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Andei conversando com algumas pessoas a respeito do caso do menino Sean. Interessei-me especialmente pelas opiniões contrárias à minha, justamente por compreender o quão complexa é esta questão. Independente do que eu acho ou deixe de achar a respeito de famílias poderosas de advogados ou de norte-americanos oportunistas, percebi que algumas pessoas confudem conceitos básicos. É importante ressaltar, entretanto, que eu não sou advogada.

1. “rapto”

Antes de mais nada, rapto é a ação de levar alguém contra sua vontade, como refém, o que não foi o caso em absoluto. Rapto e sequestro são coisas diferentes.

2. “sequestro” e a Convenção de Haia

A noção que temos de sequestro aqui no Brasil é reter à força um bem ou pessoa com intenção de cobrar dinheiro, vantagens ou providências imediatas para a concessão do resgate. Também não foi o caso.

Segundo a Convenção de Haia, quando o período da autorização de saída de um país é estendido sem a autorização de um dos pais, configura-se sequestro. Entretanto, a mãe obteve a guarda legal do menino e em acordo com o pai biológico e portanto em nenhum momento esta criança esteve em solo brasileiro de forma ilegal. Cabe sim, a Convenção de Haia, por se tratar de uma disputa internacional de custódia, mas não se trata de um sequestro, já que o menino saiu do país com autorização do pai biológico e aqui permaneceu sob a guarda legal da mãe.

3. O julgamento da custódia tinha que acontecer no país de origem da criança

Sim, é verdade. Entretanto, como a última guarda legal do menino foi brasileira, o processo corre aqui. Tem também a questão da “residência habitual”, ou seja, onde a criança tem o hábito de residir. O hábito de Sean é obviamente brasileiro. Além disso, trata-se de um menino com dupla nacionalidade, mas isso nem entrou em questão. Não houve qualquer irregularidade – mesmo de acordo com a convenção – pelo fato da custódia ser julgada aqui. Os EUA, se fosse o caso, poderiam a qualquer momento ter requisitado que o julgamento fosse transferido para lá, como já fizeram com inúmeros casos (não apenas de custódia).

4. criança tem que ficar com o pai

Claro! Só que pai não é necessariamente o biológico. As famílias não são mais configuradas pela genética faz tempo. O bem estar da criança deve sempre prevalecer. Gostaria de perguntar se aqueles que apoiaram o pai biológico o fariam se ele fosse, digamos, etíope ou guineense.

5. se fosse o seu filho, você gostaria que fosse levado para outro país?

É óbvio que não. Mas também, se fosse meu filho, eu já teria me mudado para o outro país, enfrentado qualquer tipo de dificuldade e não teria esperado anos para entrar com um recurso à distância. Mas claro, isso sou eu.

6. ah, o pai mandou cartas que voltaram!

Esse menino deve ter sido alfabetizado em português uns 2 ou 3 anos atrás. Certamente uma carta (em inglês) é a melhor forma de mostrar o seu afeto, lógico. Como não pensei nisso?

Outra coisa: os Lins e Silva podem ser chamados de qualquer coisa menos de burros. Essa história das cartas está muito mal contada. Seria um tiro no pé devolver cartas. Aposto muito mais em outra explicação, indo desde greve nos Correios até armação ou fraude. Adoraria que estas cartas fossem analisadas por peritos.

É sempre bom lembrar que um direito civil deste menor foi violado. Ele tem o direito de ser ouvido, de acordo com a própria Convenção de Haia (Decreto 3.413/2000, artigo 13), de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Crianças (Decreto 99.710/90, artigo 12), e de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069, inciso II do artigo 16). Portanto, um direito civil internacional desta criança foi violado.

“A própria Convenção de Haia aponta que a autoridade central do país requerido pode recusar a entrega se contar com a manifestação de vontade da criança, que até os 16 anos está protegida pela Convenção”

É sempre bom lembrar também que a própria Convenção de Haia prevê a possibilidade da adoção de menores (artigo 16).

