Principal historiador do Império Augusto: Tito Lívio
Roma foi fundada em 21 de abril de 753 a.C, segundo Tito Lívio. A data é considerada oficial, apesar de todas as mudanças de calendário que aconteceram depois disso. Nasce como monarquia, fundada pelos etruscos, uma vila à margem do rio Tiberis (Flumen Tiberis).
Roma teve 7 reis, sendo 4 documentados e 3 míticos (citados por Tito Lívio mas sem comprovação histórica, documental ou arqueológica de sua existência).
Em 509 a.C os senadores romanos deram um golpe de estado e instituíram a república (constituindo o senado).
Em 27 a.C o império romano é proclamado. Império = poder militar, baseado no exército.
Em 476 d.C os bárbaros alemães invadem Roma, marcando o final do império romano.
Dea Roma = deusa Roma. Roma era mais que uma cidade, era uma deusa e seus habitantes e seu exército tinham com ela uma relação de afeto.
3 classes sociais: os patrícios (membros mais velhos de cada família se tornavam senadores, senil vem daí, senado + velho); os plebeus (os homens que não eram escravos mas também não eram livres porque precisavam trabalhar – o homem livre é o rico, que não precisa trabalhar); os escravos.
Cada senador tinha uma vara de madeira (de onde vem 1ª vara, 2ª vara, usado até hoje no direito, etc). O símbolo do senado é um feixe de varas. Uma vara se quebra facilmente, unidas não se quebram. Feixe de varas, fascio – fascismo vem daí também. O fascio é o símbolo de união dos senadores, a união das varas.
A ditadura era prevista dentro do senado. Sempre que um momento de grave crise, uma ameação externa ou algum projeto ambicioso de conquista se fizessem presentes, todo o poder dos senadores era passado a um único homem, o Dux.
O delírio de Mussolini era restituir à Itália o seu império, por isso o uso da terminologia da época, fascismo, il duce (duce, dux), etc.
Em 35 a.C um senador importante assume a posição de Dux para ultrapassar os Alpes e invadir a Gália. É Caio Julio Cesar que depois invade também a Ibéria (Espanha e Portugal) e com isso ganha prestígio de seu exército (o homem não perdia uma batalha). Ele decide não devolver o poder ao senado e se torna um ditador. Cesar não foi imperador, foi ditador.
Egito era então governado por sua última faronisa, Cleópatra 7ª, que sabia que o Egito ia cair nas mãos de Roma e decide então “colocar um ovo da serpente no ninho da águia”, ou seja, ter um filho com Cesar, para desta forma perpetuar a cultura e os interesses egípcios mesmo que territorialmente dominados. (serpente era o símbolo do Egito, o rio Nilo, serpentuoso, etc; águia era o símbolo de Roma)
Cleópatra tem com Cesar seu único filho homem, Cesáreo. Ela era muito magrinha e não conseguiu ter o filho por parto normal. Os médicos então inventaram a cesareana.
O senado então trama a morte de Cesar. Cesar é morto a facadas na entrada do senado, inclusive por Brutus, seu filho adotivo. “Até tu, Brutus?”
3 homens então se juntam para caçar os criminosos que mataram Cesar. São eles: Lépido, Marco Antonio e Caio Otávio (único descendente masculino de Cesar além de Cesáreo, era seu sobrinho).
Caio rapidamente elimina Lépido e entra em disputa com Marco Antonio pelo controle do senado. Marco Antonio se alia a Cleópatra. Caio Otávio é então nomeado Dux e derrota Marco Antonio (que se suicida, sendo seguido por Cleópatra). Caio Otávio então mata Cesáreo e conquista o Egito e a Grécia. O Egito sozinho, com seus grãos – especialmente trigo -, era capaz de alimentar 8 Romas inteiras.
Em um jogo de cena, Caio Otávio devolve o poder ao senado (enfraquecido), que então o proclama divino. Caio Otávio então agora é um deus e adota o nome Augusto (augusto = maior de todos). Caio Otávio Augusto é, então, imperador de Roma (que agora é um império).
Augusto cria a Pax Romana, apaziguamento entre os povos. E, vivendo uma época sem inimigos (todos “apaziguados” ou conquistados), reconstrói Roma com pompa e riqueza (toda em mármore, com saneamento, distribuição de água, etc).
Roma organizava o exército em grupos de 100 homens, a centúria. O centurião era o comandante de 100 homens. As centúrias podiam se organizar em conjuntos de diversos tamanhos, as legiões. A legião era comandada por um general.
