São Cristóvão
21 de Dezembro de 2007
Para fechar bem o ano e me alegrar com tanta competência, a Editora Fundamento me enviou dois lindos exemplares do livro escolar onde foi publicada uma fotografia minha, da Feira de São Cristóvão.
Acompanhou uma simpática carta e uma prática marcação na página da fotografia. Extremamente gentis. Obrigada!
editorial NEXT Brasil 6
6 de Dezembro de 2007
A partir deste número, inicia-se uma nova fase da revista NEXT, nascida graças ao empenho e cuidado do inesquecível Ivan Bentini – falecido há poucos meses – e de sua colega Carolina Vigna-Marú. Com esta edição, a Unisul (Fundação Universidade do Sul de Santa Catarina) assume a organização e a distribuição da revista, fiel à mesma missão original.
A desorientação generalizada da nossa sociedade agrava a desorientação interna das empresas, causada pela dafasagem cultural e pelo impacto da globalização. Decorre daí um bloqueio à criatividade e a compulsão de repetir sempre e somente os métodos organizacionais pregados nas business schools americanas, sem valorizar a originalidade extraordinária da cultura local.
No início do século XX, depois que a indústria superou a agricultura, o tempo do trabalho prevaleceu sobre o tempo livre, e os trabalhadores em sua grande maioria eram operários industriais. Contemporâneos dessa revolução, Taylor e Ford souberam fazer a passagem da organização do trabalho agrícola e artesanal para o trabalho industrial.
Um século depois, a produção de bens imateriais suplantou a produção de bens materiais, o tempo livre superou o tempo de trabalho, e na maior parte das empresas prevalece o trabalho intelectual. Portanto, é necessário iniciar uma nova revolução cultural capaz de migrar as organizações de um postura industrial para uma postura pós-industrial.
A NEXT tem como objetivo oferecer uma contribuição científica para essa revolução.
Domenico De Masi
Havana Café
27 de Novembro de 2007
Nós, filhos da era da mercadoria lidamos com as coisas na condição de produtor ou na de consumidor, e em geral somos irresistivelmente mais propensos ao processo de consumo. – Bertolt Brecht
Foi uma ousadia do Marcelo de Alvarenga me convidar para Havana Café, considerando que ele sabia de antemão que detestei todas as montagens brasileiras de musicais que vi até hoje. Mentira, não queria parecer chata, mas a verdade é que detesto musicais. Ponto. Mesmo sabendo disso, o confiante pianista insistiu. Fui. Vi. Amei.
O texto, brechtiano, permite o riso e a reflexão em iguais proporções. Por algum motivo obscuro, as pessoas tendem a associar Bertolt Brecht apenas com engajamento político, esquecendo que é o humor que alinhava o espetáculo. O texto é reflexivo sim, como em reflexo, como em espelho. Vemos no teatro aquilo que nos retrata. Eu ri feito uma hiena bêbada, como filha da era da mercadoria que sou.
O Havana Café é montado em clima de cabaré pela Companhia Ensaio Aberto, com direito a drinques servidos pelas atrizes. Logo na entrada, a simpatia do Luiz Fernando Lobo conquista e faz a ambientação da platéia. Luiz Fernando, aliás, é responsável pela costura do espetáculo e o faz com maestria. Ele está tão à vontade com o papel que parece ter frequentado cabarés a vida inteira. Sabe escolher a brincadeira certa na hora certa e este é um talento raro.
Tuca Moraes erra na impostação de voz com microfone e quase nos assusta com o grito inicial que rompe exageradamente o clima tão cuidadosamente criado. Felizmente tudo se salva quando entra a Stella Rabello. No decorrer do espetáculo Tuca parece ?esquentar? e se recupera.
Merece destaque também Helena Bittencourt, que faz a professora ucraniana, além de cantar de verdade, tem a veia cômica bem desenvolvida e me faz rir sozinha enquanto escrevo esta resenha, com a lembrança do seu solo.
Sanny Alves tem total controle não só do seu corpo e da sua voz ? o que já seria muito ? como de todo o espaço e da platéia. Preciso dizer que Sanny é, sem margem de dúvida, quem mais deixa lembrança (das mulheres). Ela é divina, do tipo que toda mulher quer ser e todo homem quer ter.
O contrabaixo mal se ouve e acaba desaparecendo no palco mas o piano e o sax estão na medida certa. Os músicos que tocam sax e piano estão integrados no espetáculo e se fazem notar, sem cair na armadilha de música de fundo.
Cláudio Basttos é absolutamente perfeito. É o barman caricato de nosso inconsciente coletivo durante a primeira metade do espetáculo e o ponto de encontro do cabaré na segunda.
O Havana Café está muito bem estruturado, montado e realizado. A direção é a melhor de todas: a que não se impõe à força mas se faz notar com naturalidade no decorrer do espetáculo. A cenografia de Cláudio Moura é meticulosa e faz com que o público compreenda tudo imediatamente. O figurino de Cláudio Tovar também está na medida, inserindo os atores com perfeição no ambiente.
O Havana Café transforma definitivamente Luiz Fernando Lobo em uma marca de qualidade. A sua direção será suficiente para me levar ao teatro novamente, mesmo que seja outro musical.
