Next @ FGV

6 de Dezembro de 2006

A revista NEXT Brasil foi citada no tema de redação da prova de ingresso na especialização da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 5 de novembro de 2006:

Recentemente, um artigo da revista italiana Next Brasil discorria sobre o fracasso das grandes corporações italianas, as quais, em passado próximo, integravam o rol das maiores empresas mundiais em vários segmentos: automobilístico, alimentação, informática, entre outros. Mas, perguntava-se o autor, por que, apesar dessa situação, a Itália mantinha tamanho poder econômico e estava ainda representada entre as sete maiores economias do planeta? A resposta é curta e simples: a força do poder econômico da Itália reside nas pequenas e médias empresas. Tais empresas, otimamente organizadas e preparadas, constituem-se em importante fonte geradora de empregos e riquezas.

Ronaldo Grossman – Soneto Nulo

14 de Novembro de 2006

publicado no Aguarrás

Ronaldo Grossman expõe “Soneto Nulo”, na Anita Schwartz Galeria, depois de 12 anos em Lisboa. São enormes painéis formados por pequenos trapézios pintados em preto e branco.

O nosso olho tem doutorado em perspectiva, algo extremamente útil na interpretação de profundidade e outras informações tridimensionais mas que também pode gerar um erro de interpretação – a ilusão -, justamente por ser exatamente isso: uma interpretação.
Ronaldo Grossman - Soneto Nulo
O artista brinca com a sensação de profundidade e ritmo, levando Hajime Ouchi para passear em Copacabana. O interessante é que como Grossman é artista plástico e não matemático, a rigidez se atenua na simples existência do objeto, da madeira/tela pintada, da tinta, da inserção do erro dentro da rigidez da construção matemática.

Em um dos painéis, ele altera a frequência espacial (unidirecional) para alcançar o ritmo e o volume que sempre falta à matemática. E consegue.

Existe uma diferença muito grande entre a mágica de enganar nossos olhos e a apresentação deste engano na forma física e concreta de uma parede de galeria. Grossman certamente inclui o espaço entorno no seu trabalho, o que é sempre muito bom.
Anita Schwartz Galeria: Av. das Américas, 7777 / térreo – lojas 133/134, Barra da Tijuca/RJ.

Gibizada (Next Brasil)

7 de Novembro de 2006

Gibizada, O Globo, 07 de novembro de 2006Nova edição da pequena revista Next Brasil que chega esta semana às livrarias de nosso país traz uma entrevista com Alessandro Belloni, diretor-geral da Disney Publishing Italia, e o Topolino (Mickey) na capa. Temas como a já tradicional e criativa “escola italiana” de autores Disney e a criação, em 1993, da Accademia, uma escola destinada a formar novos artistas, são explicados por ele:

“A ‘escola italiana’ introduziu uma grande inovação nos quadrinhos: não se pensa mais neles como meio de valorização de personagens tradicionais, mas sim como oportunidades para inventar novos personagens e universos. Com freqüência, esses novos contextos em que os personagens tradicionais passam a atuar originam personagens secundários inesperados. É o caso, por exemplo, do SuperPato (Paperinik), grande sucesso mundial nascido na Itália.”

Alessandro Belloni fala também à repórter Andrea Granelli sobre números de vendas dos títulos Disney, a maioria produzidos na Itália:

“De fato, há alguns anos, o negócio sofria uma retração em relação à década de 1990 – quando, por exemplo, Topolino (Mickey) chegava a vender um milhão de exemplares. A partir de 1999, observa-se uma volta ao crescimento contínuo. Para citarmos alguns números, basta pensar que, em 2003, foram vendidos no mundo mais de 220 milhões de exemplares de revistas Disney, um total superior aos 200 milhões do ano 2000. Das histórias que povoam essas revistas – entre 18.000 e 20.000 páginas de quadrinhos produzidas em um ano -, quase 70% são concebidas e produzidas na Itália.”

Segundo Belloni, a Accademia não tem por objetivo o lucro, mas o aliciamento e a formação de novos talentos para os quadrinhos. Com uma taxa associativa simbólica de 60 a 70 euros por ano, os cursos não são abertos com periodicidade regular, mas segundo exigências da Disney. Os programas são dois: formação básica, com duração de um ano, e formação avançada, para quem trabalha fazendo parte das equipes de projeto ou em atividades independentes.

Versão brasileira da revista italiana do sociólogo Domenico De Masi, a Next Brasil é feita somente de artigos, tem periodicidade trimestral, 192 páginas em formato pocket (11,5cm x 16,5cm) e é vendida, desde o seu primeiro número, a R$ 12,00.

http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/Default.asp
Gibizada – O Globo – 7/11/2006 – 2:40

Jean Boechat (Next Brasil)

2 de Outubro de 2006

Jean Boechat, 15 de novembro

A Carol Vigna-Marú convida para o lançamento da revista NEXT Brasil. Visite o site para conhecer! É coisa fina!

leia a matéria na íntegra

Acessível quem?

16 de Setembro de 2006

Artigo inicialmente escrito como linha geral para palestra que dei na UNIP (SP) em 06/10/03 durante a ECO, revisado com atualizações mínimas em 9 de julho de 2006 para ser publicado na neste site, o vignamaru.com.br e no Aguarrás.

Por que CSS, tableless e traquitanas similares?

3,45 milhões de conexões de banda larga no Brasil. (IDC, jan/06)

627 milhões de pessoas (10% da população mundial) já compraram pela web. (ACNielsen, nov/05)

19 horas por dia é a média brasileira de navegação residencial. (Ibope//NetRatings, mai/06)

19,9 milhões moram em residências com pelo menos um computador com acesso à web. (Ibope//NetRatings, dez/05)

12,2 milhões de pessoas utilizam a internet em casa no Brasil (Ibope//NetRatings, dez/05)

4,7 milhões de brasileiros já fizeram pelo menos uma compra pela internet (e-bit – fev/06)

72,9% dos usuários do Orkut são brasileiros (Orkut – jan/06)

17,2 milhões de brasileiros navegam diariamente (Ibope//NetRatings – nov/05)

6,5 bilhões de pessoas acessam a internet em todo o mundo (Internet World Stats – dez/05)

Hoje temos mais de 20 milhões de internautas brasileiros. Aproximadamente 1/6 destas pessoas possuem acesso à banda larga. Nem todos possuem o mesmo conhecimento das ferramentas disponíveis no mercado. Nem todos falam inglês. Nem todos possuem a mesma compreensão de símbolos e signos. Nem todos usam os programas da Microsoft®. Nem todos possuem placas de vídeo potentes. Nem todos estão com tempo. Todos precisam ter acesso à informação.

Ah, o seu público é “AAA” e tem banda larga e então você acha que não precisa criar um design voltado para acessibilidade? Certo? O seu público é o primeiro a querer usar internet em um palm ou no celular. E o seu visitante, rico ou pobre, vai querer ter acesso à informação no seu site com a mesma facilidade em um 286, em um G5 ou em um celular.

Não importa para quem você julga que o seu site se destina. O que importa é que esta pessoa consiga te achar. E, para isto, os mecanismos de busca precisam te encontrar.

O seu site pode ser encontrado e lido com facilidade usando tabelas, imagens, animações e até mesmo Flash. Para isso, basta se preocupar com SEO (Search Engine Optimization) e colocar uma informação textual no seu site. Esta informação textual pode perfeitamente coexistir com qualquer outro tipo de informação que você queira. A maneira mais fácil de fazer isso é usar XHTML mas existem muitas outras. A tendência é que isso fique cada vez mais fácil de fazer. O que muda é a forma de pensar a web.

A questão da acessibilidade é muito mais filosófica do que técnica. Com meia dúzia de sites de referência ou uns poucos bons livros (recomendo especialmente o do Eric Meyer) você domina a parte técnica. Você precisa querer desenvolver sites de fácil acesso e indexação.

Um erro comum é achar que hotsites (sites de duração limitada, normalmente feitos para uma determinada promoção) seguem uma ideologia à parte quando, justamente ao contrário, são estes sites que mais precisam de uma indexação rápida e fácil. O visitante normalmente não decora o endereço do seu site em pouco tempo e a grande maioria utiliza mecanismos de busca para encontrá-lo. Não se iluda, não ache que porque você gastou pequenas fortunas com outdoors e anúncios na tv o seu inesquecível endereço vai ficar na cabeça do seu público até chegar em frente a um computador. A necessidade e/ou o desejo do seu visitante, por outro lado, andam com ele desde o seu lindo outdoor até o micro da casa dele.

Vamos supor, por exemplo, que eu resolva fazer um hotsite para anunciar que a minha pasta de dente para gatos agora tem dois novos sabores: fígado e salmão. O meu cliente não vai lembrar o endereço do site imediatamente. Ele vai primeiro procurar por ?pasta dente gato?. Seria bom que logo na primeira página do mecanismo de busca ele já encontrasse o que procura. Para que isso aconteça, o meu site precisa ser fácil de ser lido pelos searchbots.

Tudo na internet funciona sob o mesmo protocolo e vai ser visto da mesma forma: com um browser. Este browser pode ser uma infinidade de programas e pode até mesmo ser invisível para o usuário, mas terá, necessariamente, alguém mostrando para o seu visitante o que está em outro lugar, ou seja, o que está no seu site. O seu visitante não tem o menor interesse em saber se o site que ele está vendo foi feito em tableless, com css, se está cheio de nested tables, se foi feito no programa x ou à unha. O que ele quer é achar o que ele procura. E o que ele procura é totalmente irrelevante para o processo de acesso à informação.

