma acessível por todos. A acessibilidade hoje é uma das maiores preocupações dos desenvolvedores. Uma das grandes mudanças foi a separação da informação do conteúdo.

A informação ou o conteúdo não existem mais localizados, centralizados. Nós somos múltiplos e estamos em muitos lugares.

O que muda, essencialmente, é o tom. Não apenas uma questão de linguagem, onde a escrita é tratada como oral, mas também (e principalmente) a quebra absoluta da relação de poder. O leitor não é mais apenas um receptor e o discurso pode ser complementado a qualquer momento, por qualquer um.

O modelo da Wikipedia, por exemplo, pode ser usado com milhares de outros fins, inclusive o pedagógico. Um professor pode, por exemplo, criar um site no modelo Wiki sobre a sua matéria e com isso montar de uma forma muito dinâmica e participativa um modelo inovador de gestão de conteúdo, junto com seus alunos.

O sistema da Wikipedia é de código aberto, gratuito e pode ser baixado no endereço http://www.mediawiki.org/wiki/MediaWiki

A maioria dos provedores de hospedagem trabalha com um gerenciador chamado Cpanel (painel de controle) e possui o Fantastico, um instalador automático de diversos sistemas, entre eles alguns modelos diferentes de Wikis, ao alcance de um clique.

O miguxês e outros códigos

O designer Mario Amaya falou com muita propriedade sobre o assunto em seu blog e merece a sua visita.

O miguxês, ou seja, aquele dialeto de internet que a gente não entende, não é um empobrecimento do idioma, é outro idioma. A comunicação em miguxês é uma opção do jovem, e não falta de.

Este aspecto, o de não ser uma limitação e sim uma opção é crucial para entendermos esta comunicação.

Redes sociais

Acho hilário o termo “rede social”. Existe alguma rede de pessoas que não seja social? A internet toda é humana, formada por pessoas que se comunicam entre si e portanto é toda uma grande rede social.

O termo na verdade se refere a sistemas que facilitam esta comunicação interpessoal, como o Twitter, Orkut, Facebook e muitos outros. Assim como em qualquer festa, é mais importante saber se comportar no ambiente do que saber a receita do bolo.

Tanto nas ditas redes sociais como na tal da “blogosfera”, o crédito é importantíssimo. Apesar de abrir mão da privacidade, o jovem não abre – e nem deveria – mão da individualidade. A internet toda funciona muito por mérito e crédito, ou seja, se você viu um link interessante no Twitter de alguém, ao invés de copiar e colar para repassar para o seu grupo, faça um “retwitt”, ou seja, assuma que você está repassando algo feito/descoberto por outra pessoa, citando a fonte. O mesmo vale para blogs. Os blogs mais respeitados são aqueles que criam conteúdo próprio e que quando reproduzem algo de outra pessoa, dão os devidos créditos. Esta é uma regra que não pode ser quebrada online, sob o risco de perder completamente a credibilidade. E, como sabemos em qualquer ambiente (online ou offline), credibilidade é tudo nessa vida.

Outra regra importante para a sobrevivência online é a periodicidade. É melhor não ter um blog/twitter/etc do que ter um bissexto. A presença online exige alguma manutenção.

O contato direto com o aluno e no ambiente dele pode trazer bons frutos. Muitos problemas como a falta de tempo, a timidez ou mesmo a pressão de grupo caem por terra quando o jovem está online. Muitas vezes ele consegue se expressar com mais desenvoltura, rapidez e facilidade na internet do que na sala de aula.

A semelhança com audiovisuais e seus blocos pequenos de texto

O quadro-negro não passa vídeo, não permite o copy-and-paste, não tem hiperlink, não toca mp3, não reproduz podcast e não aceita comentários, mas na verdade a estrutura lingüística é muito similar à internet. São tópicos com pouco texto que dão suporte ao que é dito verbalmente.

Apesar de o texto ser o seu suporte fundamental, a linguagem é verbal e conta com todo e qualquer recurso audiovisual disponível naquele momento.

Essa capacidade de síntese que o professor tem para dar e vender é extremamente valorizada online.

Assim como na sala de aula, na internet o aluno que se interessar por determinado assunto irá procurar textos e subsídios mais aprofundados. A grande diferença é que o processo não é passivo: o aluno assume o papel de responsável e ator da busca por aquela informação.

O professor tem à sua disposição diversas mídias e formatos diferentes. Aqueles que se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo podem, por exemplo, criar um podcast.

Escrever em um blog, por exemplo, não exclui outras possibilidades. O blog pode inclusive conter um podcast, vídeos, um fórum e conteúdos de redes sociais.

A questão da atenção dividida

Paradoxalmente, quanto mais o professor espalhar as suas informações online, mais o aluno vai focar no assunto. Esta pulverização que pode enlouquecer alguém ainda não habituado com a tecnologia é, na verdade, percebida como um símbolo de importância. Quase que uma reprodução das medidas de um clipping, onde o volume de notícias é contabilizado como uma vitória. O internauta presta mais atenção àquilo que chegou a ele de várias fontes diferentes porque entende como sendo de uma relevância maior.

Qualquer informação online que venha de forma intrusiva ou impositiva é imediatamente descartada, mesmo que de interesse do aluno. Ele precisa se sentir e se perceber como agente daquela informação. Aqui entram, com grande importância, as redes sociais e os blogs, onde o professor pode, além de interagir com outras pessoas, colocar o seu conteúdo online de uma forma em que o aluno vá até ele sem se sentir em uma posição submissa ou passiva.

A passividade no recebimento da informação é sempre entendida como spam. Nada online é unilateral, mesmo que a bilateralidade seja apenas a de clicar em um endereço para chegar ao blog.

Dicas de ferramentas

Colocar uma matéria online no Google Docs, onde o aluno pode copiar e colar o que interessa, interagir deixando comentários e/ou dúvidas ou mesmo acrescentar algo.

Publicar slides, imagens, ilustrações e apresentações nas ferramentas gráficas (Flickr, Picasa, etc), de forma que o aluno tenha acesso a estas informações com maior clareza do que uma reprodução xerox ou cópias feitas em cadernos.

Publicar textos em domínio público no Scribd, de forma não apenas a compartilhá-los com toda a web mas também facilitando o acesso e busca deste material.

Indicar a leitura de trechos ou livros na íntegra no Google Books, dependendo se em domínio público ou não.

Abrir um canal de comunicação direta com alunos e colegas através do Skype, msn ou similares.

Tocar/mostrar músicas no Blip.fm, como demonstrativas de uma figura de linguagem ou de uma época.

Estimular a leitura através de hipertexto e a assimilação de conteúdo de qualidade em palestras online e vídeos educativos.

Criar coleções (listas) no Youtube ou no Vimeo de vídeos interessantes e recomendados para os seus alunos.

Criar versões WAP de seus blogs para que os alunos possam ler no celular. A maioria dos sistemas de blog possui versão WAP ou algum plugin gratuito para esta finalidade.

Usar o Google Earth ou Maps para mostrar locais ou o History do Google Earth para representações em 3D históricas (Roma Antiga, por exemplo), ou ainda o céu ou a Lua ou Marte.

Reproduzir experiências bem sucedidas como o Mil Casmurros, por exemplo.

Centralizar bookmarks de forma pública e acessível no Delicious.