Brecht, assim como Shakespeare, é levado mais a sério do que deveria. Explico: ambos escreviam para a diversão. Com conteúdo, mas sem esquecer que o teatro devia divertir. São escritores do cotidiano, populares, para o povo. Havana Café diverte, sem com isso esquecer de nossas contradições naturais, sem esquecer que somos todos ? platéia e atores ? filhos da era da mercadoria. Tanto Shakespeare quanto Brecht criticavam o status quo sem perder o humor. A porção política do espetáculo não passa em branco e é, como quase tudo de Brecht, bastante didática mas nem por isso vá ao teatro Café Pequeno no Leblon (RJ) esperando uma palestra. Vá se divertir e leve os amigos.
Revista Webdesign
7 de Novembro de 2007
Pessoal,
Saiu um artigo meu na Webdesign.
Revista Webdesign, novembro de 2007, ano 4, número 47, www.revistawebdesign.com.br
página 11, seção Post-it, “Referências sobre ilustração vetorial” – pequeno parágrafo com dicas minhas sobre o assunto.
páginas 34, 35, 36 e 37 – artigo “Passo a Passo – Criando uma ilustração vetorial”
Custa menos de 10 pratas.
Nas bancas!
tutorial de ilustração vetorial
7 de Novembro de 2007
Revista Webdesign, novembro de 2007, ano 4, número 47, www.revistawebdesign.com.br
página 11, seção Post-it, “Referências sobre ilustração vetorial” – pequeno parágrafo com dicas minhas sobre o assunto.
páginas 34, 35, 36 e 37 – artigo “Passo a Passo – Criando uma ilustração vetorial”
Ricardo Noblat
22 de Outubro de 2007
Ricardo Noblat, do Globo, em 21 de outubro de 2007, comenta:
Vale a pena acessar
(reprodução de uma fotografia de Thiago da Arcela, do artigo “Captura da Luz 3“)
O Portal de Arte Aguarrás aborda diversos temas como música contemporânea, música erudita, arte contemporânea, cinema, teatro, design, literatura e por aí vai. Além disso, o Aguarrás também faz algumas edições curtinhas em vídeo, em torno de 5 minutos, com temas diversos. Já teve Jorge Durán (cinema), professor Parafuso (capoeira), Ana Paula Maia (literatura) e outros. Aqui
Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados. Esses passarão a fazer parte da seção aí acima, do lado esquerdo, chamada “Vale a pena acessar”.
Captura da Luz 3
9 de Outubro de 2007
“O espaço foi pequeno para a grandeza dos artistas”, me disse Alexandre ao saírmos do espaço oPHicina, na Vila Madalena. Ele tem razão. O grupo captura da Luz organizou uma mostra de alta qualidade (e quantidade). Ótimas e muitas ampliações. Tantas que mal couberam na casa.
Os fotógrafos que mais me impressionaram:
Rodrigo Jazinski, com suas cores modernas e composições interessantes, é muito bom. As fotografias dele são depoimentos urbanos antes de se tornarem cor.
Eduardo Muylaert, com umas pbs cênicas de fazer inveja, leva o conceito de captura da luz ao pé da letra. Suas fotos mostram escolhas muito conscientes de luz e composição.
Matangra e sua arte moderna, colorida, urbana, adorei.
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Célia Mello me lebrou Doisneau com seus pbs. Ela tem duas linhas diferentes, e as suas sobreposições (no filme, “na unha”, não é manipulação digital) surpreendem com ritmo.
Bruno Sandini ainda não definiu muito bem seu estilo mas, não importa por qual caminho escolha seguir, vai ser bom. Ele se preocupa com o motivo de tudo na foto e isso, por si só, já é suficiente para definir um grande fotógrafo.
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Tiago da Arcela é quase pop art, as cores são fortes e mesmo quando ele resolve brincar com monocromáticos consegue manter o ritmo pop.
Renato Soares mantém o seu já conhecido trabalho com índios mas a mostra traz vários formatos e até mesmo pequenas ampliações que devem ter o tamanho de mais ou menos metade de um cartão postal. O interessante em fotógrafos como o Renato é que as imagens não perdem a sua força, independente do tamanho da ampliação.
Alberto Oliveira é uma mistura entre fotógrafo e artista digital. O que gosto nele é que a manipulação é assumida e incorporada, não é uma muleta para o que não conseguiu fazer com a câmera, é uma opção consciente e parte de um projeto visual completo.
Carlos Fadon e seus reflexos. Fadon assina como fotógrafo mas deveria assinar como poeta. Concretismo puro, muito bom.
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Hugo Curti, com seus horizontes baixos e plantas tranquilas.
Claudio Lunardelli é artista digital. Manipula objetos, não se limita a alterar contrastes ou a fazer sobreposições. Ele usa a ferramenta para criar novas imagens, completamente novas, que não existem no mundo real.
Outros lá estavam, todos bons.
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Agora, o trabalho pelo qual eu me apaixonei foi o do Peter de Brito. Ele tem uma leveza e um carinho no olhar que há muito eu não encontrava. A série “Lápis de cor”, com fotos da Parada Gay de 2003, é de uma doçura difícil de descrever. A maioria dos fotógrafos que conheço (eu inclusive) se preocupam em conseguir a imagem exatamente como a imaginaram antes do clique. Peter consegue ver através da imagem e aceitar o outro, diferente ou não, como ele é. Isso não é apenas raro na fotografia, é raro na humanidade.
Cyber Café
4 de Outubro de 2007
Em 1998 tive um programa na tv chamado Cyber Café, “o programa light para heavy users”.
Encontrei uma das entrevistas que fiz no Youtube. O programa tinha uma hora de duração, semanal. A entrevista está picada em 6 partes por causa da limitação de 10 minutos do youtube.
