Luiz Felipe Vasques @ Aguarrás

28 de Dezembro de 2009

Este episódio do podcast Aguarrás, último do ano de 2009, tem como convidado o Luiz Felipe Vasques, animador mais do que conhecido no mercado.

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Felipe é também designer e ilustrador e trabalhou comigo no Laboratorium de Multimídia da PUC/RJ uns 19 anos atrás (acho, não sou boa com datas).

Espero que vocês gostem. E, claro, feliz 2010!

Prêmio podcast

20 de Dezembro de 2009

O FalaFreela recebeu o Troféu Podcast Revelação (juri) e o 2º lugar na categoria Empreendedorismo – Economia – Política (voto popular), no Prêmio Podcast de 2009.

Obrigada a todos que votaram, ao juri do prêmio e aos meus colegas de cast, Mauro Amaral e Humberto Oliveira!

Marcelo de Alvarenga @ Aguarrás

14 de Dezembro de 2009

Este episódio do podcast do Aguarrás é com o Marcelo de Alvarenga.

Marcelo é meu amigo desde sempre. É músico dos mais experientes e nos conta um pouco da sua vida no teatro.

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Lançamento do Godô

12 de Dezembro de 2009

Lançamento do Godô - 12/12/2009 Lançamento do Godô - 12/12/2009 Lançamento do Godô - 12/12/2009

Obrigada!

raiva nos raios de sol

10 de Dezembro de 2009

publicado no Aguarrás, ano 4, edição 22, em 10/12/09

O grotesco sempre esteve presente na nossa história. Não faltam exemplos no teatro grego, por exemplo, mas o termo só surgiu no século XVI, quando as escavações na Itália descobriram pinturas ornamentais, esculturas e mais um monte de coisas interessantes. Grotesco vem do italiano grottesco, de grotta (gruta). Ainda demorou um tempo para que o grotesco se tornasse um “gênero”. Foi no Romantismo, com Victor Hugo.

“No pensamento dos Modernos, o grotesco tem um papel imenso. Aí está por toda a parte; de um lado cria o disforme e o horrível; do outro, o cômico e o bufo. Põe em redor da religião mil superstições originais, ao redor da poesia, mil imaginações pitorescas.”1

Daí para Baudelaire e Augusto dos Anjos é um pulo.

O grotesco tem como objetivo a crítica social através do riso. Existe humor na monstruosidade.

Os monstros de antigamente eram travestidos em abominações circenses e seres imaginários. Esta máscara caiu faz tempo e os monstros de hoje somos nós.

Fernando Mantelli, em raiva nos raios de sol, da Não Editora, traduz esta noção do eu-monstro, do eu-grotesco contemporâneo e atualíssimo como ninguém. Mantelli aponta, através de seus personagens, o mal-estar que sentimos de nós mesmos e, de uma maneira caricata e com humor, coloca o leitor como aquilo que nossa geração de fato se tornou: testemunhas silenciosas e portanto omissas.

No que eu acredito ser a sua leitura de Erlkönig, Filme de amor, Mantelli usa e abusa das frases curtas e da pontuação como reflexo de uma linguagem oral. A contemporaneidade e o ritmo ágil são os principais traços do autor. É um contador de estórias antes de ser escritor ou qualquer outra coisa.

Não consigo me relacionar com este livro com nojo ou repulsa. Nós somos assim. Nós somos estes monstros, a humanidade é grotesca. O livro, para mim, é caricato e otimista. É quase que uma busca do autor – e, se tudo correr bem, do leitor – em compreender como somos capazes de trair, matar, mentir.

O último conto, O pino do verão, por exemplo, fecha o livro de uma maneira quase poética e nos faz acreditar que, apesar de tudo, somos capazes de afeto e que talvez, só talvez, seja esse afeto e essa capacidade de nos reconhecer no espelho – e não um polegar opositor – que separe o joio do trigo.


Raiva nos raios de sol
Fernando Mantelli
Páginas: 96
ISBN: 9788561249076



1. HUGO, Victor. Do grotesco e do sublime. 2ª. ed. São Paulo: Perspectiva, 2002.

Almoço na relva

7 de Dezembro de 2009

publicado no Aguarrás, ano 4, edição 22, em 7/12/09

A humanidade sempre tentou, através da arte, derrotar a temporalidade, vencer a natureza transitória da vida. Sem a consciência de nossa própria mortalidade, não haveria esta incessante tentativa de registro. Neste sentido, a fotografia teve um impacto avassalador sobre as artes, os artistas e nossa compreensão de mundo. A linguagem do instantâneo, do fragmento do tempo e da realidade que a fotografia trouxe, mostrou também a possibilidade de um registro sem a necessidade do álibi literário e/ou religioso. A fotografia abala não apenas o papel do artista na sociedade mas coloca também em cheque a função e conseqüentemente a nobreza da obra de arte enquanto registro do real.

Naturalmente, repousar sobre a fotografia a responsabilidade exclusiva desta transformação seria simplista e leviano. A sociedade européia não apenas não era mais o centro do mundo, o nosso mundo não era mais o centro do universo e, como se isso não fosse suficiente, as gravuras japonesas Ukiyo-e invadiam o Ocidente sob a forma de papéis de embrulho, mostrando toda uma outra possibilidade estética. A imprensa ocupava o lugar dos grandes cânones da literatura e a leitura dominical passava de Homero ao jornal, diário e efêmero.

Existe um esgotamento de se relacionar com a cultura ocidental. O olhar moderno reflete o tempo em que surge, quando o imediatismo do capitalismo torna-se mais importante do que a tradição dos clássicos. É natural, portanto, compreender que a leitura da pintura também se altere, abrindo mão da necessidade do conhecimento prévio de uma iconografia literária, mitológica e/ou religiosa. A pintura recusa-se a dialogar com um texto literário subjacente a ela. Esta é a grande ruptura que acompanha a fotografia: a independência da imagem na escolha de sua estória.

A busca pelo verdadeiro é tão antiga quanto nossa própria história mas a legitimidade do prosaico tem nome conhecido: Manet.

Antes da revolução técnica, há a revolução do pensamento, do olhar e do entendimento da imagem.

“A linguagem evolui pela incorporação de vocábulos novos, mas uma linguagem que consistisse apenas em palavras novas e em uma nova sintaxe não poderia ser distinguida de qualquer palavreado inarticulado ou incoerente.

Essas considerações devem seguramente aprofundar nosso respeito pela conquista do inovador bem-sucedido. É preciso mais do que a simples rejeição do tradicional, mais também do que um ‘olho inocente’. A arte se torna, ela mesma, o instrumento do inovador para sondar a realidade. Ele não pode simplesmente sufocar aqueles contextos mentais que fazer com que veja o motivo em termos de quadros conhecidos. Deve experimentar ativamente essas interpretações, mas experimentá-las de maneira crítica, variando aqui e ali, a fim de ver se não poderia realizar uma cópia melhor. Deve recuar de um passo e ser diante da tela seu crítico mais impiedoso, não tolerando efeitos fáceis e métodos que abreviam o trabalho. Pode muito bem ter como recompensa a rejeição do público: o observador acha seu equivalente difícil de decifrar, e mais difícil ainda de aceitar, e isso por não ter aprendido a interpretar as novas cópias em termos do mundo visível.”1

A técnica de Manet é também responsável por essa ruptura e pela estranheza com que suas obras eram recebidas. As críticas recebidas na época corroboram esta análise, mas muitos outros artistas e outros períodos históricos trouxeram mudanças igualmente ou ainda mais significativas em técnica do que Manet, o que nos leva de volta à questão da linguagem poética e, simultaneamente, demonstra a mudança de técnica como reflexo da mudança de discurso e não como sua força motriz.

“Vimos ao longo desta história da arte como todos somos propensos a julgar pinturas mais pelo que sabemos do que pelo que vemos. (…) Lembremos ainda como a importância do conhecimento subiu novamente ao primeiro plano nos primórdios da arte cristã e medieval e assim permaneceu até a Renascença. Mesmo então a importância do saber teórico sobre que aspecto o mundo devia ter foi aumentada e não diminuída através das descobertas da perspectiva científica e da ênfase sobre a anatomia. Os grandes artistas de períodos subseqüentes realizaram descobertas atrás de descobertas, o que lhes permitiu criar um quadro convincente do mundo visível, mas nenhum deles desafiara seriamente a convicção de que cada objeto na natureza tem sua forma e cor fixadas definitivamente que devem ser reconhecíveis com facilidade numa pintura. Pode-se dizer, portanto, que Manet e seus seguidores provocaram na reprodução de cores uma revolução quase comparável à revolução grega na representação de formas. Eles descobriram que, se olharmos a natureza ao ar livre, não vemos objetos individuais, cada um com sua cor própria, mas uma brilhante mistura de matizes que se combinam em nossos olhos ou, melhor dizendo, em nossa mente.

Essas descobertas não foram efetuadas de uma vez, e nem todas por um só homem. Mas até as primeiras pinturas de Manet, em que ele abandonou o método tradicional de sombras suaves em favor de contrastes fortes e duros, causaram um clamor de protestos entre os artistas conservadores. Em 1863, os pintores acadêmicos recusaram-se a exibir as obras de Manet na exposição oficial – o Salon. Segui-se uma onda de agitação que levou as autoridades a expor todas as obras condenadas pelo júri numa mostra especial que recebeu o nome de ‘Salon dos Recusados’. O público afluiu principalmente para rir dos pobres e desiludidos principiantes que se haviam recusado a aceitar o veredicto dos seus superiores. Esse episódio marcou a primeira fase de uma batalha que duraria cerca de 30 anos. É difícil conceber hoje a violência dessas contendas entre artistas e críticos, sobretudo quando os quadros de Manet nos impressionam por serem essencialmente aparentados das grandes pinturas de períodos anteriores, como as de Frans Hals. De fato, Manet negou com veemência que quisesse ser um revolucionário.”2

Discurso algum evolui sem um diálogo intenso com o conhecido. O grande choque que Manet causa é na verdade o da releitura esvaziada de sentido. A releitura de Manet em nada difere das releituras feitas por todos os grandes artistas, exceto pela ausência do álibi literário. A recusa de Manet em continuar retratando não-pessoas, ou seja, em continuar retratando pessoas travestidas de ícones e personagens literário-mitológicos, choca por confrontar a realidade com ela própria e é entendida como uma afronta, não como um espelho. A nudez, por exemplo, tradicionalmente considerada um tabu, sempre foi mascarada e permitida através do entendimento da impessoalidade, da transmutação em ícone e, como ícone idolatrado perde o aspecto humano. Ao deixar de ser humana, a nudez é tolerada. Manet rompe com esta máscara e coloca a nudez no humano e no cotidiano e, com isso, coloca em cheque a hipocrisia da sociedade onde vive. As pessoas, portanto, chocam-se não com o outro mas consigo próprias, ao serem obrigadas a confrontar a sua própria realidade. Era esta “realidade”, efêmera e dependente do olhar, que Manet e seus seguidores buscavam. A fotografia também é um fragmento do momento efêmero e, talvez por este motivo, este grupo de artistas via a fotografia como uma ferramenta e não como uma ameaça, ao contrário da maioria dos artistas acadêmicos do período.

Déjeneur sur l’herbe, 1863, Édouard Manet.O Almoço na relva (1863), por exemplo, chocava tanto pela nudez sem contexto quanto pelo esvaziamento no diálogo com Rafael (através de Raimondi). O esvaziamento não é de técnica, mas de erudição. Em Manet não há mais a necessidade da erudição prévia para a compreensão da imagem. A imagem basta-se. A auto-suficiência da imagem reflete, por sua vez, a auto-suficiência e a falta de erudição da burguesia agora enriquecida e capitalista. A pintura assume, portanto, um novo papel, em que, pela primeira vez na história ocidental, a imagem é possível sem a literatura ou a religião. Este novo papel, por sua vez, é uma possibilidade mostrada pela fotografia, que cria retratos do mundo visível também sem álibis.

O julgamento de Páris, Marcantonio Raimondi.   detalhe de O julgamento de Páris, Marcantonio Raimondi.  Relação entre as obras de Raimondi e de Manet.   O concerto campestre, Ticiano/Giorgione.  Relação entre as obras de Manet e de Ticiano/Giorgione. 

É sempre necessário usar o vocabulário conhecido ao propor uma nova linguagem. Não aprendemos um novo idioma sem a referência de nossa língua mater. Nas artes do século XIX, a língua mater era a Renascença. O Almoço na relva dialoga intensivamente com O julgamento de Páris (c. 1515, gravura), de Marcantonio Raimondi, a partir de trabalhos de Rafael e, de modo menos óbvio, com O concerto campestre (1511), de Ticiano (também atribuído a Giorgione).

O detalhe dO julgamento de Páris, de Marcantonio Raimondi, mostra uma ninfa da floresta e dois velhos do rio (um deles, inclusive, se parece muito com o Adão da Capela Sistina, invertido). Ou seja, existe um álibi para a nudez. Já a nudez no Almoço na relva é gratuita, sem uma justificativa formal da narrativa. Ela não precisa estar nua para contar a estória. O mesmo ocorre com os velhos do rio, que não agora não possuem mais poderes místicos, contexto, estória e nem mesmo seguram mais a vegetação ribeirinha. Esvaziaram-se ao ponto de se transformar em dois burgueses raquíticos.

Também ocorre uma paródia dO concerto campestre, com as ninfas que circundam a aula de música. As ninfas, nuas, sequer são percebidas pelos outros. Uma inspira a aula e a outra inverte o fenômeno temporal ao jogar água no poço (e não retirá-la do poço). Ou seja, a cultura retarda o envelhecimento. Ao colocar no Almoço na relva um quarto elemento (considerando os três personagens em primeiro plano como primeiros) que brinca na água do Sena, Manet esvazia de sentido também a função da obra artística como registro que derrota a efemeridade humana. Não é mais uma ninfa que retarda o envelhecimento através da arte, é apenas uma burguesa que brinca sem propósito na água.

A natureza morta à frente dos personagens também pode ser compreendida como um elemento de tempo, assim como as Vanitas do período Barroco, mas, novamente, esvaziada de sentido. O discurso não é moralizante.

E, como se as afrontas já não fossem suficientes, a moça nua tem uma expressão facial de desafio ao espectador. Decifra-me ou te devoro, parece dizer. Não é de se estranhar, portanto, que a obra de Manet fosse julgada insolente. A mudança de discurso iniciada por ele, entretanto, não teve volta.



1. GOMBRICH, E.H. Arte e Ilusão. Um estudo da psicologia da representação pictórica. São Paulo, Martins Fontes, 2007

2. GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.

Elementos iconográficos em obras de arte

1 de Dezembro de 2009

publicado na Revista Webdesign de dezembro de 2009, ano 6, nº 72, ISSN 1806-0099.
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Considerando que a fotografia surgiu apenas em 1826, não é de se estranhar que os grandes ícones da arte mundial ainda sejam pinturas ou esculturas. A televisão surgiu em 1923 e o youtube em 2005. Santos Dumont inventou o avião em 1906, provando que havia vida antes da internet. Assim como você precisa estar no twitter para entender brincadeiras do tipo “comofas” ou “mimimi”, é necessário conhecer a nossa história para compreender o que acontece hoje. O impacto e a permanência dos símbolos e ícones da atualidade muitas vezes seguem ainda a mesma lógica de leitura, análise e interpretação destas imagens que, durante muito tempo eram a nossa única mídia.

Hoje em dia a inserção de propaganda nas artes “clássicas” (muitas aspas nesta hora, mas a título de ilustração vamos considerar pintura, escultura e arquitetura) causa náusea mesmo no artista mais flexível. Não foi sempre assim e certamente ainda veremos outras interpretações do assunto. Durante um período muito grande de nossa história, a propaganda pura e simples era mal vista e era mesclada com arte, especialmente arte sacra, para que pudesse ser aceita. Existem incontáveis exemplos de monarcas, ricos mercadores e outros representantes do poder vigente inseridos em cenas bíblicas pelas hábeis mãos de artistas importantes, como Botticelli, Bernini, Piero Della Francesca e tantos outros.

Quando pensamos em Natal, muitos de nós lembram do velho barbudo popularizado pela Coca-Cola em 1931 mas a ocasião tem sua origem em uma tradição cristã, não no shopping center. Assim como a Coca-Cola usou um símbolo religioso (São Nicolau) para criar uma comunicação eficaz que todos entenderam na hora, era muito comum que os ricos e os nobres usassem cenas conhecidas para criar uma comunicação imediata com o seu público. Estas cenas eram normalmente bíblicas ou da mitologia Greco-romana. Ter um quadro pintado por um artista célebre não era para muitos e este fato isoladamente já seria mais que suficiente para a demonstração de poder desejada. O uso de pigmentos como o vermelho e o azul, que eram mais caros que o ouro, é outra forma de ostentação mas a soberba não se satisfaz facilmente e era ainda necessário que fossem retratados em uma cena divina.

Escolhi para este artigo, de uma forma bastante aleatória, confesso, o quadro A adoração dos pastores (também conhecido como A adoração dos magos), de Sandro Botticelli.

Os pastores em questão eram a família Medici e sua entourage. Algumas figuras importantes são:

- A sagrada família, com Jesus no colo da Virgem Maria e São José ao fundo;

- Cosimo, Il Vecchio, patrono dos Medici, que segura os pés de Jesus;

- Piero Di Medici, figura central de manto vermelho;

- Lorenzo, o Magnífico, à esquerda do quadro;

- Sandro Botticelli, à direita com um manto amarelado, olhando para nós.

Tocar o sagrado, ou seja, fisicamente tocar os pés do menino Jesus seria considerado uma heresia terrível não fosse o fato de que Cosimo já estava morto quando o quadro foi pintado. Seu sucessor, Piero Di Medici, foi assassinado 4 anos após término do quadro, em 1478, em uma tentativa do golpe de estado. Assume o poder, então, o neto de Cosimo, Lorenzo, o maior príncipe que toda a Itália conhece: Lorenzo, o Magnífico. Foi Lorenzo quem criou todo o sistema bancário europeu (fundou bancos até na Inglaterra), um estrategista brilhante, um grande intelectual e um dos maiores poetas da Itália. Foi o grande mecenas dos artistas. Ele compreendia as obras de arte e debatia a iconografia com os artistas, em uma relação de simbiose, havia um clima de intelectualidade compartilhada entre o príncipe e o artista. Lorenzo cercou-se dos intelectuais Poliziano (entre outras coisas, professor de Michelangelo), Ficino (alquimista) e Pico Della Mirandola (filósofo) e tinha a maior biblioteca da Europa antes de Gutenberg. Botticelli divide o quadro matematicamente, com a sagrada família no topo do triângulo, o mundo político à direita e o artístico à esquerda e, como uma forma de demonstrar a troca entre iguais, coloca seu auto-retrato no lado político e Lorenzo no artístico. Esta troca de lugares é bastante representativa do pensamento humanista da época: a política não existia sem a arte e vice-versa. Ninguém poderia conceber um administrador que não conhecesse arte e muito menos um artista que não fosse um profundo conhecedor de política e ciência/religião (não havia separação, ainda).