Ampliar o repertório dos alunos com palestras do Teachertube, do MIT ou do TED.

O senso de comunidade

O ser humano é engraçado: basta ver a casa de um que já quer construir a sua do lado. Nós temos o senso de comunidade muito enraizado em nossa formação. Desde o homem primata que formamos comunidades. Os princípios de auto-preservação e proteção seguem em nossas vidas o tempo todo.

Os alunos formam grupos, tanto em sala de aula quanto em intervalos. O ser humano se relaciona em bandos, mesmo que este bando seja composto por apenas duas pessoas. É natural portanto que na web este senso de comunidade se reproduza também.

Um dos pecados mortais é ir contra ou trair grupos estabelecidos (exemplo: a propaganda do Estadão contra os blogs), mas às vezes é difícil detectar os grupos que são por natureza voláteis, orgânicos e flexíveis, ainda mais online.

Uma boa forma de se medir a relevância daquele grupo ou pessoa online é uma simples busca no Google. Coloco aqui alguns truques práticos de uso do Google para este fim:

Para limitar a busca naquele termo específico e não em todas as palavras que o compõe, use aspas. Ex: “gato siamês” irá retornar um resultado muito mais relevante do que apenas procurar por gato e siamês.

Para descobrir quem ou quantos sites têm links para alguém, use o “link:”. Exemplo: “link:aguarras.com.br”. Não é necessário usar o www.

Para buscar algo apenas dentro de um determinado site, comece a busca com “site:URL busca”. Exemplo: “site:aguarras.com.br arte-educação”.

Para buscar um conteúdo apenas em um determinado tipo de arquivo, use o filetype:TIPO. Exemplo: “hauser filetype:pdf”

Existem outras dicas no próprio Google.

Muitas vezes a própria internet fornece informações sobre quem é o seu visitante, o que ele pensa, como age e o que a comunidade pensa dele.

O potencial disseminador do internauta

As técnicas de divulgação mudam de nome e formato com o tempo. O que antigamente era o RP (relações públicas) hoje é o especialista em rede social. As ferramentas mudam mas o princípio é o mesmo (nós somos os mesmos).

“Aquilo que é bom não precisa de propaganda”. Esse é um dos mitos mais conhecidos na publicidade e é apenas isso: um mito. O professor faz propaganda de sua matéria. A mãe faz propaganda de suas opções de vida ao filho. O padre faz propaganda de sua religião. Os formatos e os objetivos mudam, naturalmente, de acordo com o caso, mas a disseminação de idéias e ideais faz parte de nosso instinto de preservação, a preservação de nossa memória.

Na Grécia Antiga, era considerado “clássico” aquilo digno de ser copiado. A expectativa de vida então era de 35 anos e a noção da finitude da condição humana era claríssima. Assim como na internet, a nacionalidade era uma essência, um pertencimento espiritual e cultural e não algo limitado por fronteiras: se você fala grego, segue a religião grega, pensa como um grego, você é grego, não importa onde viva ou tenha nascido. As artes eram consideradas de suma importância porque perpetuavam o registro da cultura. As conquistas eram não apenas militares mas também culturais.

Estes mesmos conceitos são reproduzidos na internet que, assim como a Grécia Antiga, não tem a noção do Estado-nação. O modo de vida do internauta o qualifica. Aqueles que não são internautas (“não falam grego”) são considerados pelo grupo como inferiores culturalmente (bárbaros). O conceito de clássico é aquilo que é reproduzido, independente se um vídeo tosco no Youtube ou uma palestra no TED.

Surge então o conceito de uma informação viral, ou seja, que se reproduz além de uma intenção ou controle, que se reproduz de forma autônoma, espontânea. Um bom viral é aquele que move alguma emoção, que toca em algum ponto da formação do ser, mesmo que seja o de considerar o diferente como um bárbaro.

O fenômeno de dissipação destes conteúdos é às vezes batizado de “meme”, uma analogia ao conceito criado pelo zoólogo Richard Dawkins para explicar a disseminação de pensamentos, idéias e produtos culturais. Segundo Dawkins, algumas informações são transmitidas da mesma forma que os genes, replicando-se automaticamente e tornando-se parte da cultura universal.

A internet é o veículo ideal para a transmissão desses “memes”. E, com o advento de sites que permitem a criação e a divulgação de conteúdo produzido pelos próprios internautas, os memes ganharam um novo aspecto: a possibilidade de estas unidades de informação não apenas serem retransmitidas, mas ganharem novas leituras.

E tudo isso ao alcance de um clique. Não precisamos mais esculpir em pedra a nossa visão de mundo. E com a facilidade vem também o alcance exponencial.

O professor pode se colocar como receptor e requisitar aos seus alunos, por exemplo, que indiquem conteúdo relativo a um tema. A pesquisa estimulada na web movimentará a comunidade de alunos e, conseqüentemente seu interesse. Ou, ainda, analisar algum conteúdo online junto a seus alunos, estimulando desta forma a busca por similares.

Conteúdo é a chave do negócio, sempre foi e sempre vai ser.

O que você tem a dizer é muito mais importante do que a forma.




Nota importante: este artigo foi originalmente escrito como uma linha geral de uma palestra para professores e não tem a pretensão de ser nada além de um apanhado de dicas sobre alguns dos usos possíveis da internet como instrumento didático. Este não é um whitepaper e a autora é especializada em internet e não em pedagogia.

Fala Freela #27 – depoimentos

O Fala Freela #27 foi um espaço aberto para depoimentos dos ouvintes.

Nós temos sempre uma grande preocupação em ouvir mais do que falar e este episódio teve, justamente, esta proposta.

(…) no novo episódio da meia hora mais valiosa do seu dia, Mauro Amaral, Humberto Oliveira e Carolina Vigna-Maru – repórter de campo de futuro!-, cederam espaço para a voz de ouvintes que muito somaram nesses 27 programas. Agradecimentos mais do que merecidos a Luciano Sampaio, Henrique Arake, Eduardo Sales, Gustavo Nogueira, Cristiano “Web” Santos, Ruronikz e Mauricio Domene pelas entrevistas e tempo doado ao FalaFreela.

Giotto

Toscana, Itália – nascimento da cultura humanista:

- Francisco de Assis (1181-1226)

- Dante Alighieri (1265-1321)

- Petrarca (1304-1374)

- Boccaccio (1313-1375)

- Cimabue (1240-1302)

- Giotto (1267-1337)

Modernidade nasce no séc. XV em Florença.

3 grandes renovações, percepções de esgotamentos:  religiosa / política e filosófica / artística – Procura por renovação a partir de diálogo renovado com os tempos antigos.

É um fenômeno italiano.

Religião – cristianismo primitivo (anterior à oficialização por Constantino), greco-romana.

Esquema mental que vai até a Revolução Francesa:  o novo somente ganha força com o contato com o passado. É preciso reintegrar-se com a origem para inovar.

Humanista: diálogo renovado com as tradições. “imito a origem para dar a minha interpretação dela”; não é plágio, não é cópia, é banhar-se no antigo para novas interpretações.

“O mundo em que vivemos está velho, podre e seco, é preciso voltar à luz (Greco-romana)”; “entre nós, florentinos do século XV e a cultura Greco-romana há uma idade de trevas, média (de medíocre)”. É Petrarca quem dá o nome à idade Média.

