Durán é top

Jorge Durán gentilmente concedeu esta entrevista ao Aguarrás TV. Ele fala de seu novo filme, Proibido Proibir, e de cinema. Jorge Durán, roteirista e diretor, ficou conhecido pelos roteiros de Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Pixote, a lei do mais fraco (1981) e O beijo da mulher-aranha (1984), os três dirigidos por Hector Babenco, e Gaijin, caminhos da liberdade (1979), de Tizuka Yamasaki.

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A entrevista, no Youtube, alcançou tanto o Top Rated do dia como o Top Favorite!

José Eduardo Barros

publicado no Aguarrás

Entrar na UFRJ para ver a exposição do fotógrafo José Eduardo Barros, no seminário sobre a barbárie, pode não ser das tarefas mais simples (eu sempre me perco no Fundão) mas sem dúvida alguma vale o esforço.

As fotografias de José Eduardo Barros são impactantes sem cair no óbvio, sem cheirar a Unicef e, ao mesmo tempo, sem precisar fazer um dramalhão mexicano para emocionar. Este é um equilíbrio muito difícil de conseguir, vocês não imaginam o quanto.

?Sob o cobertor? - fotografia de José Eduardo Barros

Como espectadora, eu gostaria que as fotografias fossem maiores. “Sob o cobertor” fala com muita delicadeza de toda a população marginal, invisível, excluída e coloca sobre ela um olhar doce, colocando em foco o Humano. José Eduardo Barros fala mais do que não é visto em suas composições do que seria possível se trouxesse à mostra o que o cobertor esconde. As fotografias merecem uma exposição maior.

Cada fotógrafo tem a sua linguagem. Sebastião Salgado mostra, com drama. José Eduardo Barros induz, com poesia. É através da poesia (literária ou não) que somos capazes de emocionar. E, apenas através da emoção, conseguiremos reverter este cenário de barbárie em que afundamos.

?Sob o cobertor? - fotografia de José Eduardo Barros

Se, ao invés da fotografia, José Eduardo Barros optasse por uma carreira em música, tenho certeza de que se uniria a Nelson Cavaquinho: Quero ter olhos para ver / A maldade desaparecer.

O mérito do fotógrafo está mais em sua linguagem do que na técnica. E isto é sempre um elogio: técnicas evoluem, mudam, se adaptam, enquanto uma boa linguagem só é possível com o amadurecimento profissional e muita, mas muita, estrada.

Darcy Ribeiro

O site do Instituto Brasileiro de Audiovisual, Escola de Cinema Darcy Ribeiro, publicou uma notinha com link para a resenha sobre o filme Proibido Proibir, de Jorge Durán.

Durán é professor da instituição e com quem Eric Novello estudou roteiro.

site do Instituto Visual Darcy Ribeiro

Tenho um especial carinho por esta simpática notinha por também ter estudado lá. Fiz o curso de fotografia com a professora Cláudia Sanz e o de direção de arte com o professsor Carlos Liuzzi.

A Darcy Ribeiro tem cursos ótimos, a bons preços, no centro da cidade, perto do metrô (praticamente em frente ao CCBB-RJ). Recomendo.

Frederico Dalton – Fotomecanismos

publicado no Aguarrás em 4 de maio de 2007,
edição 7, ano 2 – maio & junho de 2007 – ISSN 1980-7767

Existe uma discussão antiga, sobre se a animação está mais próxima da ilustração ou do cinema. A animação usa, a grosso modo, a formação de imagem da ilustração e a persistência da visão do cinema, ficando, portanto, realmente no meio do caminho. Quando fui na Oi Futuro ver Frederico Dalton – Fotomecanismos, saí com a nítida sensação de que, assim como a animação, Dalton fica no meio do caminho. As fotos não se sustentam sozinhas mas este não é mesmo o seu objetivo.

Usando mecanismos diversos ele sugere uma idéia de movimento que não está lá. São quadros projetados nas paredes em loop. Não muitos quadros, uns dois, quando não é apenas uma imagem tremendo. E aí ele não encosta no cinema, não encosta na animação mas abandona a fotografia tradicional. Fica no meio do caminho como todos nós.

As fotos são de praias do Rio de Janeiro e a comparação com o momento que vivemos na cidade é suculenta demais para deixar passar: o Rio também está pouco nítido, repetitivo e inerte, onde o movimento é apenas uma ilusão. Nós temos consciência desta ilusão e não nos deixamos envolver pela suspensão da realidade (que nos promete sempre o cinema).

Existe uma crítica implícita também nos próprios mecanismos: “Meus mecanismos acabam por se revelar como reação crítica às poucas e limitadas condições encontradas no Brasil“, diz Frederico Dalton.

Ainda, um outro aspecto relevante, o da projeção. Projetar uma fotografia implica em uma modificação não apenas em sua fruição mas também em sua estrutura. A imagem projetada utiliza a luz e, portanto, o sistema RGB de composição. A imagem impressa utiliza pigmento e, portanto, o sistema CMYK de composição. Pode parecer a princípio um detalhe puramente técnico mas é uma forma de pensar a imagem completamente diferente. O preto passa a ser a ausência e o suporte, sucetível a interferências involuntárias como a sombra de alguém ou um deselegante flash de máquina fotográfica, passa a ser do espectador, a pertencer ao espectador e não mais ao fotógrafo ou à sala. Sempre que incluimos fatores que não controlamos na formação de uma imagem, a concepção parte do ponto de vista do espectador (assim como no cinema) e não da interpretação anterior à visualização. E aí está uma outra crítica, talvez a maior delas: a arte que não inclui o seu espectador é antiga.

 

Frederico Dalton - Fotomecanismos Frederico Dalton - Fotomecanismos

Frederico Dalton – Fotomecanismos
01 de maio a 01 de julho de 2007
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63 ? Flamengo ? Rio de Janeiro
De terça a domingo, das 11h às 20h. Entrada franca.
Informações: (21) 31313060
www.oifuturo.org.br