E sim, sou eu mesma, de cabelos curtos e bem… Alguns bons anos mais jovem e ainda usando nome de solteira.
Assistam!
Dia 07/11/1998, às 13h, Carolina Vigna entrevista Marco Antonio Perna, Webmaster da Agenda da Dança de Salão Brasileira (www.dancadesalao.com/agenda), no programa Cyber Café da Vinde TV (NET, TVA, etc.).
- parte 1
- parte 2
- parte 3
- parte 4
- parte 5
- parte 6
Muito bom encontrar isso.
Na parte 4 eu apareço dançando com o Perna. Nós gravamos tudo no mesmo dia e logo depois da entrevista, antes de irmos pro salão gravar os takes de dança, uma lâmpada do set caiu no meu pé e eu estava com uma dor degraçada e com o pé sangrando, mas resolvemos gravar assim mesmo. O Perna foi gentil em não fazer muitas firulas na dança para que, basicamente, eu não caísse de dor. The show must go on.
E, só pra não deixar passar em branco, as animações (e modelagens) em 3D da vinheta de abertura e encerramento são minhas. Foram feitas no 3D Studio DOS, jurássico e ultrapassado. Para a época, eram boas.
Amei.
Jogos Visuais
15 de Julho de 2007
Fui no centro cultural da Caixa (RJ), devo confessar, ver “Jogos Visuais – arte brasileira no Pan” com uma certa impaciência já que tudo que espero do Pan é que acabe logo. A exposição, de curadoria de Manoel Fernandes, conseguiu me dobrar.
Oriana Duarte mostra stills ampliados com closes de uma mesma atleta. Por algum motivo obscuro, retratistas esportivos (ou de dança) gostam de mostrar o absurdo esforço físico necessário como se fosse leve, simples e fácil. Oriana foge desse lugar comum e mostra o esforço de várias formas. Uma, o próprio exercício retratado. Duas, o imenso barco vermelho no meio da sala, maior que a atleta. Três, o still pixelado de uma captura assumida e incorporada. Nada é fácil, nem mesmo fazer as fotos. Quatro, o vídeo, grande, estourado, que nos cansa por assimilação.
José Tannuri consegue mostrar um Rio de Janeiro em duas rodas que é caricato e simultaneamente verdadeiro e romântico. Um Brasil possível, que se inventa e reinventa, à venda na carrocinha mais próxima.
Depois vi os remos de madeira antiga de Eudes Mota. É impossível não pensar em como são similares os nossos utensílios. Remo, taco de críquete, pá de ventilador, não faz a menor diferença. Eudes esfrega na nossa cara que somos iguais. Remo, porta ou colher de pau.
A vídeo-instalação de Daisy Xavier e Célia Freitas tem um quê de psicanálise. A nadadora vai sempre em frente pela água que escorre na tela. A água que escorre, como o tempo, a natureza, a vida, o infinito, não importa, nos dá a certeza do inexorável e a nadadora que corta isso tudo nos garante que o ser humano ainda é possível. Otimistas.
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Fotografias de esportes tem, a grosso modo, quatro possibilidades: movimento suspenso (muita luz, lentes maravilhosas, filme rápido e voilá um atleta parado no ar), movimento assumido (borrões e afins), perspectivas (ângulos incomuns, distorções de lentes, essas coisas), e portraits (geralmente em um preto e branco “expressivo”). E aí sempre me dá um pouco aquela sensação de dejá vu.
Matheus Rocha Pitta consegue fugir de tudo isso com Câmara de compensação. E consegue retratar o jogo contido tanto nas artes quanto nos esportes, levando à exposição um de seus raros momentos polissêmicos.
Felipe Barbosa critica o esporte de consumo com suas bolas rotuladas, catalogadas, organizadas, penduradas na parede. Ele faz o mesmo com outra obra, ao desmontar e remontar uma bola de futebol parece lembrar que a máquina marqueteira do esporte não existe sem o indivíduo (atleta ou artista, aqui não importa).
Marcos Cardoso também remonta bolas de futebol, mas a partir de rótulos jogados fora. A crítica é a mesma mas o método tem um resultado bem mais gráfico.
Aí tem os vídeos.
Ana Vitória Mussi mostra um boxe de alto contraste que traz toda uma nova interpretação do chiaroscuro mas para quem que, como eu, não tem a menor idéia de quem foi Éder Jofre Galinho de Ouro, a mensagem se perde um pouco.
Paula Gabriela e o seu Simbiose mostra duas mulheres andando de um lado para o outro, se confundindo pela falta de foco. É o tal do “movimento assumido” que anda muito em moda ultimamente.
O vídeo da Alice Micelli, 99,9 metros rasos, mostra um corredor que vai desacelerando, parando no ar, morrendo na praia. O som vai parando junto. Hilário e angustiante ao mesmo tempo.
Marcos Chaves e sua Foca! também mostra a repetição. É, de fato, muito difícil para o artista entender a repetição no esporte. Para o artista, o aprendizado é um caminho contínuo e normalmente muito longo. Para o atleta, a perfeição só é conseguida através da repetição. Aí um olha para o outro e enxergam focas amestradas.
Marepe mostra o aquecimento de algum time de futebol pequeno. Os jogadores cantam enquanto fazem aqueles movimentos repetitivos. Parece uma ladainha hipnótica igual a de mulheres bordadeiras, militares, religião, não faz diferença. Adorei. Marepe. Você tem razão: somos todos iguais, realmente.