Nenhuma época se auto-denomina, só a nossa porque perdemos nossa identidade. Vivemos o fim de uma cultura.

Francisco Bernardone era um playboy da época. Filho de ricos comerciantes de tecido em Assis, era da alta aristocracia.

Todas as conversões católicas: ou são devassos como Francisco de Assis ou ficam terrivelmente doentes.

Itália não era uma nação, cada cidade tinha uma identidade, cultura, economia e políticas próprias.

Francisco (ainda Bernardone) sonha que Cristo teria lhe dado um tapa no rosto, dizendo que ele desperdiçava o seu bem mais precioso, o tempo, com coisas mundanas e que lhe manda reconstruir a sua igreja. Francisco fica uma semana de cama. Em Assis tinha uma igrejinha abandonada de S. Damiano e Francisco entende o sonho literalmente. Adota simplicidade extrema e vai sozinho reconstruir a igrejinha até que se dá conta de o sonho não era para ser levado ao pé da letra. Seus amigos também adotam a simplicidade. É deserdado quando joga moedas de ouro do pai pela janela e começa a mendigar. Ele pregava a igreja primitiva.

Os ritos eram extremamente elitistas, em latim vernacular. Francisco (agora de Assis) propõe uma nova teologia. O Papa se dá conta que Assis é um aliado e não uma ameaça e lhe concede uma ordem própria, a ordem dos frades menores (a ordem franciscana), que é mendicante e praticante.

Assis é o primeiro a receber o milagre dos estigmas, quando Cristo torna a aparecer para ele no topo de um morro, 2 anos antes de morrer, em 1224.

Os franciscanos se tornam a ordem mais poderosa da Europa, elege 4 Papas e tem os templos mais ricos (a partir de doações de senhores feudais em seus leitos de morte).

Poesia e filosofia: Dante, Petrarca e Boccaccio – mística pitagórica e números sagrados.

Dante acreditava que 70 anos era a idade ideal para morrer, apesar da idade média na época ser em torno de 30 anos. Aos 35 anos de idade começa a escrever a Divina Comédia.

Nel mezzo del cammin di nostra vita

mi ritrovai per una selva oscura

ché la diritta via era smarrita.

Ahi quanto a dir qual era è cosa dura

esta selva selvaggia e aspra e forte

che nel pensier rinova la paura!

Tant’è amara che poco è più morte;

ma per trattar del ben ch’i’ vi trovai,

dirò de l’altre cose ch’i’ v’ho scorte.

Io non so ben ridir com’i’ v’intrai,

tant’era pien di sonno a quel punto

che la verace via abbandonai.

Na metade do caminho de nossa vida, me vi em uma selva escura [...], em tradução livre  – metade do caminho: 35 anos, metade dos 70 considerados ideais por Dante; selva escura: Virgílio surge do limbo, com cora de louros na cabeça e oferece a Dante mostrar-lhe o caminho da renovação e o segredo dos 9 círculos do inferno. Dante volta ao Greco-romano para se conduzir para fora da Idade Média.

Revolução no pensamento plástico:

- Cimabue (professor)

- Giotto (o aluno que o supera)

Atelier do Bigallo – produção de ícones bizantinos. Quadro no acervo do Masp, de 1275 deste atelier, Madonna em majestade, de Maestro Del Bigallo. – Não há qualquer tipo de interação entre a criança e a mulher. Parecem coladas uma na outra. Não há profundidade, está tudo no 1º plano, as figuras estão achatadas no plano, são bidimensionais. Não há movimento, não está no mundo físico, está no mundo sagrado. A cabeça foi pintada separadamente e colada depois. O espaço é místico, não é plástico. O rosto é inclinado para baixo, para que se possa ver debaixo na igreja – Lintel. Negação da fisicalidade do corpo, incluindo anatomia e nudez. As figuras são esquemáticas, os rostos são genéricos, máscaras, tendem à abstração, negam fisionomia. Negação da humanização da figura.

Virgem com o Menino Jesus (1310-1320) – Aluno do Giotto, no acervo do Masp. Atribuído ao mesmo pintor de San Martino com a palma do matírio, em Florença, não se sabe o nome, é conhecido como o mestre pintor que pintou … nome atribuído: Maestro di San Martino Alla Palma. Luz dourada, não é azul de céu, não é real, é nobre, é divino; descongelamento. Modelo volumétrico humano. Há interação. Pensamento irrigado pelo franciscanismo. Conversam através do olhar. O olho é a janela da alma. Há volume. Luz/sombra. Não é retrato, não há um modelo. Diálogo renovado com o Greco-romano do volume, proporção e descrição do afeto.

Cimabue – Maestà, c. 1280-1285 – diálogo entre a imagem e o fruidor (ela mostra o menino para o espectador). Giorgio Vasari, no séc. XVI, escreve o primeiro livro de história da arte e diz que a modernidade começa com Cimabue e vai “até os nossos dias”, ou seja, até os dias de Michelangelo.

Regra de ouro na história da arte: a verdade está nos detalhes.

Adorar = desejar se fundir com. Reza-se para santos, para que intercedam junto à Virgem Maria, para que ela fale com Cristo, que por sua vez leva a questão a Deus. Há uma burocracia do pedido, é necessário respeitar a hierarquia. Não se adora santos, isso é heresia. Só se adora a luz, deus. Apenas pode se venerar santos.

A Virgem Maria é sempre contida, melancólica. Nunca, em hipótese alguma, em tempo algum, em estilo algum, é representada sorrindo. Ela tem o 6º sentido, somente ela tem realmente. Ela tem, portanto, a intuição do futuro e sabe que o menino será morto e não pode revelar o plano de deus (ser mãe é padecer no paraíso e outras idiotices). Ela sofre calada, por isso ela nunca sorri. Maria = Mirian em hebraico. Sua mãe, Santana, recebe uma profecia de que dará luz a uma menina que não terá direito à felicidade.

Papa Gregório, o Grande diz: “a imagem é a bíblia dos ignorantes”. A imagem torna visível um pensamento.

Giotto – Madona di Ognissanti (c. 1300) – Fundo dourado, é espaço eterno. Trono gótico. Desproporção entre os personagens que representa o significado, a essência ocupa lugar no espaço em função de sua importância. Hierarquia das estases. A idéia de chiaroscuro nasce com Giotto.

Dante diz que estão construindo “Il dolce stilo nuovo”. Dante era amigo de Giotto e o cita na Divina Comédia como “o pintor dos pintores”. Giotto foi famosíssimo em vida. Boccaccio também o coloca em Decameron, pintando as paredes de um convento. Giotto reinventa o afresco.

SP-Arte (fotos)

Na década de 30 (e por reflexo, na de 40 também), o mundo estava de cabeça para baixo. Sangue para todo lado, Hitler, Segunda Guerra, crise de 1929, enfim, aquele bom e velho caos que todos conhecemos. Não por acaso as pin-ups surgem no país com maiores problemas financeiros naquele momento, os Estados Unidos. As pin-ups tentavam resgatar algum tipo de identidade a um povo massacrado, através da sexualidade e do humor. Naquele contexto já era uma objetificação, já era ruim. Hoje é apenas ridículo.