Não vou nem entrar no mérito da questão de se tratar de um herdeiro. Ou da pressão norte-americana usando acordos comerciais. Ou do contrato com a NBC. Ou do pai biológico não ter esperado nem uma semana para cobrar 500 mil dólares da família brasileira. Não vou.

Fica aqui o meu apoio à família brasileira e meu voto para que continuem lutando e que entrem com um processo nos EUA e que façam tudo. Tudo.


adendo: leiam o depoimento do Sean no 13º ofício de notas (em pdf).

Império Romano, War

Levei uma surra. Não sobrou centurião para contar história.

Este episódio do podcast Aguarrás, último do ano de 2009, tem como convidado o Luiz Felipe Vasques, animador mais do que conhecido no mercado.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Felipe é também designer e ilustrador e trabalhou comigo no Laboratorium de Multimídia da PUC/RJ uns 19 anos atrás (acho, não sou boa com datas).

Espero que vocês gostem. E, claro, feliz 2010!

2010
Dez
24
2009
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Que em 2010 você tenha vontade de dançar.

blah

O portal Fantastik está sendo todo reformulado. As mudanças mais importantes são de conteúdo e este crédito é todo do Eric Novello. A mudança de layout, entretanto, é culpa minha.

Este novo layout tem algumas coisas que muito me agradam.

A primeira delas é o slideshow na home. Isso foi feito usando uma linha em php do NextGen Gallery. O NextGen é um plugin para o WordPress e na verdade foi desenhado para funcionar dentro de posts ou páginas do WP, mas eu achei uma possibilidade de inserir uma determinada galeria como slideshow no template via linha de código. Adaptei e funcionou. Daí para criar uma home diferenciada foi fácil, o próprio WordPress se presta a isso com bastante flexibilidade e basta criar uma home.php que ele entende que aquela é a home e o resto é o resto. A linha de comando que eu acabei usando foi a echo nggShowSlideshow(id,width,height); que funcionou perfeitamente. A grande vantagem desta solução é que o Fantastik pode criar outros slideshows e outras galerias sem ficar preso ao tamanho do primeiro. Na verdade gostei tanto dessa solução que estou pensando seriamente em adotar algo similar no meu portfolio.

Outra coisa de que eu gosto muito é o posicionamento do título dos posts/artigos.

E, por fim, mas isso já tinha desde a primeira versão, é o índice em ordem alfabética. Este índice é feito com o ótimo WP-Snap.

Ainda estou mexendo em detalhes que encontro no caminho mas talvez só eu os perceba. É isso. Espero que gostem.

Fomos ontem no MUBE assistir ao Concerto a dois Pianos, com os pianistas Pedro Sperandio & Erika Ribeiro.

Erika é a professora de piano do meu filho.

Concerto a dois Pianos

Não me acostumei com os paulistas e ainda me surpreendo quando encontro – num domingo de sol, em um lugar chato de chegar e com a entrada custando 30 pratas –  um auditório lotado para ouvir Haydn, Schubert, Chopin e Schumann.

O concerto foi lindo e o Schumann, divino. Os pianistas merecem muitos auditórios lotados e todos os aplausos que demos, emocionados, de pé.

Agora, vamos combinar que Sampa é tudo de bom. Fala sério.

Oh lord won’t you buy me a Leica M9.
My friends all drive porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends.
So oh lord won’t you buy me a Leica M9
Oh lord won’t you buy me a color TV.
Dialing for dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until 3.
So oh lord won’t you buy me a color TV.
Oh lord won’t you buy me a night on the town.
I’m counting on you lord, please don’t let me down.
Prove that you love me and buy the next round.
Oh lord won’t you buy me a night on the town.
Oh lord won’t you buy me a Leica M9
My friends all drive porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends.
So oh lord won’t you buy me a Leica M9

adaptado da música de Janis Joplin, Mercedes Benz