Tornar o seu site acessível não tem relação com a informação visual dele. Você pode perfeitamente ter um site com look?n’feel (jargão para “gostosinho” no meio publicitário) e ainda assim ser fácil de achar, de ler, de entender, em qualquer plataforma.

Quanto mais fácil de achar for o seu site, mais popular ele vai ser. E quanto mais popular ele for, mais acessos ele vai ter.

Existem, então, várias formas de otimizar este acesso à informação. A primeira delas é o que chamamos de código semântico. Este é um nome legal para dizer que é um código fácil de ler. Se você, humano normal, consegue ler o código, com certeza todo mundo vai conseguir ler (e por todo mundo eu quero dizer todas as máquinas).

A maneira mais fácil de tornar o seu código simples de ler é tirar dele todas aquelas tags de fonte, de alinhamento, etc. Você deve estar se perguntando como vai conseguir fazer com que o seu texto apareça como você quer. Ora, muito fácil: separe a informação da formatação com css. Usar uma folha de estilo (css) tem, sob o meu ponto de vista, duas vantagens básicas: 1- o seu código fica pronto pra viagem e; 2- é mais fácil e rápido de atualizar depois.

Você pode usar css e ainda usar tabelas como elemento de diagramação. Só acho uma grande besteira. Talvez a melhor coisa do css é que você pode alterar um site inteiro atualizando um único arquivo texto. E esta alteração pode ser também de posição e (in)visibilidade dos elementos se estes estiverem fora de uma tabela, em uma div. A div é colocada na página com coordenadas, tanto do topo, tanto da esquerda. E estas coordenadas podem ser definidas dentro do seu css. Desta forma, você passa a ter controle total (e muito rápido) sobre todos os elementos de diagramação/formatação do seu site com um único arquivo texto simples que pode ser lido e alterado em qualquer lugar com qualquer programa. Isto se traduz em simplicidade, em rapidez, em dinamismo, em liberdade e, consequentemente, em dinheiro.

Você pode, ainda, se dar ao luxo de fazer vários lay-outs diferentes e permitir que o seu visitante escolha qual gosta mais, com um simples style-switcher você consegue que o seu site tenha aparências completamente diferentes, funcionando como skins.

É simples: quanto menos tempo você gastar para atualizar o seu site, menos dinheiro ele custará para você. Quanto mais visibilidade ele tiver, mais retorno você vai ter.

Com tudo isso, era meio que esperado que surgisse alguém decidido a regulamentar e documentar esta abordagem. Já existe, é o W3C – World Wide Web Consortium ? que documenta, regula, valida e escreve os css. Por escreve os css eu quero dizer exatamente isso, são eles que criam a linguagem do css, são eles que vão lá e escrevem e criam as coisas que o css faz. Como eu gosto sempre de beber na fonte, assino a lista dos desenvolvedores deles para acompanhar de perto o que está vindo por aí. O site deles é a referência mais importante para quem está querendo aprender.

Desenvolvam sites semânticos e economizem o seu tempo (sem retrabalho e com atualização rápida) e o tempo do seu visitante (sites com esta abordagem ficam entre 25 e 50% menores).

Desenvolvam sites semânticos e falem para usuários de qualquer sistema operacional, em qualquer plataforma, em qualquer mídia.

Desenvolvam sites semânticos e se tornem democráticos e disponíveis.

Desenvolvam sites semânticos e parem de perder dinheiro.

Sites também têm ergonomia. Vocês precisam adaptar os sites ao usuário e nunca o usuário ao site.

O conteúdo é o mais importante. A web é a democratização da informação. Não é a democratização do flashzinho-bonitinho-que-pisca.

Um site, assim como qualquer mídia, não sobrevive sem conteúdo. A internet é causa e consequência da libertação da informação. Certifique-se de que o seu usuário tem acesso a ela.

Deu Piazzolla na prancheta

16 de Setembro de 2006

Publicado no Aguarrás

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón
.

Em homenagem ao último template para Mambo que fiz, decidi falar um pouco de ritmo. Não, eu não estou mudando de profissão. É muito comum uma arte usar termos de outra emprestado. Existe tonalidade em música, movimento na estética e ritmo em design.

Em música, ritmo é um padrão de notas. A repetição deste padrão cria uma espécie de fio condutor da música. Em design não é muito diferente.

A criação de uma linha, um conjunto cromático, uma sequência de objetos ou mesmo apenas uma simples repetição podem gerar ritmo e movimento em design. O movimento é quando uma composição guia os olhos do espectador em uma determinada direção ou através de uma lógica específica. O ritmo é quando há uma repetição intencional.

marca Vigna-Marú

A minha logo, por exemplo, tem uma repetição intencional. O ritmo não precisa necessariamente usar uma forma ou objeto, pode ser também uma cor ou um tom.

Ritmo cria a sensação e a compreensão de organização e unidade, mesmo que os elementos variem em forma, em posição e/ou em cor. O ser humano normalmente entende os objetos como pulsação e os intervalos como pausas. Os intervalos podem ser espaços entre objetos ou mesmo quebras de página de um livro.

Ritmo e blues

Talvez a noção mais importante sobre ritmo é a de que se trata de algo organizado. O ritmo só existe dentro de uma determinada métrica e respira repetição. Sem o método, sem a lógica, sem a matemática, sem organização, o ritmo não pode ser executado.

Hoje em dia está muito na moda os florais. Entendemos que os padrões florais, por serem muito orgânicos e próximos à natureza são relaxantes e tranquilizantes justamente por esta sensação do conhecido. A moda das flores há de passar mas esta regrinha de que o conhecido é relaxante vai ser válida sempre. A curva é conhecida e a reta é inventada. Lembre-se disso sempre: na dúvida, use um arco.

“A menor distância entre dois pontos é a reta mas a mais saborosa é a curva.”
Mario Quintana

Grátis – código aberto, freeware

16 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Às vezes acho que Linux pode, de fato, assustar um pouco. Então tá, vamos falar primeiro de opensource/freeware para a plataforma comercial. Parece-me um pouco non-sense mas quem sou eu para criticar?

Existem muitos softwares bons, fáceis de instalar e de entender, simples de usar e muitas vezes melhor desenvolvidos e com menos bugs do que os seus pares comerciais.
Artes gráficas e multimídia:

Web:

Processamento de texto, planilha, etc:

Comunicação pessoal:

Ícones:

E todos estes, com instaladores (sem essa de ficar compilando software), manual e fóruns de discussão para te ajudar. Existem muitas, muitas outras opções. Recomendei nessa listinha aqui de cima apenas aqueles que eu já testei e gostei.

Você já tem preocupações demais para ficar gastando tempo e dinheiro em atualizações caras de softwares caros só por causa da preguiça de alguns em aprender algo novo. Mude você também. De graça, sem dificuldade, sem stress, sem se preocupar com nada.

E, se você estiver pronto para realmente fazer uma mudança de filosofia empresarial, mantendo a sua empresa 100% legalizada e ao mesmo tempo com softwares ponta-de-linha, mude para Linux. Sem medo, ou, como diz o meu colega designer Bruno Gaspar, “mamãe, mamãe, tem um pinguim no meu armário“!

Perceber

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Perceber é assimilar o que chega a nós através de nossos sentidos. Aqui só vou tratar dos estímulos visuais.

Correndo o risco de ser óbvia, para se ver algo é necessário luz. O olho humano interpreta a luz refletida dos objetos para enviar as informações de distância, cor, volume, etc, ao cérebro. Então, não seria leviano da minha parte afirmar que em termos físicos nós funcionamos como máquinas fotográficas. O que nos diferencia dos aparelhos é, justamente, a interpretação destas informações e a emoção gerada a partir dela.

A percepção visual é dependente e ao mesmo tempo influencia o meio e a cultura onde o indivíduo está inserido. Por exemplo, a cor branca tão freqüentemente associada à pureza e leveza no ocidente é tristíssima e negativa no Japão, onde é a cor oficial de luto. Meu filho me explica que o Power Ranger® branco (personagem japonês) é “mau”. Muito se aprende com as crianças.

Portanto, é impossível a criação de um símbolo que não esteja inserido na cultura onde existirá.

Com tudo isso, não é de se estranhar que psicólogos tentem estudar e consequentemente explicar a percepção (não apenas a visual). Para os designers a teoria mais importante é a Gestalt.

Até agora só falei de percepção. Para o designer, a percepção é fundamental para que a comunicação visual exista mas não é, entretanto, a meta final do projeto. É importante pensar na reação do indivíduo àquela percepção. E, especialmente, como classifica, sente e memoriza esta informação. Disso trata a semiótica.

A semiótica é uma técnica de pesquisa que consegue dizer, de um modo bastante exato, como funcionam a comunicação e a significação. A semiologia é parte da lingüística. Não é preciso ser especialista em etimologia para deduzir que semiologia e semiótica estão intimamente ligadas.

Uma mensagem, uma estrutura de signos, não apenas comunica mas também significa algo, representando algo para o indivíduo que conhece aquela estrutura de signos. Por exemplo, apesar de achar belíssimo, o alfabeto árabe nada significa para mim.

triângulo semiótico

Para Charles S. Pierce, a relação de significação envolve três sujeitos: um signo, o seu objeto e o seu interpretante; jamais uma ação entre duplas. Essas três entidades formam a relação triádica de signo que pode ser representada graficamente com base no que conhecemos por “triângulo emiótico de Ogden e Richards“.

Os signos, por sua vez, podem ser analisados sob três aspectos (conhecidos como tricotomias): em relação a si mesmos, em relação ao objeto e em relação ao indivíduo que o percebe.