Tem também um enorme graffitti de AiráOCrespo & AFA. Usa tinta spray e acrílica. A spray dá a cor, a textura, a luz, o movimento. A acrílica dá o drama, o foco. Sensacional. Os corredores estão todos mais ou menos na mesma linha imaginária de chegada. Pernas, pra que te quero?! Ah, eu respondo: para levantar daí e dar uma passadinha no Caixa Cultural.
Lemos, Lorca e Farkas
1 de Julho de 2007
Curadoria é uma tarefa pra lá de difícil. Entrei na Galeria Tempo com isso em mente. Existem aspectos na fotografia modernista, como a geometrização da realidade, que permaneceram através do tempo: como a Tempo colocaria Fernando Lemos, German Lorca e Thomas Farkas dentro daquele contexto histórico, ainda mais considerando que são fotógrafos atuantes, contemporâneos?
O acerto não poderia ser maior.
As fotografias de Lemos, feitas entre 1949 e 1952 em Lisboa, antes dele vir para o Brasil fugindo da ditadura salazarista, foram recuperadas a partir dos negativos e tiveram cópias digitais recentes. Lorca mostra cópias vintage, ampliadas pelo próprio fotógrafo em laboratório tradicional, com papel de fibra, na época em que fez as fotos. Farkas tem ampliações recentes. Isto é relevante por conta da tecnologia de captura, ampliação e papel, que mudou muito de lá pra cá. E, assim como é relevante, poderia ser um problema sério mas felizmente as diferenças ficam em milésimo plano frente à força das imagens.
Lemos (e sua Rolleiflex) manipula contraste e foco, domina a luz, usa e abusa de duplas exposições – no próprio fotograma. Não é essa moleza de colocar camadas no software para ver se fica bom, viu?
Lorca é fotógrafo das antigas, laboratorista e se adaptou às novas tecnologias. Tem, inclusive, uma nova tiragem de 15 exemplares de algumas fotos selecionadas que foram corrigidas digitalmente para tirar pequenas marcas e alguns outros ajustes mínimos. É muito raro – e bom – encontrar profissionais que não deixaram o tempo passar por eles.
Farkas talvez seja o mais ?modernista? dos três. Os anos 40 no Foto-Cine Clube Bandeirante (SP) são transparentes no seu trabalho. Ele cai pesado na abstração e geometrização da realidade, ao ponto de encostar no surrealismo. E isso faz dele um fotógrafo bastante expressivo.
Então, respondendo à pergunta inicial, a Tempo conseguiu, através da narrativa (seleção) e do ritmo (disposição), formar um conjunto que não poderia existir em outra época. Saí de lá com a certeza de ter visto o crème de la crème. E este sentimento é raríssimo. Pelo menos pra as chatas de galochas como eu.
Três expoentes da fotografia moderna
Fernando Lemos, German Lorca e Thomas Farkas
19 de junho a 04 de agosto de 2007
Galeria Tempo
Rua Visconde de Pirajá, 414 ? sala 305, Ipanema ? Rio de Janeiro
(21) 2227.2221 / contato@galeriatempo.com.br
Segunda a sexta, das 12h às 19h, e sábado com hora marcada.
Entrada Franca
“(…) As propostas anteriores de fotógrafos norte-americanos e europeus como Man Ray, Brassai, Moholy-Nagy, as tendências surrealistas, as teorias da Bauhaus, são, nos anos 1940 e 1950, retomadas no Brasil e suas primeiras discussões são realizadas no seio dos fotoclubes. Thomas Farkas e German Lorca, entre tantos outros, propunham imagens abstratas. Técnicas de solarização, o recorte geométrico da cena, a repetição da forma em busca de ritmo e sonoridade, representam os experimentos fotográficos desses dois artistas. Totalmente alinhado com as questões brasileiras, Fernando Lemos, em 1949, ainda em Portugal, realizou uma série de fotografias de caráter surrealista. Sua opção pela superposição de imagens feita na própria câmera fotográfica dá movimento às poses, imobilizadas tradicionalmente pelos suportes fotográficos. O desafio surrealista é percebido nos cortes que acrescentam, eliminam, deformam a realidade retratada.” – Marcia Mello, conservadora e curadora de fotografia.
Recortes de Inquieta Retina
5 de Junho de 2007
Começou hoje no Oi Futuro a expofoto Recortes da Inquieta Retina. São fotografias projetadas na parede defronte ao simpático café do último andar. Todos os fotógrafos foram orientados pelo Walter Firmo, em momentos diferentes. A linha narrativa é clara, objetiva e com forte preocupação pela composição.
As fotografias, de uma forma geral, perdem muito na projeção. São fotografias que usam e abusam do chiaroscuro e o ambiente claro e movimentado prejudica a fruição. A movimentação excessiva do slideshow da projeção também fere as imagens. É tanto recorte, zoom e entradas ?dinâmicas? que o espectador precisa de um esforço extra para conseguir ver, de fato, as fotografias.
O grupo, formado por Jayme Plotkowski, Luiz Carlos Lopes, Nilton de Moraes Filho e Sergio Povoa, tem uma força incomum na fotografia contemporânea através do cuidado com a composição e a tonalidade, sem se perder em seus próprios grafismos.
Felizmente a exposição também pode ser vista online, no endereço www.oifuturo.org.br/expofoto, sem as pessoas passando na frente ou o grupo barulhento que insiste em debater amenidades enquanto você está lá tentando apreciar as fotografias.