Existe uma corrente errr.. cof, cof filosófica de endeusamento da mulher que nada mais é que uma objetificação. Explico. Ao retirar aquele determinado grupo de indivíduos (mulher, gay, negro, astigmático, não importa) do ambiente humano, ou seja, ao desumanizar alguém, você o objetifica, mesmo quando sob o pretexto da divinização. Acontece que este tipo de ação, em pleno 2009, não apenas perdeu o sentido como perdeu também qualquer possibilidade de justificativa ou embasamento. Não é mais aceito fora do universo pornô assim tão facilmente.

Diz um amigo meu que as pin-ups não vão além do alcance da mão, referindo-se, justamente, às tentativas de parecer fazer mais do que esta mera objetificação de que falei anteriormente.

O cenário fotográfico geral da SP-Arte é que as pin-ups voltaram. E voltaram em preto e branco, em uma tentativa de posicionar o estilo em um tempo cronológico em que isso era possível, usando a técnica como uma bengala, como uma pseudo-justificativa artística. Além de ridículo fica datado.

Alguns se salvam.

Só na galeria Babel gostei de três:

hoepker iata gui mohallem

Thomas Hoepker com uma print de 1936. Hoepker foi historiador da arte e arqueólogo mas acabou sendo mais conhecido como repórter fotográfico. Hoepker sempre tem um olhar poético, tanto na composição quanto no assunto sem aquele distanciamento estereotipado que se espera de um arqueólogo alemão. É um fotógrafo sem clichês.

Iatã Cannabrava, com uma color de 2008 intitulada Capão. A figura dialoga dentro de si, com o quadro dentro do quadro e com o fruidor que entra no cenário e na biografia da imagem. Elvira imediatamente apontou a estrutura de Velásquez, onde uma parte da estória anterior permanece dentro da contada, como um roteiro que cria passados não-vistos das personagens.

E, ainda na Babel, gUi Mohallem, com o seu Ensaio para loucura, pinholes de 1979. Ele se/nos aproxima em camadas, em etapas, devagarzinho para ficar mais gostoso. A primeira é a própria técnica, que retira a lente entre o fotógrafo e o fotografado. Outra aproximação é a da interação, onde o visitante é convidado a usar carimbos. A idéia do carimbo é gostosa, funciona como uma lembrança. E mais uma, as pessoas fotografadas estão em movimento, são reais, fazem parte do seu-nosso cotidiano. Poderia ser você, daí a loucura, uma loucura não ensaiada mas de todos nós, você, eu, fotógrafo e fotografados. E aí tem os carimbos em si, que trazem textos íntimos dos fotografados. São seis, selecionei um: Eu sou tão normal, tudo que eu faço é normal, eu penso tanto antes de fazer as coisas… mesmo quando eu me drogo ou trepo com um desconhecido é muito normal, sabe, dentro dos limites da normalidade.

Fernando Arias Fernando Arias

A galeria Eduardo H Fernandes mostra o Tríptico umbilical do colombiano Fernando Arias. É um mesmo homem, nu, em posição fetal, visto em três planos diferentes e sim, são três fotos. Fazem parte de uma exposição intitulada Humanos Derechos, uma antiga bandeira do artista.

Miguel Rio Branco

Na Silvia Cintra encontrei um tríptico de Miguel Rio Branco, de quem eu sempre gosto. Ele retrata a tragédia urbana e cotidiana sem recorrer a excessos de texturas ou outros modismos.

Helena Almeida

A galeria Mário Sequeira trouxe duas fotos de Helena Almeida que brincam com o tempo e com a seqüência narrativa. Estão em um corredor e portanto você pode vê-las sem uma intenção de ordem, de sentido. As fotos são da mesma cena em dois momentos e em um destes o retratado olha para você. É sempre bom encontrar novas linguagens em velhas técnicas.

Vaqueiros, de Andreas Heiniger Vaqueiros, de Andreas Heiniger

A Amarelonegro Bei mostra Vaqueiros, de Andreas Heiniger. Vaqueiros merece um duplo elogio. Obviamente pela qualidade fotográfica e narrativa mas também pela montagem. A Amarelonegro Bei colocou as fotos, portraits dos nossos peões, em colunas enviesadas em relação ao visitante, fazendo com que o olhar fosse imediatamente impactado pela força das pessoas retratadas mas ao mesmo tempo permitindo uma aproximação gentil.

Claudia Jaguaribe

Na H.A.P. encontrei outra sempre ótima, a Claudia Jaguaribe. Ela é artista plástica e historiadora da arte mas poderia perfeitamente ser designer também. As suas duas fotos fazem uma brincadeira cromática, em que ela pega o tom dominante/emocional da fotografia e o (re)aplica sobre a foto em uma faixa, uma foto se contrapondo à outra inclusive em termos de diagramação e com esta delicada interferência ela mostra (e educa) um olhar.

Odires Mlaszho

E na Vermelho, vi Odires Mlaszho, com seus seis portraits mixados entre estátuas/figuras notórias e fragmentos de pessoas, em um encaixe perfeito entre as duas imagens. Ao humanizar a estátua, mostrando o carne-e-osso, ele desumaniza a noção de realidade. Odires, aliás, não é nome próprio, é um acrônimo de Objetos Derivados Intrínsecos Restos Emulsionados ou Saqueados.

cafezinho

A SP-Arte sempre vale uma visita. Só fique longe do café, que além de custar inacreditáveis R$4,50 é ruim e veio frio. E ainda vem acompanhado do olhar de desprezo do atendente que está naquele fantástico lugar superior e é o guardião da única fonte de cafeína da feira. Na próxima eu levo uma garrafa térmica. Juro que levo.

 

ERRATA – Tatiane Lopes escreveu: Apenas uma correção: as fotos da exposição “Vaqueiros” é do estande da Bei Editora, no qual ele está lançando um livro.


publicado no Aguarrás em 15/05/2009
ISSN 1980-7767, ano 4 n° 19, maio & junho de 2009

Idade Média e Gótico

Ravenna

525-548 construção da Basílica de San Vitale; imperador Justiniano e imperatriz Teodora, de Bizâncio.

Comunhão = troca de informações da comunidade (eclésia, igreja = comunidade em latim).

Imagem é a “bíblia do ignorante”.

Igreja (o edifício, não a instituição) = centraliza a sociabilidade, onde os cristãos iam para falar mal da vida alheia, se informar sobre a escola de seus filhos, combinar encontros, se atualizar sobre os acontecimentos da cidade, enfim, era um centro comunitário literalmente.

Nudez completamente abolida. O Uno todo poderoso não cabe no corpo. O corpo não é mais o suporte para o divino.

Anatomia também é abolida. Corpos alongados, bidimensionais, perdem profundidade, formas planares. As figuras tendem à abstração, à forma gráfica, à simplificação.

A idéia do retrato é abandonada.

Auréola no imperador: a legitimidade do poder civil deriva do divino: ele é o iluminado, o escolhido. Apenas a Revolução Francesa irá terminar com isso.

Rubi vermelho = símbolo do imperador. Cesta vazia = doação, símbolo da humildade cristã.

General Belisário, à direita de Justiniano.

Escudo – signo cristão de Constantino no lugar da águia.

O exército bizantino = exército de Cristo.

Bíblia de ouro e pedras preciosas = o livro é uma preciosidade maravilhosa até Gutenberg.