Os romanos inventaram a engenharia civil. Criaram aquedutos e foram os inventores do concreto (ainda não armado) e os primeiros a misturar cal com a argamassa. Criaram bueiros, cloacas, esgoto, etc. Fizeram um mapeamento preciso da urbe (cidade), atualizado a cada década. Roma, na época, tinha uma população de 1.2 milhões de pessoas. Em seu hipódromo (circus maximus) cabiam 150 mil pessoas e no coliseu (amphiteatrum Flavium), 50 mil.
Traço mais marcante da arquitetura romana: o arco (que não era usado pelos gregos). Como ainda não tinham o concreto armado, o arco era uma solução ótima para criar grandes construções.
A guarda pretoriana tomava conta da cidade, o exército ficava do lado de fora dos muros da cidade (como toda cidade da época, Roma também era murada).
Coliseu tem esse nome porque Nero mandou construir uma estátua colossal de si próprio (em bronze, destruída, não existe mais) colada com o amphiteatrum Flavium. O povo começou a chamar a estátua de “o colosso de Nero”. Coloseum, aquele do lado do colosso. Coloseum – coliseu.
25 de março de 2009
Comentários desativados
O helenismo (de Hellas, “Grécia” em grego), tem pretensões imperiais. A escala não é mais a pólis, a cidade, é o mundo.
Laocoonte e seus filhos
3 escultores da ilha de Rodes, séc. II aC: Hagesandro, Polidoro e Atenodoro.
O papa Julio II promove a reconstrução e embelezamento de Roma. Muitas escavações acontecem nesse período e, em 1506, é (re)descoberto o grupo escultórico Laocoonte e seus filhos. Michelangelo estava em Roma a trabalho e é o primeiro a ver a estátua saindo da terra.
O grupo escultórico é intencionalmente desproporcional, há uma deliberada quebra de equilíbrio.
Hoje está no museu Pio Clementino, no Vaticano.
A história de Laocoonte e seus filhos é contada em Ilíada (Guerra de Tróia).
Arcáico: sem movimento, sem emoção
Clássico: movimento contido (equilíbrio racional), sem emoção
Helênico: movimento de explosão, emoção total, expressão incontida dos sentimentos
A partir do Helenismo há uma necessidade de causar um impacto, de comover emocionalmente o observador.
A idéia do observador fruidor nasce no período Helênico, quando o impacto sobre o observador passa a ser considerado e incluído na obra. A arte começa a dialogar com o seu fruidor.
Laocoonte e seus filhos é considerada a obra mais iconográfica deste período.
Fala Freela #22 – superexposição
A partir do e-mail enviado por nosso ouvinte e criador master de vinhetas musicais, o Maurício Domene, nos pusemos a pensar no impacto que a superexposição virtual teria na vida do freelancer. Nós, que perambulamos online 24 horas por dia em sites, fóruns, twitters e redes sociais, estamos imunes ao poder construtivo/destrutivo da exposição exagerada? Como será que ela surge? E quando ela é involuntária, conseguimos evitar seus efeitos?
Começo século V: início do período clássico, feições mais próximas da “realidade”, mais expressão.
Auriga de Delfos (auriga = prediz o futuro)
A relação de curiosidade e temor com o futuro é a base da tragédia grega.
Ainda não é retrato, é sempre uma imagem idealizada, a busca do “belo composto”.
O homem/ser humano é um simulacro de ordem, somos um rascunho dos deuses.
A arte grega representa uma idealização, uma idéia e não alguém individual, mesmo no período clássico.
A função da arte não é copiar a natureza (cópia vulgar, servil) mas superá-la.
O mito egípcio da Esfinge é reinterpretado na tradição grega.
Tirésios, o mais famoso adivinha da Grécia era cego (via o invisível mas não via o ordinário/visível). Os cegos tinham um status especial na Grécia, assim como os artistas.
O centro do enigma fundamental é o homem, o auto-conhecimento:
- esfinge: decifra-me ou te devoro (e a resposta para o enigma é o homem)
- templo de Apolo: conhece-te a ti mesmo
A maioria das estátuas gregas que conhecemos hoje é na verdade réplicas romanas dos originais gregos.
HELLAS = “Grécia” em grego. Helenismo é a internacionalização da cultura grega (após o período clássico, inicia-se quando Alexandre o Grande da Macedônica vence a Batalha da Queronéia).
