Devo mandar o registro autoral junto com os originais?

Devo mandar o registro autoral junto com os originais?

publicado no Carreira Solo

Pedro Cruz trouxe a dúvida, eu comentei lá no post, mas como aquilo que serve a um, muito mais intensamente serve a muitos, transformei o comentário em post.

Ele nos pergunta se, ao enviar nossos originais para análise é aconselhável enviar o registro autoral da obra em questão.

Olha, regra geral, fazer isso é bobagem e dá um recado ao editor que você não confia nele, além de parecer um início ruim de relacionamento. Para ajudar a clarear a idéia dos demais leitores aqui do Carreirasolo.org separei alguma dicas bem iniciais que, espero, sejam complementadas por vocês, leitores.
Segurança, confiança e envelopes para todos

  • Para editoras grandes e conhecidas, como Cia das Letras, Rocco, etc, eu nem me daria ao trabalho de registrar a obra antes, a editora mesmo faz isso.
  • É muito comum que a versão a ser impressa fique muito diferente do que o autor considerou na hora de registrar a obra. E aí isso pode ser uma dificuldade para você e para a editora, na hora de registrar a obra como foi publicada (mesmo nome/autor com a mesma sinopse, a BN não vai aceitar).
  • O mais importante é que você se sinta seguro e confiante na hora de enviar o seu original e se registrar antes é importante, registre. Mas guarde com você o registro até o “ok” do editor, aí você apenas o informa. Eu não aconselho a fazer nem isso, entretanto. Existem outras soluções possíveis. Por este motivo, o das inúmeras revisões, edições, copy-desk, etc, normalmente a gente deixa para registrar o livro pouco antes de ir pra gráfica.
  • As editoras não tem nenhum interesse em roubar o seu original e muito menos estão dispostas a jogar a sua imagem no lixo por causa de um livro, mas eu entendo a insegurança de enviar o seu “filho” sem conhecer quem vai recebê-lo.
  • Então, para que você se sinta seguro em enviar o seu original para análise e, ao mesmo tempo, não caia nesse problema das revisões, te aconselho a fazer o que o Sid Field contou que faz em uma entrevista: envie para você mesmo, em um envelope lacrado, em carta registrada, o seu original. Não abra quando receber. Guarde este envelope. Se precisar, só o abra em frente a um juiz. A data dos Correios vale como prova jurídica. Desta forma, você se protege e ao mesmo tempo não entra em conflito com a editora e/ou com a Biblioteca Nacional.

Resumo da Ópera
Você é um autor seguro, sabe o valor de sua obra e, em uma editora decente, não será roubado. Mas como o seguro morreu de velho, e com alguma poupança na Suíça, custa nada se auto presentear com uma carta semi-anônima, certo?

tremor no twitter

O gentilíssimo Fábio Fernandes me citou em sua matéria sobre o tremor de terra e o twitter no Webinsider.

Obrigada!

a casa tremeu

O site Sidney Rezende foi o primeiro a dar detalhes relatados pelos internautas e twitteiros.

Depoimento meu inclusive.

Assustador esse negócio de tudo tremendo.

Como montar meu portfólio online?

Como montar meu portfólio online?

publicado no Carreira Solo

Depois de muito trabalho você conseguiu juntar um bom material e está na hora de montar um portfólio online. E agora? Junta tudo e manda? Usa flash, faz na unha ou em um CMS? Domínio próprio ou Flickr? Nem sempre começar é fácil.

Escolhas e mais escolhas. Algumas delas, no entanto precisam ser tomadas antes do processo de criação do seu porfólio para que você não caia em erros comuns de quem está começando. Outras têm a ver com o processo de criação do material em si. E tem até aquelas que só lembra quem está pensando em divulgar seu trabalho em escala planetária, o que é o mínimo em tratando-se do mundo de hoje.

Primeiro passo: selecione só o que há de melhor.

Normalmente eu recomendo a todos que escutem outras pessoas, que peçam opiniões, até por um vício da profissão. Mas esta é a hora de ser egoísta, egocêntrico, arrogante e fechado. E meter a mão na massa!

O seu portfólio precisa conter apenas o que você acha que tem de melhor. Dane-se o que o cliente achou. Compre um bom livro para a sua (seu) namorada(o) ficar ocupada(o) enquanto você escolhe as suas fotos ou ilustrações. Tranque a porta do seu escritório/quarto. Feche-se ao mundo. Essa é e precisa ser uma escolha absolutamente pessoal. Escolher o nosso melhor material exige um esforço, tempo, distanciamento e desprendimento que a gente só consegue com muita paz. Não faça isso correndo. Coloque suas músicas favoritas. Faça tudo com calma e privacidade.