Os livros, de uma forma geral, eram sagrados, ainda mais a bíblia.

Turíbolo = incensário

À direita o poder prático, à esquerda o poder espiritual.

Mosaico – tesselas tendem a um grande grafismo.

O movimento também é abolido, os elementos precisam ser os mais estáveis possível.

Ícone bizantino = negação radical do naturalismo Greco-romano.

Imperatriz

Fonte bastismal em cima de uma simplificação de uma coluna coríntia.

Acima da imperatriz: concha batismal.

O artista está no fio da navalha: o sagrado não pode ser representado. As outras 2 maiores religiões monoteístas não representam o sagrado até hoje (judaísmo e islamismo usam apenas decorações abstratas).

O cristianismo é a única religião monoteísta que representa o sagrado na forma humana.

Mausoléu de Teodorico, o ostrogodo

Ostrogodos = bárbaros germânicos que invadiram a Itália

Teodorico é o 1º bárbaro a ser cristianizado (uma grande vitória cristã).

É enterrado em uma banheira romana de mármore vermelho.

Ostrogodos – cristianizados no séc. VI

Visigodos – cristianizados no séc. VII

Celtas (Francos) – cristianizados no séc. VI

Celtas (Irlanda) – cristianizados por S. Patrick no séc. VIII, começo de IX

A arma dos evangelistas é a persistência. Usam ícones locais e vão convertendo seus significados de geração em geração.

Cirilo e Metódio – cristianizam os eslavos e inventam o alfabeto cirílico (russo).

Basílica de Santo Apolinário

Apolinario in classe

Classe era um porto em Ravenna, que não existe mais graças ao assoramento da costa.

Dentro de uma igreja cristã primitiva: tem nave mas não tem transepto. Tem corredores laterais, chamados de colaterais (Será que efeito colateral vem daí?).

Abside = meia cricunferência

Mãos: evocação, oração

Planta que nasce na pedra = a semente (palavra de Cristo) brota a esmo.

Pastor de ovelhas

Rosas vermelhas = ícone de Cristo, espinhos = espinhos da cruz pingados de sangue

Lírios brancos = signo da Virgem Maria.

Branco = em Roma era a cor do luto; no cristianismo a cor do sacrifício; depois inverte e vira luz e pureza.

Escrever nome = relação com o nome é sagrada; há uma idéia de conjuração do nome; a palavra evoca a essência da coisa evocada.

Carlos Magno

Idade Média – “o termo não tem significado algum, sinto muito, é uma bobagem”. É vasto, vago, sem conteúdo. Idade Média é xingamento. Petrarca (humanista), disse: “entre nós e o greco-romano há um período de trevas, devemos renascer do antigo”, daí vem o Renascimento.

Séculos VII a XIV! Que região? Que século? Que povo? Há uma extraordinária diversidade.

França, reino dos francos

Francos invadem a Gália

Líder gaulês Vercingetorix

Cesar invade a Gália, cerca Vercingetorix em Alesia e vence.

Asterix é uma ficção saudosista que se baseia na hipótese de Vercingetorix ter vencido.

Francos são descendentes dos Batavos, no norte da Holanda, cristianizados no séc. VI

O rei franco Clóvis, o grande, unifica as tribos francesas e institui o cristianismo, assim como Constantino fez com o império romano.

Os francos foram a maior cristianização bárbara (dos bárbaros).

732 na cidade Poitiers (mais de 100 anos depois do surgimento do islamismo, quando este estava em sua expansão máxima): importante batalha. Se não fosse a vitória nesta batalha, seríamos todos islâmicos, não haveria cristianismo.

Os mouros de Córdoba invadem os Pirineus. Os sultãos poderosos perdem para o império franco, já cristão.

Egito era cristão e é islamizado.

A batalha de Poitiers é vencida por Carlos Martel (de martelo mesmo, de esmagar o inimigo).

Martel tem um filho, Pepino, o breve (breve porque falava tudo na cara, sem bla bla blá).

Pepino tem um filho, Carlos, que em 768 assume como o rei dos francos. A tradição bárbara era de que os herdeiros assumiam o  governo, ao contrário dos romanos que escolhiam o sucessor no governo (não necessariamente pela genética). Este é Carlos Magno (magno = “o maior”).

Carlos Magno era um gênio militar e fez um acordo com o papa romano, formando o 1º império bárbaro-cristão. O papa Leão III, em 800, na noite de Natal em Roma, coroa Carlos Magno.

renovatio imperii Romanorum – o sonho de renascer o grande império romano

império Carolíngio: Magno inspira-se no poder Greco-romano e institui o poder espiritual como memória de seu povo. Centraliza seu governo em Aix-La-Chapelle (hoje é Aachen, na Alemanha), onde está enterrado. Morre em 814.

Magno, como todo líder bárbaro, deveria dividir o império entre os filhos. Ah, depois daquele trabalho todo de unificação… Um filho mata os irmãos e sucede o pai. É Luís, o piedoso (Luís I).

Iluminura: coroação de Luís entre os papas S. Gelásio I (nome bárbaro) e S. Gregório I. Mão celeste o coroa.

Azul de lápis-lazuli (valia mais que o ouro); dourado é ouro mesmo. Iluminura circa 832; coleção Morgan de NY.

A cor irradia luz, quase uma antecipação dos vitrais.

Luís I morre e seus 3 filhos herdam e dividem o império:

Carlos, o calvo (França)

Lotário (Suíca e Itália)

Luís, o germânico (Alemanha)

Nasce assim a Europa moderna, graças a um tratado que impede uma guerra generalizada entre os irmãos, o tratado de Verdun.

Atual França, império de Carlos, o calvo.

Lírio Amarelo

Hoje qualquer coisa que se mexa representa o coração desta maneira, vem daí.

Luís VIII, séc. XI, manda cunhar um signo que seja ao mesmo tempo cristão e francês. A Flor de Luís (Flor de Lys) se baseia no lírio amarelo.

Jean, Le Bon – um dos primeiros retratos pintados de que se tem registro.

Cabeleira dourada = juba de leão; ícone de poder. Rompe com o ícone bizantino. 1350 (baixa Idade Média).

A idade Média é dividida em alta (VII – X, XI) e baixa (XII – XIV).

Catedrais francesas

Encerra a Idade Média

Catedral gótica

Gótico = aquilo que não é nobre, que não é clássico, que não é Greco-romano. Gótico é o nome usado pelos italianos, que não seguem a moda.

Gótico é uma metáfora da alma atingindo o céu (quanto mais alto, menos matéria).

Rosácea na fachada. Rosa = coroa de espinhos de Cristo.

Surgem os vitrais. Vidro era caríssimo.

Chartres começa a ser construída em 1145. Em 1194 pega fogo e só é terminada em 1248.

Não conhecemos quase nada dos arquitetos góticos.

Como erguer um edifício de mais de 30 metros de altura sem concreto armado? Arcobotante!

Os prédios eram de calcário, pedra encaixada com argamassa.

A catedral gótica é um livro aberto de imagens, inclusive no exterior.

Rendilhamento da pedra: esculpidos no local, com cinzel.

Sem cor do lado externo.

Esculturas alongadas, do bizantino.

Paris – Île de la Cité

Sena.

Castelo do rei Clóvis. Paris nasce aqui.