O escultor mais importante do período clássico grego foi Praxíteles. Atribui-se a ele a escultura “Hermes e Baco“, de Hermes (Mercúrio) com Baco (Dionísio) no colo.
O período clássico exige uma maior virtuose (técnica, anatomia, etc).
Principal característica = equilíbrio dinâmico (as partes em movimento), mas sempre obedecendo à harmonia grega.
Perna estrutural (razão masculina) + perna decorativa (sensibilidade e graça feminina) = equilíbrio.
Hermes (Mercúrio) normalmente é representado com uma elmo com asinhas na cabeça e asinhas nos pés.
Hoje sabe-se que Dionísio (Baco) era um deus da Índia (indo-europeu).
Conjuntos lingüísticos: indo-europeu x semita (egípcios, judeus, árabes)
Baco é filho de Zeus com Semele (“Zeus namora qualquer coisa que se mexa”)
Comida predileta de Zeus = ambrosia (leite da cabra analtéia com mel de abelhas, que alimentou Zeus em sua infância).
Baco é alimentado com leite de cabra e vinho = deus do descontrole, da verdade que vem do excesso.
Bacanal = festa religiosa nas florestas que celebra o descontrole total (a verdade que nos invade através do êxtase).
Apolo do Belvedere = 2,25m de altura – 1 único bloco de mármore. O escultor é um enigma; algumas fontes citam Leocarés. Cópia romana do original grego.
Pernas = contraposto (estrutura + graça)
Quanto mais difícil, mais estimulante para o artista.
Apenas os medíocres aceitam o fácil.
O discóbolo = escultor grego Míron. O atleta olímpico era quase um deus.
O escultor oficial de Atenas, Fídias, usava ouro, materiais preciosos, marfim, etc. Todas as esculturas destruídas na guerra por colonizadores, para aproveitar a matéria-prima.
Fídias fez os relevos dos templos de Zeus, em Olímpia e do Partenon.
O Partenon era inicialmente um prédio público, e comportava o arsenal (armas) e a reserva do tesouro (ouro, etc). O que conhecemos é a ruína da reconstrução.
O original foi explodido quando os turcos invadiram e armazenaram pólvora no Partenon (que foi pelos ares em pedacinhos). Gregos e turcos brigam até hoje.
Dirigente grego Péricles = democracia grega. A democracia era apenas para os homens livres. E por homem livre entendia-se o rico da cidade (polis), que tinha escravos e não precisava trabalhar.
Com saldo de guerra, Péricles reconstruiu Atenas. O chefe da equipe de arquitetos chamava-se Ictinos.
Depois da reconstrução, o Partenon passou a homenagear a padroeira da cidade, Pallas Athena (Minerva).
Athena = deusa da inteligência prática, do bom senso, da astúcia, deusa guerreira.
Rompem com o 3: 8 colunas na frente.
O arquiteto Vitrúvio escreve a bíblia da arquitetura, usada até hoje.
Ordens: dórico, jônico, coríntio
Coríntio = folhas de acanto, planta comum na Grécia.
Roma cria uma 4ª ordem, Compósito, que não faz parte da tradição grega de arquitetura.
digiKam – Photo Management Program
Manage your photographs as a professional with the power of Open Source
Apenas para Linux.
16 de março de 2009
Comentários desativados
Fala Freela #21, com as merdas que acontecem no nosso dia a dia.
Olímpia = templo de Zeus (destruído pelos persas e reconstruído pelos gregos no séc. IV aC)
2530 aC = Miquerinos e Khamernety (granito, estátua gigantesca) – o Egito foi unificado em 3000 aC, dois mil anos depois ainda influenciam os gregos
É preciso estar de corpo lavado (termas) para entrar no templo, mas é também estar de “alma lavada” (teatro).
Os templos eram também um centro comercial, que vendia comida e lembrancinhas e imagens dos deuses (“estive em Aparecida e lembrei de você”)
O complexo tinha também os adivinhos, predição do futuro. A técnica mais importante era a leitura das vísceras ou fígado dos animais que iam ser sacrificados.
Não tinha concreto, ligamentos. É tudo no encaixe de pedras com estruturas de bronze (pequenos pinos). A argamassa era usada para esconder fissuras (acabamento).
Quem inventa o concreto armado é Roma, depois
Arquitetura grega = equilíbrio das partes – ortogonal (não tem arco)
arco = Egito, Babilônia e depois Roma. Gregos não usam o arco.