A tradição hermenêutica criada por Botticelli (decifração de textos e imagens) perdurou até, pelo menos, o século XIX. Este quadro não é exceção e existem alegorias que à primeira vista podem parecer apenas cenográficas mas que contém em si signo e significado, como as ruínas Greco-romanas ao fundo. O Renascimento é assim chamado por ser o desejo de fazer renascer o Império Romano e, ao mesmo tempo, superá-lo em técnica e beleza. É o período posterior à Idade Média. Foi Francesco Petrarca quem deu o nome à Idade Média, dizendo que o mundo em que vivia estava velho, podre e seco, e que era preciso voltar à luz Greco-romana, para deixar a idade de trevas, idade medíocre. As ruínas no quadro dizem que os renascentistas retornaram a este período de glória e o superaram. É, portanto, um símbolo de ostentação também, mas desta vez do artista e não da família Medici.

A Virgem Maria é sempre contida, melancólica. Nunca, em hipótese alguma, em estilo algum, é representada sorrindo. Ela tem a intuição do futuro e sabe que o menino será morto mas não pode revelar o plano de Deus. Sofre calada, nunca ri abertamente. Outra alegoria interessante é o pavão no canto direito. O pavão de asa aberta é considerado um símbolo da vaidade fútil e vazia. Já o pavão de asa fechada, por oposição, é um ícone de sabedoria.

Existem muitos outros elementos iconográficos nesta imagem mas vou deixar para você descobrir. Pode falar, você nunca achou que um quadro de 1474 rendesse tanto assunto, não é? E, claro, aproveitando, um Feliz Natal para todos!

Luciano de Sampaio @ Aguarrás

30 de Novembro de 2009

Fotógrafo especializado na técnica pinhole, Luciano de Sampaio, no podcast do Aguarrás.

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Michelangelo Merisi da Caravaggio

29 de Novembro de 2009

Michelangelo Merisi da Caravaggio a partir de A conversão de São Paulo

publicado no Aguarrás, ano 4, edição 22, em 29/11/2009

Michelangelo Merisi da Caravaggio
(Michelangelo Merisi, nascido na cidade de Caravaggio)
1571-1610

Caravaggio foi um auto-didata, não freqüentou academias, viveu de maneira pouco regrada, não teve alunos diretos, mas, depois de sua morte, acontece o fenômeno europeu “caravaggismo”.

Caravaggio viveu no período barroco, de reação da igreja católica aos protestantes e ao maneirismo sem regras que veio antes. O início do período é marcado com o Concílio de Trento (1543-1563), promovido pelo papa Paulo III Farnese em Trento, no norte da Itália. A cidade não foi escolhida por acaso: o norte era cheio de reformistas protestantes, calvinistas, luteranos, etc. A igreja católica propôs então um conjunto de ações e procedimentos que levaram à contra-reforma (a reforma, no caso, era o protestantismo), incluindo a renovação dos rituais, o que leva ao nascimento da missa-espetáculo. Tudo no barroco é muito teatral.

A igreja barroca romana é forrada de imagens, quadros, esculturas, literatura (sermões), música, arquitetura. É o excesso de informações, a oposição à idéia protestante do silêncio e da sobriedade. A missa católica é o conjunto de todas as artes para causar um efeito emocional sobre o espectador, é o teatro das emoções. A fórmula é “muovere gli affetti” (mover os afetos, causar um abalo, a presença do sagrado deve ser sentida emocionalmente e não pensada racionalmente). O Barroco se opõe ao Maneirismo. O Barroco prega uma unidade (com regras) de todas as artes. É um discurso moralizante, de que as paixões são para ser vividas na missa e não na vida.

Caravaggio foi um homem do seu tempo. Ele não apenas viveu o Barroco mas viveu uma vida barroca. Sua biografia é repleta de grandes cenas, dramas e momentos de grandes emoções. Gombrich o descreve como um “homem de temperamento impetuoso e irado, extremamente suscetível à menor ofensa e até capaz de apunhalar um desafeto.”1

A Conversão de São Paulo

A Conversão de São Paulo teve duas versões. A primeira2 foi recusada, considerada escandalosa demais para ser mostrada em público. Os quadros contam a estória de Saulo, fariseu (precursores do judaísmo rabínico) e soldado romano de alta patente. Saulo era da elite, falava, lia e escrevia fluentemente em grego e latim. Chegou a perseguir cristãos quando ainda soldado. A caminho de Damasco, uma forte luz o cega e Saulo cai do cavalo. Permanece dias em transe e quando finalmente alcança a cura, converte-se ao cristianismo (foi a luz de Cristo). Muda, então, seu nome para Paulo e retorna como São Paulo. Assim como na maioria de suas obras, Caravaggio escolhe o momento de maior drama e tensão para retratar a estória: a queda do cavalo3.

A Conversão de São Paulo (1a. versão)   A Conversão de São Paulo (2a. versão)  

A descrição mais antiga de Paulo é a do livro apócrifo “Atos de Paulo e Tecla”4 (séc. II), segundo o qual ele era uma pessoa de baixa estatura, de cabeça calva e com pernas arqueadas. As principais características físicas da hagiografia de São Paulo desaparecem. A tradicional calvície e barba comprida (em contraste com São Pedro, que é normalmente representado com uma barba curta e encaracolada) não aparecem no quadro.

Caravaggio subverte completamente os elementos iconográficos de São Paulo entre as primeira e segunda versões dA Conversão de São Paulo. A vestimenta de Saulo sofre uma modificação bastante relevante: em sua primeira versão, ele ainda é romano e porta inclusive o elmo que aparece caído à esquerda da primeira versão do quadro. Na segunda versão, Saulo aparece mais vestido do que na primeira e menos caracterizado como soldado romano, quase como uma versão mais moralista da personagem. O manto vermelho, a espada e as pernas tortas, entretanto, são mantidos. O cavalo muda de posição, antes de frente e agora visto por trás; antes rebelde e indomado, agora quase estático. Em ambas, o escudeiro que o acompanha tenta ajudá-lo, mas a ação é também radicalmente diferente: no primeiro quadro ele tenta afastar o anjo e Jesus Cristo com uma lança, no segundo ele se vira em direção a Saulo. A posição de Saulo também se altera: na primeira versão do quadro, ele leva as mãos aos olhos cegos pelo clarão, mas ainda ergue-se do chão; na segunda, Saulo aparece completamente derrubado no chão e já em súplica. Na segunda versão do quadro, Caravaggio substitui a presença divina pela luz que incide sobre o corpo de Saulo5. A luz na primeira versão também tem como alvo principal Saulo, mas é distribuída de forma menos dramática. A segunda versão é mais fiel à estória, que relata uma luz intensa mas sem aparições divinas. Apesar dos Atos dos Apóstolos não mencionar o cavalo, este tornou-se um ícone indispensável para esta estória durante a Renascença e manteve-se presente até hoje. Caravaggio também simplifica a composição, retirando elementos como o elmo, o escudo, Jesus Cristo e o anjo. O primeiro quadro data de 1600-1601 e o segundo de 1601. Os quadros parecem retratar a mesma cena com instantes de diferença, sendo a segunda versão segundos após a queda, quando o cavalo já se aquietou e Saulo chegou ao chão.

A Conversão de São Paulo (1a. versão, grifada)  A Conversão de São Paulo (2a. versão, grifada)
Assinalados na primeira versão (esquerda): escudeiro, escudo, lança do escudeiro,
Jesus Cristo e o anjo, Saulo com as mãos nos olhos, elmo e espada de Saulo.
Assinalados na segunda versão (direita): escudeiro, espada de Saulo, rosto de Saulo descoberto.

Essa mudança de linguagem é tão significativa que biógrafos de Caravaggio, como Howard Hibbard, afirmam que o crescimento e o aprimoramento técnico-artístico mais dramático de Caravaggio aconteceu justamente no ano seguinte ao trabalho da Capela Cerasi.

A Conversão de São Paulo está na Capela Cerasi e à sua frente está o quadro A Crucificação de São Pedro. Enquanto o primeiro é íntimo e retrata a instante da parada de movimento (a queda), o segundo é público e representa o esforço físico em seu ponto máximo para todos na composição6.

A Crucificação de São Pedro, Caravaggio, 1601

São Pedro é preso mas consegue fugir. Jesus aparece para ele e pergunta “Quo Vadis?” e o manda de volta à crucificação, para cumprir o seu destino. Ele então acha que não é digno de ser crucificado como Jesus e pede para ser pendurado na cruz de cabeça para baixo. Naturalmente, uma posição tão peculiar e inusitada como ser crucificado de ponta-cabeça é a mais escolhida pelos artistas para retratar este momento da vida do santo.

O primeiro a pintar a crucificação de São Pedro no momento do levante da cruz foi Michelangelo e, a partir dele, este instante tornou-se iconográfico desta passagem bíblica. Caravaggio usa a figura serpenteada de Michelangelo diversas vezes. Assim como nA Conversão de São Paulo, a cena é reduzida ao essencial, sem o grupo de espectadores presentes nos quadros de Michelangelo, Masaccio, Giordano, etc.

A Crucificação de São Pedro, Masaccio, 1426   A Crucificação de São Pedro, Michelangelo, 1426       A Crucificação de São Pedro, Caravaggio, 1601    A Crucificação de São Pedro, Luca Giordano, 1660           

O estilo

Para Caravaggio, a luz é a sua própria fonte. Ela ilumina o que o pintor deseja enfatizar e oculta o que ele deseja ocultar, sem justificar a sua origem para nós – nada de óbvio como uma vela ou o fogo, (…). É o que um dos recentes biógrafos7 de Caravaggio chama ‘a mão divina do artista que traz luz à matéria’. Para Caravaggio, o artista tem um controle absoluto, e assim o que importa é a ilusão resultante, e não as razões técnicas para a ilusão.” [MANGUEL8]

Caravaggio usava modelos vivos encontrados entre jovens abandonados, mendigos e prostitutas. Com isso, seus modelos eram extremamente reais e não-idealizados, o famoso “realismo de Caravaggio”. Ele enfrentou muitos problemas por causa deste naturalismo, considerado chocante pelo poder católico vigente.

“Quando Caravaggio concedeu aos pobres de Nápoles um cenário em seus quadros sagrados, não estava somente indo contra os antigos preceitos do Concílio de Trento; estava também dando continuidade à apropriação de um palco público que as pessoas comuns haviam começado, nas ruas das cidades, com a commedia, o carnaval e o Festival dos Bobos, e até com as procissões e os mistérios da Igreja. (…) Para Caravaggio, a misericórdia devia ser praticada entre irmãos, e não a partir das alguras desdenhosas da nobreza eclesiástica ou burguesa; misericórdia era seguir as instruções deixadas por Cristo em Mateus 6, 1-4 (…). Os quadros de Caravaggio permanecem como um lembrete contra a hipocrisia. (…) Os atos de misericórdia praticados nos quadros de Caravaggio se passam entre pessoas reais, com sofrimento real.” [MANGUEL9]

“O ‘naturalismo’ de Caravaggio, ou seja, a sua intenção de copiar fielmente a natureza, quer a considerasse feia ou bela, talvez fosse mais devoto do que a ênfase de Carraci sobre a beleza. Caravaggio deve ter lido repetidamente a Bíblia e meditado sobre suas palavras. (…) E fez todo o possível para que as figuras dos textos antigos parecessem muito reais e tangíveis. Até a sua maneira de tratar a luz e a sombra reforçava essa finalidade. A luz não faz o corpo parecer gracioso e macio; é áspera e quase ofuscante no contraste com as sombras profundas. Faz toda a estranha cena destacar-se com uma honestidade intransigente que poucos de seus contemporâneos souberam apreciar, mas que iria ter um efeito decisivo sobre artistas subseqüentes.” [GOMBRICH10]

Os fundos negros, abstratos e neutros de Caravaggio são a metafísica do espaço. A tensão e o drama são centralizados na cena. Caravaggio é teatral. A combinação do naturalismo com o espaço metafísico é uma das principais características do estilo de Caravaggio. Ele usa a radicalidade do primeiro plano. Orson Welles diz que Caravaggio inventou o zoom da imagem e o cinema.

Existe um discurso moral neste naturalismo todo, incluindo a “natureza-morta” que surge neste período, que é o de que a passagem do tempo é implacável para todos e que mesmo a mais bela das criaturas apodrece. Portanto, de nada adianta a vaidade. As Vanitas, denúncias da vaidade, usam a iconografia das caveiras com freqüência, como pode ser visto claramente em seus quadros de São Jerônimo11.

São Jerônimo, Caravaggio, 1605-06    São Jerônimo, Caravaggio, 1608

Para o Barroco católico romano, o sagrado é para ser sentido, não para ser pensado. O sagrado torna-se com Caravaggio sensível, contemporâneo e “realista”. O realismo, entretanto, é um conceito escorregadio e depende da noção de realidade que cada um tem.




1. GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.

2. http://www.letterepaoline.it/node/86

3. http://www.scribd.com/doc/8108951/Caravaggio-Caduta-da-Cavallo

4. http://en.wikipedia.org/wiki/Acts_of_Paul_and_Thecla#The_narrative_of_the_text

5. HIBBARD, Howard. Caravaggio. Londres, Thames & Hudson, 1983.

6. HIBBARD, Howard. Caravaggio. Londres, Thames & Hudson, 1983.

7. LANGDON, Helen. Caravaggio: A Life. Londres, Chatto & Windus, 1998.

8. MANGUEL, Alberto. Lendo Imagens – uma história de amor e ódio. São Paulo, Cia das Letras, 2001.

9. MANGUEL, Alberto. Lendo Imagens – uma história de amor e ódio. São Paulo, Cia das Letras, 2001.

10. GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.

11. http://www.caravaggio.rai.it/

 

 

Lançamento do Godô

25 de Novembro de 2009

Godô Dança

O Godô dança será lançado

sábado, dia 12 de dezembro de 2009,

das 11h30 às 14h,

na Livraria Sobrado,

na Av. Moema, 493 – Moema – São Paulo – SP.

Vai ter contação de estória para os pequenos.

 

Espero vocês lá!

ficha catalográfica

16 de Novembro de 2009

A ficha catalográfica do Godofredo

A ficha catalográfica do Godofredo.

Flavio Soarez

16 de Novembro de 2009

podcast do Aguarrás com o designer, ilustrador, diretor de arte e quadrinista Flavio Soarez.

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Godofredo

9 de Novembro de 2009

Acabo de receber o ISBN do Godô Dança.

É 978-85-204-3103-0.

Sai pela Manole, selo Amarilys, ainda em 2009.

Roney Belhassof @ podcast do Aguarrás

2 de Novembro de 2009

As duas vezes em que convidei amigos mais íntimos, o Pedro Taam e o Roney Belhassof, perdi completamente a noção do tempo. Em ambos meti a tesoura para, pelo menos, não passar de uma hora. Esse podcast do Aguarrás com o Roney ficou com 50 minutos (a meta era 30!). Ainda assim o conteúdo está ótimo sem estar cansativo. Na verdade, cá entre nós, não estava nem um pouco cansativo antes das tesouradas, mas achei que quase 2 horas de podcast era um pouco demais.

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Espero que vocês gostem!

E Roney, você está desde já convidado a voltar em outro podcast para a gente continuar o papo.

O problema da auto-publicação

28 de Outubro de 2009

Antes de começar, preciso deixar claro que existem excelentes autores que publicam no esquema da auto-publicação. O livro ser integralmente ou parcialmente pago pelo autor não tem nenhuma relação com o seu conteúdo. Este artigo é apenas um alerta de que não basta escrever e pagar a impressão. Há muito mais entre o Word e a gráfica do que crê a vã filosofia.

A publicação via editor é melhor não porque o editor seja essa maravilha, não, mas porque submete o texto a inúmeras leituras, revisões e a todo um trabalho editorial que na esmagadora maioria dos casos não existe na auto-publicação. O problema é que a auto-publicação é uma prestação de serviços e, como em qualquer lugar, o cliente tem sempre razão. Na hora em que o autor se coloca como cliente e não como uma parte do conjunto necessário para fazer um livro (a parte mais importante, sem dúvida alguma, mas uma parte – carro não é só motor e outras analogias) o autor perde completamente o discernimento do texto.

Dando um exemplo (existem muitos durante toda a linha de produção de um livro): leitores-beta são leitores profissionais (às vezes até mesmo especializados em análise literária) e não aquele seu amigo super legal e inteligente que jurou de pés juntos que faria uma leitura não-tendenciosa do seu livro. A não ser, claro, que você seja amigo de um leitor profissional do porte de um Eric Novello da vida, mas aí ele mesmo com certeza já te falou isso tudo. É melhor inclusive que seja alguém que não te conhece pessoalmente. A separação entre o texto e o que o leitor conhece do autor é uma tarefa que exige muito tempo de estrada e não é para qualquer um. E isso estou falando só da parte da primeira leitura especializada, não estou nem falando de adequação de discurso, de colocação no mercado, de nada disso…

Outro problema sério é a distribuição. Se você só tem um livro – por melhor que seja – para comercializar, os distribuidores sequer te atendem. A editora, por outro lado, liga para o distribuidor e, depois do ok do produtor gráfico da editora, requisita que o caminhão busque os exemplares direto na gráfica. Caminhão, não aquele carro com um enorme porta-malas da sua prima.

O trabalho de design também não é simples. Não, não serve aquele arquivo seu do Word tão lindo já no formato de livro, com até números de páginas. E não, aquela sua amiga artista plástica que tem um clima assim tão legal, tão próximo do livro, que entendeu tudo, não, ela não pode fazer a sua capa. Quer dizer, nada contra ela fornecer uma imagem para a capa, mas capa não é só uma imagem bonita e chamativa com o título grande.

Repare que nem estou falando de copy-desk e revisão. Copy-desk, aliás, é outra questão. O copy-desk está trabalhando a favor do seu texto, não contra. Não mande um peixe enrolado no jornal para a casa do sujeito só porque ele sugeriu cortar 2 parágrafos do seu texto. É claro que copy-desk erra, assim como revisor, assim como o designer, assim como o editor e, pasme, assim como o autor. Não precisa se angustiar, basta conversar e explicar o seu ponto de vista. E, igualmente importante, ouvir o ponto de vista do outro.

O problema da auto-publicação é que, na maioria das vezes, não há troca. É apenas o autor pagando para uma gráfica imprimir o texto. E o produto final sempre reflete o cuidado que se teve com ele. O leitor não é burro. Não o trate como tal.

publicado em 28 de outubro de 2009
no portal Carreira Solo

FalaFreela! 35 – Nano, micro e pequenas empresas

19 de Outubro de 2009

Um belo dia você acorda e resolve dar um salto de fé profissional: vira empresa. Mas como descobrir o momento certo, como fazer acontecer e o que falar – ou porque falar – , para seus antigos clientes? Essas e outras questões serão respondidas no episódio 35 da meia hora mais valiosa do seu dia.

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Mauro Amaral, Humberto Oliveira e Carolina Vigna-Maru oferecem-se em sacrifício a causa, abrindo o planejamento de suas próprias empresas. Imperdível.