Nas bases do antigo castelo, constroem Notre Dame.

Cada catedral gótica é singular porque não há um projeto, vão construindo organicamente.

As torres de Notre Dame não são pontiagudas porque não foram terminadas.

Catedral gótica não tem cúpula.

Arcobotante (como em San Vitale): estruturas de sustentação, um “exoesqueleto” do edifício.

Arcobotante é praticamente sinônimo de contraforte. O contraforte é um pouco mais robusto e o arcobotante um pouco mais rendado, mas são essencialmente a mesma coisa.

Gárgulas

2 funções:

- estrutural – lacrimais: a água da chuva sai de suas bocas; é uma grande calha de chuva.

- simbólico – criaturas do demônio ficam encrustadas por fora, não podem entrar na igreja.

Rei Luís IX 1226-1270 – rei das Cruzadas, conquista Jerusalém.

São Luís (é canonizado) traz para Paris a relíquia das relíquias na época, os restos secos da coroa de espinhos de Cristo. Várias cidades diziam ter a sua mas a igreja determinou que aquela era a verdadeira. Manda, então, construir uma capela privativa para os reis, que abriga a coroa, a Sainte-Chapelle, terminada em tempo recorde: 4 anos.

próxima aula: Giotto!

Uma febre chamada Twitter

publicado no jornal O Liberal, de Belém, em 4 de maio de 2009

FERNANDA CHOCRON
Da Redação

Para você, qual o perfil de uma pessoa curiosa? O de um cientista, que passa anos em um laboratório estudando possíveis curas para uma doença? Ou o de um detetive, que analisa minuciosamente cada detalhe de um crime, para desvendar a verdade? Ou ainda o de uma pessoa que fica ‘bisbilhotando’ a vida da vizinha, do ex-namorado, ou de quem quer que seja em sites de relacionamento? Independentemente do perfil, a verdade é que a curiosidade está em evidência. A prova disso é a mais recente mania na internet: o Twitter. A novidade é um programa no qual as pessoas revelam, em tempo real o que estão fazendo. O que pode parecer banal para você, reúne, hoje, mais de seis milhões de pessoas. Interessadas em quê? Em apenas saber o que os outros estão fazendo? Ou saber o que personalidades como Madonna, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ou o apresentador de TV Marcelo Tas, andam fazendo por aí? Isso e bem mais que isso. No Brasil, o programa já virou febre. O país está em quarto lugar no ranking dos pontos que mais acessam ao microblog, perdendo apenas para os Estados Unidos e centros da Europa. Como não podia deixar de ser, o programa também tem dado o que falar entre os artistas paraenses, que não só contam trechos de suas vidas, mas divulgam produções e mantêm contato com seus ‘seguidores’ – termo utilizado para denominar os usuários que têm curiosidade de ler o que outro usuário publica.

A jovem atriz paraense Delianne Lima encontrou no Twitter uma forma de divulgar seus projetos. ‘Tem dado muito certo. A resposta é imediata’, afirma. Apesar de utilizar o microblog há apenas quatro meses, a atriz já deixou de lado outros meios de relacionamento na internet, como o Orkut. ‘O Twitter é como se fosse um desabafo virtual’, classifica.

Ao ser questionada sobre a aproximação entre artista-público que ocorre através do programa, Delianne respondeu como profissional da área e como espectadora do trabalho de outros artistas. Na posição de profissional do teatro, Delianne considera positiva a aproximação, por achar que, dessa forma, é possível conhecer a pessoa fora do palco. Falando como parte do público de artistas consagrados, a jovem atriz afirma que através do site conseguiu acompanhar mais de perto quem ela admira e ainda manter contato e trocar experiências.

ATÉ O ROCK

Para os integrantes da banda paraense Madame Saatan, qualquer artista, independente ou não, precisa estar conectado às novas mídias. ‘É imprescindível que fiquemos por dentro das tendências no mundo virtual. Apareceu o Twitter? Então, lá vamos nós, já que é mais uma forma de interagir com o público e fazer com que mais pessoas fiquem conhecendo seu trabalho’, afirma a vocalista Sammliz Lages, que encontrou no microblog uma nova forma de continuar antenada ao ‘mundão virtual’, após precisar deletar perfis no Orkut.

Segundo a cantora, a vantagem do Twitter está no dinamismo com que ocorre a troca de mensagens. ‘Você pode ‘tuitar’ até pelo celular, informando, para quem está te seguindo, sobre agenda de shows ou qualquer coisa que achar relevante. Eu tenho o meu pessoal e temos o da banda que é utilizado para informações sobre novidades, shows e matérias que saem sobre a gente. A internet é parte do nosso trabalho’, explica. Apesar do potencial de divulgação encontrado no Twitter por diversos grupos musicais, segundo Sammliz, entre as bandas paraenses, a ferramenta ainda é pouco utilizada. ‘Até o momento, não há nenhuma adicionada no meu e nem no da banda’, comenta a cantora, que tem mais de 100 seguidores.

PODER

‘Acredito que o Twitter seja importante para que pessoas estabeleçam diversos tipos de relações, sejam elas profissionais ou pessoais’, afirma Fernando Hage, design paraense e mestrando em Moda, Cultura e Arte, que conhece a ferramenta há mais de um ano, mas a utiliza há apenas um mês. Atualmente morando em São Paulo, o profissional considera o Twitter um meio de estar conectado a formadores de opinião e uma ‘poderosa rede de discussão’. ‘Sou usuário há pouco tempo do Twitter, mas percebo que aqui em São Paulo é dada uma importância maior por parte de empresas e formadores de opinião em utilizar a ferramenta. Por isso é interessante já estar de certa forma próximo desses contatos’, comenta.

jornal O Liberal, de Belém, em 4 de maio de 2009

Carolina Vigna-Marú, designer e ilustradora, que desenvolve trabalhos voltados para a web, também considera o Twitter um espaço de discussão. ‘A ferramenta possibilita uma troca muito grande e rápida de informações. Às vezes vemos até mesmo extensos debates sobre uma determinada técnica ou sobre um determinado artista’, diz. Por isso, para ela, o aspecto mais importante da mais recente mania na internet é o relacionamento. ‘O Twitter humaniza o relacionamento e aproxima quem quer que seja de seu público. Já faz tempo, porém, que ele não é um relato curto do que estamos fazendo. Há muito conteúdo, muita informação prática, real e útil’, destaca. No caso da fotógrafa paraense Lyna Oikawa o microblog atua como veículo de divulgação do trabalho e, sobretudo, de obtenção de referências de outros fotógrafos e profissionais da área. ‘Ao mesmo tempo em que posso receber comentários a respeito do meu trabalho e de como melhorá-lo, pode acontecer de eu criticar ou sugerir algo para o trabalho de uma pessoa que ‘sigo’. É uma forma de ficar por dentro das tendências que são geradas em torno dessa arte’, comenta. Ela também segue twitters de canais de notícias, como o G1.

Tecnologia de blogs e celulares

Criado nos Estados Unidos em 2006, o Twitter alia a tecnologia do blog a de um celular. Cada usuário pode enviar mensagens com ate 140 toques, como as que são enviadas dos celulares. Além de ser divulgada em tempo real no site oficial do programa, como ‘post’ de blog, para todos os seguidores, ela segue via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail ou programa especializado.