Tenha critério. Não tenha dó de descartar aquela ilustração que você sabe que poderia ter ficado melhor mas que custou dias de trabalho. Jogue para escanteio sem piedade aquela foto que todos gostam menos você. Um portfólio pequeno e bem selecionado é infinitamente melhor que um portfólio enorme onde qualquer coisa vale.

Segundo passo: hora de organizar o trigo

Depois dessa etapa “ostra”, vem a hora de organizar o material. É aí que a maioria dos profissionais se perde.

O nosso editor Mauro Amaral fez um post ótimo sobre o tema, e ensina uma regra ótima para ajudar nessa etapa. Não deixe de ler.

Lembre-se que o seu futuro cliente não está nem um pouco interessado em saber com quem a Maria se casou ou como é o nome do cachorro do vizinho. Ele quer saber se você sabe fazer portraits bem, por exemplo. Ele quer saber se a sua ilustração vetorial tem qualidade ou o estilo que ele precisa. Então, organize o seu portfólio de forma que faça sentido para quem está comprando. Pode ser por técnica (ilustração vetorial x lápis), por cor (fotografia PB x cor), por tema (natureza, portraits, natureza morta), linha narrativa (ex: fotógrafo português Bruno Espadana ), etc. Qualquer coisa menos “viagem a Itaboraí”.

O estilo do portfólio também é muito pessoal e qualquer um vale. Pessoalmente, não gosto de flash porque dificulta a mídia espontânea gerada pelos FFFound da vida. E, bem, mídia espontânea é algo que nós sempre queremos.

Terceiro passo: Domínio próprio ou plataforma livre?

Os dois! Se você puder ter um domínio só seu, ótimo! Mesmo com um endereço só seu, não é bom desprezar os mais conhecidos.

Sites como o Flickr, o CarbonMade e o Picasaweb são instrumentos de divulgação importantes e não podem ser desprezados. Use-os a seu favor. Eles tem ferramentas de busca interessantes, mais acessos do que você e eu juntos jamais teremos, e são referência para quem não sabe onde começar a procurar.

Hoje em dia o editor não vai mais ao Google procurar fotógrafos ou ilustradores, vai direto a catálogos, sites especializados, Flickr, FFFound. Ninguém tem mais paciência nem tempo para ficar garimpando nos sei-lá-quantos milhões de resultados dos buscadores. Seu cliente vai direto em sites com rankings, comentários, etc. E, uma vez vendo algo que agrade, entra no site pessoal do artista para ver e saber mais, entrar em contato, etc.

Não cometa o erro que eu fiz com toooodo o meu portfólio: coloque seu nome e/ou url em cada jpg que publicar. Vocês não acreditariam se eu contasse em quantos lugares já vi meu trabalho reproduzido sem qualquer tipo de crédito ou link. Uma boa forma de diminuir esse problema é “assinando” as imagens.

Dependendo do tipo de trabalho que você desenvolve, as galerias de arte online podem ser uma boa opção também, mas a maioria depende da aprovação de um curador, não são registrar-login-upload.

Quarto passo: se colocou o ovo é hora de cantar!

Saia por aí divulgando o seu trabalho! Comece com blogs de amigos, essas coisas. É bom fazer um test-drive do seu material antes de enviá-lo a possíveis clientes para evitar constrangimento como uma url quebrada ou outra besteira do gênero.

Um bom início é enviar o link do portfólio com uma minúscula apresentação (coisa de 2 frases, sério) para agências de publicidade. Na Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda) tem listas e mais listas das agências, organizadas por sindicatos estaduais e por cidade.

Como você vai fazer o fup (follow-up) depois, comece pela sua cidade, para evitar os horríveis interurbanos. Não se esqueça de fornecer uma forma de contato viável e ativa.

Boa sorte!

Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?

Meu editor no Carreira Solo, Mauro Amaral, gentil como sempre, sugeriu que um comentário-resposta que escrevi fosse transformado em um post inteiro . Como se não bastasse o apoio dele (e bastaria!), o Mauro ainda fez uma super revisão e copy-desk que até me fazem soar inteligente. Fiquei muito feliz. Obrigada, Mauro!


Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?