Assim como os links de referência:

Vote no FalaFreela no Prêmio Podcast

Entre para a página do FalaFreela no Facebook: tem conteúdo exclusivo por lá

FalaFreela na Revista Vida Simples!

Leia o post do Humberto Oliveira no Carreirasolo: “Eu posso demitir um cliente?”,

E após ouvir, twittar sobre e comentar esse episódio, convido vocês a prestigiarem o podcast do Aguarrás. Ponto certo para quem gosta e sabe produzir cultura.

Pedro Taam @ podcast do Aguarrás

19 de Outubro de 2009

Está no ar o podcast do Aguarrás com o pianista erudito Pedro Taam.

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Foi muito divertido gravar este podcast, como vocês vão notar pelos 2 rindo o tempo todo. No site do podcast do Aguarrás tem links e mais informações.

Espero que gostem (e me ajudem a divulgar)!

Revista Vida Simples

10 de Outubro de 2009

revista Vida Simples de outubro de 2009, editora Abril, ISSN 1678-7609 (capa)

revista Vida Simples de outubro de 2009, editora Abril, ISSN 1678-7609 (pág. 58, editada)Saiu na revista Vida Simples de outubro de 2009 uma indicação para o Fala Freela!, podcast que faço com o Mauro Amaral e com o Humberto Oliveira.

Muito legal! Obrigada, pessoal!

A revista Vida Simples é uma publicação da editora Abril, ISSN 1678-7609.

Símbolos e signos nas obras de arte

1 de Outubro de 2009

publicado na Revista Webdesign de outubro de 2009, ano 6, nº 70, ISSN 1806-0099.
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Durante muito, muito tempo, a arte era a única mídia disponível. A população era analfabeta e toda comunicação, propaganda e ideologia era transmitida através de imagens. A imagem precisava funcionar, as pessoas precisavam reconhecer imediatamente o seu significado. Se usarmos uma abstração simplista e considerarmos o início da iconografia não nas cavernas mas apenas a partir de, digamos, Egito, contamos algo em torno de 5 mil anos de produção artística. O Papa Gregório, o Grande disse: “a imagem é a bíblia dos ignorantes”. A imagem torna visível um pensamento até mesmo para os iletrados.

Naturalmente a história da arte revê estes significados organicamente à luz de novas evidências. Só é possível falar do que sabemos hoje e o amanhã trará, com certeza, novas informações.

Existe uma discussão antiga que diz que precisamos conhecer antes de ver. Explico: quem nunca conheceu uma vaca não irá reconhecer a sua representação a menos que lhe seja explicado. Ou seja, para ver a vaca, é preciso primeiro saber o que é uma vaca. Os signos (e seus significados) sempre dependem, portanto, do repertório de quem os vê.

Nós somos tão acostumados a símbolos que às vezes nem os notamos. Para um usuário de internet, um arroba, por exemplo, assume o significado imediato de um email ou de uma pessoa no twitter. Nas artes o símbolo também se apresenta e também depende daquilo que você conhece para ser compreendido mas o fato de você não reconhecê-lo não significa, em absoluto, que o elemento iconográfico não esteja presente.

Pode parecer meio óbvio para um católico mas nem todos sabem que as chaves de São Pedro em uma obra de arte apontam para um personagem ou cenário do Vaticano, por exemplo. Assim como pontos de Umbanda serão entendidos como meros rabiscos para aquele que não os conhece.

Exemplos não faltam e este artigo, por mais que se estenda, jamais conseguiria abordar sequer a maioria, que dirá todos. O importante é saber que os elementos possuem significados e que, se for do seu interesse, basta uma pequena pesquisa para compreendê-los. Vou aqui falar de alguns elementos recorrentes como um ponto de partida no assunto mas o que é importante é você saber que estes elementos existem.

Até a criação do primeiro corante sintetizado, o Mauve, em 1856, as tintas eram preparadas a partir de elementos naturais. As cores, portanto, também são um elemento a ser considerado. Durante muito tempo o vermelho era um pigmento caríssimo e conseqüentemente assume com freqüência um valor representativo de nobreza e/ou riqueza. O azul era feito de Lápis-Lazuli, uma pedra preciosa que, assim como o pigmento vermelho, valia mais do que o ouro.

Apolo, deus do sol e da razão, padroeiro da ciência e dos artistas, patrono do mundo, era sempre representado com um sol em volta da cabeça, para mostrar que era um iluminado. Hoje, por influência da iconografia católica, entendemos todo círculo nesta posição como auréola mas na verdade esta alegoria representa iluminação (não necessariamente espiritual). Por este motivo não é incomum encontrar este círculo em cabeças não-santas, como imperadores, nobres e ocasionais filósofos. Exemplo: a auréola nas cabeças do imperador Justiniano e da imperatriz Teodora, na Basílica de San Vitale, em Ravenna, na Itália. Ainda na mesma linha, Jesus Cristo é representado com a cor branca e o demônio com a negra por causa de quem vê ou não a luz. Não é uma interpretação racista, um questionamento que sequer fazia sentido na época do surgimento do cristianismo. Por este mesmo motivo, o Divino Espírito Santo é representado com uma pomba branca, por ser aquele que liga a Terra e o Céu – e portanto voa – e é iluminado (branco).

Na Grécia antiga, os médicos eram os sacerdotes de Asclépius e as enfermeiras eram as sacerdotisas de Higéia (higiene). O veneno da cobra era usado como anestesia. O emblema de Asclépius era uma cobra. Por isso o caduceus, símbolo da medicina, tem uma serpente.

A arte egípcia tinha uma função de preservação e perpetuação do que ou de quem era representado. Por este motivo, as figuras egípcias eram sempre mostradas a partir do seu ângulo mais característico. No Mural do túmulo de Khnumhotep (c. 1900 a.C.) podemos ver claramente que todas as figuras, inclusive peixes e pássaros são representados com a cabeça em perfil e com o corpo de forma a mostrar os traços mais importantes para a sua identificação, como o tipo de asa em um pássaro ou as escamas de um peixe. Hoje, as figuras humanas nesta posição tornaram-se um ícone da cultura egípcia.

Foi só com a Revolução Francesa de 1789 que estes pressupostos foram rompidos. Era, finalmente, a época em que ser rebelde era sinônimo de ser inteligente, rebeldia tinha status. “De repente, os artistas sentiram-se livres para escolher qualquer coisa como tema, desde uma cena de Shakespeare a um acontecimento do dia, o que quer que, de fato, apelasse para a imaginação e despertasse interesse. Esse descaso pelos temas objetos tradicionais da arte pode ter sido a única característica que os artistas bem-sucedidos do período e os rebeldes solitários tinham em comum.” [GOMBRICH, E. H.; História da Arte; pág. 481; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.]. Apesar de, depois de 1789, estas alegorias e símbolos não serem mais imprescindíveis na arte, os seus significados permaneceram até hoje.

Com tudo isso não estou dizendo que você precisa criar um ícone para o site do seu cliente que dure 5 mil anos, mas talvez seja bom buscar referências que já fazem parte do nosso inconsciente coletivo para conseguir uma comunicação mais rápida e imediata. E, por falar em bons símbolos, pegue o seu cachimbo e sua lupa e assuma todo o seu lado Sherlock na próxima vez que olhar para uma obra de arte.

PDFs on-line

25 de Setembro de 2009

publicado no portal da Revista Webdesign em 25/09/2009
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

No artigo do mês passado, apresentei as características de um programa open source de diagramação, o Scribus. Neste novo texto, o assunto em destaque são os “PDFs on-line” e vamos dividir sua análise em duas partes: na primeira, vou falar sobre uma aplicação possível sem ser como e-books e afins. E, na segunda, sobre e-books, e-zines, e-editoras e-etc.

PDFs diagramação

Os PDFs podem ser embed (inseridos em um post de blog, por exemplo) assim como os vídeos do YouTube ou as músicas do Blip. Um dos mecanismos mais simpáticos de fazer isso é usando o Scribd, que tem até mesmo a opção do seu PDF ser aberto com as páginas no estilo pageflip.

Um uso meio óbvio é o de organizar um portfólio. Podemos criar “books” como os fotógrafos fazem e publicá-los em um blog sem muita dificuldade, ainda com a vantagem de já estar pronto para impressão se for necessário.

Outra utilização que pode ser interessante é a publicação de documentos que exigem uma determinada formatação rígida, como atas de uma associação ou pareceres jurídicos. Ou ainda, criar uma seção de downloads no seu site com agendas para o ano seguinte, marcadores de página, ou o que mais a sua imaginação criar.

Existem muitos sites que permitem o upload e embed de PDFs, como o Issuu ou o Scribd. Antes de começar a fazer upload para todos, vale passear um pouco pelas publicações disponíveis para ver como cada um lida com os PDFs:

O Scribd, assim como muitos outros, está tentando criar uma comunidade on-line, com presença no Twitter e uma página inicial que lembra muito o Facebook, mostrando as últimas atualizações de pessoas na sua lista.

O Issuu, por sua vez, foca mais em periódicos, tanto que, em sua home, o destaque é para “Featured magazines”. Se o seu plano é uma revista em PDF gratuita on-line, certamente este é um bom lugar para se estar. Existem verdadeiras pérolas por lá. Uma das minhas favoritas é a Illustration:


PDFs e-publicação

Que o futuro é e-book, e-zine, e-qualquer-coisa, ninguém duvida. A grande questão é como ganhar dinheiro com isso. Afinal, o escritor precisa pagar suas contas, o ilustrador precisa comer etc. Algumas soluções começam a aparecer, como a portuguesa Bubok (disponível para o Brasil), mas existe ainda a questão do trabalho editorial.

Antes de tudo, publicações são necessariamente fruto de um trabalho em equipe. O escritor está preocupado (ou deveria, pelo menos) com a qualidade do que escreve. O ilustrador/fotógrafo/etc. se preocupa em dialogar com o texto esteticamente. O diagramador se preocupa em fazer com que estes elementos funcionem juntos. O revisor se preocupa com nossa língua pátria.

E quem se preocupa com o conjunto da obra, com posicionamento de mercado, com marca, com tudo isso? O editor! Ele não é fabricante de papel, mas sim um fabricante de ideais. E essa função não morre nunca. Acredito pessoalmente que os e-etc. ainda não são o padrão justamente porque os autores acham que se podem colocar os seus livros em um blog da vida, não precisam do editor. Estão errados. O resultado é um livro sem unidade, sem posicionamento, sem todo um trabalho de raciocinar o produto final como algo interessante, palatável e vendável. O que acontece, no final das contas, é uma publicação eletrônica perdida no espaço.

Naturalmente, existem exceções de profissionais que são, ao mesmo tempo, autores ou ilustradores e editores, mas não são a maioria e, muito menos, o padrão. A diferença é que agora você não precisa mais de uma sala comercial para fazer isso. Você pode reunir profissionais de sua confiança e criar você mesmo, a um custo muito baixo, uma minieditora funcional. Ainda não sabemos ao certo o caminho a tomar, mas afinal de contas é justamente por causa do leque de possibilidades que você gosta de trabalhar com internet, né?

Segundo o IBGE, 24,5 milhões dos internautas brasileiros não ficam um único dia sem internet. Já estudos da Intel Brasil apontam que 64% dos usuários brasileiros têm o hábito de comprar on-line. É uma fatia de mercado muito significante. E esse povo todo é alfabetizado. Esse povo todo lê.

O Scribd lançou nos Estados Unidos um sisteminha de cobrar pelos PDFs. Por enquanto ainda não está disponível no Brasil. A portuguesa Bubok tem um trabalho bastante interessante, inclusive registrando ISBN* se assim o autor desejar. Ainda percebo alguns problemas práticos nesta solução, além dos conceituais citados acima, como, por exemplo, tamanhos rígidos ou a venda dos livros impressos sob demanda ser necessariamente em euros.

A grande questão, novamente, não é a solução técnica, mas sim a questão editorial. O leitor também sente falta de uma linha editorial definida, um selo sob o qual ele sabe o que encontrar. Por outro lado o “fetiche do papel” realmente está com os dias contados. Alguma solução há de ter. Enquanto o mercado não se define, você pode ir se preparando para não ser pego de surpresa, como aconteceu com a indústria fonográfica.

* Vale lembrar que o registro do ISBN no Brasil é extremamente simples e fácil.

podcast do Aguarrás

21 de Setembro de 2009

Está no ar o novo podcast do Aguarrás, com o Oswaldo Martins.

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Desde já peço desculpas pela qualidade do áudio. Tivemos alguns problemas de equipamento bastante sérios mas como o conteúdo é muito, muito bom, optei por manter mesmo assim.

Fala Freela! #34 – Os sobrinhos

7 de Setembro de 2009

No episódio 34 da meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, os sobrinhos são analisados, entendidos e mostrados em sua essência mais básica: os profissionais que, por pressa ou pressão, não investem em sua formação. Como resultado temos mais do que projetos inconclusos ou soluções de prateleira, o próprio mercado fica prejudicado com clientes culpando toda uma categoria pela incapacidade de uns poucos.

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Mauro Amaral, Humberto Oliveira e Carolina Vigna-Maru deixam claro que não se trata de fechar a porta para quem está começando, tem sobrinho com 20 anos de estrada. Mesmo que seja só para engolir poeira.

Antes de mais nada, e no mais profundo de sua metáfora criadora, esse episódio é sobre a importância de se estar sempre estudando e se renovando. Ao contrário do que possa parecer o estado de “sobrinhês” é o oposto da pouca idade. É um manter-se sempre nascendo de novo, mas com a humildade das crianças verdadeiras.

Referências:

O Plus10, que analisou o FalaFreela e outros podcasts

O FalaFreela agora tem twitter, no www.twitter.com/falafreela

Matisse e Tarsila do Amaral, alguns dos artistas que começaram bem tarde

Hiro Kawahara, o ilustrador das toalinhas do McDonalds e o NerdCast em que ele foi entrevistado

Aguarrás podcast – Danilo Salvego

7 de Setembro de 2009

Está no ar o primeiro podcast do Aguarrás, com o fotógrafo, designer e artista plástico Danilo Salvego.

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O podcast do Aguarrás tem uma periodicidade quinzenal e o próximo, do dia 21 de setembro, é com o poeta Oswaldo Martins.

Por favor me ajudem na divulgação!

Scribus, diagramando em software livre

27 de Agosto de 2009

O Scribus é um programa open source de diagramação. Existem muitos tutoriais em inglês disponíveis on-line, inclusive em vídeo. Como esta é uma revista voltada para a web, vou considerar a meta de produção como e-books e afins e não vou me preocupar aqui com questões como resolução mínima de impressão ou geração de marcas de registro, por exemplo.

Se esta for uma questão importante para você, no site de documentação do Scribus, você encontrará bons pontos de partida: docs.scribus.net. Recomendo também a leitura do ótimo blog Imagem, Papel e Fúria, e do livro “O Design do Livro”, de Richard Hendel.

Antes de entrar na parte prática do programa, é importante pensarmos em alguns conceitos que talvez não sejam uma preocupação para quem é muito “webcentrado”. Diferentemente de sites, publicações em PDF e afins pressupõem certa linearidade. Ou seja, não usamos extensivamente hipertexto e lógicas similares. Toda a diagramação é pensada como um plano fechado, não-fluido ou muito menos elástico.

Além disso, o conteúdo também é pensado de forma a não utilizar referências externas, como um link para uma definição na Wikipédia, por exemplo. A publicação neste formato precisa ter certa unidade e independência, mesmo se parte de uma série ou se é um periódico. Pegue a Revista Webdesign como exemplo: cada edição tem uma identidade comum a todas e, ao mesmo tempo, encerra os assuntos ali propostos com artigos completos e que se sustentam sozinhos.

Podemos usar esta mesma lógica, da publicação linear, em outras aplicações. Não é incomum, por exemplo, que um artista queira sua obra dividida em anos ou em fases. Podemos criar um PDF para cada segmento ou seção e colocá-lo de forma a fazer sentido no todo, com ou sem textos explicativos. Ou, ainda, é possível que um cliente seu queira uma área de downloads de documentos que necessitam ser impressos em uma formatação específica (como atas, pareceres jurídicos etc.). Ou seja, nem só de CSS vive o homem.

O Scribus é um programa bastante complexo. Existem inúmeros bons tutoriais e uma vasta documentação a seu respeito na web e, portanto, o propósito deste artigo é apenas de apresentá-lo como uma solução possível de diagramação. Para começar, como mandam os bons costumes, abrimos um novo documento.

A caixa de diálogo exibe algumas opções interessantes, como a possibilidade de dobras duplas ou triplas e a mudança da unidade de medida para cada documento.

A caixa de diálogo exibe algumas opções interessantes, como a possibilidade de dobras duplas ou triplas e a mudança da unidade de medida para cada documento.

Na hora da criação, pedi um “Automatic Text Frame”, então é só colar o texto a ser diagramado.

Na hora da criação, pedi um “Automatic Text Frame”, então é só colar o texto a ser diagramado.

Uma das principais características do Scribus é que ele trata cada elemento individualmente, inclusive com a possibilidade de mudarmos o nome para uma identificação mais rápida. No caso de uma publicação maior, será muito mais fácil de identificar “Tabacaria” do que “Text1”, por exemplo.

Uma das principais características do Scribus é que ele trata cada elemento individualmente, inclusive com a possibilidade de mudarmos o nome para uma identificação mais rápida. No caso de uma publicação maior será muito mais fácil de identificar “Tabacaria” do que “Text1”, por exemplo.

Se você precisar criar novas caixas de texto, a passagem automática de uma para outra pode ser ligada/desligada no “Link Text Frames”.

Se você precisar criar novas caixas de texto, a passagem automática de uma para outra pode ser ligada/desligada no “Link Text Frames”.

Todos os ajustes de texto são encontrados na caixa de diálogo “Text”, os de imagem na caixa “Image” e assim por diante.

Todos os ajustes de texto são encontrados na caixa de diálogo “Text”, os de imagem na caixa “Image” e assim por diante.

Assim como os melhores programas de Desktop Publishing, o Scribus também tem estilos de parágrafo (conforme vimos nas duas imagens anteriores). Clique em “New” para criar os seus estilos. Depois, para aplicá-lo é só selecionar o texto e clicar em “Style” na caixa de texto.

Assim como os melhores programas de Desktop Publishing, o Scribus também tem estilos de parágrafo (conforme vimos nas duas imagens anteriores). Clique em “New” para criar os seus estilos. Depois, para aplicá-lo é só selecionar o texto e clicar em “Style” na caixa de texto.

Assim como os melhores programas de Desktop Publishing, o Scribus também tem estilos de parágrafo (conforme vimos nas duas imagens anteriores). Clique em “New” para criar os seus estilos. Depois, para aplicá-lo é só selecionar o texto e clicar em “Style” na caixa de texto.

Assim como os melhores programas de Desktop Publishing, o Scribus também tem estilos de parágrafo. Clique em “New” para criar os seus estilos. Depois, para aplicá-lo é só selecionar o texto e clicar em “Style” na caixa de texto.