De acordo com Gustavo Nogueira, publicitário paraense que trabalha com produção de conteúdo para internet e que desenvolve pesquisas relacionadas à Cultura Digital, Mídias Sociais e Internet, quando começou a usar o microblog, em agosto de 2007, eram poucos os usuários do Twitter que o conheciam. ‘Com o tempo, e uma frequência média de ‘tuitadas’, as pessoas começaram a seguir o que eu escrevia, e eu mesmo passei a interagir com as pessoas que eu seguia. Nesse momento, percebi a real função do Twitter e, desde então, estou sempre conectado’, lembra Gustavo.

Para ele, o Twitter tem uma função social. ‘Ele permite que outras pessoas tenham voz e também se tornem disseminadores de informação, já que, apesar de ter como proposta responder a frase ‘o que você está fazendo?’, é o usuário que escolhe que uso fará da ferramenta. Ele tem controle sobre quem quer seguir e de como quer interagir com quem o segue’, explica. Diferentemente do Orkut, no Twitter, você é quem determina o conteúdo que terá acesso. ‘Mesmo que um monte de pessoas esteja seguindo você, você só segue quem você quiser’.

Fala Freela! #26 – advogados

Cruzando pela primeira vez a fronteira segura do mundo da web, design e marketing, o Fala Freela traz em seu 26º episódio um pouco dos desafios e conquistas dos advogados freelas. Sim, eles existem! E para nos contar essa história, chamamos nosso ouvinte Henrique Arake que lá em Brasília, além de editar o blog Direito&Mercado atende a sua clientela que segue fiel e confiante em seus préstimos jurídicos.

Junte-se a Mauro Amaral e Carolina Vigna-Maru para mais um episódio da meia hora mais valiosa do seu dia. Aliás, desta vez temos versão estendida, pois aproveitamos a presença do rapaz para sapecar algumas perguntas de interesse comum a comunidade freelancer. Aproveitem!

Links e referências

- Guia da Biblioteca Nacional sobre registro e averbação de obras

- OAB – A ordem dos Advogados do Brasil

- O episódio 11 do FalaFreela, com dicas para você montar seu home-office

Papo de artista – processo criativo

Como funciona o processo criativo?

Rod Reis, Eduardo Schaal e Carol Vigna-Marú, três ilustradores e acima de tudo criadores, discutem tópicos importantes e dão uma aula sobre criação, processo criativo, originalidade, bloqueio criativo e dão várias dicas para quem quer se tornar um profissional criativo.



Obs: Os primeiros 14 minutos são de dicas super legais mas é bom avisar que o papo comigo e com o Schaal só começa mesmo depois disso. Vc pode fazer o download também.


Cristãos e Bizantinos

Queda do império romano

III d.C. – império romano alcança sua máxima expansão, é um grande império internacional, uma grande amálgama.

1ª crise: corrupção – a ordem administrativa, por causa da extensão do império, fica comprometida.

2ª crise: econômica – a economia de Roma era territorial, não há mais para onde expadir. Crise econômica = revoltas populares.

3ª crise: espiritual – mais de 120 cultos diferentes apenas na cidade de Roma no final de séc. III.

Os 3 primeiros séculos (até III d.C.) são considerados de cristianismo primitivo, paleo-cristianismo. Os papas eram clandestinos e viviam escondidos. Os ritos eram secretos e ilegais.

I d.C. – Palestina: Paulo (ou Saulo) de Tarso.

Saulo era fariseu (precursores do judaísmo rabínico) e soldado romano de alta patente. Saulo era elite, falava, lia e escrevia grego e latim. Chegou a perseguir cristãos quando ainda soldado. Uma luz poderosa o cega e Saulo cai do cavalo; fica dias em transe; se cura; se converte (foi a luz de Cristo); muda seu nome para Paulo e retorna como São Paulo.

Paulo se comunica através de cartas, as epístolas. Ele faz uma leitura grega do cristianismo. Paulo (Saulo) foi educado nas duas culturas e, muito erudito, conseguiu fazer a ponte entre o platonismo e o hebraísmo. Mistura água e óleo (Platão e hebraísmo), este é o seu milagre.

Escreveu várias dessas epístolas, com destinatários variados. As mais conhecidas: Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses e aos Coríntios.

As cidades gregas eram a pulsação intelectual no mundo romano.

Paulo primeiro conquista os intelectuais e depois o povo. Ele pratica o evangelho à população. Evangelho significa “boas notícias”. Todo cristianismo é evangélico (esparrama as boas notícias de Cristo). As religiões novas são pentecostais, mas às vezes recebem erroneamente o nome de “evangélicas” (todas são evangélicas, não apenas as novas).

Quando São Paulo escreve sua epístola aos Romanos é preso (duas vezes) e decapitado na prisão. É o primeiro “soldado de cristo”.

Sob a ótica da arte e da literatura, o cristianismo deveria chamar-se paulinismo.

Em 311 Constantino vence Maxêncio e reunifica o império. É o ano da legalização do cristianismo.

“Se Roma tiver que morrer para viver para sempre na mente dos povos, que morra.”

Por quê cristianismo? É a religião do deus único, dava a unidade de que Roma precisava e era mais popular que o judaísmo, conquistando assim a classe revoltosa com a crise econômica (os também monoteístas islâmicos ainda não existiam nessa época, só lembrando).

Cristianismo passa, então, a ser a religião oficial do Estado.

O imperador Constantino é o líder supremo da igreja cristã. O papa é o líder supremo da teologia cristã e permanece submisso ao imperador.

É preciso que exista uma única linguagem, uma única estória do cristianismo.

Cada uma das centenas de tradições cristãs contava uma estória diferente.

Padronização do discurso = concílios patrocinados pelo imperador.

Os concílios tinham a missão de instituir o livro canônico do cristianismo (final do séc. III escreveu-se a bíblia). Até então haviam mais de 25 evangelhos diferentes. Ficaram apenas 4. Os outros foram considerados falsos (apócrifos), inclusive o de São Tiago, e são considerados heresias. São Cipriano, por exemplo, era um grande erudito.

Os 4 evangelhos que ficaram foram os de Mateus, Marcos, Lucas e João Evangelista.

Lucas era médico (18 de outubro é dia do médico e de S. Lucas), além de pintor, músico e historiador. Estudou medicina em Etiópia, centro importante na época e é considerado o mais culto dos 4 evangelistas.

Concílio de Nicéia (Capadócia) – 325 d.C.: importante concílio que estabeleceu a espinha dorsal da personalidade de Jesus Cristo. A partir deste momento qualquer coisa dissonante é considerada heresia.

As pessoas não sabiam ler, era preciso que decorassem tudo. Assim surgem as orações. A ata de Nicéia (que levou 5 anos para ser redigida) é contada no Credo Niceno-Constantinopolitano.

Os 5 livros fundamentais da Torá, livros proféticos, cartas de Pedro e as epístolas de São Paulo são a base do cristianismo.

No século V, São Gerônimo, no deserto da Síria, traduz a bíblia para o latim vulgar, a Vulgata.

Foi somente no Concílio de Trento (1545 a 1563) em que a missa foi unificada e a reencarnação desconsiderada. A palavra “reencarnação” foi então substituída por “ressurreição” na Bíblia.

As pessoas são analfabetas = evangelização através da imagem.