“Recortes da Inquieta Retina”
Curadoria: Pedro Agilson
Projeção de trabalhos dos fotógrafos Jayme Plotkowski, Luiz Carlos Lopes, Nilton de Moraes Filho e Sergio Povoa
Exposição: 5 de junho a 31 de julho
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Nível 8 – (21) 3131-3060
Classificação etária livre / Entrada Franca
Terça a domingo, das 11h às 20h.
Durán é top
13 de Maio de 2007
Jorge Durán gentilmente concedeu esta entrevista ao Aguarrás TV. Ele fala de seu novo filme, Proibido Proibir, e de cinema. Jorge Durán, roteirista e diretor, ficou conhecido pelos roteiros de Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Pixote, a lei do mais fraco (1981) e O beijo da mulher-aranha (1984), os três dirigidos por Hector Babenco, e Gaijin, caminhos da liberdade (1979), de Tizuka Yamasaki.
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A entrevista, no Youtube, alcançou tanto o Top Rated do dia como o Top Favorite!
José Eduardo Barros
12 de Maio de 2007
Entrar na UFRJ para ver a exposição do fotógrafo José Eduardo Barros, no seminário sobre a barbárie, pode não ser das tarefas mais simples (eu sempre me perco no Fundão) mas sem dúvida alguma vale o esforço.
As fotografias de José Eduardo Barros são impactantes sem cair no óbvio, sem cheirar a Unicef e, ao mesmo tempo, sem precisar fazer um dramalhão mexicano para emocionar. Este é um equilíbrio muito difícil de conseguir, vocês não imaginam o quanto.
Como espectadora, eu gostaria que as fotografias fossem maiores. “Sob o cobertor” fala com muita delicadeza de toda a população marginal, invisível, excluída e coloca sobre ela um olhar doce, colocando em foco o Humano. José Eduardo Barros fala mais do que não é visto em suas composições do que seria possível se trouxesse à mostra o que o cobertor esconde. As fotografias merecem uma exposição maior.
Cada fotógrafo tem a sua linguagem. Sebastião Salgado mostra, com drama. José Eduardo Barros induz, com poesia. É através da poesia (literária ou não) que somos capazes de emocionar. E, apenas através da emoção, conseguiremos reverter este cenário de barbárie em que afundamos.
Se, ao invés da fotografia, José Eduardo Barros optasse por uma carreira em música, tenho certeza de que se uniria a Nelson Cavaquinho: Quero ter olhos para ver / A maldade desaparecer.
O mérito do fotógrafo está mais em sua linguagem do que na técnica. E isto é sempre um elogio: técnicas evoluem, mudam, se adaptam, enquanto uma boa linguagem só é possível com o amadurecimento profissional e muita, mas muita, estrada.
Darcy Ribeiro
9 de Maio de 2007
O site do Instituto Brasileiro de Audiovisual, Escola de Cinema Darcy Ribeiro, publicou uma notinha com link para a resenha sobre o filme Proibido Proibir, de Jorge Durán.
Durán é professor da instituição e com quem Eric Novello estudou roteiro.
Tenho um especial carinho por esta simpática notinha por também ter estudado lá. Fiz o curso de fotografia com a professora Cláudia Sanz e o de direção de arte com o professsor Carlos Liuzzi.
A Darcy Ribeiro tem cursos ótimos, a bons preços, no centro da cidade, perto do metrô (praticamente em frente ao CCBB-RJ). Recomendo.
Frederico Dalton – Fotomecanismos
4 de Maio de 2007
Existe uma discussão antiga, sobre se a animação está mais próxima da ilustração ou do cinema. A animação usa, a grosso modo, a formação de imagem da ilustração e a persistência da visão do cinema, ficando, portanto, realmente no meio do caminho. Quando fui na Oi Futuro ver Frederico Dalton – Fotomecanismos, saí com a nítida sensação de que, assim como a animação, Dalton fica no meio do caminho. As fotos não se sustentam sozinhas mas este não é mesmo o seu objetivo.
Usando mecanismos diversos ele sugere uma idéia de movimento que não está lá. São quadros projetados nas paredes em loop. Não muitos quadros, uns dois, quando não é apenas uma imagem tremendo. E aí ele não encosta no cinema, não encosta na animação mas abandona a fotografia tradicional. Fica no meio do caminho como todos nós.
As fotos são de praias do Rio de Janeiro e a comparação com o momento que vivemos na cidade é suculenta demais para deixar passar: o Rio também está pouco nítido, repetitivo e inerte, onde o movimento é apenas uma ilusão. Nós temos consciência desta ilusão e não nos deixamos envolver pela suspensão da realidade (que nos promete sempre o cinema).
Existe uma crítica implícita também nos próprios mecanismos: “Meus mecanismos acabam por se revelar como reação crítica às poucas e limitadas condições encontradas no Brasil“, diz Frederico Dalton.
Ainda, um outro aspecto relevante, o da projeção. Projetar uma fotografia implica em uma modificação não apenas em sua fruição mas também em sua estrutura. A imagem projetada utiliza a luz e, portanto, o sistema RGB de composição. A imagem impressa utiliza pigmento e, portanto, o sistema CMYK de composição. Pode parecer a princípio um detalhe puramente técnico mas é uma forma de pensar a imagem completamente diferente. O preto passa a ser a ausência e o suporte, sucetível a interferências involuntárias como a sombra de alguém ou um deselegante flash de máquina fotográfica, passa a ser do espectador, a pertencer ao espectador e não mais ao fotógrafo ou à sala. Sempre que incluimos fatores que não controlamos na formação de uma imagem, a concepção parte do ponto de vista do espectador (assim como no cinema) e não da interpretação anterior à visualização. E aí está uma outra crítica, talvez a maior delas: a arte que não inclui o seu espectador é antiga.