Você tem uma câmera. Você tem um estúdio. Você tem até talento e um belo portfólio. Mas isso não é tudo quando se trata da vida de fotógrafos freelancers e mercado editorial.

Sempre dá para chegar melhor e mais rápido onde se quer acumulando conhecimento e experiência de outros trabalhos e desafios parecidos.

Reuni aqui algumas dicas baseadas em minha experiência que, claro, estão abertas a sugestões e adendos. Este post começou como um comentário na minha primeira participação aqui no Carreirasolo.org e, portanto, é um “work in progress” .
Regra Geral
Para começar, revistas como a National Geographic , acredito, costumam trabalhar de duas maneiras:

1 – convite (eles entram em contato com o fotógrafo para um determinado projeto) ou,
2 – projeto (você envia um projeto, normalmente já meio encaminhado, e eles aprovam).

Até onde eu saiba os fotógrafos do staff deste tipo de publicação são headhunted , ou seja, escolhidos por eles e não selecionados por contato direto.

A maioria das publicações possui regras muito definidas e claras sobre colaborações e possíveis contratações. A National Geographic , só para citar nosso exemplo, não é exceção e tem até um Faq sobre o assunto .

E de nada adianta você tentar vender algo para alguém que não quer comprar. Sempre haverá alguma publicação procurando o material que você tem, é só uma questão de procurar e se adequar.
Dicas
Você tem portfolio online? Pode ser uma boa forma – mesmo que em um Flickr ou um Carbonmade da vida – de ser visto, conhecido e chamado para os assignments.

Outra forma bastante eficaz de ser contratado é pertencer a uma agência de imagens. A própria Corbis , por exemplo, avalia portfolios para inclusão em seu banco de dados de fotógrafos. Isso vale para qualquer tipo de publicação.

Vale a pena, mesmo que talvez não financeiramente no início, entrar para organizações grandes como essa por que são eles que os editores procuram quando querem alguém novo.

Outro caminho, mas isso é apenas para poucos felizardos, é conseguir um agente , ou um “art dealer ” para continuar nos jargões (e facilitar a sua busca no Google). Conselho: quando você conseguir um agente lembre-se sempre de enviar o contrato para algum advogado da sua confiança. Não assine nada antes de entender completamente as consequências do que você está assinando, ok? A grande maioria dos agentes de fotografia é correta e profissional mas infelizmente ética não é uma lei da física.
Enquando isso…na terra dos papagaios…
Isso tudo que falei acima é em termos de mundo. Quando falamos de Brasil isso é verdadeiro também mas o poder do boca-a-boca ainda é muito grande e um contato com editores diretamente pode ser um bom caminho.

É legal também acompanhar algumas revistas do meio , para começar a saber quem é quem na indústria. Recomento da Editor & Publisher , a Publishing News inglês e o Publish News brasileiro (tem até uma newsletter).

Estas revistas falam muito do mainstream , e muitas excelentes publicações e/ou editoras ficam de fora, mas ainda assim vale acompanhar como termômetro do que está em moda e, conseqüentemente, de que tipo de trabalho estão “comprando”. Por falar em “comprar”, é bom sempre dar uma espiada na Media Job Market também.

Importante: lá fora existe a distinção entre o “editor” e o “publisher” . Normalmente quem bate o martelo final sobre imagens é o publisher, não o editor. São poucos os lugares como o Brasil, onde o editor e o publisher são uma pessoa só.

Ah sim: aconselho a primeiro fazer um portfolio online e depois enviar cartas curtas e simpáticas – (curtas, já falei curtas? curtas é importante!) – para os editores se apresentando e dando o endereço do seu portfolio.

Não esqueça de fazer o famoso fup (follow-up) , ou seja, ligue e pergunte se recebeu, se viu, se gostou, essas coisas. E claro, não esqueça de fornecer formas diferentes de contato (email, tel, celular, sinal de fumaça, qualquer coisa que você atenda sempre).

Os periódicos de natureza documental e/ou científica costumam funcionar muito mais por projeto. Vamos documentar as antas no cerrado! Aí você vai, escreve o projeto, apresenta e manda. Depois de você já ter feito um projeto desses, passa a ser conhecido e considerado por aquele periódico no quadro fixo.
Para fechar
Eu estou preparando um artigo com o perfil das editoras brasileiras, o que cada uma prefere publicar, endereço de contato, etc. Tá dando um trabalhão mas vai valer a pena. Será uma fonte de consulta valiosa para todos que quiserem enveredar por esta aventura que é publicar e…enfim…ser lido.