Se quiser quebrar uma página antes do automático, é só arrastar a linha final para a quebra ou então inserir um frame break na posição certa.

Se quiser quebrar uma página antes do automático, é só arrastar a linha final para a quebra ou então inserir um frame break na posição certa.

Se quiser quebrar uma página antes do automático, é só arrastar a linha final para a quebra ou então inserir um “Frame Break” na posição certa.

Inserimos, então, um Image Frame e, com dois cliques em cima dele, importamos uma imagem. Neste caso, estou usando uma fotografia da tabacaria Seattle Rainier Cigar Co, de 1900, encontrada no Wikimedia Commons

Inserimos, então, um Image Frame e, com dois cliques em cima dele, importamos uma imagem. Neste caso, estou usando uma fotografia da tabacaria Seattle Rainier Cigar Co, de 1900, encontrada no Wikimedia Commons.

As imagens podem ser tratadas de várias maneiras. Uma das mais comuns é com o texto contornando os limites da imagem. Para isso, basta clicar em “Shape” e em “Text Flows Around Frame”.

As imagens podem ser tratadas de várias maneiras. Uma das mais comuns é com o texto contornando os limites da imagem. Para isso, basta clicar em “Shape” e em “Text Flows Around Frame”.

Outra coisa importante de mostrar é que o Scribus trabalha com layers e podemos, por exemplo, inserir a imagem por baixo do texto.

Outra coisa importante de mostrar é que o Scribus trabalha com layers e podemos, por exemplo, inserir a imagem por baixo do texto.

Em “Document Setup”, em “Sections”, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em “Page of Contents”. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.

Em “Document Setup”, em “Sections”, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em “Page of Contents”. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.

Em “Document Setup”, em “Sections”, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em “Page of Contents”. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.

Em “Document Setup”, em “Sections”, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em “Page of Contents”. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.

Em “Document Setup”, em “Sections”, você pode manipular e adicionar seções do seu documento e, depois pode gerar um índice automático em “Page of Contents”. Funciona mais ou menos como o book do InDesign. É nesta caixa de diálogo também que você encontrará a exportação para PDF.


Inserir número de páginas também é bem similar ao programa da Adobe. Basta inseri-lo como um caracter especial dentro de um frame de texto.

Inserir número de páginas também é bem similar ao programa da Adobe. Basta inseri-lo como um caracter especial dentro de um frame de texto.

Acredito que, com estes poucos dados, já seja possível fazer algo com o Scribus. Assim como qualquer software open source, este também muda um pouco a lógica das coisas para quem está acostumado a similares comerciais. É necessário um período de adaptação, mas acredito que a maioria das necessidades de diagramação sejam supridas por ele. Pode ser uma boa solução gratuita para você ou para a sua empresa, inclusive para impressos.

publicado em 27/08/09 no portal da revista Webdesign
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Fala Freela #33 – Pense grande!

26 de Agosto de 2009

O mundo das ideias e do empreendedorismo pessoal é um caldeirão de oportunidades. Mas, para não acabar fervido no próprio caldo o freelancer precisa enxergar além da empolgação e se programar para ser seu próprio cliente, dedicando parte do seu dia para seus planos de dominação mundial.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Graças ao milagre da edição não-linear Mauro Amaral participou do papo entre Carolina Vigna-Maru e Humberto Oliveira, colaborando com dicas, pensamentos e opiniões sobre tão interessante pauta.

No episódio 33 da meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, você vai ouvir também o segundo capítulo do Diário de um Freela, onde o diretor de arte Rodrigo Dantas faz um relato de sua entrada no mundo dos profissionais freelancers. Nesse capítulo: a importância da família!

Aproveitando isso de família: o FalaFreela, além de página no Facebook, agora tem Twitter. Siga lá: @falafreela e converse em tempo real com a turma no dia da gravação, manda dúvidas, fotos, vídeos e o que mais quiser.

Pensando fora da schemata

1 de Agosto de 2009

publicado na Revista Webdesign de agosto de 2009, ano 6, nº 68, ISSN 1806-0099.
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Esse negócio de pensar diferente não tem nada de novo. De vez em quando a civilização cansa e resolve inovar. Os gregos inovaram quando resolveram fazer algo diferente dos egípcios; os romanos inovaram quando construíram seus templos; os cristãos inovaram quando criaram a arte bizantina; os renascentistas inovaram quando decidiram resgatar a grandiosidade da cultura Greco-romana; os franceses inovaram quando criaram o concreto armado… Enfim, exemplos não faltam. Inovação é fruto da necessidade e do desejo humanos e, acredite, quem vier depois de nós também será “moderno”.

Nas artes plásticas existe uma coisa muito, muito antiga, chamada schemata. E desde que o mundo é mundo, ou seja, desde que o mundo tem Michelangelo, que os artistas se esforçam para ultrapassar, para vencer a schemata, para superá-la.

Schemata quer dizer esquemas. Ou seja, todos aqueles tutoriais que você certamente já viu de onde colocar a orelha na cabeça ou quantas medidas-cabeça tem um corpo ou ainda como desenhar uma galinha a partir de uma oval. Em artes plásticas, consideramos como um “esquema” todo conjunto que fornece um guia para criação e/ou identificação de significados gráficos. Em psicologia este termo é bem mais abrangente e complexo, mas eu sou ilustradora e não psicóloga.

A schemata varia de acordo com a cultura e período da história.

Os famosos ícones bizantinos, por exemplo, tinham sempre figuras alongadas e biplanares, porque representavam o divino e era considerado heresia representá-lo em um suporte menor e inferior (humano). Dentre as três principais religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo), inclusive, o cristianismo é até hoje a única a representar o divino com figuras humanas. Isto é um esquema, um conjunto de “regras” aceitas pela cultura vigente no período como o padrão correto e, portanto, rapidamente reconhecido em seu significado.

Toda arquitetura gótica tem em seu ponto mais alto “pontas” porque é uma metáfora da alma: quanto mais próximo do céu (do divino), menos matéria (corpo) tem. Os esquemas são, antes de tudo, filosóficos.

Em ilustração, o primeiro livro de esquemas de que se tem conhecimento é de 1608 e é intitulado Il vero modo et ordine per dissegnar tutte le parti et membra del corpo humano (O verdadeiro modo e ordem para desenhar todas as partes e membros do corpo humano, em tradução livre). Foi publicado em Veneza e é de autoria de Odoardo Fialetti (pintor italiano, 1573-1638), com a colaboração de Giacomo Franco (gravurista italiano, 1550-1620). Como você pode notar, publicações do tipo “como desenhar pessoas (protozoários, paquidermes, casas ou árvores…)” não são exatamente novidade.

Assim como também não é novidade o conceito de moderno ou de ruptura.

Uma ruptura acontece quando conseguimos romper com o esquema, com a schemata.

Os renascentistas assim o fizeram e neste momento criaram técnicas usadas até hoje, o chiaroscuro e o sfumato. Eles introduziram volume onde antes as figuras eram quase planas. Outra ruptura famosa foi a dos cubistas, que mostravam na mesma figura vários planos diferentes, incluindo os ocultos pela perspectiva natural.

Podemos, sem errar muito, aplicar o mesmo conceito à internet. Não seria a web colaborativa uma ruptura com a “anterior”? Ou seja, não pensa diferente? Romper com o esquema é pensar diferente.

“Quando me sento para fazer um desenho da Natureza, a primeira coisa que faço é esquecer que alguma vez já tenha visto um quadro.” – John Constable (pintor inglês, 1776-1837).

Precisamos entender de tecnologia antes de nos tornarmos o próximo Steve Jobs. Precisamos entender de mecânica antes de nos tornarmos o próximo Henry Ford. Precisamos estudar arquitetura antes de nos tornamos o próximo Oscar Niemeyer. Precisamos conhecer o esquema para poder superá-lo.

Falar em inovação nas artes hoje em dia, em um tempo em que somos pós-tudo, até mesmo pós-modernos, chega a ser engraçado mas é real. Faça exercícios consigo mesmo: troque de técnica ou de tema; permita-se experimentar, brincar, divertir-se.

E lembre-se que você já tem uma natureza inovadora: a arte em 3D é absolutamente inovadora, vetores rompem com tudo que conhecíamos antes, pixel art é uma renovação do mosaico mas com uma filosofia completamente diferente e até mesmo a criação de ícones para web é algo que a história da arte não conhecia antes.

Links:

http://www.nlm.nih.gov/dreamanatomy/

http://openlibrary.org/a/OL1778599A/Odoardo-Fialetti

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiaroscuro

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sfumato

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cubismo

http://www.artcyclopedia.com/artists/constable_john.html

http://www.metmuseum.org/toah/hi/hi_francgia.htm

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Madonna_bizantina_Rico_de_Candia.jpg

http://es.wikipedia.org/wiki/Virgen_del_clavel

Webdesign agosto 2009

31 de Julho de 2009

meu artigo na Webdesign de agosto de 2009 - ano 6, nº 68 - ISSN 1806-0099

Acabo de receber a minha Webdesign de agosto, com um artigo meu.

Capa da Webdesign de agosto de 2009 - ano 6, nº 68 - ISSN 1806-0099

Nas bancas!

Papo de artista 10 – perfil do Artista

27 de Julho de 2009

Neste novíssimo episódio do Papo de Artista, Eduardo Schaal e Carolina Vigna-Marú contam para nossos ouvintes como começaram e como é a rotina de trabalho de cada um deles.

Também contam histórias de trabalhos que fizeram e  contam como são seus respectivos estúdios (e ficamos sabendo como é trabalhar em uma Igreja).

Análise de uma obra de arte: Os esposos Arnolfini

27 de Julho de 2009

Artigo originalmente escrito como
trabalho de conclusão do módulo 2
do curso de História da Arte do MASP,
ministrado pelo professor Prof. Renato Brolezzi


PRÓLOGO

Quem pinta com óleo conhece bem o tempo de secagem deste material. Reza a lenda que, dependendo da pincelada, ainda se encontrará tinta fresca séculos depois da camada exterior secar. Quanto mais denso for o suporte, mais tempo leva para a tinta solidificar: telas e papéis são suportes que possibilitam uma secagem mais rápida do que madeira ou pedra, por exemplo.

Ao contrário das tintas solúveis em água, o óleo é uma tinta com muitos solventes não-prejucidiais, como o óleo de linhaça, que torna a tinta mais leve e translúcida sem prejudicar o que já existe na obra (enquanto se adicionarmos água a uma tela de aquarela, uma grande área da obra será modificada, por exemplo).

Por ser uma tinta opaca, podemos também adicionar luz a partes escuras. Das tintas solúveis em água, a única que se aproxima disto é a acrílica, mas ainda assim é necessário aguardar a secagem total e muitas vezes simplesmente não funciona, comprometendo todo o trabalho. Quando a tinta escolhida não é o óleo, precisamos sempre partir do meio-tom, para “descer” ou “subir” a cor conforme a necessidade. Não há esta rigidez no óleo. A tinta a óleo se permite, portanto, correções, ajustes e alterações a posteriori.

Estas características técnicas impõem uma relação específica do pintor com a obra de uma forma geral. O tempo, a estrutura e até mesmo a composição (já que podemos colocar claro sobre escuro) se modificam. Nada se compara ao óleo. É uma tinta com personalidade: é necessário um “pensar o óleo” para que ele resulte em algo concreto.

Hubert Van Eyck (c. 1366–1426), junto com seu irmão mais novo Jan (1395-1441), inventou a técnica da pintura a óleo, em Flandres. A invenção teve um impacto tão grande nas artes que o braço direito de Hubert foi preservado na Catedral de São Bravo como uma relíquia sagrada. A tinta a óleo já era conhecida em Flandres mas foram os irmãos Van Eyck que desenvolveram uma secagem mais rápida (muito mais demorada do que temos hoje nos tubos prontos, entretanto), tornando a técnica viável para os artistas.

Tudo que vem depois, incluindo os sfumatos de Leonardo Da Vinci e seus contemporâneos, só foi possível graças a esta invenção. Considerando que a tinta a óleo se preserva melhor que as de solução aquosa, não é exagero afirmar que grande parte das informações que temos hoje sobre tempos anteriores só chegou até nós por causa da tinta a óleo e dos irmãos Van Eyck. A importância disso transcende a história da arte e tem reflexos vitais em como entendemos nossa cultura e sociedade e por conseqüência o modo como desenhamos nosso futuro.

O PERÍODO

Estamos agora no Norte da Europa, em Flandres, durante o século XV, onde acontece o Renascimento flamengo. Não é Renascimento florentino, é algo com uma identidade toda própria. Esta região foi absurdamente rica do século XIII até o XVI, por causa do comércio marítimo, e tinha uma marinha mercante muito poderosa. Suas principais cidades eram Bruxelas, Antuérpia, Gent e Brugge.

São católicos mas no século XVI convertem-se protestantes. É um tipo de catolicismo muito diferente do italiano e é ligado aos nórdicos, aos bárbaros. A religião é mais mística, mais contida. Trata-se de uma cultura radicalmente baseada no mundo burguês.

Em Flandres acontece o gótico tardio, o gótico flamboyant, internacional.

A arte era a mais analítica possível (o Renascimento florentino é o mais sintético possível). Na Itália a realidade está na alegoria, na interpretação mais filosófica. Em Flandres há uma imersão do aqui e agora, a arte é antropológica.

JAN VAN EYCK

Karel van Mander escreveu o livro dos artistas nórdicos (Het schilder-boeck, 1603), inspirando-se no estilo de biografia de Vasari (1550). Neste livro, Jan Van Eyck é retratado como um grande alquimista, aquele que transmutou a matéria, por causa de sua técnica. Os artistas até bem pouco tempo atrás preparavam suas tintas e materiais, não os compravam em tubos ou em papelarias. Era necessário conhecimento em química além da técnica artística em si. Antes dos irmãos Van Eyck, o meio de solução era o ovo (têmpera) , que secava muito depressa. Ao dissolver seus pigmentos em óleo, os Van Eyck conseguiram manipulá-los por mais tempo e com maior precisão.

“Aqui na verdade não há paralelo com os mestres do início da Renascença na Itália, que nunca abandonaram as tradições da arte grega e romana. Lembramos que os antigos ‘idealizaram’ a figura humana em obras como a Vênus de Milo ou o Apolo de Belvedere. Jan van Eyck não teria nada disso. Ele deve ter posto modelos nus à sua frente e pintou-os tão fielmente, que gerações mais tardias ficaram um tanto chocadas com tanta honestidade. Não que o artista não tenha olhos para a beleza.” – GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.

A OBRA

Os esposos Arnolfini, Jan Van Eyck, 1434, London National Gallery, óleo sobre madeira (carvalho)

Os esposos Arnolfini, Jan Van Eyck, 1434, London National Gallery, óleo sobre madeira (carvalho).

A obra retrata um rico casal italiano, Giovanni Arnolfini e sua esposa Giovanna Cenami. Arnolfini já era um rico comerciante de tecidos, da cidade de Lucca (perto de Florença), antes de mudar-se para Brugge com o propósito de expandir os negócios da família. A mudança foi um sucesso e o casal incorporou os valores nórdicos.

Os esposos Arnolfini é um retrato encomendado. A obra mostra diversos elementos de afirmação de riqueza e importância econômico-social, além do fato de que encomendar um quadro ao grande Van Eyck por si só já era um importante símbolo de prestígio.

A riqueza de detalhes na obra é lendária e deve-se muito à formação de Van Eyck, que, além de pintor, era miniaturista e iluminador de manuscritos . Os pintores holandeses usavam lentes de aumento em seu ofício e Van Eyck era famoso por seu pincel de cerda única, o que só faz aumentar o seu mérito. Não por acaso o microscópio nasce na Holanda.

A obra retrata um quarto de dormir, o mundo privado. De acordo com a ética do catolicismo nórdico é pecado mortal ostentar riqueza em público (base para Lutero, por exemplo). O universo da riqueza e do luxo era restrito ao mundo privado.

ELEMENTOS ICONOGRÁFICOS

Os esposos Arnolfini - detalhe: espelho

Citações encrustadas da Paixão de Cristo na borda do espelho. A imagem do espelho inclui Van Eyck pintando o casal. “Pela primeira vez na história, o artista tornou-se a testemunha ocular perfeita, na mais verdadeira acepção da palavra.” [GOMBRICH, E. H.]

Espelho/vidro era caríssimo e é um importante símbolo de riqueza.

Os esposos Arnolfini - detalhe: assinatura

Assinatura: “Johannes de eyck fuit hic” (Jan van Eyck esteve aqui). Segundo Gombrich, a assinatura pode ter tido uma função de testemunho de um ato solene.

Os esposos Arnolfini - detalhe: azul

O azul era de lápis lazuli, outro símbolo de ostentação da riqueza do casal.

Os esposos Arnolfini - detalhe: penteado

O penteado de Giovanna Cenami era típico da Borgogna e tinha uma armação por dentro para impedir o véu de cair nos olhos. Assim como os tamancos, mostra a adoção dos valores nórdicos pelo casal.

Os esposos Arnolfini - detalhe: vermelho

Vermelho era símbolo de nobreza. O pigmento vermelho custava mais que ouro. Os flamengos são os primeiros piratas do Brasil (pau-brasil), justamente em busca deste pigmento.

O professor Adelino José da Silva d’Azevedo afirma que é do cinabre que se origina a palavra brasil. Kínnabar era uma palavra celta que, no comércio com os fenícios, designava o tom vermelho de qualquer material. Forma-se da raiz kínn – que traduz a idéia de metálico e de rubro; e da partícula bar – sobre, em cima de, superior. Uma característica do celta era a próclise das partículas, em oposição à ênclise grega. Ou seja, o celta punha as partículas no fim da palavra, ao contrário dos gregos, que a preferiam no meio. Assim, kínnabar corresponde ao barcino, brakino, breazail. Portanto, o cinabre dá nome ao pau-brasil que, por sua vez, dá nome ao país.

Os esposos Arnolfini - detalhe: mão/anel

O fino anel e o gesto de Giovanni Arnolfini querem passar a mensagem “não sou grosseiro” (não era mesmo). Os Arnolfini eram aristocratas burgueses, ganharam dinheiro com o comércio. Justamente por não serem nobres, precisavam afirmar-se como não sendo rudes e sim detentores de refino e cultura.

Os esposos Arnolfini - detalhe: frutas

A maçã tem um significado religioso. De acordo com a mitologia católica, os homens eram desagregados, filhos de Eva, expulsa do paraíso por morder a maçã do pecado. A maçã traz, portanto, a lembrança: “lembra-te que és mortal, que és pecado”.

Não havia laranjas em Flandres, típicas da Sicília e da Espanha. Aqui as limas eram hindus, importadas da Índia (fruta exótica). As frutas eram para ser vistas, não para ser comidas. As laranjas eram importadas e envernizadas e deixadas pela casa como símbolo de riqueza.

Os esposos Arnolfini - detalhe: tamancos

Os tamancos, bem como suas vestimentas de uma forma geral, mostram claramente a adaptação do casal italiano emigrante aos costumes flamengos.