A área da comunicação por mensagens visuais define o universo do design gráfico. Os elementos visuais constituem a substância básica do que vemos. São a matéria-prima de toda informação visual. A professora Donis A. Dondis é, na minha opinião, a mais clara referência sobre os elementos visuais (ponto, linha, estrutura, volume, superfície, textura, luz e cor) e suas composições. Como são noções que pertencem ao nosso ideário coletivo, não vou perder tempo com elas agora.

O que torna a comunicação visual diferente das demais é que conteúdo e forma não podem ser separados. A composição destes elementos, é então a combinação ordenada dos elementos da comunicação visual (ponto, linha, cor, etc).

Então, bravo leitor, para ser capaz de analisar o trabalho de um designer, você não precisa estudar Gestalt ou semiótica. Basta prestar atenção em unidade, harmonia, simplicidade, proporção, equilíbrio, movimento, destaque, contraste, legibilidade e acessibilidade (não apenas em web, uma logomarca precisa ser compreendida por um daltônico, por exemplo).

Mais especificamente, quando for analisar uma marca, preste atenção – além do que citei acima – em:

- originalidade temática, diferenciação.

- valor simbólico, emocional.

- impregnação formal, recordação.

- qualidade estética

- durabilidade

- expansibilidade (pode ser usada em todas as mídias, por exemplo)

- redutibilidade (se é legível em preto e branco, etc)

- escalonabilidade (diferentes tamanhos e formatos)

- globalização – uma marca hoje não pode mais ser pensada apenas para um país, para uma cultura.

Como você pode ver por este superficial e rápido artigo, um bom design é algo complexo, rico e que depende de um bom profissional. Não ache que o instrumento (um bom computador, por exemplo) é suficiente para produzir algo que preste. Não é o martelo que faz o marceneiro. Todo designer é um artista de circo, fazendo algo muito complexo parecer simples e fácil.

“Um ser humano deveria ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, fatiar um porco, construir um barco, projetar um prédio, escrever um soneto, gerenciar contas, levantar um muro, consertar um osso, confortar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, preparar adubo, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer com estilo. Especialização é para insetos.” – Robert A. Heinlein

Papel

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

O papel que você escolher para a sua publicação deve reunir uma série de características que garantam a relação custo/qualidade desejada. É importantíssimo lembrar que o processo de impressão é tão fundamental quanto o suporte. Chamamos de suporte tudo aquilo que recebe a impressão (poderia ser também plástico, tecido, metal, etc).

Papéis brancos diferentes têm “brancuras” distintas. Branco quente é aquele que reflete um leve tom amarelado e branco frio o tom azulado. Naturalmente, o quente vai favorecer as cores quentes e assim por diante. A impressão final depende tanto das propriedades da tinta como as do papel. Por isso é que o produtor gráfico sempre pede a prova de impressão no mesmo papel que será usado no produto final.

Papel é o tipo de coisa que você pode perguntar pra gráfica. Eles terão prazer em lhe explicar (talvez até mais do que você precise saber). O fabricante do papel, claro, vai dizer que o papel dele lava mais branco.

Alguns conceitos básicos

Você certamente já ouviu falar em gramatura. Gramatura é a medida da massa por unidade de área do papel. Usamos gramas por metro quadrado. O papel da sua impressora doméstica é de 75 ou 90 g/m². Quanto maior a gramatura mais “grossinho” o papel é. A gramatura é importante não apenas pelo lado físico do papel mas também pelo comercial: vende-se papel por peso e impressão por área.

O brilho é o que torna o papel reluzente ou lustroso. Quanto maior o brilho do papel, mais efeito de espelho ele vai ter.

Opacidade é o quanto o papel bloqueia a luz. Quanto menor a opacidade, pior o contraste da impressão. Em áreas com grandes quantidades de tinta (os famosos “chapados”) a opacidade do papel tem uma grande influência na qualidade do produto final.

A direção das fibras determina como o papel irá se comportar depois de encadernado. O papel pode ser encadernado com as fibras paralelas à lombada para prevenir capas abertas, “beiços” e outras curvaturas indesejáveis.

A absorção do papel (a velocidade com que a tinta penetra no papel) é o que diz como o papel vai “chupar” a tinta. Esta característica é uma das determinantes do rendimento da tinta e do tempo de assentamento e secagem do papel.

Quando falamos de livros, surge a preocupação de como o papel vai aguentar todo o processo posterior à impressão. Depois de colado e/ou costurado, o livro é refilado (apara de rebarbas), embalado e encaixotado.

Embalagens, por sua vez, precisam ser flexíveis e ao mesmo tempo resistentes e aguentar empilhamento. Por conta do barateamento dos processos de impressão em outros suportes, usa-se cada vez mais materiais plásticos para embalagens.

Enfim, o papel precisa ser escolhido caso a caso. Não adianta você decidir que ama o Chamois® e ponto final. Analise um produto de cada vez e pergunte por aí, na maior cara de pau.

Na hora de conversar sobre cor, o seu maior aliado é o produtor gráfico. Para falar de papel o produtor é um bom intérprete mas a opinião da gráfica deve ser ouvida. Até porque as gráficas não vendem papel – elas encomendam o que você escolher – não havendo, portanto, conflito de interesses.

user centered

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Eu sei que me repito às vezes. Voltarei outras vezes ainda ao mesmo assunto. É assim quando a gente acredita de verdade em algo.

Firefox Eu sigo a linha do user centered design. Visto a camisa da campanha do Mozilla, “take back the web” e concordo que o controle do seu navegador é seu e não do designer.

Acredito que os sites precisam ser lidos por qualquer um em qualquer lugar. Gasto um tempão testando uma ilustração para me certificar que daltônicos consigam ver o que desenhei.

Acredito que separar a informação da formatação (css) é bom não apenas por questões econômicas mas também para facilitar a vida de simuladores de voz para cegos. Tenho essas preocupações. E, ao mesmo tempo, a estética é importante, a leveza e a sutileza fazem bem e a mensagem precisa ser transmitida com clareza e eficiência.

Não acho que desenvolver sites para aqueles felizardos com banda larga e que não ousam entrar no seu site com um palmtop ou um celular seja a melhor coisa pra a sua empresa. Pelo contrário, acho que a melhor coisa para a sua empresa é que ela seja encontrada e visitada por todos, mesmo que não seja o seu público-alvo. Outro dia indiquei para um amigo o site de um revendedor de motor de lancha, necessidade que eu jamais tive, não sou público de motor de nenhum tipo.

Assim é a internet.

É o mundo de pontas.
Mundo de Pontas (“World of Ends”)

 


O Que É A Internet E Como Não Confundí-la Com Outra Coisa
Por Doc Searls e David WeinbergerHá erros e há erros.

Aprendemos com alguns erros. Por exemplo: pensar que vender brinquedos para animais de estimação pela Web é um grande jeito de ficar rico. Não vamos repetir este.

Outros erros repetimos muitas vez. Por exemplo, pensar que:

- …a Web, como é a TV, é um jeito de manter os olhos parados para anunciantes desfilarem comerciais;

- … a Internet é algo que as telecoms e as empresas de mídia deveriam filtrar, controlar e de algum modo, “melhorar”.

- … não é bom que usuários de diferentes sistemas de mensagens instantâneas se comuniquem pela Internet.

- … a Internet sofre de uma falta de regulamentações que protejam indústrias que se sentem ameaçadas por ela.

Quando se trata da Internet, muitos de nós sofrem da Síndrome do Erro Repetitivo. Isso vale especialmente para editoras de revistas e jornais, rádio e TV, TV a cabo, a indústria de discos, a indústria de cinema, e a indústria telefônica, para mencionar apenas seis.

Graças à enorme influência dessas indústrias em Washington, a Síndrome de Erros Repetitivos também afeta legisladores, reguladores e mesmo os tribunais. No ano passado a transmissão radiofônica pela Internet, uma indústria nova e promissora que ameaçava oferecer aos ouvintes escolhas muito superiores às oferecidas pelas cada vez mais uniformizadas (e paleolíticas) emissoras AM e FM, foi assassinada no berço. Armas, munições e ocasionais gritos de encorajamento foram supridos pelas gravadoras e pelo DMCA (Digital Millenium Copyright Act), que incorpora todos os receios dos dinossauros-alfa de Hollywood quando fizeram lobby para a sua aprovação pelo congresso americano em 1998.

“A Internet interpreta a censura como um defeito e roteia para contorná-la”, foi uma frase famosa de John Gilmore. E é verdade. A longo prazo, rádio via Internet vai fazer sucesso. Sistemas de mensagens instantâneas irão se intercomunicar. Empresas estúpidas vão ficar espertas ou morrer. Leis estúpidas vão ser revogadas ou substituídas. Mas por outro lado, outra frase famosa, esta de John Maynard Keynes, diz “a longo prazo, vamos estar todos mortos”.

Queremos evitar essa espera.

Basta prestar atenção para o que a Internet realmente é. Não é difícil. A Internet não é mecânica quântica. Olhando de perto, nem é ciéncia de 6a. série. Podemos acabar com a tragédia da Síndrome do Erro Repetitivo nos nossos tempos – e economizar alguns trilhões de dólares em decisões imbecis – se lembrarmos de um simples fato: a Internet é um mundo de pontas. Você está numa ponta, e todos os outros, e todo o resto, estão nas outras pontas.

Claro, isso é uma declaração simplista sobre todo mundo possuir valor na Internet, etc. Mas também é o fato básico e palpável decorrente da arquitetura técnica da Internet. E o valor da Internet se baseia na sua arquitetura técnica.

Felizmente, a verdadeira natureza da Internet não é difícil de entender. Na verdade, apenas uma dezena de afirmativas fazem a diferença entre a Síndrome do Erro Repetitivo e a Iluminação:

- A Internet não é complicada.