Frederico Dalton – Fotomecanismos
01 de maio a 01 de julho de 2007
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63 ? Flamengo ? Rio de Janeiro
De terça a domingo, das 11h às 20h. Entrada franca.
Informações: (21) 31313060
www.oifuturo.org.br
Roberto Magalhães
2 de Abril de 2007
Roberto Magalhães, mesmo fazendo enorme sucesso, jamais permitiu que isso o estigmatizasse, engessando a sua criação ou moldando a sua identidade.
“Tornar o simples complicado é fácil, Tornar o complicado simples é criatividade”. Charles Mingus não se referia ao trabalho de Magalhães, mas seria bem apropriado.
O trabalho de Magalhães é limpo, o óleo dele não empastela, a cor é homogênea, a pincelada firme e precisa. É de fazer inveja: as minhas pinturas são imundas.
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O seu “Auto-retrato pintando…” traduz bem a fusão da precisão absoluta, geométrica, de formas precisas e cores limpas com o tema livre, fantástico, de um imaginário complexo e heterogêneo.
O meu quadro favorito, sem margem de dúvida, é o ?Origami?, que me lembra de ?O Bibliotecário?, mas não por isso. A recordação de Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), aliás, me acompanhou durante toda a exposição. ?Origami? é o meu favorito porque é quase um ato falho, um quase auto-retrato: finas, meticulosas e cuidadosas camadas que compõem a figura traduzem perfeitamente, para mim, Magalhães.
Roberto Magalhães não faz opções fáceis ou fúteis. E isso, por si só, já o define.
Classificar Magalhães dentro de um estilo ou movimento artístico não é tarefa simples: claras referências ao maneirismo, com uma escolha de cores pop, com temas do fantástico ao surrealista. Então, esqueça os rótulos e vá vê-lo sem se preocupar com isso.
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Roberto Magalhães estava desde 2001 sem realizar uma exposição individual no Rio de Janeiro. A exposição vai até o dia 5 de maio em galerias vizinhas no Shopping Cassino Atlântico, em Copacabana.
Serviço: Roberto Magalhães
Exposição: 30 de março de 2007 a 5 de maio de 2007
Entrada francaArte 21 Galeria (pinturas)
Av. Atlântica, 4.240, loja ss 123, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana ? Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2227.7280. De segunda a sexta, das 10h às 19h; aos sábados, das 12h às 18h.Marcia Barroso do Amaral Galeria de Arte (desenhos)
Av. Atlântica, 4.240, ss 129, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana ? Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2267.3747. De segunda a sexta, das 10h às 18h; aos sábados e domingos, das 13h às 17h.
Top rated
9 de Março de 2007
O primeiro Aguarrás TV, logo no segundo dia, entrou para a lista dos top rated de sua categoria, no Youtube.
Felix Richter
11 de Fevereiro de 2007
Cibacromes estão definitivamente na moda. É quase que uma reação aos pretos e brancos da década passada. Sebastião Salgado fez escola e a década de 90 foi marcada por fotografias-documentário em preto e branco.
Vivemos agora a era da cor, mas não da cor-documentário e sim da cor-interpretação, da cor-autoral. Os fotógrafos se permitem agora usar a cor como os pintores usam tinta.
Felix Richter usa e abusa do conceito da fotografia-pintura.
Em Arpoador, por exemplo, as cores são definidas e saturadas. É a fotografia passando do carvão para a tinta a óleo.
Richter tem uma ligação especial com a luz, certamente por usar uma Rolleiflex.
O pessoal de produção gráfica sabe que existe uma enorme diferença entre converter uma imagem colorida em uma imagem grayscale (256 tons) e tirar a saturação até ela tirar dela a cor (16 milhões de tons). Felix Richter é fotógrafo mas poderia ser produtor gráfico também. Ele pega o cibacrome, tipicamente usado para grandes e exuberantes cores e abusa do preto, fazendo com que a cor salte ainda mais aos olhos.
A exposição, que a Galeria Tempo (SP) levou para a Casa do Saber (RJ), poderia ser maior. São poucas fotografias expostas, deixando um gostinho de quero mais na boca.
A Casa do Saber fica na Av. Epitácio Pessoa, 1164, Rio de Janeiro – RJ. Tel (21) 2227-2237.
Minha Arquitetura
4 de Fevereiro de 2007
escrito a quarto mãos com Elvira Vigna, publicado no Aguarrás
Está no Paço Imperial (RJ) a exposição “Oscar Niemeyer – Minha Arquitetura, 1937-2005″. A curadoria foi bem sucedida na difícil missão de fazer uma exposição à altura do nosso maior arquiteto e ao mesmo tempo manter a identidade do espaço.
Paredes vermelhas, composições gráficas modernistas, lembranças do Avant-garde, relacionamentos gráficos à la Fibonacci e seções áureas nos mostram uma montagem cuidadosa para Niemeyer nenhum botar defeito.
Para entender Niemeyer é necessário esquecer Bauhaus.