Os esposos Arnolfini - detalhe: tecido

Os Arnolfini eram comerciantes de tecido e portanto suas roupas não apenas ostentam riqueza como também narram sua história.

Os esposos Arnolfini - detalhe: mãos

Mãos alongadas, típicas do estilo gótico.

Os esposos Arnolfini - detalhe: cachorrinho

Até o cachorrinho ostenta riqueza (não é um cão de caça).

CONCLUSÃO

O Renascimento flamengo não é subserviente a significados simbólicos e/ou sobrenaturais. Há uma busca pelo retrato, pelo naturalismo. O mundo retratado é real e inclui objetos cotidianos, como mobiliário, roupas e animais domésticos, ainda que providos de significado e propósito. Ao mesmo tempo em que podemos perceber a influência direta do Helenismo em Flandres, é Flandres que influenciará o mundo das artes com seus retratos quase antropológicos e sua técnica revolucionária.

BIBLIOGRAFIA

BECKETT, Wendy; História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997.

CANTARINO, Geraldo; Uma ilha chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.

CAROL, STRICKLAND e BOSWELL, John. Arte Comentada – Da Pré-História ao Pós-Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 1999.

GOMBRICH, E. H.; História da Arte; tradução Álvaro Cabral, Rio de Janeiro: LTC, 2008.

artigo publicado no Aguarrás, edição 20,
julho & agosto de 2009, ISSN 1980-7767

Fala Freela #32 – referências

27 de Julho de 2009

No episódio 32 da meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, vamos entender o que são referências, como procurá-las, classificá-las e determinar sua real importância para a vida do empreendedor da própria carreira.

Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru reuniram-se para explicar essas e outras coisas mais, recheando o papo com várias participações de seus ouvintes, questionamentos e insights variados.

O episódio marca ainda o início do “Diário de um Freela”, pequena “suíte onírica” co-produzira por nosso ouvinte Rodrigo Dantas que após alguns anos como Diretor de Criação em uma agência mineira, debuta na vida de freela com tudo o que tem direito; inclusive registro em áudio de seus desafios e conquistas. Está imperdível, com direito a fotinha do “antes e depois” do episódio 11, aquele no qual falamos sobre home-office.

Bom, é até engraçado, mas, claro, não podiam faltar as… referências:

O site Rascunho, referência em literatura

O podcast Papo na Estante, sobre literatura, Cinema e HQ

O livro O Culto do Amador, de Andrew Keen

Pintura digital com Artweaver

15 de Julho de 2009

publicado no portal da Revista Webdesign em 15 de julho de 2009
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução


Pintura digital com Artweaver

Talvez uma das coisas que os artistas mais gostem nos programas digitais de pintura seja o undo. Quando a gente está lá com um pincel real na mão e comete alguma besteira, o CTRL-Z faz uma enorme falta.

A pintura digital é uma técnica como qualquer outra (óleo, aquarela, digital etc). É bastante claro, creio, para todos que cada técnica tem sua aplicação, mas o que talvez não seja tão óbvio é que algumas se prestam melhor à experimentação do que outras. E aí, quando falamos de experimentação, poucas ganham da digital.

O sketch (rascunho) nos ajuda a formular o pensamento, nos ensina a olhar e pensar grafica/visualmente. A pintura digital, além de um ótimo instrumento de sketch, é também uma ótima oportunidade de experimentação técnica. A possibilidade de testar a sua ideia em aquarela, óleo, carvão etc., antes de finalizá-la (não importa se digitalmente ou não), é valiosíssima: tanto em termos de produtividade quanto de raciocínio e aprendizado. Depois você pode escolher finalizar a sua obra no mesmo programa de pintura digital ou, depois de “resolvida”, levá-la ao mundo analógico.

Isso sem esquecer, claro, das já conhecidas vantagens de velocidade e limpeza: não precisamos esperar a tinta a óleo secar e o ambiente não fica fedendo a aguarrás por dias a fio. É importante ressaltar, entretanto, que o seu trabalho vai se enriquecer muito se você conhecer o material com que está trabalhando. Os melhores resultados serão extraídos destas ferramentas digitais justamente por quem conhece o material real, físico.

Existem muitos programas de pintura digital. O mais conhecido é o Corel Painter®, mas a minha coluna aqui no site da Webdesign sempre mostrará soluções gratuitas. Destas, a que mais gosto é o Artweaver, um programa gratuito de pintura alemão. Existem vários outros também muito bons, como o ArtRage e até mesmo o Gimp que, apesar de ser mais de edição do que de pintura, também se presta a esta atividade. O ArtRage é muito similar ao Artweaver e do Gimp tratarei em futuros artigos.

O Artweaver também possui algumas ferramentas básicas de edição, mas o seu foco principal é, sem dúvida alguma, a pintura digital. Ele fornece algumas funções básicas de manipulação de camadas (layers) similares aos seus concorrentes comerciais, tais como: efeitos de camadas como drop shadow, transparência e todas as formas de sobreposição normalmente oferecidas (normal, darken, multiply, lighten, screen, difference, exclusion, color burn, linear burn, color dodge, hard light, soft light, color, hue, saturation, luminosity e average).

Ele tem também histórico, ajustes como o prático auto levels e toda uma variedade de funções básicas que você espera de um software minimamente eficaz. Não irei listar todas aqui, mas é importante você saber que a maioria das funções mais comuns está presente.

Assim como muitas outras soluções gratuitas, o Artweaver também tem problemas com CMYK. E, ao contrário do Gimp, ainda não existe sequer um plugin para melhorar isso. A partir da versão 0.5.7, incluíram a paleta CMYK no seletor de cores, porém não tenho certeza se podemos considerar isto um sinal de que irão implementar suporte a CMYK. Da parte de arquivos, ele é bem versátil e não abre apenas arquivos “.PSD” como também salva para este – e vários outros – formatos, inclusive “.PDF”.

Aproveitando que este artigo é para a Webdesign on-line, vou fazer uso de vídeo, algo impossível na revista impressa. É importante ressaltar que o vídeo se propõe a ser uma demonstração do programa e não de arte, técnica ou estética. Então, vejamos o programa em ação:

Este vídeo foi feito usando o CamStudio e a trilha sonora é a música Sonnet 116, de Maggie Doucet, encontrada no site Podsafe Audio, especializado em conteúdo com licenças livres.

Deixei o melhor para o final. Sabe aquela sua coleção de brushes fantásticas que você levou anos selecionando? O Artweaver importa “.ABR”:

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E, então, o que você está esperando? Download e mãos ao tablet!

Coleções de brushes .ABR:
http://www.brusheezy.com/,
http://myphotoshopbrushes.com/,
http://www.psbrushes.net/,
http://getbrushes.com/.

Fala Freela 31 – relax, baby

13 de Julho de 2009

Se o home-office é a fronteira inicial de todo aspirante a freelancer, vale lembrar que sentados ali 18 horas por dia esses profissionais acabam abrindo uma porta para o fantasma do stress físico e psicológico. Pense bem: produzimos mais informação nos últimos 10 anos do que toda a aventura humana até agora. Muito lixo, é verdade , e até por isso, sem querer nosso cérebro se vê boiando em rios de informação que… nos estressam.

Mas calma! Ter uma empresa de um homem só não é um atalho para a psicopatia. Até por isso, na meia hora mais valiosa do seu dia, Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru reuniram-se mais uma vez para desvendar o que está por trás da falta de paciência e daquela dorzinha no ombro que não larga você. E, claro, dar várias dicas para que isso não se repita.

Anima Mundi 2009

12 de Julho de 2009

O Anima Mundi, agora completando 17 anos bem vividos, continua sendo o momento de rever amigos. Nem todos são de carne e osso. Alguns têm até mesmo uma banda na floresta.

A grande novidade é o AnimaBusiness, um fórum onde se encontram animadores, distribuidores, produtores e demais profissionais do meio. Este é talvez o acontecimento mais esperado da edição deste ano.

Anima Mundi 2009 RJ - fotografia de Carolina Vigna-Marú para o Aguarrás O festival tem faz tempo o Papo Animado, onde podemos conversar com animadores consagrados. Este ano os convidados são Amid Amidi, Irmãos Latini (Anélio Latini Filho e Mário Latini), Michel Ocelot e, Priit Pärn. Estes encontros acabam sendo de maior interesse de profissionais de animação. Estive em alguns, nestes anos todos, e raramente encontrei pessoas que não trabalhavam com isso. A oportunidade de conversar com um biólogo animador da Estônia não acontece todo dia, por exemplo.

O Estúdio Aberto, como sempre, tem muitas oficinas e monitores pacientíssimos para explicar como funciona aquela técnica e orientar aqueles que querem colocar um pouco a mão na massa. Se forem levar os pequenos futuros animadores, prestem atenção nas idades mínimas necessárias para cada atividade antes de entrar na fila. A mesma atenção, aliás, vale para as sessões de filme/vídeo: muitas são impróprias.

Anima Mundi 2009 RJ - fotografia de Carolina Vigna-Marú para o Aguarrás Todo ano eu saio da sessão de abertura do Anima Mundi com a mesma sensação de estranhamento a respeito da seleção. A sessão de abertura é, teoricamente, o que os organizadores do festival consideram o melhor daquele ano. Colocar ali o chatíssimo L.E.R. e não dar espaço ao igualmente brasileiro Um Lugar Comum é realmente incompreensível. Assim como o Jam, um grafismo bobo e demodè japonês, poderia ceder espaço a filmes mais interessantes (e bons) que encontramos espalhados na grade de programação. É muito difícil até mesmo para quem é do meio selecionar o joio do trigo a partir do título, autor e um still. Supomos sempre que, para isso, existe o crivo da seleção e frequentemente nos surpreendemos. Não falo aqui de um gosto pessoal ou de escolhas absolutamente particulares mas sim de critérios claros que incluem roteiro. Saí de lá com a nítida sensação de que falta um bom roteirista/escritor na produção do festival. Os filmes são muitas vezes selecionados apenas pela técnica, sem levar em conta qualquer outro aspecto. O texto vem primeiro, sempre. Roteiro ruim é sinônimo de filme ruim, não importa quão inovadora, perfeita ou maravilhosa seja a técnica. Outra estranheza minha antiga é que filmes live action usando um ou outro efeito na pós-produção entrem em um evento que se propõe de animação.

Falando de coisas boas, foi um prazer ver Her Morning Elegance na telona. O videoclipe rodou a internet e não devia ser novidade para muita gente, mas vê-lo na tela grande foi uma felicidade. O French roast e o Les pieds sur terre são imperdíveis. Não percam os brasileiros Um Lugar Comum, do Jonas Brandão; O Divino, De Repente, do Fábio Yamaji; e o Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem de animação brasileiro, de 1953, feito pelos irmãos Latini (presentes no Papo Animado).

Para ver online:

- Animania, programa do Canal Brasil, com uma matéria especial dedicada à Sinfonia Amazônica
- Bendito Machine
- French roast (trailer)
- Her Morning Elegance
- Log jam
- Um Lugar Comum

publicado no Aguarrás, ISSN 1980-7767,
edição 20, ano 4 – julho & agosto de 2009.

FalaFreela#30 – pirataria

29 de Junho de 2009

A questão é controversa desde a primeira versão do Windows, mas é também muito presente. Por falta de conhecimento (como no já clássico trote/ligação para o help-desk da Microsoft onde mãe e filha exigem que a estrelinha azul que avisa que a cópia de seu XP é falsa seja retirada), costume ou até mesmo má intenção mesmo, pouco ou nada fazemos para regularizar a situação de nossos softwares.

Em um bate-papo sem a intenção de julgar ninguém e muito menos c#$%agar regra nenhuma, Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru buscaram apresentar respostas básicas para três questões fundamentais: O que é um programa pirata? Porque pirateamos? Como trabalhar com o máximo de programas gratuitos legais?

Confira essas e outras dicas na meia hora mais valiosa do seu dia. E use o espaço de comentários para nos ajudar a responder essas questões, principalmente a última!

E para não dizer que não falamos de referências:

Minha listinha de Sofwares gratuitos (que eu realmente uso no dia a dia): 7-zip, Artweaver, Audacity, AVG Free, Dicionário Aulete Digital, EasyCleaner, FileZilla, Firefox, Inkscape, Media Burner, Notepad ++, OpenOffice, Opera, PSPad editor, Sib icon editor, Skype, Thunderbird, WinAmp, Wink.

A resenha do Mauro para o livro “A Cabeça de Steve Jobs”, lá no Carreirasolo.org.

A bibilografia básica que eu separei sobre empreendedorismo:

BANGS, D.H., Jr. The business planning guide, 8th ed. Upstart, Chicago, 1998.

BENNIS, Warren. A invenção de uma vida. Rio de Janeiro: Campus, São Paulo: Publifolha, 1999.

BERRY, T.: Hurdle: The book on business planning. Palo Alto Software, Oregon, 1998.

BIRLEY, Sue e Muzyka, Daniel F. Dominando os Desafios do Empreendedor – Financial Times. São Paulo: Makron Books, 2001.

BLOCK, Z.; MACMILLAN, I.C.: Corporate venturing. Creating new business within the firm. Harvard Business Scholl Press, Boston – MA, 1995.

BRITTO, Francisco; WEVER, Luiz. Empreendedores brasileiros: vivendo e aprendendo com grandes nomes. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

BROADHURST, T.: History of science park development and the existing pattern. In: Worral, B. (editor). Setting up a science park, UKSPA, 1988.

BUSINESS INCUBATION WORKS: The results of the impact of incubator investment study. NBIA, National Business Incubation Association, 1997.

CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo – Dando asas ao espírito empreendedor. Rio de Janeiro: Saraiva, 2004.

DEGEN, R. J. O empreendedor, fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1989.

DERTOUZOS, M.: Four pillars of innovation. MIT’s Magazine of Innovation Technology Review. Nov-Dez. 1999.

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo corporativo: como ser empreendedor, inovar e se diferenciar em organizações estabelecidas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

DRUCKER, Peter F. Administração em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Pioneira, 1995.

DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor. São Paulo: Pioneira, 1987.

HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5. ed., Porto Alegre: Bookman, 2004.

KOTTER, John. Liderando Mudança. Rio de Janeiro: Campus, São Paulo: Publifolha, 1999.

LALKAKA, R.; BISHOP, J.: Business incubator in economic development. An initial assessment in industrializing countries. United Nations Programme. New York, 1996.

LASHER, W.: The perfect business plan made simple. Ed.: Doubleday, New York, 1994.

PINCHOT, Gifford; PELLMAN, Ron. Intra-empreendedorismo na prática: um guia de inovação nos negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

RICE, M.P.; MATTHEWS, J.B.: Growing new ventures, creating new jobs, Quorum Books, 1995.

ROBBINS, Stephen Paul. Administração – mudanças e perspectives. São Paulo: Saraiva, 2000.

SAHLMAN,W.A.; BHIDE,A.; STEVENSON, H.: Business fundamentals as taught at the Harvard Business School. Financial entrepreneurial ventures. Harvard Business Scholl Publishing, Boston – MA, 1998.

SMILOR, R.W.; Gill Jr, M.D.: The new business incubator, Lexington Books, 1986.

Fala Freela! #29 – reuniões

18 de Junho de 2009

Fala Freela! #29 – reuniões

Desta vez reunimos apenas o time fixo para conversar sobre aquele momento mágico onde tudo pode acontecer: as reuniões entre você, sua equipe, clientes e parceiros.

Aproveitamos também para anunciar a recém-criada comunidade no Orkut do Fala Freela!

Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos

3 de Junho de 2009

Artigo originalmente escrito como
trabalho de conclusão do módulo 1
do curso de História da Arte do MASP,
ministrado pelo professor Prof. Renato Brolezzi

 


Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos, por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

O quê

Escultura em mármore de uma mulher vestida, com um elmo, um escudo e com uma serpente a seus pés (na face interior do escudo). Em sua mão direita pousa uma figura feminina alada.

Quando

A escultura é uma miniatura romana do original grego em madeira, couro e marfim, de Fídias, entre 447 e 432 a.C.

A obra original pertence ao período clássico grego. Nota-se uma grande virtuose, tanto de técnica quanto de anatomia e o equilíbrio dinâmico característico da época, onde as partes estão em movimento, mas sempre obedecendo à harmonia grega. Ainda que sutilmente por razão da vestimenta, podemos perceber a perna estrutural (razão masculina) e a perna decorativa ligeiramente dobrada (sensibilidade e graça feminina). O belo composto ainda não denota emoção na fisionomia, característica que só acontecerá mais tarde no período Helenístico.

Quem

A escultura representa Pallas Athena.

Por quê

O elmo indica se tratar de uma guerreira. Ela segura ainda um daimon, Nike, que representa a vitória. A presença da serpente, em referência à medicina de Asclépio, indica a habilidade e esperteza. A figura representada é, sem sombra de dúvidas, a deusa Pallas Athena, filha de Zeus e Metis.

Onde

A escultura original recebeu seu nome por ter sido parte do complexo arquitetônico do Partenon. A miniatura romana atualmente encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

O escultor oficial de Atenas, Fídias, usava materiais preciosos (ouro, marfim, pedras preciosas, etc). Todas as esculturas foram destruídas por colonizadores, para aproveitar a matéria-prima. Fídias fez também os relevos dos templos de Zeus, em Olímpia e do Partenon.

O Partenon era inicialmente um prédio público, e comportava o arsenal e a reserva do tesouro. O que conhecemos é a ruína da reconstrução. O original foi explodido quando os turcos invadiram e armazenaram pólvora no Partenon (que foi pelos ares). Gregos e turcos brigam até hoje. Péricles reconstruiu Atenas, com o saldo da guerra. Depois da reconstrução, o Partenon passou a homenagear a padroeira da cidade, Pallas Athena (Minerva).

Ilustração do interior do Partenon mostrando a estátua colossal de Athena, de Candace Smith, 1990, in "Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos", por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

Logo na entrada, no interior do Partenon encontrava-se uma colossal estátua de Pallas Athena, com 11 metros de altura, feita em madeira, coberta com materiais preciosos (armadura e a roupa em ouro, pele de marfim, olhos – tanto de Athena quanto da serpente – de pedras preciosas) e cravejada com todo tipo de riquezas.

Mitologia

Pallas Athena é filha de Zeus com a Titã Metis. Gaia profetizou que Zeus, assim como seu pai, seria destronado pelo filho. Contou ainda que Metis daria à luz primeiramente uma filha e depois um filho, o próximo rei dos deuses e dos homens.

Zeus resolveu então, assim como seu pai Cronos havia feito com os filhos, engolir Metis grávida. A filha de Metis cresce dentro do corpo do pai até que Zeus começou a ter dores de cabeça insuportáveis. Ordenou a Hefesto que abrisse seu cérebro com um machado, de onde saiu (já vestida e equipada) a sua filha, Athena.

Athena, a filha favorita de Zeus, sempre lhe foi leal. É a deusa da habilidade, da astúcia, da inteligência, da indústria, da guerra e da justiça.

Elementos iconográficos

Roupa

Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos, por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

A figura feminina na cultura Greco-romana pertence ao núcleo privativo e íntimo e jamais pode ser vista nua em público. O universo público, da pólis, pertence à política e aos homens.