- A Internet não é uma coisa, é um acordo.

- A Internet é burra.

- Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.

- Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.

- O dinheiro se muda para os subúrbios.

- Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas.

- As três virtudes da Internet:

- Ninguém é dono.

- Todos podem usá-la.

- Qualquer um pode melhorá-la.

- Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?

- Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.

1. A Internet não é complicada.

A idéia por trás da Internet, desde o início, foi aproveitar a força espantosa da simplicidade – tão simples quanto a gravidade no mundo real. Mas em vez de ajuntar pedrinhas pequenas em volta de uma pedra enorme, a Internet foi projetada para ajuntar redes pequenas, convertendo-as numa rede única enorme.

O jeito de fazer isso é facilitar ao máximo o envio e recepção de dados de uma rede para outra. Assim, a Internet foi projetada para ser o modo mais simples concebível para mover bits de qualquer A para qualquer B.

2. A Internet não é uma coisa, é um acordo.

Quando olhamos para um poste, vemos redes como fios. E vemos estes fios como parte de sistemas: o sistema telefônico, o sistema de energia elétrica, o sistema de TV a cabo.

Mas a Internet é diferente. Não é fiação. Não é um sistema. E não é uma fonte de programação.

A Internet é um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. É uma Inter-net (inter-rede), literalmente.

O que faz a “Net” ser “Inter” é o fato que ela é apenas um protocolo – o protocolo Internet (IP – “Internet Protocol”), para ser mais preciso. Um protocolo é um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto.

Este protocolo não especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se você quer trocar bits com outros, é assim que se faz. Se você quer conectar um computador – ou um celular ou uma geladeira – à internet, você tem que aceitar o acordo que é a Internet.

3. A Internet é burra.

O sistema telefônico, que não é a Internet (pelo menos por enquanto) é muito esperto. Ele sabe quem está chamando quem, onde eles estão, se é chamada de voz ou de dados, a distância coberta pela chamada, quanto a chamada vai custar, etc. E fornece serviços que interessam apenas à rede telefônica: chamada em espera, BINA, 0800 e muitas outras coisas que companhias telefônicas gostam de vender.

A Internet, por outro lado, é burra. De propósito. Seus projetistas quiseram que a maior e mais genérica rede de todas fosse estúpida como uma caixa cheia de pedras.

A Internet não sabe muitas coisas que uma rede esperta como a rede telefônica sabe: identidades, permissões, prioridades, etc. A Internet sabe apenas uma coisa: esse pacote de bits tem que ser transportado de uma ponta da rede para outra.

Há motivos técnicos para a burrice ser considerada um bom projeto. A burrice é robusta. Se um roteador quebra, pacotes são conduzidos por outras rotas, o que quer dizer que a rede fica de pé. Graças à sua burrice, a Internet aceita dispositivos novos e gente nova, e por isso cresce rapidamente e em todas as direções. Também é fácil aos projetistas inserirem acesso à Internet em aparelhos novos – filmadoras, telefones, irrigadores de jardim – que vivem na periferia da Internet.

Isso porque o motivo mais importante da burrice ser uma coisa boa se relaciona menos com tecnologia e muito com valor…

4. Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.

Parece estranho, mas é verdade. Se você otimiza uma rede para um tipo de aplicação, você está desotimizando-a para outras. Por exemplo, se você deixa a rede dar prioridade a dados de voz ou vídeo porque precisam chegar mais rapidamente, você está dizendo a outras aplicações que elas terão que esperar. E logo que você fizer isso, você terá mudado a Internet de uma coisa simples para todos para uma coisa complicada para apenas uma certa coisa. E aí não será mais a Internet.

5. Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.

Se a Internet fosse uma rede esperta, seus projetistas teriam antecipado a necessidade de um bom mecanismo de busca e teriam integrado isso na própria rede. Mas como os projetistas eram inteligentes fizeram a Internet burra demais para isso. Assim, a busca é um serviço que pode ser implantado em qualquer uma das milhões de pontas da Internet. Como qualquer um pode oferecer os serviços que quiser a partir da sua ponta, sites de busca competem entre si, o que significa escolha para os usuários e inovações constantes.

Sites de busca são apenas um exemplo. Porque tudo que a Internet faz é jogar bits de uma ponta para outra, inventores podem fazer qualquer coisa que puderem imaginar, contando com a Internet para mover os dados para eles. Você não precisa pedir permissão ao dono da Internet ou ao administrador de sistema ou ao Vice-Presidente de Priorização de Serviços. Se você tem uma idéia, basta executá-la. E toda vez que você faz isso, o valor da Internet sobe.

A Internet criou um mercado livre para inovações. Esta é a chave para o valor da Internet. Do mesmo modo…

6. O dinheiro se muda para os subúrbios.

Se todo o valor da Internet está na sua periferia, a conexão Internet em si deve virar uma função primária, uma commodity. E deve-se permitir que isso aconteça.

Prover commodities é um bom negócio, mas qualquer tentativa de adicionar valor à própria Internet deve ser combatida. Para ser específico: aqueles que fornecem conectividade Internet inevitavelmente vão querer prover conteúdo e serviços também, porque a conectividade apenas terá preço muito reduzido. Mantendo essas funções separadas, vamos permitir que o mercado estabeleça preços que maximizem o acesso e que maximizem inovações em serviços e conteúdo.

7. Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas. (“The end of the world? Nah, the world of ends.”)

Quando Craig Burton descreve a arquitetura burra da Internet como uma esfera oca composta inteiramente de pontas, ele está usando uma imagem que mostra o que é mais extraordinário sobre a arquitetura da Internet: retire o valor do centro e você viabilizará um crescimento louco de valor nas pontas interconectadas. Porque, claro, se todas as pontas estão conectadas, cada uma com cada uma e cada uma a todas, as pontas deixam de ser pontos finais.

E o que nós, pontas, fazemos? Qualquer coisa que pode ser feita por qualquer um que quer mover bits.

Notou nosso orgulho em dizer “qualquer coisa” e “qualquer um”? Isso decorre diretamente da arquitetura simples e burra da Internet.

Porque a Internet é um acordo, não pertence a nenhuma pessoa ou grupo. Não às empresas estabelecidas que operam a espinha dorsal (“backbone”). Não aos provedores que nos fornecem conexões. Não às empresas de “hosting” que nos alugam servidores. Não às associações de indústrias que acreditam que sua sobrevivência é ameaçada pelo que nós outros fazemos na Internet. Não a qualquer governo, não interessa quão sinceramente acredita que está tentando manter seus cidadãos seguros e complacentes.

Conectar à Internet é concordar em crescer o valor na periferia. E aí algo realmente interessante acontece. Todos estamos igualmente conectados. A distância não importa. Os obstáculos desaparecem e pela primeira vez a necessidade humana de conectar pode ser realizada sem barreiras artificiais.

A Internet nos dá os meios de nos tornarmos um mundo de pontas pela primeira vez.

8. As três virtudes da Internet

Esses são os fatos sobre a Internet. Como avisamos, é tudo muito simples.

Mas o que significa para nosso comportamento – e, mais importante, o comportamento das megacorporações e governos que até então agiam como se a Internet fosse deles?

Aqui estão três regras básicas de comportamento que estão diretamente ligadas à natureza básica da Internet:

a. Ninguém é dono.

b. Todos podem usá-la.

c. Qualquer um pode melhorá-la.

Vamos olhar cada uma de perto…

8a. Ninguém é dono.

Ninguém pode ser dono da Internet, mesmo as empresas por cujos “fios” ela passa, porque é um acordo, não uma coisa. A Internet não só está no domínio público, ela é um domínio público.

E isso é uma boa coisa:

- A Internet é um recurso confiável. Podemos montar empresas sem nos preocupar que a Internet SA vai nos forçar a atualizar, dobrar o preço depois de assinarmos, ou ser comprada por um dos nossos competidores.

- Não precisamos nos preocupar que partes dela só funcionarão com certo provedor e outras partes só com outro provedor, como acontece com celulares, por exemplo.

- Não temos que nos preocupar que suas funções básicas só funcionarão com a “plataforma” da Microsoft, Apple ou AOL – porque aquelas ficam embaixo destas, fora de controle proprietário.

- A manutenção da Internet está distribuída entre todos usuários, não concentrada nas mãos de um provedor que pode quebrar, e nós todos juntos somos um recurso mais robusto do que qualquer grupo centralizado poderia ser.

8b. Todos podem usá-la.

A Internet foi projetada para incluir todos os habitantes do planeta.

Certo, hoje apenas uma fração da população – pouco mais de 600 milhões de pessoas – está conectada à Internet. Então – “podem” na frase “todos podem usá-la” – se sujeita às variações miseráveis da sorte. Mas, se você tem a sorte de ser rico o suficiente para ter uma conexão e um dispositivo que se conecta, a Internet em si não impõe obstáculos à sua participação. Você não precisa de um administrador de sistemas que se digne deixá-lo participar. A Internet, deliberadamente, deixa permissões do lado de fora do sistema.

É por isso que a Internet, para muitos de nós, tem o jeito de um recurso natural. Nós nos aproveitamos dela como se fosse uma parte da natureza humana que estava esperando aparecer – tanto quanto falar e escrever agora fazem parte do que significa ser humano.

8c. Qualquer um pode melhorá-la.

Qualquer um pode fazer a Internet um lugar melhor de viver, trabalhar, e criar filhos. Para piorá-la, precisa-se de alguém extremamente estúpido com uma vontade de ferro.

Há duas maneiras de melhorá-la. Primeiro, você pode montar um serviço na periferia da Internet que esteja disponível para quem queira usá-lo. Faça de graça, faça as pessoas pagarem por ele, coloque uma marmita para receber moedinhas, qualquer coisa.