Para entender Niemeyer é necessário lembrar que “a vida é mais importante do que a arquitetura” e que Oscar Niemeyer é, essencialmente, um homem político. Ele usou, a vida inteira, arquitetura como ferramenta de transformação. Ao transformar o espaço e o seu respectivo uso em uma ação justa e para todos, Niemeyer transformou o mundo e mudou a nossa forma de pensar e, principalmente, interagir.
O curador cumpriu o seu papel de nos mostrar a síntese do humano e não caiu na fácil armadilha de fazer do espaço apenas uma vitrine para a obra de terceiros. Por mais que a gente se maravilhe com os desenhos, plantas, maquetes e fotografias da obra de Niemeyer, lembramos o tempo todo do homem e da vida.
- Carolina Vigna-Marú
“Camarades,
Le siege du P. C. F. [Partido Comunista Francês] a pour moi la plus grande importance. Il represente plus de 50 ans de lutte contre l’oppression capitaliste.” – O. Niemeyer
“A vida é mais importante do que a arquitetura. Que um dia o mundo será mais justo e a vida a levará a uma etapa superior, não mais limitada aos governos e às classes dominantes, atendendo a todos, sem discriminação.” – O. Niemeyer
Os ângulos eram todos retos, nos Armazéns Gerais do Porto do Rio de Janeiro, em 1743.
Mas, como em outras construções do Brasil do século XVIII, havia as janelas e, nelas, as curvas que iriam inspirar Oscar Niemeyer nos prédios modernos de Brasília.
Por isso, a exposição em homenagem a Niemeyer do Paço Imperial, ex-Armazéns, tem um algo mais além do que ali está contido – a obra do nosso arquiteto maior, desde seu começo em 1936 até 2007, com o recém-desenhado Monumento a Simón Bolívar, de Caracas.
Não são só as janelas que lá se apresentam em seus vários modelos de época: com duas folhas, vedadas por treliças de ferro ou rasgadas em sacadas ou guarda-corpos – todas elas com as bandeiras arredondadas que serviriam de base para as curvas modernas do arquiteto. No salão do térreo, onde se encontra a visão cronológica das obras, a entrada, ao lado da cafeteria, se abre para o espaço onde os três arcos do teto dialogam com o que ali está exposto. Da mesma maneira, a instalação, cuidadosa, tem estandes redondos e retangulares e é pontuada pelo vermelho. Na primeira parede, o desenho da Universidade de Constantine, em Argel, está sobre um chapado de vermelho vivo, o mesmo vermelho com que foi pintada a marquesa desenhada por ele e a filha, Anna Maria Niemeyer, e que ocupa o centro do espaço. Assim, cores e arcos acolhem e continuam o que perto deles se apresenta.
Uma de suas esculturas em ferro tem a iluminação de modo a jogar a sombra para a parede. E a peça, que é levíssima, fica mais leve ainda, no desenho formado na parede.
É esse cuidado de instalação e curadoria (Lauro Cavalcanti) que faz com que a visita adquira uma motivação a mais. Afinal, a obra do artista é bem conhecida. Mas por ser apresentada do jeito que é, há um ganho na visita.
No andar de cima, a sala com os escritos é outro primor. De um lado, em um fundo cinza, o mesmo vermelho – cor preferida do artista – dá uma ilusão de quebra do plano, de um 3D ótico, no desenho de colunas, à mão livre. Na parede em frente, o texto é a dimensão extra, um 3D conceitual.
E, ainda no andar de cima, a escultura Espaço V, com suas curvas que saem da linha reta, foi posta perto de uma quebra na retitude da parede. Era o melhor lugar. Como se fosse feito para a obra, ou vice-versa.
- Elvira Vigna
FotoKunst
24 de Janeiro de 2007
Na entrada da FotoKunst tem um texto do curador Wulf Herzogenrath explicando a escolha de poucos fotógrafos. Não precisava. A mostra consegue ser ao mesmo tempo heterogênea e ter uma identidade (alemã) bem clara e definida.
Qualquer um é capaz tecnicamente de fazer qualquer fotografia. O que faz o fotógrafo é o discurso fotográfico, é a linguagem. Nesse ponto, os alemães são mestres em transmitir conceitos visualmente desde os tempos da Bauhaus.
Klaus Rinke tem um discurso temático. Usando a água como elemento central, suas fotografias tem pouco em comum além do assunto como fio condutor. Wasser gegen Feuer (água contra fogo) mostra 2 hidrantes de tóquio; Mittelmeer (Mar Mediterrâneo) é textura pura; 250 Liter Wasser werder umgestossen (250 litros de água derramada) é a fotografia de uma performance (com direito ao cabelo black power dos anos 70) e é dedicada ao video-artista Gerry Schum, contemporâneo de Rinke.
Sigmar Polke faz fotografias de instalações. Kartaffein (batatas) e Schränke (armários) tem um aspecto gráfico forte, com linhas retas quebrando a composição. Marie’s, em 6 partes, mostra um quadro de paisagem sendo coberto por uma tinta branca, mas o melhor – já não fosse isso bom o suficiente – é a presença da quebra novamente: a mão que pinta, a sujeira, o pé. Polke é pintor e, talvez pela necessidade do registro, as suas fotografias sejam mais próximas do jornalismo do que seus colegas de mostra. Apesar de contemporâneo da Pop-art, Polke não idolatra os objetos de consumo como seus colegas norte-americanos. Ele faz uma análise cínica do seu entorno (batatas, pintura, não importa) do ponto de vista alemão, ainda marcado pela guerra.