Por cima de sua roupa podemos ver um aegis que, de acordo com a mitologia, foi emprestado por Zeus. O aegis é um tipo de armadura que protege os seios e as costas e é – desde a tradição egípcia – um símbolo de proteção e/ou patrocínio. É muito mais um signo do que uma proteção efetiva contra lanças ou golpes. No caso de Athena, o seu aegis mostra a todos que ela é protegida de Zeus. Athena é sempre representada com o aegis mas a sua forma pode variar bastante, indo desde uma cobertura relativamente simples até armaduras ricas em detalhes e símbolos.

Em Athena Parthenos, o aegis repousa abaixo de cachos de cabelo de Athena e mostra também pequenas serpentes espalhadas em sua superfície.

Serpente

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Athena é a deusa da habilidade, da inteligência e é muitas vezes associada a Asclépio e à medicina.

A serpente é o animal-símbolo de Asclépio, da medicina.

Higéia, outra deusa, filha de Asclépio, é a deusa da saúde, limpeza, higiene e saneamento. “Higéia” pode ser entendido como um conceito maior, entretanto, o de auxiliares de saúde (atuais enfermeiras), que trabalhavam diretamente com Asclépio. Athena Higéia é um dos títulos dados à Athena, segundo Plutarco: “One of its artificers, the most active and zealous of them all, lost his footing and fell from a great height, and lay in a sorry plight, despaired of by the physicians. Pericles was much cast down at this, but the goddess appeared to him in a dream and prescribed a course of treatment for him to use, so that he speedily and easily healed the man. It was in commemoration of this that he set up the bronze statue of Athena Hygieia on the acropolis near the altar of that goddess, which was there before, as they say.” [PLUTARCO, Life of Pericles. A wikipédia possui uma tradução razoável deste trecho em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hígia]

A imagem de Athena é associada tanto às guerras (e estratégias de guerra) quanto ao saber e à medicina. Por este motivo é representada com serpente(s).

É importante lembrar que, para a cultura Greco-romana, a serpente não transmitia temor ou perigo. Seu veneno era usado como anestesia e era considerada como um animal útil para deuses e humanos.

Elmo

Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos, por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

O elmo é um dos elementos representativos de guerra, indicando a deusa guerreira.

O elmo possui três (número sagrado dos gregos) sub-elementos, sendo dois cavalos alados (laterais; o animal-símbolo de Athena é a coruja e portanto faz sentido que os elementos do elmo sejam alados) e uma esfinge (central). Todos possuem elmos individuais, formando o complexo iconográfico do elmo de Athena.

O mito egípcio da Esfinge foi reinterpretado na tradição grega e era uma demonstração de poder (leão, asas de águia).

Gombrich refere-se aos cavalos alados como grifos mas o corpo claramente é de cavalo, não de leão. Pensei na possibilidade de um hipogrifo mas não encontrei referências a respeito.

Nike

Análise de uma obra de arte: Athena Parthenos, por Carolina Vigna-Marú - www.aguarras.com.br

O daimon da vitória, Nike, pousa sobre sua mão direita, garantindo o sucesso tanto em guerra quanto em tempos de paz. Sabemos tratar-se de Nike por causa das asas, da vestimenta feminina e do contexto.

Escudo

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O escudo protege não apenas Athena e Nike mas também a serpente. Ou seja, protege a guerra (e suas conquistas vitoriosas) e o conhecimento (a medicina). O escudo está apoiado na base, em uma posição de paz, ou seja, a imagem representa uma vitória, uma guerra passada e vencida. Trata-se de um momento pós-guerra, portanto.

Acredito que a vitória a que se refere este contexto seja a contra a Pérsia, marcando o início do Século de Péricles e da democracia grega, mas não encontrei nenhuma referência a este respeito.

Bibliografia

CHEERS, Gordon. Mitologia – Mitos e lendas de todo o mundo, trad. Maria Isaura Morais. Lisboa: Lisma, 2006.

GOMBRICH, Ernst Hans. A História da Arte, trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2008.

HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

OSTROWER, Fayga. Universos da Arte. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas de espaço e tempo na arte e na ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

WALDSTEIN, Charles, Sir. Greek sculpture and modern art, two lectures delivered to the students of the Royal Academy of London. Londres: Cambridge University Press, 1914. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/greeksculpturemo00waldrich

WALDSTEIN, Charles, Sir. Essays on the art of Pheidias. Londres: Cambridge University Press, 1885. disponível para download na íntegra, em inglês: http://www.archive.org/details/essaysonartofphe00walduoft

Web-sites de apoio (acessados em 1º de maio de 2009)

INTERNET ARCHIVE: http://www.archive.org/

PLUTARCO, Life of Pericles, p.45: http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Pericles*.html

PHEIDIAS, SCULPTOR TO THE GODS, artigo de Colin Delaney: http://www.perseus.tufts.edu/cl135/Students/Colin_Delaney/fathena.html

WIKI COMMONS (imagens): http://commons.wikimedia.org/

publicado no Aguarrás, ISSN 1980-7767,
ano 4 n° 19, maio & junho de 2009, em 4/6/09

Rascunhos

1 de Junho de 2009

publicado na Revista Webdesign de junho de 2009, ano 6, nº 66, ISSN 1806-0099.
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

O desenho inacabado existe desde que o mundo é humano e as cavernas habitadas, mas o sketch como forma representativa dotada de algum valor – e não mais como apenas uma etapa descartável de um outro produto, como a pintura ou a escultura – só começou a existir no início da Renascença, durante o Quattrocento.

Até a Idade Média o artista era considerado não como um autor mas como um artesão servil ou, no melhor dos casos, como um canal entre o divino e a matéria, que por sua vez representava este divino. Era extremamente comum, por exemplo, o artista não assinar suas obras.

A idéia do gênio nasce junto com a propriedade intelectual, bem como o desejo pela originalidade e a individualidade do artista.

Gênio era aquele capaz de transformar um conceito (etéreo) em algo realizado com sucesso (matéria).

O conceito da arte como tradução entre mundos considerados distintos, o plano da alma e o plano do palpável, acompanhou a humanidade até bem recentemente quando, em meados do século XIX, surgiu o conceito de ars gratia artis (a arte pela arte) ou seja, uma arte autônoma e que pode ser apreciada por seu prazer estético puramente e não mais apenas e/ou necessariamente por seu valor representativo ou de tradução entre a idéia e a matéria.

A relação com o sagrado continuou na Renascença, tanto que Michelangelo acreditava que a criatividade era uma inspiração divina. O que mudou foi a noção do papel do artista. Ainda que inspirado pelo(s) deus(es), o artista passa a ser um intérprete único e seu dom é entendido como determinante para que a obra evolua daquela determinada forma. Ou seja, nasce o conceito de traço.

O passo mais importante na distinção entre os gênios foi a noção da realização, aquilo que une o desejo ou a idéia e o sucesso em criar aquilo imaginado. Esta capacidade é o que os torna únicos e, portanto, autores de suas obras.

É natural compreender, portanto, que o rascunho ou o sketch – então chamado de bozzetto – assuma um papel fundamental pois é ele que comprova esta ligação entre a idéia e o ato realizado. Tornaram-se registros inquestionáveis do processo artístico e eram considerados e apreciados como uma forma única de arte, mesmo sabendo-se inacabada, porque demonstravam o subjetivo, o plano das idéias dos gênios.

Observar um sketch de um destes gênios era o mesmo que abrir uma janela para os seus processos criativos.

Isto não significa que antes do Renascimento não faziam sketches, significa apenas que, por não serem apreciados, não foram conservados.

Os desenhos mais famosos deste período (na verdade um século depois, já no Cinquecento) são sem dúvida alguma os de Leonardo Da Vinci (1452-1519). Prometo que resistirei à tentação de escrever mais uma das incontáveis odes à genialidade e versatilidade de Leonardo, já que seus fãs e estudiosos são em maior número e competência e que as referências podem ser facilmente encontradas online.

Algo que talvez não seja tão conhecimento comum assim é que Leonardo jamais saía de casa sem o seu sketchbook.

Hoje, 500 anos depois, o sketch é uma forma de arte reconhecida, independente se parte de um processo ainda inacabado ou como resultado final do traço pretendido. Existem inclusive bons workshops e até mesmo eventos mundiais organizados em torno do sketch, como o Sketchcrawl.

Você não precisa de material caro ou nada complicado para começar. Bastam poucas folhas de papel sem pauta e algo que escreva (lápis, caneta, tinta e pincel, tanto faz). O desenho de observação mais rápido, como de alguém passando na rua, precisa de um pouco mais de prática mas você pode começar com modelos mais pacientes. As estátuas, por exemplo. Se até o Leonardo desenhou o David, de Michelangelo, você também pode.

Apenas dê preferência a estátuas do que a fotografias de estátuas. É impossível dar a volta na fotografia para observar melhor um detalhe.

Outros bons e pacientes modelos são árvores, que apesar de esperarem você terminar o desenho com bastante calma, têm formas orgânicas e complexas e podem resultar em desenhos ricos e interessantes. E, claro, quando você estiver um pouco mais afiado, transforme o tempo perdido na condução em tempo ganho de desenho ou então aquele almoço solitário em uma boa oportunidade artística.

Leonardo da Vinci terminou 12 pinturas e milhares de desenhos. Esta informação, por si só, já deveria ser suficiente para explicar seu processo criativo. Os rascunhos – tanto os gráficos quanto os escritos – são a origem do pensamento e da criação. Ninguém projeta alguma coisa sem desenhá-la antes. O desenho é o princípio, a idéia, o conceito, é a “alma” da criação gráfica. As técnicas evoluem mas um bom desenho será sempre um bom desenho.

Os gregos consideravam como “clássico” tudo aquilo digno de ser copiado. Leonardo é um clássico. Pegue logo o seu sketchbook e comece a desenhar por aí! Está esperando o quê?



Bibliografia:
ZÖLLNER, Frank;  Leonardo; Editora Taschen; 2000.
STRICKLAND, Carol; Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Moderno; Editora Ediouro; 1999.
HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte; Mestre Jou, 1982.
OSTROWER, Fayga. Universos da Arte; Campus, 1991.
OSTROWER, Fayga. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas de espaço e tempo na arte e na ciência; Campus, 1998.
GOMBRICH, Ernest; The Renaissance: theory of art and the rise of landscape; Phaidon, 1966.
GOMBRICH, Ernest; Arte e ilusão: um estudo da psicologia da representação pictórica; Martins Fontes, 1986.

Fala Freela #28 – fotógrafos

1 de Junho de 2009

Em mais um episódio sobre uma atividade freelancer, a meia hora mais valiosa do seu dia, o podcast do Carreirasolo.org, ouviu a turma que vive por aí clicando nossos momentos mais especiais, ou nas redações dos jornais e estúdios de publicidade: os fotógrafos.

Mauro Amaral, Humberto Oliveira, Carolina Vigna-Maru convidaram o fotógrafo Luciano Sampaio para um papo recheado de dicas valiosíssimas para quem quer ou já está nesta atividade.

Que cursos fazer? Qual equipamento utilizar? Como encarar a concorrência do mercado amador que de uns anos pra cá anda turbinado com câmeras que prometem fazer de um tudo?! O episódio está tão completo que criamos um bloco-bônus só com dicas e leitura de e-mails e twittadas. Coisa chique, daquelas que que só acontecem na meia hora mais valiosa do seu dia.

E para valorizar ainda mais sua visita, tome aí algumas referências:

Comece com chave de ouro conhecendo o Guia para fotografia Pin-hole, do nosso convidado

Dê um pulinho no Flickr do Luciano, e confira seus trabalhos mais recentes

Sabia mais sobre alguns dos cursos citados: SENAC-SP, SENAC-RJ,
SENAC-PR, Instituto Darcy Ribeiro (RJ), Centro Europeu (PR), Portfólio (PR), Omicron (PR)

alguns usos pedagógicos da internet

18 de Maio de 2009

publicado no Aguarrás em 18/05/2009, ano 4 n° 19,
maio & junho de 2009, ISSN 1980-7767


As invenções do homem, grandes ou pequenas, sempre nascem de um desejo ou de uma necessidade. Não é diferente com a informática e tudo que gira em torno dela.

Santos-Dumont inventou o avião porque acreditava que se as pessoas pudessem viajar e conhecer outras culturas com mais facilidade, veriam que não somos tão diferentes assim e não haveria mais guerras.

A internet foi inventada por um comodismo, para facilitar a transferência de arquivos entre dois pontos. Curiosamente, é exatamente esta característica que as grandes corporações lutam para combater.

A web não tem um berço nobre como o avião mas teve uma boa criação e tem um bom coração. É esta quebra de fronteiras, tão sonhada por Santos-Dumont, que torna a web este local tão atraente para muitos.

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
John Lennon
Imagine (trecho).

A web retira automaticamente o pré judice, onde a cor da pele, a marca da roupa, a localização geográfica e às vezes até mesmo o idioma não importam mais. Isso faz da web o ambiente mais humano que nós já conseguimos criar.

Não é a tecnologia, é este aspecto humano que tanto fascina os seus alunos.

Qualquer ferramenta online tem relacionamento como pedra fundamental. O email serve para uma comunicação pessoal. Os sites, mesmo os de empresa, expõem opiniões e sonhos da mesma forma que as meninas de nosso tempo faziam em diários. Os blogs se diferenciam justamente pela possibilidade de interação com o visitante. As ferramentas de relacionamento, como o Orkut ou o Twitter se colocam, obviamente, como um instrumental relevante.

Não há possibilidade de compreensão da web e seus ambientes sem colocar o ser humano no centro. A web é antropocêntrica por natureza.

A web é rica e heterogênea, portanto. Nada é feito por humanos sem ser um reflexo de nós mesmos. Nossas criações são imagem e semelhança de nós mesmos.

É comum ouvirmos “na web encontra-se de tudo”. Sim, na humanidade também.

O ser humano constrói máquinas incríveis e depois precisa domá-las. Não sei se alguém aqui já tentou, mas dirigir um trator é dificílimo e tem poucos controles a mais que um carro comum. É natural que quanto mais variáveis, mais difícil é o aprendizado da tecnologia/máquina.

Vocês passaram a vida estudando as suas matérias. São especialistas e professores de áreas muito mais complexas do que a internet. As ferramentas online são mais fáceis e intuitivas do que coisas estranhas como oração subordinada ou física quântica.

Nós somos mais inteligentes do que a máquina.

Acredito que todos os leitores, mesmo que não usem muito, tenham um endereço de email. Email é fácil de usar, é como uma carta, nossa velha conhecida, mas e quando o recurso começa a gastar mais neurônios do que estamos dispostos a ceder?

O erro, na maioria das vezes, é do desenvolvedor. As ferramentas deveriam ser simples e fáceis de usar.

As ferramentas que começam a se mostrar muito complexas são fadadas a sobreviver apenas dentro de um seleto grupo de nerds/geeks e não se tornará popular. Até mesmo aquelas que são “fenômenos” (de acordo com a imprensa, pelo menos) de audiência seguem esta simples regra. O fiasco que se tornou o Second Life ou a WebTV são bons exemplos disso; ou ainda o domínio do Google onde antes reinavam Yahoo, Altavista e Cadê?; ou, por último, a simplicidade do i-pod.

O simples sempre vence.

Então, se o seu aluno fala sobre algo muito complexo, difícil de usar, inacessível, não se preocupe: a moda passará rapidamente ou não se tornará consolidada até que melhore sua interface. O inverso também é verdadeiro: se o seu aluno falar sobre algo com uma interface simples, a poucos cliques de distância, pode ter a certeza de que mesmo que você não entenda a utilidade ou a função da ferramenta, esta vai ser bem sucedida.

Existem, naturalmente, ferramentas óbvias como VOIP (voice over ip, ex: Skype) que fazem exatamente aquilo que você imagina.

O seu aluno é capaz de aprender coisas estranhas como equação de segundo grau. Algo como o Twitter é mais simples para ele do que abrir a geladeira.

Assim como qualquer coisa online, a chave é como nós nos relacionamos com a ferramenta e seus usuários. Qual botão apertar qualquer um aprende. Entender o signo e o significado é sempre mais complexo, não importa se na web ou não.

Talvez o melhor norte que se possa fornecer neste assunto seja a quebra do pré judice. Na web não apenas o pré julgamento (roupa, aparência, cor, etc) se quebra mas também rui a relação de poder: você e seu aluno estão no mesmo nível hierárquico e ele espera ser tratado como igual.

Você precisa falar a linguagem dele. Dois ótimos exemplos disso são o blog Física na veia e o portal Lablogatórios que unem o conteúdo com uma linguagem (tanto em termos de ambiente e interface quanto no que diz respeito à linguagem escrita) a que o aluno/jovem está acostumado, tratando-o com respeito e de igual para igual.

No que diz respeito à tecnologia, hoje temos uma entidade sem fins lucrativos chamada w3C (World Wide Web Consortium), que orienta como construir sites e aplicativos de forma acessível por todos. A acessibilidade hoje é uma das maiores preocupações dos desenvolvedores. Uma das grandes mudanças foi a separação da informação do conteúdo.

A informação ou o conteúdo não existem mais localizados, centralizados. Nós somos múltiplos e estamos em muitos lugares.

O que muda, essencialmente, é o tom. Não apenas uma questão de linguagem, onde a escrita é tratada como oral, mas também (e principalmente) a quebra absoluta da relação de poder. O leitor não é mais apenas um receptor e o discurso pode ser complementado a qualquer momento, por qualquer um.

O modelo da Wikipedia, por exemplo, pode ser usado com milhares de outros fins, inclusive o pedagógico. Um professor pode, por exemplo, criar um site no modelo Wiki sobre a sua matéria e com isso montar de uma forma muito dinâmica e participativa um modelo inovador de gestão de conteúdo, junto com seus alunos.

O sistema da Wikipedia é de código aberto, gratuito e pode ser baixado no endereço http://www.mediawiki.org/wiki/MediaWiki

A maioria dos provedores de hospedagem trabalha com um gerenciador chamado Cpanel (painel de controle) e possui o Fantastico, um instalador automático de diversos sistemas, entre eles alguns modelos diferentes de Wikis, ao alcance de um clique.

O miguxês e outros códigos

O designer Mario Amaya falou com muita propriedade sobre o assunto em seu blog e merece a sua visita.

O miguxês, ou seja, aquele dialeto de internet que a gente não entende, não é um empobrecimento do idioma, é outro idioma. A comunicação em miguxês é uma opção do jovem, e não falta de.

Este aspecto, o de não ser uma limitação e sim uma opção é crucial para entendermos esta comunicação.

Redes sociais

Acho hilário o termo “rede social”. Existe alguma rede de pessoas que não seja social? A internet toda é humana, formada por pessoas que se comunicam entre si e portanto é toda uma grande rede social.

O termo na verdade se refere a sistemas que facilitam esta comunicação interpessoal, como o Twitter, Orkut, Facebook e muitos outros. Assim como em qualquer festa, é mais importante saber se comportar no ambiente do que saber a receita do bolo.