Segundo, você pode fazer algo ainda mais importante: habilite um conjunto novo de serviços de periferia inventando um novo acordo. Foi assim que se criou o e-mail. E newsgroups. E mesmo a Web. Os criadores destes serviços não fizeram uma simples aplicação final, e certamente não mexeram no protocolo da Internet em si. Em vez disso, inventaram protocolos novos que usam a Internet do modo que ela existe, do mesmo modo que o acordo de como encodificar imagens em papel permitiu às máquinas de fax usar linhas telefônicas sem a necessidade de mudar o sistema telefônico em si.

Lembre-se, porém, que se você inventar um novo acordo, para que ele gere valor tão rapidamente quanto a própria Internet, ele deve ser aberto, sem donos, e para todo o mundo. É exatamente por isso que os sistemas de mensagens instantâneas não conseguiram atingir seu potencial: os sistemas atuais – AIM e ICQ da AOL e MSN Messenger da Microsoft – são territórios particulares que podem rodar em cima da Internet, mas não são parte da Internet. Quando AOL e Microsoft decidirem rodar seus sistemas de mensagens em cima de um protocolo burro que não tem dono e que qualquer um pode usar, terão aumentado grandemente o valor da Internet. Enquanto isso, eles apenas estão sendo burros, e não no bom sentido.

9. Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?

Seria porque as três virtudes da Internet são a antítese do modo como governos e empresas vêem o mundo?

Ninguém é seu dono: empresas se definem pela sua propriedade, e governos se definem pelo que controlam.

Todos podem usá-la: nas empresas, vender algo significa transferir direitos exclusivos de uso do vendedor para o comprador; nos governos, fazer leis significa impor restrições às pessoas.

Qualquer um pode melhorá-la: empresas e governos valorizam funções exclusivas; apenas certas pessoas podem fazer certas coisas, fazer as alterações corretas.

Empresas e governos pela sua própria natureza são propensas a entender erradamente a natureza da Internet.

Há outra razão porque a Internet não se explicou muito bem: as grandes empresas preferem ficar nos dizendo que a Internet é apenas uma televisão lenta.

A Internet tem sido demais como Walt Whitman, que no poema “Cantiga de mim mesmo” (“Song of myself”) disse: “Não me preocupo em ser entendido. Eu vejo que as leis elementares nunca se desculpam.”

De outro lado, as leis elementares da Internet nunca pensaram que haveria pessoas tentando basear suas carreiras em não entendê-las.

10. Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.

As empresas cujo valor veio de distribuir conteúdos em formatos que o mercado não quer mais – estão escutando, gravadoras? – podem parar de pensar que bits são átomos ultra-leves. Vocês nunca vão nos impedir de copiar os bits que quisermos. Em vez disso, por que não nos dar razões para preferir comprar música de vocês? Poderíamos até ajudá-los a vender, se nos pedissem.

Os funcionários públicos que confundem o valor da Internet com o valor dos seus conteúdos poderiam entender que, mexendo no centro da Internet, estão na verdade reduzindo seu valor. Na verdade, talvez poderiam entender que ter um sistema que transporta todos os bits igualmente, sem censura de governos e indústrias, é a força mais poderosa já vista a favor da democracia e dos mercados abertos.

Os provedores existentes de serviços de rede – dica: começa com “tele” e termina com “comunicações” – poderiam aceitar que a rede burra vai engolir as suas redes espertas. Eles poderiam engolir essa pílula agora em vez de gastar centenas de bilhões de dólares para retardar o processo e lutar contra o inevitável.

As agências governamentais responsáveis pela alocação de espectro poderiam notar que o valor do espectro aberto é o mesmo valor real da Internet.

Os que querem censurar idéias poderiam entender que a Internet nunca conseguiria distinguir um bit bom de um bit mau, em qualquer circunstância. Qualquer censura teria que ser feita nas pontas da Internet – e nunca vai funcionar bem.

Talvez empresas que pensam que podem nos forçar a escutar suas mensagens – seus banners e telas intrometidas que se superpõem às páginas que estamos tentando ler – entendam que nossa habilidade de pular de site em site faz parte da infraestrutura da Web. Elas poderiam simplesmente abrir páginas dizendo “Olá! Não entendemos a Internet. E aliás, te odiamos.”

Chega disso. Chega de bater nossas cabeças contra os fatos da vida na Internet.

Não temos nada a perder, apenas nossa burrice.

Fonte da boa

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

O básico

Letras tem classificações, nomes, áreas e mais um monte de detalhes que a maioria das pessoas passa a vida sem (precisar) tomar conhecimento.

Antes de mais nada, é importante dividir o mundo em dois. Sim, eu sei, dividir para conquistar não é uma idéia nova. O mundo das serifas e o mundo das sem-serifa. Serifa é a “voltinha” na ponta da letra:

Tipo

O próximo passo é saber no que essa divisão é útil para você. A primeira coisa que você precisa saber é que o olho humano usa as serifas para melhor “ligar” uma letra à outra. Então, é natural que recomende-se serifa para leituras extensas. Por outro lado, o uso das sem-serifa está tão massificado que às vezes a gente vê serifa apenas no destaque (títulos, subtítulos, etc).

Você pode misturar fontes, não é pecado mortal mas é trabalho delicado. Na dúvida jamais use mais do que duas fontes diferentes no seu documento. E se possível centralize as variações (itálico, negrito) em torno de um mesmo tema. Por exemplo, a ABNT indica que termos em outros idiomas fiquem em itálico, mas isso é só uma recomendação. Nada te impede de padronizar na sua publicação que o texto todo é sem serifa e que apenas determinados termos usam serifa. O importante mesmo é manter do começo ao fim o que você decidiu.

Esse será o nosso mantra: escolha o que quer fazer e seja fiel à sua opção, do começo ao fim do seu trabalho. Repita comigo…

Anatomia do tipo

anatomia da tipologia

Coloquei só as principais, tem bem mais partes anatômicas, ok? Ápice, braço, concavidade contrária, conexão da serifa, espora, link, looping, perna, stress inclinado ou vertical…

Quando alguém te perguntar qual o corpo da fonte, está se referindo ao tamanho dela. Um tamanho comum para leitura corrida, por exemplo, é o 11 ou 12. Este nome vem da época ainda do tipo móvel:

tipo móvel

Elementos principais

a. Olho
b. Face(anterior) ou Barriga
c. Corpo

Detalhes

1. Rebarba ou talude
2. Risca ou ranhura
3. Canal ou goteira
4. Pé.

Tipografia é cheia de detalhes mas a regra básica e mais importante é: você precisa conseguir ler o que está escrito. Pode parecer óbvio mas acredite, este é o grande x da questão. Legibilidade é a meta de ouro do uso de fontes.

Fonte da boa

A gente considera uma fonte “boa” quando ela é completa, quando ela fornece letras acentuadas em vários idiomas, maiúsculas e minúsculas bem diferenciadas, negrito, itálico e as suas combinações (negrito e itálico, por exemplo). Este é um teste importante: digite no seu processador de texto mesmo (ou dê copy-paste daqui) a sequência:

A a Á á À à Â â Ã ã Ä ä E e É é È è Ê ê Ë ë I i Í í Ì ì Î î Ï ï O o Ó ó Ò ò Ô ô Õ õ Ö ö U u Ú ú Ù ù Û û Ü ü C c Ç ç N n Ñ ñ

Se alguma coisa der erro (normalmente aparece um quadradinho no lugar da letra), escolha outra fonte. Essa vai te dar problema na hora em que você conseguir um cliente com nome estranho cheio de consoantes. Já elimina logo agora do seu computador para não cair em tentação depois.

Uma das poucas certezas que eu posso te dar é que a escolha de um tipo nunca é gratuita ou inocente. Não se deixe encantar pela vasta opção de fontes disponíveis, a maioria delas só pode ser usada em momentos muito especiais, em ilustrações ou em destaques específicos. Se você precisar, use uma segunda fonte. Jamais uma terceira. Promete?


Links externos:

Escritório do livro
Unos tipos duros – Teoría y práctica de la tipografía
Manuel Typographique
Typographie & Civilisation
tipografia.com.br

Fontes gratuitas:
dafont.com
netfontes.com.br

Pretinho básico – quanto você calça?

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Preto calçado é certamente um dos grandes mistérios do designês. Calçar o preto é, em uma explicação bem simplista, adicionar a ele um pouco de azul (ciano). Normalmente o que causa maior estranheza não é do que se trata e sim o motivo disso. Vamos lá.

O processo gráfico joga tinta sobre papel por separação. Ou seja, joga as 4 cores básicas de impressão, uma em cada “rolinho” de tinta. São elas: ciano, magenta, amarelo e preto.

As cores absolutas – preto e branco – são difíceis de conseguir justamente porque precisam ser absolutas. Considerando o branco como papel, temos um maior problema mesmo é no preto. Se muda um tiquinho de nada o preto passa a um cinza-escuro ou falhado, especialmente em áreas extensas, o tal do “chapado”. É, eu sei que os nomes são hilários, é cor chapada, preto calçado… Tem cor vazada, sangrada e puxada também, explico em outra ocasião.

A essa altura você deve estar olhando para coisas pretas impressas à sua volta e achando que eu sou louca, que aquilo ali é preto. Experimenta pegar várias coisas pretas e colocar uma em cima da outra. Liga uma luz em cima. Comece a reparar que os pretos são diferentes. Nosso olho nos engana, especialmente com letras e outras coisas impressas que não tenham informação (área de tinta) suficiente para o olho humano perceber que aquele preto ali está muito do mais ou menos.