Nasce a iconografia cristã baseada nos textos unificados.

Roma sobrevive cristã e o cristianismo só sobrevive graças a Constantino. Logo em seguida começam a perseguir os pagãos.

Constantino é o primeiro a se batizar na alta elite romana. Foi batizado pelo papa Silvestre. A mãe de Constantino é Santa Helena.

Bizâncio é uma cidade importante do oriente, no estreito de Bósforo. É um entreposto militar e comercial extraordinário (cruzamento entre o mundo ocidental e oriental). Constantino ali cria Constantinopla (atualmente Istambul, Turquia).

395 d.C. – imperador Theodosius oficializa a separação do império em duas unidades.

- Ocidente – capital Roma

- Oriente – capital Constantinopla

O grego passa a ser a língua oficial dos intelectuais. Latim é língua de pobres. Há uma orientalização da cultura romana. Nasce então o império Bizantino (império de Bizâncio, ou seja, império de Constantinopla), que perdurou até a invasão otomana.

Gentil contribuição do amigo Luiz Felipe Vasques: “Otomanos, império que perdura até a 1a Guerra Mundial (dois blocos de alianças militares, a Tríplice Entente – Império Britânico, França, Império Russo e depois os EUA substituem estes últimos que vencem a Tríplice Aliança – Império Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano), tomam Constantinopla e mudam seu nome para Istambul. O Império Bizantino então morre, e as rotas de comércio definham. Nego no desespero começa a se jogar pelo Atlântico pra encontrar uma nova rota para as Índias. Os portugueses, dando-me a impressão que tinham cartas na manga, lançam mão de expedições para procurar o que relatos bem antigos, mil anos antes, falavam de novas terras no ultramar – e especialmente depois do sucesso de Colombo, eles ficaram todos salientes. E ai, o resto, estamos aqui.”

Existem 2 papados. A igreja romana (católico) e a igreja constantinoplana (bizantina, ortodoxa).

Católico significa universal em latim. Igreja (eclésia) significa comunidade em latim.

476 d.C. – império romano (ocidente) desaba de vez:  o último imperador de Roma é morto e tribos germânicas invadem e saqueiam Roma.

O exército romano de Constantinopla (oriente) tenta reconquistar Roma. Não consegue. Conquistam apenas Ravenna. Ravenna é importantíssima na iconografia do cristianismo porque é lá que surge a primeira imagem de Cristo.

Basílica = lugar do rei.

Basílica de Constantinopla – feita por escultores gregos, baseada na cúpula do Panteon. Os minaretes foram construídos pelos turcos, quando já era mesquita. A basílica foi chamada de Hagia Sophia (Santa Sabedoria) e concluída em 527.

1905 a 1970 – ditador turco Atatürk transforma a basílica em um museu (1935).

Queda de Constantinopla = 1453, quando não tinha mais a menor importância. No final do século VII, começo do VIII, aparece Mohammed (profeta Maomé) e dá origem à religião islâmica. A ordem cronológica dos monoteístas é: 1º judeus, 2º cristãos, 3º islâmicos.

Período Bizantino

típico: platonismo.

Mundo sensível diferente do mundo dos corpos. O corpo é a prisão da alma, logo a nudez não é tolerada. Cuidar do corpo é vaidade, tomar banho é perda de tempo. Há separação entre alma e corpo.

Haviam diversas polêmicas iconoclastas sobre o papel da arte em representar o divino.

O grande pecado é perder tempo com coisas inúteis (como a manutenção do corpo ou a aquisição de bens, por exemplo).

Plotino (séc. III/IV) diz que o único desejo da alma humana é voltar a se fundir com a luz divina. Daí vem o conceito de desapego cristão.

O corpo é demonizado, é perder tempo com coisas podres. Se é para se apaixonar, que seja com o imortal.

A imagem cristã é pedagógica, por outro lado não se pode humanizar o sagrado.

Orígenes e outros se castram para cortar o vínculo com o sensível; o desejo da carne o distrai.

A Idade Média é a idade da luz (deus é luz, há luz para todo lado), a luz representa o divino. É errado chamá-la de Trevas.

Morre a filha do imperador Theodosius, que era cristã. Apenas o imperador ou o papa poderiam autorizar a criação de imagens de Jesus Cristo. O imperador então dá autorização para si próprio e, apesar de todas as polêmicas, cria a primeira representação de Jesus Cristo no mausoléu da filha, Galla Placídia, que foi concluído em 425 d.C.

O mausoléu, assim como toda arquitetura cristã tradicional, é pobre no exterior e rica no interior (o que importa é a beleza interior, não o corpo). A arquitetura é uma metáfora de corpo e alma. Aspereza externa, sobriedade, sem corpo – a beleza está dentro.

O modelo arquitetônico do mausoléu de Galla Placídia é uma cruz (vista de cima). A cruz é um símbolo tardio do cristianismo. Foi desenhado para ser de reprodução simples.

Mosaico substitui o afresco. São pedrinhas vitrificadas, refletem luz. A luz é importantíssima, deus é luz. Muito dourado e pedras preciosas para refletir luz.

O cristianismo deve muito a Roma e mantém na arquitetura algumas citações Greco-romanas (arco, colunas, domos, etc).

A pomba branca representa o divino espírito santo.

Jesus Cristo é o bom pastor. É representado como um jovem imberbe até o séc. VIII.

Deus Apolo = sol = luz.

Jesus Cristo = luz.

O sol de Apolo é a auréola do cristianismo.

A imagem precisa funcionar, as pessoas precisam reconhecer imediatamente o símbolo/signo. Usam, portanto, iconografias milenares.

Jesus Cristo é representado branco e o demônio negro por causa de quem vê ou não a luz. A interpretação racista é bem posterior na história.

Cada pedrinha do mosaico é uma tessela. A palavra texto vem da mesma raiz (letrinha, tessela, palavra se forma com letrinhas, frase, etc).

Basílica de San Vitale, em Ravenna, 525 d.C. – imperador Justiniano de Bizâncio. Arquitetura românica.

Não usavam vidro, usavam alabastro, uma pedra quartzolítica amarelada, que além de ser muito mais barata que o vidro dava um efeito de luz dourada no interior.

Bizantino = nega a carne, nega o visível. Cai cada vez mais na abstração. Cria o ícone bizantino.

Não há divisão entre igreja e Estado. Os imperadores são santificados. No altar de San Vitale tem Jesus no centro, o imperador do lado esquerdo e a imperatriz no direito. Essa história de considerar os governantes como enviados divinos vai até o início do mercantilismo.

Assim como para os japoneses ainda hoje em dia, o branco no mundo romano representa a morte. A pomba branca surge então, alada como os daimons, e com a mesma função (ligação entre o visível e o sensível, entre o humano e o divino).

As figuras são achatadas no plano.

Os imperadores também ganham uma auréola, iluminados.

Uva = Baco = vida = sangue

Abandono do naturalismo, do corpóreo, da profundidade.

O corpo deixa de ser o suporte do divino e começa a ser a prisão da alma.


Obs: Esta “nota de estudos” foi a recordista de revisões e contribuições, numa tentativa quase inútil dos meus amigos em diminuir a minha galopante burrice. Fica aqui registrado meu agradecimento ao Alê, ao Felipe e ao Pedro.