Tanto nas ditas redes sociais como na tal da “blogosfera”, o crédito é importantíssimo. Apesar de abrir mão da privacidade, o jovem não abre – e nem deveria – mão da individualidade. A internet toda funciona muito por mérito e crédito, ou seja, se você viu um link interessante no Twitter de alguém, ao invés de copiar e colar para repassar para o seu grupo, faça um “retwitt”, ou seja, assuma que você está repassando algo feito/descoberto por outra pessoa, citando a fonte. O mesmo vale para blogs. Os blogs mais respeitados são aqueles que criam conteúdo próprio e que quando reproduzem algo de outra pessoa, dão os devidos créditos. Esta é uma regra que não pode ser quebrada online, sob o risco de perder completamente a credibilidade. E, como sabemos em qualquer ambiente (online ou offline), credibilidade é tudo nessa vida.

Outra regra importante para a sobrevivência online é a periodicidade. É melhor não ter um blog/twitter/etc do que ter um bissexto. A presença online exige alguma manutenção.

O contato direto com o aluno e no ambiente dele pode trazer bons frutos. Muitos problemas como a falta de tempo, a timidez ou mesmo a pressão de grupo caem por terra quando o jovem está online. Muitas vezes ele consegue se expressar com mais desenvoltura, rapidez e facilidade na internet do que na sala de aula.

A semelhança com audiovisuais e seus blocos pequenos de texto

O quadro-negro não passa vídeo, não permite o copy-and-paste, não tem hiperlink, não toca mp3, não reproduz podcast e não aceita comentários, mas na verdade a estrutura lingüística é muito similar à internet. São tópicos com pouco texto que dão suporte ao que é dito verbalmente.

Apesar de o texto ser o seu suporte fundamental, a linguagem é verbal e conta com todo e qualquer recurso audiovisual disponível naquele momento.

Essa capacidade de síntese que o professor tem para dar e vender é extremamente valorizada online.

Assim como na sala de aula, na internet o aluno que se interessar por determinado assunto irá procurar textos e subsídios mais aprofundados. A grande diferença é que o processo não é passivo: o aluno assume o papel de responsável e ator da busca por aquela informação.

O professor tem à sua disposição diversas mídias e formatos diferentes. Aqueles que se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo podem, por exemplo, criar um podcast.

Escrever em um blog, por exemplo, não exclui outras possibilidades. O blog pode inclusive conter um podcast, vídeos, um fórum e conteúdos de redes sociais.

A questão da atenção dividida

Paradoxalmente, quanto mais o professor espalhar as suas informações online, mais o aluno vai focar no assunto. Esta pulverização que pode enlouquecer alguém ainda não habituado com a tecnologia é, na verdade, percebida como um símbolo de importância. Quase que uma reprodução das medidas de um clipping, onde o volume de notícias é contabilizado como uma vitória. O internauta presta mais atenção àquilo que chegou a ele de várias fontes diferentes porque entende como sendo de uma relevância maior.

Qualquer informação online que venha de forma intrusiva ou impositiva é imediatamente descartada, mesmo que de interesse do aluno. Ele precisa se sentir e se perceber como agente daquela informação. Aqui entram, com grande importância, as redes sociais e os blogs, onde o professor pode, além de interagir com outras pessoas, colocar o seu conteúdo online de uma forma em que o aluno vá até ele sem se sentir em uma posição submissa ou passiva.

A passividade no recebimento da informação é sempre entendida como spam. Nada online é unilateral, mesmo que a bilateralidade seja apenas a de clicar em um endereço para chegar ao blog.

Dicas de ferramentas

Colocar uma matéria online no Google Docs, onde o aluno pode copiar e colar o que interessa, interagir deixando comentários e/ou dúvidas ou mesmo acrescentar algo.

Publicar slides, imagens, ilustrações e apresentações nas ferramentas gráficas (Flickr, Picasa, etc), de forma que o aluno tenha acesso a estas informações com maior clareza do que uma reprodução xerox ou cópias feitas em cadernos.

Publicar textos em domínio público no Scribd, de forma não apenas a compartilhá-los com toda a web mas também facilitando o acesso e busca deste material.

Indicar a leitura de trechos ou livros na íntegra no Google Books, dependendo se em domínio público ou não.

Abrir um canal de comunicação direta com alunos e colegas através do Skype, msn ou similares.

Tocar/mostrar músicas no Blip.fm, como demonstrativas de uma figura de linguagem ou de uma época.

Estimular a leitura através de hipertexto e a assimilação de conteúdo de qualidade em palestras online e vídeos educativos.

Criar coleções (listas) no Youtube ou no Vimeo de vídeos interessantes e recomendados para os seus alunos.

Criar versões WAP de seus blogs para que os alunos possam ler no celular. A maioria dos sistemas de blog possui versão WAP ou algum plugin gratuito para esta finalidade.

Usar o Google Earth ou Maps para mostrar locais ou o History do Google Earth para representações em 3D históricas (Roma Antiga, por exemplo), ou ainda o céu ou a Lua ou Marte.

Reproduzir experiências bem sucedidas como o Mil Casmurros, por exemplo.

Centralizar bookmarks de forma pública e acessível no Delicious.

Ampliar o repertório dos alunos com palestras do Teachertube, do MIT ou do TED.

O senso de comunidade

O ser humano é engraçado: basta ver a casa de um que já quer construir a sua do lado. Nós temos o senso de comunidade muito enraizado em nossa formação. Desde o homem primata que formamos comunidades. Os princípios de auto-preservação e proteção seguem em nossas vidas o tempo todo.

Os alunos formam grupos, tanto em sala de aula quanto em intervalos. O ser humano se relaciona em bandos, mesmo que este bando seja composto por apenas duas pessoas. É natural portanto que na web este senso de comunidade se reproduza também.

Um dos pecados mortais é ir contra ou trair grupos estabelecidos (exemplo: a propaganda do Estadão contra os blogs), mas às vezes é difícil detectar os grupos que são por natureza voláteis, orgânicos e flexíveis, ainda mais online.

Uma boa forma de se medir a relevância daquele grupo ou pessoa online é uma simples busca no Google. Coloco aqui alguns truques práticos de uso do Google para este fim:

Para limitar a busca naquele termo específico e não em todas as palavras que o compõe, use aspas. Ex: “gato siamês” irá retornar um resultado muito mais relevante do que apenas procurar por gato e siamês.

Para descobrir quem ou quantos sites têm links para alguém, use o “link:”. Exemplo: “link:aguarras.com.br”. Não é necessário usar o www.

Para buscar algo apenas dentro de um determinado site, comece a busca com “site:URL busca”. Exemplo: “site:aguarras.com.br arte-educação”.

Para buscar um conteúdo apenas em um determinado tipo de arquivo, use o filetype:TIPO. Exemplo: “hauser filetype:pdf”

Existem outras dicas no próprio Google.

Muitas vezes a própria internet fornece informações sobre quem é o seu visitante, o que ele pensa, como age e o que a comunidade pensa dele.

O potencial disseminador do internauta

As técnicas de divulgação mudam de nome e formato com o tempo. O que antigamente era o RP (relações públicas) hoje é o especialista em rede social. As ferramentas mudam mas o princípio é o mesmo (nós somos os mesmos).

“Aquilo que é bom não precisa de propaganda”. Esse é um dos mitos mais conhecidos na publicidade e é apenas isso: um mito. O professor faz propaganda de sua matéria. A mãe faz propaganda de suas opções de vida ao filho. O padre faz propaganda de sua religião. Os formatos e os objetivos mudam, naturalmente, de acordo com o caso, mas a disseminação de idéias e ideais faz parte de nosso instinto de preservação, a preservação de nossa memória.

Na Grécia Antiga, era considerado “clássico” aquilo digno de ser copiado. A expectativa de vida então era de 35 anos e a noção da finitude da condição humana era claríssima. Assim como na internet, a nacionalidade era uma essência, um pertencimento espiritual e cultural e não algo limitado por fronteiras: se você fala grego, segue a religião grega, pensa como um grego, você é grego, não importa onde viva ou tenha nascido. As artes eram consideradas de suma importância porque perpetuavam o registro da cultura. As conquistas eram não apenas militares mas também culturais.

Estes mesmos conceitos são reproduzidos na internet que, assim como a Grécia Antiga, não tem a noção do Estado-nação. O modo de vida do internauta o qualifica. Aqueles que não são internautas (“não falam grego”) são considerados pelo grupo como inferiores culturalmente (bárbaros). O conceito de clássico é aquilo que é reproduzido, independente se um vídeo tosco no Youtube ou uma palestra no TED.

Surge então o conceito de uma informação viral, ou seja, que se reproduz além de uma intenção ou controle, que se reproduz de forma autônoma, espontânea. Um bom viral é aquele que move alguma emoção, que toca em algum ponto da formação do ser, mesmo que seja o de considerar o diferente como um bárbaro.

O fenômeno de dissipação destes conteúdos é às vezes batizado de “meme”, uma analogia ao conceito criado pelo zoólogo Richard Dawkins para explicar a disseminação de pensamentos, idéias e produtos culturais. Segundo Dawkins, algumas informações são transmitidas da mesma forma que os genes, replicando-se automaticamente e tornando-se parte da cultura universal.

A internet é o veículo ideal para a transmissão desses “memes”. E, com o advento de sites que permitem a criação e a divulgação de conteúdo produzido pelos próprios internautas, os memes ganharam um novo aspecto: a possibilidade de estas unidades de informação não apenas serem retransmitidas, mas ganharem novas leituras.

E tudo isso ao alcance de um clique. Não precisamos mais esculpir em pedra a nossa visão de mundo. E com a facilidade vem também o alcance exponencial.

O professor pode se colocar como receptor e requisitar aos seus alunos, por exemplo, que indiquem conteúdo relativo a um tema. A pesquisa estimulada na web movimentará a comunidade de alunos e, conseqüentemente seu interesse. Ou, ainda, analisar algum conteúdo online junto a seus alunos, estimulando desta forma a busca por similares.

Conteúdo é a chave do negócio, sempre foi e sempre vai ser.

O que você tem a dizer é muito mais importante do que a forma.




Nota importante: este artigo foi originalmente escrito como uma linha geral de uma palestra para professores e não tem a pretensão de ser nada além de um apanhado de dicas sobre alguns dos usos possíveis da internet como instrumento didático. Este não é um whitepaper e a autora é especializada em internet e não em pedagogia.

Fala Freela #27 – depoimentos

18 de Maio de 2009

O Fala Freela #27 foi um espaço aberto para depoimentos dos ouvintes.

Nós temos sempre uma grande preocupação em ouvir mais do que falar e este episódio teve, justamente, esta proposta.

(…) no novo episódio da meia hora mais valiosa do seu dia, Mauro Amaral, Humberto Oliveira e Carolina Vigna-Maru – repórter de campo de futuro!-, cederam espaço para a voz de ouvintes que muito somaram nesses 27 programas. Agradecimentos mais do que merecidos a Luciano Sampaio, Henrique Arake, Eduardo Sales, Gustavo Nogueira, Cristiano “Web” Santos, Ruronikz e Mauricio Domene pelas entrevistas e tempo doado ao FalaFreela.

SP-Arte (fotos)

15 de Maio de 2009

Na década de 30 (e por reflexo, na de 40 também), o mundo estava de cabeça para baixo. Sangue para todo lado, Hitler, Segunda Guerra, crise de 1929, enfim, aquele bom e velho caos que todos conhecemos. Não por acaso as pin-ups surgem no país com maiores problemas financeiros naquele momento, os Estados Unidos. As pin-ups tentavam resgatar algum tipo de identidade a um povo massacrado, através da sexualidade e do humor. Naquele contexto já era uma objetificação, já era ruim. Hoje é apenas ridículo.

Existe uma corrente errr.. cof, cof filosófica de endeusamento da mulher que nada mais é que uma objetificação. Explico. Ao retirar aquele determinado grupo de indivíduos (mulher, gay, negro, astigmático, não importa) do ambiente humano, ou seja, ao desumanizar alguém, você o objetifica, mesmo quando sob o pretexto da divinização. Acontece que este tipo de ação, em pleno 2009, não apenas perdeu o sentido como perdeu também qualquer possibilidade de justificativa ou embasamento. Não é mais aceito fora do universo pornô assim tão facilmente.

Diz um amigo meu que as pin-ups não vão além do alcance da mão, referindo-se, justamente, às tentativas de parecer fazer mais do que esta mera objetificação de que falei anteriormente.

O cenário fotográfico geral da SP-Arte é que as pin-ups voltaram. E voltaram em preto e branco, em uma tentativa de posicionar o estilo em um tempo cronológico em que isso era possível, usando a técnica como uma bengala, como uma pseudo-justificativa artística. Além de ridículo fica datado.

Alguns se salvam.

Só na galeria Babel gostei de três:

hoepker iata gui mohallem

Thomas Hoepker com uma print de 1936. Hoepker foi historiador da arte e arqueólogo mas acabou sendo mais conhecido como repórter fotográfico. Hoepker sempre tem um olhar poético, tanto na composição quanto no assunto sem aquele distanciamento estereotipado que se espera de um arqueólogo alemão. É um fotógrafo sem clichês.

Iatã Cannabrava, com uma color de 2008 intitulada Capão. A figura dialoga dentro de si, com o quadro dentro do quadro e com o fruidor que entra no cenário e na biografia da imagem. Elvira imediatamente apontou a estrutura de Velásquez, onde uma parte da estória anterior permanece dentro da contada, como um roteiro que cria passados não-vistos das personagens.

E, ainda na Babel, gUi Mohallem, com o seu Ensaio para loucura, pinholes de 1979. Ele se/nos aproxima em camadas, em etapas, devagarzinho para ficar mais gostoso. A primeira é a própria técnica, que retira a lente entre o fotógrafo e o fotografado. Outra aproximação é a da interação, onde o visitante é convidado a usar carimbos. A idéia do carimbo é gostosa, funciona como uma lembrança. E mais uma, as pessoas fotografadas estão em movimento, são reais, fazem parte do seu-nosso cotidiano. Poderia ser você, daí a loucura, uma loucura não ensaiada mas de todos nós, você, eu, fotógrafo e fotografados. E aí tem os carimbos em si, que trazem textos íntimos dos fotografados. São seis, selecionei um: Eu sou tão normal, tudo que eu faço é normal, eu penso tanto antes de fazer as coisas… mesmo quando eu me drogo ou trepo com um desconhecido é muito normal, sabe, dentro dos limites da normalidade.

Fernando Arias Fernando Arias

A galeria Eduardo H Fernandes mostra o Tríptico umbilical do colombiano Fernando Arias. É um mesmo homem, nu, em posição fetal, visto em três planos diferentes e sim, são três fotos. Fazem parte de uma exposição intitulada Humanos Derechos, uma antiga bandeira do artista.

Miguel Rio Branco

Na Silvia Cintra encontrei um tríptico de Miguel Rio Branco, de quem eu sempre gosto. Ele retrata a tragédia urbana e cotidiana sem recorrer a excessos de texturas ou outros modismos.

Helena Almeida

A galeria Mário Sequeira trouxe duas fotos de Helena Almeida que brincam com o tempo e com a seqüência narrativa. Estão em um corredor e portanto você pode vê-las sem uma intenção de ordem, de sentido. As fotos são da mesma cena em dois momentos e em um destes o retratado olha para você. É sempre bom encontrar novas linguagens em velhas técnicas.

Vaqueiros, de Andreas Heiniger Vaqueiros, de Andreas Heiniger

A Amarelonegro Bei mostra Vaqueiros, de Andreas Heiniger. Vaqueiros merece um duplo elogio. Obviamente pela qualidade fotográfica e narrativa mas também pela montagem. A Amarelonegro Bei colocou as fotos, portraits dos nossos peões, em colunas enviesadas em relação ao visitante, fazendo com que o olhar fosse imediatamente impactado pela força das pessoas retratadas mas ao mesmo tempo permitindo uma aproximação gentil.

Claudia Jaguaribe

Na H.A.P. encontrei outra sempre ótima, a Claudia Jaguaribe. Ela é artista plástica e historiadora da arte mas poderia perfeitamente ser designer também. As suas duas fotos fazem uma brincadeira cromática, em que ela pega o tom dominante/emocional da fotografia e o (re)aplica sobre a foto em uma faixa, uma foto se contrapondo à outra inclusive em termos de diagramação e com esta delicada interferência ela mostra (e educa) um olhar.

Odires Mlaszho

E na Vermelho, vi Odires Mlaszho, com seus seis portraits mixados entre estátuas/figuras notórias e fragmentos de pessoas, em um encaixe perfeito entre as duas imagens. Ao humanizar a estátua, mostrando o carne-e-osso, ele desumaniza a noção de realidade. Odires, aliás, não é nome próprio, é um acrônimo de Objetos Derivados Intrínsecos Restos Emulsionados ou Saqueados.

cafezinho

A SP-Arte sempre vale uma visita. Só fique longe do café, que além de custar inacreditáveis R$4,50 é ruim e veio frio. E ainda vem acompanhado do olhar de desprezo do atendente que está naquele fantástico lugar superior e é o guardião da única fonte de cafeína da feira. Na próxima eu levo uma garrafa térmica. Juro que levo.

 

ERRATA – Tatiane Lopes escreveu: Apenas uma correção: as fotos da exposição “Vaqueiros” é do estande da Bei Editora, no qual ele está lançando um livro.


publicado no Aguarrás em 15/05/2009
ISSN 1980-7767, ano 4 n° 19, maio & junho de 2009

Uma febre chamada Twitter

4 de Maio de 2009

publicado no jornal O Liberal, de Belém, em 4 de maio de 2009

FERNANDA CHOCRON
Da Redação

Para você, qual o perfil de uma pessoa curiosa? O de um cientista, que passa anos em um laboratório estudando possíveis curas para uma doença? Ou o de um detetive, que analisa minuciosamente cada detalhe de um crime, para desvendar a verdade? Ou ainda o de uma pessoa que fica ‘bisbilhotando’ a vida da vizinha, do ex-namorado, ou de quem quer que seja em sites de relacionamento? Independentemente do perfil, a verdade é que a curiosidade está em evidência. A prova disso é a mais recente mania na internet: o Twitter. A novidade é um programa no qual as pessoas revelam, em tempo real o que estão fazendo. O que pode parecer banal para você, reúne, hoje, mais de seis milhões de pessoas. Interessadas em quê? Em apenas saber o que os outros estão fazendo? Ou saber o que personalidades como Madonna, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ou o apresentador de TV Marcelo Tas, andam fazendo por aí? Isso e bem mais que isso. No Brasil, o programa já virou febre. O país está em quarto lugar no ranking dos pontos que mais acessam ao microblog, perdendo apenas para os Estados Unidos e centros da Europa. Como não podia deixar de ser, o programa também tem dado o que falar entre os artistas paraenses, que não só contam trechos de suas vidas, mas divulgam produções e mantêm contato com seus ‘seguidores’ – termo utilizado para denominar os usuários que têm curiosidade de ler o que outro usuário publica.