Esse negócio de calçar o preto, entregar vazado, com sangria, puxar a cor na máquina, invasão de uma cor sobre outra, enfim, todo esse negócio de produção gráfica é meio obscuro mesmo. Não é de propósito, acredite. Por isso, se o seu trabalho for importante, contrate um produtor gráfico para acompanhar tudo, não mande simplesmente para gráfica. O processo gráfico é caríssimo e a gráfica sempre vai querer baixar o custo e aumentar o lucro, lembre-se disso. O produtor gráfico entra quase que como um tradutor, que leva a sua informação e a sua necessidade a um outro mundo. O produtor precisa falar bem os dois idiomas, o do cliente e o da gráfica. A maioria dos produtores gráficos fazem questão de fazer a pré-impressão, o preparo do que é enviado à gráfica, justamente por conta de todos os problemas que existem no processo. É praticamente impossível garantir a qualidade de algo que outra pessoa fez.

Lembrando que o processo todo é industrial, a solução dos problemas precisa ser também voltada para linha de produção. Não dá para a gente ir lá, ítem a ítem e “repintar” onde o preto ficou falhadinho, por exemplo. Isso precisa ser feito na origem, ou seja, no arquivo que mandamos para impressão.

Milonga

O arquivo em um dado momento do processo é “separado”. Ou seja, é gerada uma imagem de cada cor, que por sua vez vai ser impressa em uma chapa, para ser colocada na máquina. Funciona mais ou menos como um carimbo para cada cor. Fiz uma ilustração de como isso se parece usando uma foto da minha gata Milonga. É só para efeitos ilustrativos mesmo, na chapa é diferente, ok?

Então, vamos calçar esse preto? O “calçar” é no sentido de sapato mesmo, de colocar algo embaixo, como um suporte. Antigamente se repetia o preto. Fazendo então ciano, magenta, amarelo, preto e preto. E aí resolvia a questão da cor absoluta mas em compensação borrava tudo. Era preto demais. Esse duplo preto é mais ou menos o que faz o “overprint” que alguns softwares gráficos fazem. Mas, peraí, se o problema era só dar um suporte ao preto, realmente precisa ser preto sobre preto? Ahá! Não! Não, precisa. Pode ser qualquer cor em tese. É só mesmo para dar um “apoio” ao preto, para quando a tinta preta entrar ela não ser completamente absorvida pelo papel e falhar.

Tradicionalmente usamos o ciano para calçar o preto. Uns 30 ou 40% de ciano no preto resulta em um preto lindo, com reflexos acetinados. Para um tom mais quente podemos usar o magenta. Podemos usar uma combinação de cores mas fica o aviso que só o amarelo fica uma porcaria esverdeada.

Eu sei que tudo pode parecer exagero de uma designer obsessiva com detalhes mas eu juro para vocês que isso é importante. O pré-print, ou seja, a preparação do material enviado à gráfica é tão importante quanto o processo de impressão propriamente dito.

De nada adianta esse cuidado todo se na hora de escolher a gráfica você escolhe exclusivamente pelo preço. Novamente aí entra o produtor gráfico. Normalmente o produtor sugere algumas gráficas para o seu trabalho. Você não precisa pagar fortunas para rodar em uma gráfica top de linha se o seu trabalho é só texto, por exemplo. Nem tente, por outro lado, rodar um book fotográfico na gráfica que fez o seu talão de notas fiscais. O produtor gráfico sugere a gráfica de acordo com as suas necessidades de prazo, qualidade e preço e o que é verdade para um trabalho não é necessariamente para outro. Agora, mesmo contratando um profissional, mantenha-se informado, você só tem a lucrar com conhecimento.


Links externos

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Cores podem ser confusas

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Hoje em dia existem vários “misturadores de cores” na web. Se você não é designer, ou seja, se você não gastou preciosos anos da sua vida estudando cor (sim, é verdade, nós estudamos cor por anos e anos), vale a pena usar um recurso destes na hora de escolher as cores de uma apresentação.

É claro que você não vai contratar um designer toda vez que precisar entregar um documento. Nessas horas é melhor ir no seguro do que tentar ser criativo.

Se você for projetar algo (datashow, transparência, não importa), lembre-se sempre que existem diferenças entre a luz refletida (impressos) e a luz projetada (televisão, etc.). As diferenças são tantas que até os sistemas de cor são diferentes. O impresso usa o CMYK e a luz usa RGB.

Pode ser importante testar a sua apresentação antes. E use logo um teste de fogo: projete em uma sala que entra luz, na parede e não em uma tela lisinha e peça pro seu colega míope sentar a uns 5 metros de distância. Se ele conseguir entender o que você quer, vá em frente. Lembre-se de verificar também a tipogafia e a diagramação, nem sempre as cores são culpadas.

Evite a combinação clássica de azul com preto. Todo mundo, por algum motivo obscuro, adora degradês de azul com preto em cima. Pânico, pânico! Se você quer porque quer usar azul com preto ao menos vá sem o degradê para que tenha um mínimo de contraste na hora da leitura.

cores
Uma boa saída é a “roda” de cores. Quando você precisar de um contraste seguro, use cores opostas. Quando você quiser variações elegantes, use cores consecutivas. Tente não usar todas as cores do mundo na sua apresentação: cinco cores é bem razoável, 2 de contraste alto e as outras 3 bem próximas.

Anote (anote mesmo, use um post-it) que cor você escolheu para quê. Por exemplo, população no primeiro gráfico foi representada com a cor verde-claro. Mantenha isso até o final da sua apresentação. O seu espectador se perde se você ficar mudando a cada slide/transparência/página. Tente, dentro do possível, usar uma certa lógica para a coisa. Vamos dizer que você precise representar população, renda per capita, faixa etária e imposto sobre o produto X. Use cores similares para conceitos similares. Use a cor X para população e a cor do lado de X para faixa etária. Use a cor Y para renda per capita e a cor do lado de Y para o imposto. Esses pequenos cuidados ajudam muito na hora da apresentação. Lá pelo gráfico 30 você vai me agradecer pro ter anotado tudo.

É sempre bom lembrar que cores muito claras, como amarelo, bege e rosa, “somem” quando projetadas. O amarelo, por exemplo, é um péssimo destaque em um datashow e ótimo no papel. Na dúvida, teste.

Um bom exercício também é prestar atenção em uma cena que te marcou, em um filme. Dê um pause no seu DVD e observe com atenção as cores e a composição. Aos poucos você vai começar a perceber para que mesmo serve um diretor de arte e fotografia.


Links externos Download de várias ?rodas? de cores:

http://www.tigercolor.com/color-lab/color-wheel/color-wheels.htm

Misturadores de cores:

http://www.colorschemer.com/
http://www.exefind.com/Wacker-Art-RGB-Color-Mixer-P18287.html
http://www.colortools.net/color_mixer.html
http://www.siteprocentral.com/html_color_code.html
http://colorblender.com/
http://www.alvit.de/web-dev/color-tools-mixers-palettes.html
http://stylephreak.frogrun.com/cm.php
http://wellstyled.com/tools/colorscheme2/index-en.html

Sistemas de cores:

RGB – http://en.wikipedia.org/wiki/Rgb
CMYK – http://en.wikipedia.org/wiki/CMYK_color_model

Seu designer está te enlouquecendo?

15 de Setembro de 2006

publicado no Aguarrás

Seu designer está te enlouquecendo com softwares caros? Talvez seja o momento de você apresentar-lhe alternativas mais baratas.

Certifique-se que você realmente precisa daquele software de marca antes de gastar pequenas fortunas ou então de instalar um telhado de vidro na sua empresa recorrendo à pirataria.

O Gimp é um dos gratuitos mais conhecidos. Merece a boa fama que tem mas o suporte dele a CMYK é um problema sério. Talvez nas próximas versões isso melhore. O Gimp conta ainda com o Gimpshop, que deixa ele mais parecido com o seu concorrente comercial.

Se CMYK for importante para você, uma boa opção pode ser o Pixel, que não é gratuito mas é barato (U$ 32,00), lê .psd, tem layers e tudo mais que importa nessa vida.

Outro queridinho dos ilustradores é o Painter, que é tão maravilhoso quanto caro. Vale experimentar o gratuito Artweaver que, dependendo da sua necessidade, vai te atender tão bem quanto.

No campo do 3D, o Blender é imbatível. E gratuito.

Existem até mesmo bons programas para coisas simples como .zip. Aqui eu só uso o 7-zip. Recomendo.

Eu, por exemplo, prefiro o OpenOffice ao da microsoft. Gosto mais do dicionário brasileiro, acho mais estável, não fecha na minha cara quando o sistema operacional cansa e não acha que deve decidir por mim o que fazer.

Assim como o seu designer, eu demorei muito para migrar para o software livre (ou barato). Sempre inventava um defeito, um problema, aquele recurso X que faltava. Depois de um tempo acabei percebendo que o tal recurso eu não usava nunca e nem me lembrava direito onde mesmo é que estava. Fui obrigada a fazer um mea culpa e assumir que o que me afastava destas soluções era a preguiça de me adaptar a uma nova interface.

Não deixe a sua empresa engessada. Levanta, sacode a poeira, e adote uma solução legalizada, boa, estável e barata. Elas existem. É sério.

Como se preparar para escolher um gerenciador de conteúdo

1 de Setembro de 2006

webdesign

Revista Webdesign
edição de setembro de 2006

Matéria sobre CMS (gerenciadores de conteúdo)

A Revista Webdesign é a única publicação impressa brasileira sobre design para web.