Concreto armado = invenção francesa do séc. XIX (antes existia uma limitação de altura)
colunas múltiplas de 3
ordem arquitetônica grega deriva da divinização da matemática
triângulo no teto
ranhura das colunas = canelura (podiam ser lisas também)
Arquitetura policrômica (o templo de Zeus era pintado de vermelho) – todos os templos e estátuas eram pintados
fachada = 3 degraus (estilóbato) + colunas + entablamento + frontão
nos templos mais importantes: criatura alada
Daimon – atua no mundo divino e humano – representados com asas – relação com o afeto, com sentimentos.
Raiva é um daimon negativo, por ex.
Cupido/Eros é um daimon positivo
humores: bom = equilíbrio / mau = desequilíbrio
Eros é filho de Venus/Afrodite (beleza e sedução) com Ares/Marte (guerra)
Eros é representado sem juízo, portanto uma criança. Era uma criança muito indisciplinado e tinha uma brincadeira: botava uma venda nos olhos (o amor é cego) e atirava a flecha. No mundo grego paixão é doença, não é amor.
Eros (cupido) é o único daimon tolerado pela cultura judáico-cristã.
O invejoso atrai o daimon da inveja. Ele coloca a mão no ombro do invejoso, que começa a transmitir a inveja pelo olhar (mau olhado).
Daimon da vitória = NIKE (pronuncia-se níque)
templo de Apolo em Delfos, na base do Parnaso (parnasianos = poetas, artistas)
Dalfos era o umbigo do mundo = Omphalos
Umbigo = diafragma
alma = Psiquê = sopro
Na entrada de Delfos tinha uma escultura em forma de ovo.
Apolo era semideus promovido a deus (filho bastardo de Zeus)
irmã gêmea de Apolo = Diana
Apolo = sol, razão, iluminado, clareza, vidência, padroeiro da ciência e dos artistas, patrono do mundo
Diana = lua, caça = sempre representada com uma lua na testa
A Grécia é uma civilização da imagem, imagética. A visão é o mais nobre dos sentidos.
Olhos bem fazejos (atrai bons olhares, afasta o mau olhado)
No alto do templo de Apolo: “Conhece-te a ti mesmo“
idiota = idiotia (doença da visão). Idios acredita na ilusão, o idiota está nas trevas.
Apolo é luz, é o sol = sempre representado com um sol em volta da cabeça
Pessoa ignorante não se conhece, não pode conhecer nada, alma nas trevas.
Asclépius / Esculápio
em Epidauro (deus da medicina)
Médicos eram sacerdotes de Asclépius
Não há separação entre ciência e fé
Epidauro = cidade termal, águas sulfurosas, centro de cura
havia um grande teatro (anfiteatro ao ar livre)
Poética de Aristóteles (texto canônico sobre teatro)
A tragédia grega é purificadora. A tragédia é o embate entre o homem e a sua finitude. A tragédia causa um efeito emocional no público, a catarse (precisa chorar) – sair com a “alma lavada” = purgação das emoções
O teatro é a saúde da alma = medicina holística
Alma e corpo são interdependentes e estão no mesmo nível
Anfiteatro ao ar livre no templo de Asclépius em Epidauro = acústica perfeita
Mulheres = enfermeiras = sacerdotisas de Higéia (higiene)
O veneno da cobra era usado como anestesia, o emblema de Asclépius era uma cobra, símbolo da medicina.
Fármaco significava veneno de cobra
A única cultura que demoniza a cobra é a judáica-cristã
Tratado de Hipócrates = médico que desonra o juramento era chamado de hipócrita.
update: se você tiver curiosidade sobre como são as minhas notas antes de colocar no blog, subi um scan de uma parte delas, mas aviso que ficou uma porcaria.
Plástico = moldado com a mão, moldar a matéria a partir de um pensamento, com uma função educativa, que transmite pensamento. Enfrenta e informa a matéria de acordo com uma intenção.
O invisível (intenção, pensamento) tornando-se visível (objeto de arte)
Clássico = aquilo que é digno de ser copiado. “É tão bem composto que supera a natureza, em beleza, ordem e nobreza.”
Os romanos conquistam a Grécia mas são conquistados culturalmente pelos gregos.
Guerra contra os Persas -> período dórico -> Guerra Alexandre, o Grande, invade a Grécia na Batalha de Queronéia -> Grécia passa a ser uma província da Macedônia.
Alexandre da Macedônia conquista até a Índia e internacionaliza a cultura helênica.