Jürgen Klauke usa o tempo como narrativa. Begegnung (encontro) é uma perfeita história em quadrinhos. Selbstfindung (encontro consigo mesmo) pode à primeira vista parecer uma simples brincadeira espacial mas é também um retrato de tempo, o tempo no espaço. A questão do encontro em Klauke tem um outro significado, o da identidade. O encontro não é o físico, é o de identidades nem sempre muito claras ou óbvias. Daí o fio condutor ser o intangível Tempo.
Katharina Sieverding repete rostos que repetem enquadramentos, que repetem composições. A maior parte da sua obra é composta de auto-retratos mas ela os manipula em laboratório até se tornarem, ela crê, sem identidade clara de sexo, idade ou raça. Assim, ela se distancia (ela crê, novamente) da sua obra. Ela tem uma veia política forte mas, ao contrário de Polke (seu contemporâneo), usa a narrativa norte-americana para expressar isso. Por isso a repetição: Sieverding é Pop-art.
Astrid Klein é formal até a última gota. Träger (viga) é uma padronagem de tecido, geométrica, rígida, acompanhada da continuação do padrão matemático, que repete de cada lado do quadro central (daí a “viga”) o espaço preto do tecido. Ela é arquiteta, o que pode explicar muita coisa.
Rudolf Bonvie é rígido até na montagem dos quadros. São cinco, um maior, vertical, à esquerda. Os outros 4 deitadinhos à direita com o mesmo tamanho, mesmo espaço, começando e terminando na “bitola” do primeiro. Aí ele pega e coloca cor só no primeiro e no último da série de quatro. Construtivismo para Rodchenko nenhum botar defeito. Não é de se surpreender que a Astrid Klein seja sua co-autora.
Thomas Florschuetz usa cibacromes e faz uns close-ups de partes do corpo. A principal característica do papel cibacrome é clareza, a cor e a nitidez que o processo positivo-positivo (como os slides da época pré-datashow) permite. Florschuetz usa isso a seu favor. Os close-ups, apesar de serem o mais óbvio, não é o principal. A cor e o brilho são. Por isso a escolha do Ilfochrome (papel cibacrome da Ilford, que usa dye destruction). A escolha dele é pela absoluta e total clareza, por isso o papel, por isso partes do corpo ampliadas, por isso os quadros grandes, coloridos, com fundo lisos sem textura. Ele é didático.
Dieter Appelt nos recebe logo na entrada do quarto pisto da Oi Futuro com Variantes do tablóide “Space”, em 6 partes. Aqui, a composição como narrativa, onde o enquadramento, a textura e a luz ganham mais força que o objeto em si. É muito representativo da sua época (final dos 80, começo dos 90), quando o objeto não tinha mais sentido e a Era da Informação começava. A retirada da importância do objeto dentro da imagem é fruto de uma sintonia com essa pulverização do consumo que ainda vivemos. A arte representa sempre um desejo e a tecnologia surge como resposta, após a constatação desse desejo. Na época das fotos de Appelt, a internet começava e, com ela, vinha o fim do monopólio da informação e da necessidade do material físico, da matéria, do objeto.
Aí tem Anna e Bernhard Blume, que são de um bom humor maravilhoso. Metaphysik ist Männersache (Metafísica é coisa de homens), da série In Wald (na floresta) e seus 5 enormes quadros é quase doce. Considerando que metafísica é o estudo do ser ou da realidade, do “além-física”, a senhora bem vestida pulando nas árvores é tudo de bom. Quer saber? Eu concordo. Metafísica é coisa de homens.
Serviço: Oi Futuro
Rua 2 de Dezembro, 63 ? Flamengo ? RJ
Tel: (21) 3131.3060
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada Franca
www.oifuturo.org.br
Realização: Oi Futuro e Instituto Göethe
Curadoria: Wulf Herzogenrath
Assessoria de Comunicação do Oi Futuro: Marcio Batista / George Patiño
Ciao, Next Brasil!
1 de Janeiro de 2007
A NEXT Brasil é agora editada pela Unisul (SC).
Em 05 de setembro de 2006 foi assinado um acordo entre a Cinabre, a Unisul e o professor Domenico De Masi, transferindo o periódico integralmente para a Unisul, que é responsável pelo título desde então.
Unisul: (48) 3261-0070 – unisuls3@unisul.br
A Cinabre agradece os leitores da NEXT Brasil por estas primeiras 5 edições.
Para você, leitor, nada mudará. A direção da S3.Studium Itália e do professor Domenico De Masi permanece, bem como o padrão gráfico e editorial.
A Cinabre se despede da NEXT Brasil e agradece, pelo inestimável apoio durante a implementação, criação, produção e realização dos primeiros 5 números desta publicação:
- Alexandre Hees de Negreiros
- Ana Colla
- Antonio Carlos Ribeiro
- Arão Sapiro, professor
- Domenico De Masi, professor
- Maurício Fagundes
- Reginaldo Moreira de Souza
- Ricardo Burle
- Silva Debetto Cabral Reis
- Thales Paradela, professor
- Telecom Itália Mobile – TIM
- Vanessa Ornella
- Walprint Gráfica
Agradecemos especialmente a Ivan Bentini e Stefano Palumbo, profissionais vitais para tornar a Next Brasil possível.
De nossa equipe, participaram da edição número 5:
- André Gordirro
- Carolina Vigna-Marú
- Cláudia Mello Belhassof
- Elvira Vigna Lehmann
- Joana Angélica d’Avila Melo
A todos, nossos sinceros agradecimentos.