Matéria publicada na Revista Webdesign número 33, de setembro de 2006, sobre gerenciadores de conteúdo
obs: coloco a data aqui igual à de publicação mas sempre respeito o prazo de reprodução

Na edição de dezembro de 2005, quando abordamos quais conceitos e tecnologias continuaram em alta e quais caíram em desuso, o professor Carlos Bahiana, da PUC-Rio, anunciava que a popularização dos gerenciadores de conteúdo web (CMS – Content Management System) traria uma diminuição na produção de sites feitos de “maneira artesanal, página a página, com alimentação feita por FTP e necessidade de alterar dezenas de arquivos HTML a cada atualização de design”.

Quando analisamos os sistemas disponíveis no mercado, sejam eles comerciais ou de código-fonte aberto, a quantidade de novos sites ou que foram remodelados a partir da inclusão de um gerenciador e a opinião de especialistas neste mercado, o tiro de Bahiana parece ter sido certeiro.

“A era dos sites sem gerenciadores de conteúdo, de algum tipo, chegou ao fim. Cada vez menos veremos sites feitos ‘apenas’ em HTML, sem um sistema de retaguarda. Desde blogs até grandes sites de notícias, passando por sites institucionais de todos os tamanhos. Pode-se comparar esta transição ao começo da era industrial. Sites são produtos que saem do processo artesanal e se tornam cada vez mais industriais, sem perda de qualidade, é claro”, afirma Érico Andrei, diretor de Tecnologia e Parcerias da Simples Consultoria (www.simplesconsultoria.com.br).


O que avaliar na hora da escolha

Assim, na hora de definir que tipo de gerenciador será utilizado em seu projeto web, alguns fatores devem ser avaliados. “Acredito que os principais passam pela adequação às necessidades do projeto e, se for o caso, a compatibilidade com o sistema que já é utilizado (se é em PHP, ASP ou outra linguagem, por exemplo). Não é inteligente ter um CMS capaz de gerenciar um portal se você vai publicar um blog, e vice-versa”, afirma Walmar Andrade, gerente de criação da SX Brasil Comunicação Digital (www.sxbrasil.com.br).

Além disso, flexibilidade para adaptação da interface, segurança e facilidade no uso são outros aspectos a serem levados em conta. “Analise se a ferramenta se encaixa em seus recursos e necessidades de layout e de estrutura de conteúdo. Segurança é um fator que cresce muito com o porte da empresa. Muitas ferramentas bem conhecidas foram tachadas de inseguras e prejudicadas com isso”, explica Guilherme Capilé, diretor de operações da Tecnodesign (www.tcdesign.com.br). “É importante avaliar a facilidade de uso, principalmente para os produtores de conteúdo (que manterão o site) e também para os outros profissionais envolvidos (arte e tecnologia). Não adianta escolher um CMS que não se encaixe no perfil de sua equipe”, argumenta Érico.

Perfil do site influi na escolha?
Definitivamente, a resposta parece ser sim. Ainda mais quando pensamos nas novas tecnologias que apontam para a tendência do desenvolvimento de sites cada vez mais dinâmicos.

“Quanto mais dinamismo se quer em um website, maior é a necessidade de se automatizar a forma que as informações devem estar disponíveis. Estes são os principais candidatos a gerenciadores de conteúdo. Se um website não vai ter nenhuma alteração durante meses, o investimento pode não valer a pena. Além disso, muitas vezes se imagina que um website com um layout muito sofisticado não se encaixe no perfil para gerenciadores de conteúdo. Isso vale se você estiver olhando para as ferramentas que são mal-projetadas e limitam a flexibilidade do website”, diz Capilé.

Além desses perfis, a designer e ilustradora Carolina VignaMarú (www.vignamaru.com.br) acrescenta nesta lista os sites que vão apresentar massa crítica de conteúdo e aqueles em que o cliente quer uma certa independência. “Quando o seu site é muito grande, por mais que use a dupla dinâmica CSS e PHP, você pode ter muitas dores de cabeça na hora de fazer um grande redesign. Com um CMS, a coisa fica muito mais simples, o que significa também mais rapidez e, portanto, menos custo”.

Vantagens e desvantagens no uso de um gerenciador
Assim como toda tecnologia, é preciso estar consciente que os sistemas de gerenciamento de conteúdo vão apresentar diversas facilidades ou determinar alguns obstáculos na administração de projetos web.

Sobre as vantagens, o fato de o conteúdo ficar dissociado da estrutura parece ser a principal delas. “Na fase de produção, essa separação facilita muito o andamento dos processos. Para os designers possibilita, por exemplo, criar templates que servirão de modelos para cada seção, acabando com o trabalho de produzir dezenas de páginas”, aponta Christian Laurito, diretor de criação da E4W Solutions (www.e4w.com.br).

Outra vantagem, segundo Christian, é que assim que a arquitetura de informação estiver definida dentro do gerenciador, os webwriters podem começar a incluir o conteúdo do site, antes mesmo de o design estar pronto. “Na fase de manutenção, os benefícios são evidentes. Podemos citar, por exemplo, a possibilidade de atualizações remotas no caso dos publicadores web. Sabemos também que, em alguns projetos, o mesmo texto pode aparecer em lugares diferentes do site. Nestes casos, se ele for alterado através da ferramenta, todas as matérias são atualizadas automaticamente, podendo inclusive apresentar visuais diferentes”.

Mas, se por um lado a independência oferecida pelos gerenciadores na hora de se administrar o conteúdo de um site seja apontada como uma grande vantagem em seu uso, de outro ele se torna um desafio para garantir o controle de qualidade do projeto. “O conteúdo, incluindo normas ortográficas, fica por conta dos colaboradores. O mesmo vale para as imagens publicadas. Nestes casos, a estética do site passa a depender também do bom gosto dos profissionais que as publicam. E nós, designers, sabemos que são necessários um mínimo de sensibilidade e conhecimento para selecionar e preparar boas fotos antes de publicá-las, por exemplo”, ressalta Christian.

Em termos da identidade visual, os especialistas consultados nesta reportagem foram unânimes em afirmar que os gerenciadores de conteúdo não prejudicam a qualidade estética de um site. “Os CMS são extremamente versáteis. É claro que restrições existem, mas vamos encontrá-las em qualquer téc. nica, linguagem e ambiente. É função do designer saber lidar com elas e contorná-las”, afirma Carolina . “Se o gerenciador não tem uma flexibilidade para se adaptar ao design projetado, não deve ser escolhido. O CMS deve se adequar ao projeto, e não o contrário”, finaliza Walmar.

Opções disponíveis no mercado
“Para blogs, indicaria de olhos fechados o WordPress (www.wordpress.org), que tem uma flexibilidade tremenda e, por ser de código aberto, possui centenas de plugins e está sendo sempre aprimorado. Foi feito para gerenciar blogs, mas pode sem problemas ser usado em sites. Quem estiver a procura de gerenciadores para projetos menores, uma boa alternativa é visitar o OpenSourceCMS (www.opensourcecms.com), que permite testar gratuitamente, sem instalar nada, gerenciadores como Joomla, Mambo, Drupal e dezenas de outros.” (Walmar Andrade)

“No momento, as sugestões passam pelo Plone (www.plone.org) opção escolhida pelo governo federal e diversas organizações como IDG, Larousse, OAB-SP e Universidade Metodista), o WordPress e o MediaWiki (www.mediawiki.org).” (Érico Andrei)

“Sou fã do Mambo (www.mamboportal.com). É poderosíssimo e tem uma interface gostosa, fácil de usar e simples de aprender.” (Carolina Vigna-Marú)

“O Pindorama (http://pindorama.sf.net), ferramenta de código-fonte aberto, foi projetado tendo em vista a flexibilidade total para o website (layout e conteúdo) e segurança (como gera arquivos estáticos no website, pode não oferecer risco algum ao cliente).” (Guilherme Capilé)

“Vou citar três opções nas quais a E4W tem experiência: Publique (www.publique.com.br), Calandra (www.calandra.com.br) e Vignette (www.vignette.com).” (Christian Laurito)

O caso de plágio de Alberto Sughi por Yoshihiko Wada

2 de Julho de 2006

publicado no Aguarrás

Acontece o maior tititi no mercado de artes plásticas: Um artista japonês chamado Yoshihiko Wada, conhecidíssimo, foi acusado de nada mais nada menos que plágio. E logo de Alberto Sughi.

Alberto Sughi
“Piano bar”, de Alberto Sughi, 1996.

Yoshihiko Wada
“Muso”, de Yoshihiko Wada, 2004

Alberto Sughi me enviou o texto a seguir por email, que reproduzo na íntegra.


The following is a statement from Alberto Sughi where he expresses his views on the story seeing Japanese artist Yoshihiko Wada accused of having won broad recognition at home by having plagiarised Alberto Sughi’s work.

“I was informed, at first by the Japanese embassy in Rome and then directly by officials from Tokyo, of an investigation by the Agency for Cultural Affairs of Japan on accusations brought against Japanese artist I oshihiko Wada. Wada, who was recently awarded an important Education Minister’s prize, is accused of having plagiarised my work. Through an examination of the catalogues and photographs presented to me, I was able to verify that most of Wada?s work is an exact copy of my paintings. I was very disturbed.

This gross plagiarism violates the rights of the artist as sole owner of his image: a very serious offense under international law, which Wada perpetrated to obtain considerable personal advantages.

At the same time I consider all the relevant committees have acted carelessly by giving credit to a plagiariser who has ultimately defrauded them too.

The entire episode must have caused a sensation when you consider that I have been literally surrounded by media, journalists, from Japanese radio and television for the last couple of days!”

Alberto Sughi
Rome 30 May 2006



La seguente e’ una dichiarazione di Alberto Sughi sulla vicenda che vede l’artista giapponese Yoshihiko Wada accusato di avere vinto ampio riconoscimento in Giappone avendo plagiato il lavoro di Alberto Sughi.