Na antiguidade não existe o território do Estado-Nação. A cidadania é dita pela visão de mundo (3 banhos ao dia, comida, deuses e falar grego = ser grego). A nacionalidade é de espírito e de cultura, não de território. A nacionalidade é uma essência, um pertencimento espiritual e cultural.
Grego = humano
Outros = bárbaros
o não-eu é bárbaro.
Sarte: “o inferno é o outro”
Não existe o conceito de humanidade – todos da mesma espécie – antes de Cristo.
A expectativa de vida na Grécia Arcáica era de 35 anos -> intensidade do viver. Percepção muito crua da finitude da condição humana.
Base do mundo grego é a pólis, não existia uma capital.
Tebas ficava em uma região chamada Beócia. Atenas se achava mais inteligente (e era mesmo).
As pólis brigavam, entretanto, diante de um um inimigo comum não-grego, as pólis se uniam em uma federação na guerra.
Cíclades = ilhas do mar Egeu (mais de 4 mil ilhas) -> civilização cicládica
Minóica = ilha de Creta (mito grego do Rei Minus -> filho: Minotauro)
Minotauro -> umbigo separa homem e touro.
Mito na Grécia antiga não tinha o conceito de falsidade, significa estória, narrativa. A adoção da escrita na Grécia é tardia (Hesíodo e Homero). A narrativa não faz discernimento entre história e estória.
Primeira escrita = Mesopotânia 4 mil aC
Ilíada narra a Guerra de Tróia e a Odisséia a volta de Ulisses. A tradição era oral, transmitidas de geração em geração pelos poetas, que eram os guardiões da memória coletiva.
A tradição oral necessariamente é plástica, fluida, moldada.
AEDO = poeta
A tradição oral é precária, não tem registro material da cultura.
Vida = memória
morte = ausência de memória
Rio mítico Lethe, que separa o mundo sangüíneo da vida e o gélido dos mortos, para o mundo de Ades.
Medo supremo grego = não deixar memória.
É fundamental que você comente sobre mim após a vida -> ser ousado a cada momento, para as pessoas lembrarem. Se perpetua na lembrança do outro, através de suas obras, de seus feitos.
Poesia = verbo POIEN (fazer, atuar, fazer com a mão). Poesia é toda obra feita por alguém de forma a nos conduzir a um objeto diferenciado. O poeta faz objetos que não servem para ser consumidos, são objetos excepcionais.
Tecné = arte
Um objeto singular feito por pessoas especiais (artistas).
Há todo um aprendizado para dominar as regras fundamentais para compor o objeto (técnica, tecné).
Deve imputir alma (memória) nos objetos, inspirado pelos deuses, mas se não se dedicar, o artista é abandonado pelos deuses.
Quem inspira os poetas? As musas! 9 irmãs
técnica superior = matemática (forma superior de harmonia)
A matemática é a linguagem dos deuses, do invisível = MATEMA = tradução, transcrição do invisível na esfera do visível.
Pitágoras era também um místico, pitagorismo. Não existia diferença entre ciência e fé.
A separação entre ciência e fé só acontece com Copérnico, no século XVI.
Número sagrado = 3
Todo número ímpar é sagrado, especialmente o 3.
tudo era feito em múltiplos de 3.
Número áureo, etc, toda arquitetura grega é baseada no 3.
As Musas (3×3=9) cada uma preside uma forma de arte -> filhas de Zeus e Mnemosine (a memória).
Cada deus tinha um animal que o representava.
Zeus = águia
Juno (Hera) = pavão (com olhos vivos para vigiar o marido)
Os mitos gregos não tem a seriedade da tradição judáico-cristã.
Musas são palavras cantadas -> a obra de arte contém a memória da cultura.
Zeus vence os titãs. Zeus vence Cronos, seu pai, o mais poderoso dos titãs. Vence o tempo, portanto não envelhece, não morre.
Nós nos corrompemos pelo tempo.
Existe uma promiscuidade entre os humanos e os deuses, inclusive sexo.
Ocidente = grego = arrogante
Oriente = persa = bárbaros
Não há absoluto para os gregos.
Touro era cultuado em Creta.
Ânfora (maioria em terracota) -> amphiphorus -> amphi = de ambos os lados / phorus = carrega
Odisséia = um churrasco atrás do outro.
3 mil aC = Egito 25-30a dinastia
O Egito influencia os gregos
Arcáico -> os artistas não assinam as obras, ele é inserido em uma tradição, o que o eterniza é a criação da tradição.