A jovem atriz paraense Delianne Lima encontrou no Twitter uma forma de divulgar seus projetos. ‘Tem dado muito certo. A resposta é imediata’, afirma. Apesar de utilizar o microblog há apenas quatro meses, a atriz já deixou de lado outros meios de relacionamento na internet, como o Orkut. ‘O Twitter é como se fosse um desabafo virtual’, classifica.

Ao ser questionada sobre a aproximação entre artista-público que ocorre através do programa, Delianne respondeu como profissional da área e como espectadora do trabalho de outros artistas. Na posição de profissional do teatro, Delianne considera positiva a aproximação, por achar que, dessa forma, é possível conhecer a pessoa fora do palco. Falando como parte do público de artistas consagrados, a jovem atriz afirma que através do site conseguiu acompanhar mais de perto quem ela admira e ainda manter contato e trocar experiências.

ATÉ O ROCK

Para os integrantes da banda paraense Madame Saatan, qualquer artista, independente ou não, precisa estar conectado às novas mídias. ‘É imprescindível que fiquemos por dentro das tendências no mundo virtual. Apareceu o Twitter? Então, lá vamos nós, já que é mais uma forma de interagir com o público e fazer com que mais pessoas fiquem conhecendo seu trabalho’, afirma a vocalista Sammliz Lages, que encontrou no microblog uma nova forma de continuar antenada ao ‘mundão virtual’, após precisar deletar perfis no Orkut.

Segundo a cantora, a vantagem do Twitter está no dinamismo com que ocorre a troca de mensagens. ‘Você pode ‘tuitar’ até pelo celular, informando, para quem está te seguindo, sobre agenda de shows ou qualquer coisa que achar relevante. Eu tenho o meu pessoal e temos o da banda que é utilizado para informações sobre novidades, shows e matérias que saem sobre a gente. A internet é parte do nosso trabalho’, explica. Apesar do potencial de divulgação encontrado no Twitter por diversos grupos musicais, segundo Sammliz, entre as bandas paraenses, a ferramenta ainda é pouco utilizada. ‘Até o momento, não há nenhuma adicionada no meu e nem no da banda’, comenta a cantora, que tem mais de 100 seguidores.

PODER

‘Acredito que o Twitter seja importante para que pessoas estabeleçam diversos tipos de relações, sejam elas profissionais ou pessoais’, afirma Fernando Hage, design paraense e mestrando em Moda, Cultura e Arte, que conhece a ferramenta há mais de um ano, mas a utiliza há apenas um mês. Atualmente morando em São Paulo, o profissional considera o Twitter um meio de estar conectado a formadores de opinião e uma ‘poderosa rede de discussão’. ‘Sou usuário há pouco tempo do Twitter, mas percebo que aqui em São Paulo é dada uma importância maior por parte de empresas e formadores de opinião em utilizar a ferramenta. Por isso é interessante já estar de certa forma próximo desses contatos’, comenta.

jornal O Liberal, de Belém, em 4 de maio de 2009

Carolina Vigna-Marú, designer e ilustradora, que desenvolve trabalhos voltados para a web, também considera o Twitter um espaço de discussão. ‘A ferramenta possibilita uma troca muito grande e rápida de informações. Às vezes vemos até mesmo extensos debates sobre uma determinada técnica ou sobre um determinado artista’, diz. Por isso, para ela, o aspecto mais importante da mais recente mania na internet é o relacionamento. ‘O Twitter humaniza o relacionamento e aproxima quem quer que seja de seu público. Já faz tempo, porém, que ele não é um relato curto do que estamos fazendo. Há muito conteúdo, muita informação prática, real e útil’, destaca. No caso da fotógrafa paraense Lyna Oikawa o microblog atua como veículo de divulgação do trabalho e, sobretudo, de obtenção de referências de outros fotógrafos e profissionais da área. ‘Ao mesmo tempo em que posso receber comentários a respeito do meu trabalho e de como melhorá-lo, pode acontecer de eu criticar ou sugerir algo para o trabalho de uma pessoa que ‘sigo’. É uma forma de ficar por dentro das tendências que são geradas em torno dessa arte’, comenta. Ela também segue twitters de canais de notícias, como o G1.

Tecnologia de blogs e celulares

Criado nos Estados Unidos em 2006, o Twitter alia a tecnologia do blog a de um celular. Cada usuário pode enviar mensagens com ate 140 toques, como as que são enviadas dos celulares. Além de ser divulgada em tempo real no site oficial do programa, como ‘post’ de blog, para todos os seguidores, ela segue via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail ou programa especializado.

De acordo com Gustavo Nogueira, publicitário paraense que trabalha com produção de conteúdo para internet e que desenvolve pesquisas relacionadas à Cultura Digital, Mídias Sociais e Internet, quando começou a usar o microblog, em agosto de 2007, eram poucos os usuários do Twitter que o conheciam. ‘Com o tempo, e uma frequência média de ‘tuitadas’, as pessoas começaram a seguir o que eu escrevia, e eu mesmo passei a interagir com as pessoas que eu seguia. Nesse momento, percebi a real função do Twitter e, desde então, estou sempre conectado’, lembra Gustavo.

Para ele, o Twitter tem uma função social. ‘Ele permite que outras pessoas tenham voz e também se tornem disseminadores de informação, já que, apesar de ter como proposta responder a frase ‘o que você está fazendo?’, é o usuário que escolhe que uso fará da ferramenta. Ele tem controle sobre quem quer seguir e de como quer interagir com quem o segue’, explica. Diferentemente do Orkut, no Twitter, você é quem determina o conteúdo que terá acesso. ‘Mesmo que um monte de pessoas esteja seguindo você, você só segue quem você quiser’.

Fala Freela! #26 – advogados

4 de Maio de 2009

Cruzando pela primeira vez a fronteira segura do mundo da web, design e marketing, o Fala Freela traz em seu 26º episódio um pouco dos desafios e conquistas dos advogados freelas. Sim, eles existem! E para nos contar essa história, chamamos nosso ouvinte Henrique Arake que lá em Brasília, além de editar o blog Direito&Mercado atende a sua clientela que segue fiel e confiante em seus préstimos jurídicos.

Junte-se a Mauro Amaral e Carolina Vigna-Maru para mais um episódio da meia hora mais valiosa do seu dia. Aliás, desta vez temos versão estendida, pois aproveitamos a presença do rapaz para sapecar algumas perguntas de interesse comum a comunidade freelancer. Aproveitem!

Links e referências

- Guia da Biblioteca Nacional sobre registro e averbação de obras

- OAB – A ordem dos Advogados do Brasil

- O episódio 11 do FalaFreela, com dicas para você montar seu home-office

Papo de artista – processo criativo

2 de Maio de 2009

Como funciona o processo criativo?

Rod Reis, Eduardo Schaal e Carol Vigna-Marú, três ilustradores e acima de tudo criadores, discutem tópicos importantes e dão uma aula sobre criação, processo criativo, originalidade, bloqueio criativo e dão várias dicas para quem quer se tornar um profissional criativo.



Obs: Os primeiros 14 minutos são de dicas super legais mas é bom avisar que o papo comigo e com o Schaal só começa mesmo depois disso. Vc pode fazer o download também.


Papo de Gordo 16 – Gordos no Trabalho

30 de Abril de 2009

Papo de Gordo 16 – Gordos no Trabalho

Em um mês repleto de feriados, Eduardo Sales Filho, Maira Moraes, Lucio Luiz, Flavio Soares, Conrad Pichler, e a convidada especial Carol Vigna-Maru se juntaram para falar sobre trabalho.

No programa dessa semana descubra quais profissões engordam, aprenda a lidar com os colegas chatos do escritório, descubra quem tem o hábito de esconder comida em sua mesa e acompanhe o esforço infrutífero de Dudu em apresentar o episódio enquanto um revoltado Flavio reclama por não ter participado do Papo de Gordo anterior.

Prepare-se para rir, pois o podcast mais pesado da internet está começando.

Links relacionados ao episódio

Dudu no Podcumê
Fala Freela
Revista Boom
Farrazine
Post da Bruna sobre podcasts
Mundo Rock de Calcinha
Comunidade do Papo de Gordo no Orkut
Sammo Hung – um gordo em filmes de ação
Sammo Hung vs Wu Jing
Rick Miranda – nosso ouvinte e repórter gordo

Preciso avisar a vocês que eu mais ri do que falei. A turma é hilária e as gargalhadas ao fundo são minhas.

Obrigada, turma, foi muito divertido participar!

Indo além do banco de imagens

20 de Abril de 2009

publicado na Revista Webdesign online em 20/04/2009
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Mais novidades para o site da Webdesign! Neste mês, iniciamos a publicação de artigos on-line, com o intuito de proporcionar conteúdo complementar aos assuntos abordados ao longo das edições impressas da revista, além de estimular a troca de conhecimentos entre os profissionais de nossa comunidade.

Na estreia deste novo espaço, convidamos a designer e ilustradora Carolina Vigna-Marú para apresentar um passo a passo sobre alternativas no uso de imagens a serem aplicadas em um projeto. Desejamos uma boa leitura e deixem seus comentários por aqui!

Indo além do banco de imagens

Muitas vezes, o designer precisa criar uma ilustração, um ícone ou algum outro tipo de comunicação gráfica. A questão é que nem todo designer é ilustrador e frequentemente é preciso recorrer a stock images.

Stock (de estoque mesmo) são imagens genéricas. Antigamente as chamávamos de imagens de arquivo. A ideia é pagar pelo direito de reprodução ou licenciamento daquela imagem, porém não por sua exclusividade. Os preços costumam ser baixos, mas por outro lado são imagens que encontramos em qualquer lugar, sem nenhuma personalização.

Uma saída é recorrer aos bancos de imagem gratuitos ou licenças Creative Commons, mas o problema do “lugar comum” é ainda mais evidente. Uma boa dica para contornar esta situação seja usar, como ponto de partida, uma imagem gratuita, como as encontradas na Wikicommons, e transformá-la em uma ilustração criativa.

Neste post, vamos fazer um passo a passo de um exemplo deste processo, usando apenas ferramentas gratuitas:

Passo 1: escolher uma boa imagem

cat_walking_dsc08739

A imagem precisa ser expressiva e o mais limpa possível, com pouco fundo e com um bom tamanho, para facilitar a vetorização. Certifique-se que a licença da imagem permite o uso derivado, ou seja, que você transforme a imagem original em outra. A oferta é grande e respeitar o trabalho dos outros significa ter o seu respeitado também. Site de pesquisa da imagem: Wikicommons.

Passo 2: vetorizar

autotrace

Vamos utilizar uma ferramenta on-line para vetorizar a imagem escolhida anteriormente.

Passo 3: editar

No programa Inkscape, começamos abrindo o arquivo “.svg” gerado pelo trace. Dependendo do fundo escolhido, é necessário limpar a imagem. Limpeza da imagem (close). Unindo alguns objetos para facilitar a sua manipulação. Operação booleana: achei que os olhos ficariam bons se vazados no objeto maior. Novamente, operação de união, mas desta vez para transformar o gato em uma grande massa preta. A ferramenta “simplify”, do Inkscape, é talvez uma das melhores que ele possui. Com apenas um clique, a figura suaviza e diminui consideravelmente informações desnecessárias. Com a ferramenta de edição de nós, terminamos pequenos ajustes nos pontos e curvas da figura. A figura agora está pronta, em um objeto vetorial, que você pode manipular facilmente e colocar em qualquer tamanho sem perda de qualidade. Adicionar texto pode produzir um impacto interessante.

Agora, é a hora de ser criativo! Uma dica: observe sempre se o seu layout precisa de algum tamanho específico. Começar o trabalho de edição já na proporção necessária adianta muito tempo e poupa dor de cabeça depois.

Lembre-se sempre de dar crédito da imagem original. O bom do Inkscape é que ele já exporta a imagem “.png” com fundo transparente.

Ilustração baseada em fotografia de Mai-Linh Doan

O crédito não diminui em nada o seu trabalho, muito pelo contrário: mostra a todos que você é profissional, criativo e ético.

Viu como é simples gerar imagens personalizadas, que garantam um diferencial para você ou seu cliente? Então, o que está esperando? Não esqueça de colocar um link para o trabalho criado aqui nos comentários!

Fala Freela! #25

20 de Abril de 2009

Falar com clareza, transmitir todos os objetivos e propostas de seu trabalho, estar disponível 100% do tempo para futuros e atuais clientes. Mais do que desafios, em tempos de competição ferrenha, habilidades como essas são fundamentais.

Mauro Amaral, Humberto Oliveira & Carolina Vigna-Maru abriram seus canais de voz para, mais uma vez, criar a meia hora mais valiosa do seu dia. Neste episódio conheça três modelos básicos de centrais de comunicação com seus prós e contras, entenda que estar 100% online e 100% disponível são coisas diferentes e, claro, fique de ouvidos bem abertos para as dicas de ferramentas que vamos dar a você.

Este episódio marca o início de uma nova periodicidade nos pods. Agora, a cada 15 dias um novo episódio novinho estará disponível.

lá e cá

13 de Abril de 2009

Tenho brincado com a idéia de escrever a respeito da reforma ortográfica mas a verdade é que tenho pouco a dizer.

Assim como qualquer resolução imposta verticalmente, ou seja, uma decisão política/comercial, a reforma também beneficia um grupo específico. Não vou entrar aqui nas teorias de conspiração que se tornam rapidamente populares na internet: eu não sei se a intenção original era beneficiar este grupo ou se isto foi apenas uma conseqüência (sim, eu ainda uso trema), mas o fato é que os grandes grupos editoriais saíram ganhando.

Explico: é claro que em um projeto editorial existe muito mais do que ortografia mas esta unificação já permite, por exemplo, que uma grande editora rode em gráfica um miolo único para todos os países e rode apenas as capas separadamente.

Poucas pessoas – para a minha surpresa – tem a noção de que rodar em gráfica uma quantidade enorme sai mais barato do que uma pequena, considerando o preço unitário. Isso sem nem falar dos custos da produção do texto propriamente dito (copy-desk, revisão, etc).

Considerando este fator, é natural supor que viveremos uma invasão das grandes casas editoriais européias aqui no Brasil. A literatura brasileira, já tão pisoteada, coitada, ficará ainda mais massacrada por projetos enlatados, unificados e pasteurizados.

A solução, me parece, é usar a força do oponente contra ele próprio, ao melhor estilo Aikido: a reforma serve tanto aqui como lá e os autores brasileiros podem lutar por seu lugar ao sol na terra de Camões.

Olhar Alternativo

13 de Abril de 2009

entrevista para Olhar Alternativo, abril de 2009 (pdf)

1) Na sua opinião, quais as vantagens de ilustrações internas nos livros?

Carolina: O texto infantil, durante o processo de formação (e informação) da criança, é introduzido ao seu cotidiano de forma gradativa. A primeira representação humana é pictórica, gráfica, ilustrada. A ilustração na literatura infanto-juvenil é responsável por auxiliar nesta passagem entre a representação da figura e a do signo/letra. Depois, quando o leitor já é fluente, a ilustração assume a função de suporte ao texto, tanto literal quanto imagética.

2) Na versão adulta de Dom Quixote de La Mancha muitas editoras imprimem o livro com ilustrações. Imagens são somente para livros infantis? Qual a diferença em ilustrar livros adultos e infantis?

C: A ilustração infantil tem várias funções que a adulta não necessariamente tem, como suporte ao texto, estímulo da leitura, familiarização da forma escrita e gráfica, apresentação de releituras e outras interpretações do texto, etc. A ilustração adulta que não tem função didática ou de humor, na maioria dos casos, assume um papel no ritmo do livro. É quase que como uma pausa para respirar, um adorno funcional sendo mais caricata (e simplista). A ilustração de humor adulta se sustenta sozinha e a didática/técnica tem uma função específica e clara dentro do texto. O ilustrador, na hora em que recebe o trabalho, começa imediatamente a pensar no leitor. O ilustrador funciona como um facilitador entre o texto e o leitor. A ilustração tem um papel muito importante na estrutura da publicação, que varia de acordo com o caso.

3) Quando um escritor decide por um ilustrador existe a participação desse último na escolha das imagens ou é somente um trabalho por encomenda (sem opiniões do ilustrador)?

C: Normalmente quem escolhe as imagens é apenas o ilustrador. O escritor/editor normalmente contrata o ilustrador de acordo com o traço, conhecimento prévio ou projeto aprovado. Daí em diante as imagens podem ser aprovadas ou não, mas são sempre uma escolha do ilustrador. Não consigo imaginar um caso onde o ilustrador não opine sobre imagens que ele próprio criou.

4) De que maneira as novas tecnologias tem auxiliado o ilustrador nos dias atuais?

C: A tecnologia é só um lápis sofisticado. Sem uma mão competente que o guie, nada de bom sairá dali. Não importa quão nova ou revolucionária é a tecnologia, trabalhos de criação sempre dependerão de seus criadores. O ilustrador usa a tecnologia como um recurso a mais, da mesma forma que o escritor usa o Word. O processador de textos não escreve sozinho, por exemplo. Ou, saindo um pouco da informática, o liquidificador não escolhe os ingredientes do suco.

Fala Freela #24

6 de Abril de 2009

As profissões mudaram, o que se aprende também. A forma como isso se dá então, nem se fala. Até mesmo a figura do professor, antes um ser inabalável (e porque não dizer inalcançável), passou por severas alterações sem que muitos de seus mais ilustres representantes tenham se dado conta.

Atrelado ao seu home-office, enfrentando clientes que precisam ser educados no mantra da qualidade e do preço justo, o freelancer enfrenta os mesmos desafios das pessoas e profissionais tradicionais, só que numa escala amplificada algumas centenas de vezes.

Como aluno ele tem que enfrentar formas alternativas de adquirir informação e conhecimento continuamente, preparando-se para ser multitarefa e fazer chover quando se pede. Ou, maturidade das maturidades, avisar que desta vez não cairá uma gota do céu, mesmo que ele tente.

Como professor, precisa criar um ciclo de “apaixonamento” com seu cliente, exibindo dotes quase mágicos de convencimento e persuasão. Explicando que o sobrinho do 402 cobra só R$ 200 por uma loja de e-commerce pois vai simplesmente copiar o código, layout e textos de um tutorial que comprou na banca de jornal ali da esquina.

Impossível? Que nada. Divertido, sim. Ainda mais de para burilar esse assunto temos a presença ilustre de Luli Radfahrer, PhD e professor de Comunicação Digital da Escola de Comunicações e Artes da USP; que sapiente, eloqüente e saliente nos levou para um passeio pela recente história do modus operandi da sociedade capitalista atual, sem deixar, é claro, de dar uma passadinha bem rápida por pensadores gregos e figuras do cinema de aventura.

Alguns links:

Fala Freela #24

Conhecimentos gerais: Academic Earth, MIT, Teachertube, TED, Scienceblogs, Sciencehack, Scribd, Open library

Idiomas: Livemocha

Artes: Artcyclopedia, Absoluteart

Outros podcasts: Ninja mountain, Papo de artista, Searchcast, Escriba Café