Historiador Plínio descobre que Cléobis e Bíton foi feito pelo artista grego Polímedes de Argos
2 irmãos gêmeos
Até o final do período clássico grego é imoral representar a nudez feminina em público
o mundo público é masculino, política, guerra, etc
o mundo privado é feminino -> os gregos não eram machistas, eram nobrezas diferentes mas de igual valor. Só deve ser exposto em público aquilo que é público. As mulheres eram preciosas demais.
Homens = solares
Mulheres = noturnas, fascinantes, incompreensíveis
homem público = político
mulher pública = prostituta
O mundo público é da agressividade, da guerra.
O prazer é uma condição vital da existência.
O belo para o grego é algo que tem ordem.
Horror ao fragmento, à perda de unidade, de sentido.
Tudo o que não pode ser encaixado no todo é catástrofe.
Ordem = unidade, que possui equilíbrio entre suas partes (simetria + harmonia).
Desordem = injustiça = feia
Ordem = justiça = beleza
Pior desgraça do mundo é viver na feiúra.
Cosmos = ordem, em grego.
Cléobis e Bíton – 650 aC
Não existe a idéia de retrato / individualização
Rostos genéricos, negam fisionomia
Há uma recusa do artista em representar artisticamente os rostos.
Os gregos não dissecavam cadáveres mas estudavam anatomia de forma criteriosa.
Belo = ordem = cosmos -> harmonia e regularidade do corpo (1+7 cabeças, simetria, proporção), o corpo encarna proporção matemática, portanto é belo.
Platão – diálogo: “um belo discurso tem que seguir a técnica do bom açougueiro” -> belo = ordenado, cortar na junta, respeitando a ordem dos elementos.
O corpo humano é belo -> higiene constante para preservação (pelo menos 2 banhos ao dia, óleos aromáticos, etc)
estátuas gregas: adolescência, juventude, apologia ao corpo.
Cristão separa (corpo é prisão da alma, decadência, etc)
Para o grego a vida com prazer é fundamental. Primeiro o prazer, depois procriação. Sexo = harmonia.
“o belo composto” = corpo harmônico
A representação não é posada, é idealizada, para se aproximar da ordem (belo).
Negação de movimento da forma -> inalterável, fixo.
Perfeição = imutabilidade do tempo (deuses venceram o tempo).
Cabelos trançados -> 3 tranças para cada lado
invenção da arte figurativa -> representar a memória histórica, cultura, etc, através do corpo humano.
Este tipo de estátua do período arcáico = KOUROS (plural = Kourói)
Fala Freela #20 – Atendimento
GOMBRICH, Ernst Hans – A História da Arte, trad. Álvaro Cabral, Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1999.
GRIMAL, Pierre – Dicionário de Mitologia Grega e Romana, São Paulo, Bertrand Brasil, 1998.
BÍBLIA DE JERUSALÉM, tradução dos textos em língua portuguesa diretamente a partir dos originais, cotejada com a edição de La Sainte Bible (Paris, Les Éditions du Cerf, 1973), São Paulo, Edições Paulinas, 1989.
VERNANT, Jean-Pierre – Mito e Pensamento entre os Gregos, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990.
ALBERTI, Leon-Battista – Da Pintura, trad. Antonio da Silveira Mendonça, Campinas, Editora da Unicamp, 1989.
CASTIGLIONE, Baldassare – O Cortesão, trad. Carlos Nilson Moulin Louzada, São Paulo, Martins Fontes, 1997.
BURCHHARDT, Jacob – A Cultura do Renascimento na Itália: um ensaio, trad. Sérgio Tellaroli, São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
GARIN, Eugenio – Ciência e Vida Civil no Renascimento Italiano, trad. Cecília Prada, São Paulo, Editora da UNESP, 1996.
ARGAN, Giulio Carlo – História da Arte Italiana, 3 volumes, São Paulo, Cosac & Naify, 2004.
ARGAN, Giulio Carlo – Clássico Anticlássico: o Renascimento de Brunelleschi a Bruegel, São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
PANOFSKY, Erwin – Estudos de Iconologia. Temas Humanísticos na Arte do Renascimento, Lisboa, Editorial Estampa, 1995.
BAXANDALL, Michael – O Olhar Renascente: pintura e experiência social na Itália da Renascença, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1991.
site: Artcyclopedia
prof. Renato Brolezzi