“Prima l’Ambasciata giapponese a Roma ed in seguito un ispettore arrivato direttamente da Tokio mi hanno informato di una inchiesta in corso sull’accusa di plagio che l’ artista giapponese Ioshihiko Wada, recentemente insignito di un importante premio ministeriale, avrebbe commesso nei confronti della mia opera di pittore.

Attraverso il catalogo e le fotografie che mi sono state presentate ho potuto appurare, con vero sconcerto, che la maggiore parte delle opere di Wada sono una copia assoluta di miei quadri.

Questa impressionante operazione di plagio si configura come un reato che lede il diritto di immagine che è di esclusiva proprietà dell’autore, un reato che il diritto internazionale considera molto grave e che Wada ha commesso ottenendo considerevoli vantaggi personali.

Ritengo nello stesso tempo che gli organi di competenza abbiano abbiano commesso una grave leggerezza nel dare credito ad un plagiatore da cui sono stati a loro volta frodati.
La questione deve avere suscitato grande scalpore se è vero che da alcuni giorni sono assediato da agenzie , giornalisti e televisioni giapponesi.”

Alberto Sughi
Roma 30 Maggio 2006



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Algumas notas selecionadas da imprensa:
http://mdn.mainichi-msn.co.jp/national/news/20060529p2a00m0et015000c.html
http://www.gaijinpot.com/read_news.php?id=7012
http://nyartsmagazine.com/pages/nyam_document_p.php?nid=620

A Grande Idéia!

6 de Junho de 2006

a grande idéia

Entrevista no site A Grande Idéia!


Terça-feira, Junho 06, 2006

Uma Grande Idéia: Revista Next Brasil (entrevista: Carolina Vigna-Marú)

Bons ventos sopraram pro lado de cá. Para cumprir o prometido, publicamos, a partir de hoje, a seção “Uma Grande Idéia”, onde se pretende apresentar, periodicamente, uma boa idéia relacionada ao mundo do entretenimento, da cultura e do ócio.

Queremos ser, cada vez mais, um espaço dedicado às boas idéias, tenham elas a forma ou o conteúdo que tiverem. Pode ser o conteúdo de uma revista, um estilo de vida, uma história bem contada, a adrenalina do esporte, a apresentação de um grupo folclórico, a conversa de uma festa, as fotos de uma viagem, o sucesso de um amigo e uma infinidade de outras pequenas frações do cotidiano. Pode ser qualquer coisa, desde que seja uma grande idéia!

A primeira idéia que apresentamos é a Revista Next Brasil, publicação impressa e eletrônica, dedicada à inovação e à criatividade, dirigida pelo professor Domenico de Masi, autor do livro mundialmente conhecido “O Ócio Criativo”, já mencionado aqui nesse espaço anteriormente.

A revista, que já tem 4 números publicados e o 5º número saindo do forno, traz “estudos sobre a sociedade pós-industrial, o mercado do trabalho, a criatividade, a ética, a estética, a ciência, a arte e a cultura nas organizações”.

Para conhecer um pouco melhor essa idéia, conversamos com Carolina Vigna-Marú, a multifuncional editora e jornalista, que também cuida da arte e produção gráfica da revista.

Essa carioca, desenhista e ilustradora de mão cheia, conversou com A Grande Idéia! e, com a maior simpatia, nos contou sobre a revista, seu trabalho, novos projetos, editoria, inovação e qualidade. Com vocês, Carolina e a Next Brasil! Até a próxima idéia!

Entrevista – Carolina Vigna-Marú

A Grande Idéia!: A revista Next Brasil, publicação dirigida pelo professor Domenico de Masi, autor do livro mundialmente conhecido “O Ócio Criativo”, tem o subtítulo “instrumentos para a inovação”. Conceitos como inovação e criatividade aplicam-se às mais diferentes atividades humanas, sejam profissionais, sociais, políticas ou culturais, dentre outras. A quem se dirige exatamente a Next Brasil e por que a preocupação com a “Inovação”? O que é inovar?

Carolina Vigna-Marú: A revista tem como leitor-alvo principal o executivo, ou seja, pessoas em empresas em cargos de decisão. O empresariado do mundo todo – o Brasil não é exceção – precisa urgentemente se inovar, se renovar, se recriar. A relação produtor-consumidor mudou, deixou de ser orientada ao objeto e passou a ser orientada ao serviço. Em miúdos: o foco de importância hoje em dia é na capacidade e na criatividade e não mais no produto A ou B. Você (só para dar um exemplo prático) compra um celular de A ou B operadora por conta dos serviços que esta oferece e não pelo objeto em si. Antigamente a colocação no mercado de um aparelho de telefonia (fixa) era uma disputa nas áreas de design e engenharia, o serviço oferecido era o mesmo. Assim como a relação de consumo mudou, as regras de produção/serviço também mudaram. Acontece que o executivo – o ser humano que está lá no cargo de decisão – é o mesmo e, portanto, precisa se atualizar. Muitas vezes esta atualização vai além de questões técnicas, passando por recursos humanos e posicionamento na imprensa. O grupo do professor De Masi se especializa em, dá aulas/seminários de, e aplica na prática esta nova “sociologia do trabalho”. A Next fala disso. A Next leva estes novos preceitos a esta pessoa, que está lá no cargo de decisão totalmente sozinha. O poder é solitário. A Next é uma boa companhia nesta busca infindável pela atualização.

A Grande Idéia!: O Comitê Científico da Revista é formado por um time de primeira linha (Cristovam Buarque, Frei Betto, Ivo Pitanguy, Marina Colasanti, Washington Olivetto, Sebastião Salgado, dentre outros tantos). Quais os principais temas abordados pela revista e como essas personalidades participam da publicação de cada número?

Carolina Vigna-Marú: O Comitê Científico tem prioridade na publicação. São pessoas que o professor De Masi considera com emérito saber em suas respectivas áreas e, portanto, não necessitam de aprovação para publicação. Esta escolha é única e exclusivamente do professor De Masi. Os temas principais são sociologia, economia, administração e outras áreas do managment em geral.

A Grande Idéia!: Carolina, você acumula as funções de editora, jornalista responsável, arte e produção gráfica da revista. Conte um pouco como é o exercício de cada uma dessas funções. Com quais detalhes você deve mais se preocupar em cada uma dessas atividades?

Carolina Vigna-Marú: Bom, as coisas meio que aconteceram. Eu comecei na Next fazendo só a arte e produção gráfica da revista. No segundo número publiquei um artigo meu, sobre o Da Vinci e comecei a ajudar nas revisões. Aí, no número 3, o editor da revista precisou se afastar por motivos pessoais e entrei para tapar buraco. Acabei ficando. A editoria de qualquer veículo seleciona os textos. Nesta não. A editoria italiana da Next centraliza quase tudo, cabendo a mim apenas trabalhar o texto, ou seja, cuidar de possíveis traduções, de todas as revisões, etc. A parte de arte e produção gráfica é que realmente é toda feita aqui. Desde o cuidado com o material gráfico inserido, a diagramação e até mesmo o acompanhamento em gráfica, lá direto na boca da máquina. Eu sou uma pessoa de produção. Sou designer, me entendo como designer, é o que eu faço de melhor na vida, mas não sei viver sem livro. Não sei viver sem editar algo. Agora estou envolvida no Aguarrás. Este sim é uma editoria comme il faut, onde seleciono os artigos, convido diretamente as pessoas que escrevem, faço copy dos textos, essas coisas…

A Grande Idéia!: Fale um pouco mais sobre o Aguarrás.

Carolina Vigna-Marú: O Aguarrás é um sonho antigo meu. Já tinha tentado botá-lo no ar algumas vezes antes. A que merece lembrança foi a que aconteceu dentro de um portal colaborativo chamado 700km, mas mesmo lá, por culpa minha e não deles, o Aguarrás ainda não estava no formato que eu queria. Faltavam pessoas, faltavam cabeças pensantes junto comigo, nem que fosse para discordar de mim (é muito importante ter alguém colocando sempre as suas idéias em cheque). Dei voltas e voltas na cabeça com o Aguarrás até chegar ao formato dele hoje. O Aguarrás é muito importante pra mim por ser um projeto mais pessoal que a Next. A Next é business. O Aguarrás é sonho. São coisas completamente diferentes. Bom, o Aguarrás nada mais é que um grande portal de pensamento em arte. Com isso eu quero dizer que é uma grande cesta de idéias. De idéias, não de press-releases ou de coberturas de eventos no estilo coluna social. As resenhas são todas pensadas. Sei que vai parecer redundante mas são todas escritas por escritores. Todos ali são escritores e tratam o texto com a importância que ele merece. Pesquisam o assunto, escrevem do que entendem intimamente. Então, o resultado final são resenhas do mais alto nível de conteúdo mas com uma forma absolutamente compreensível e palatável. Isso a gente só consegue com escritores profissionais, não tem jeito.

A Grande Idéia!: A Next Brasil é um projeto apenas editorial ou pretende ampliar seus objetivos para além da publicação da revista? Existem ou estão programadas parcerias com outros projetos relacionados à temática da inovação/criatividade?

Carolina Vigna-Marú: A Next italiana já implementou as áreas de pesquisa e seminários. A brasileira ainda engatinha nisso. O projeto Next tem 3 áreas principais: ensino (seminários, palestras, etc), divulgação (a revista) e pesquisa (parceria com universidades, etc). Aqui nós só conseguimos até agora botar em campo a revista. O resto ainda depende de levantar patrocínio.

A Grande Idéia!: Quais foram os principais resultados alcançados pela publicação dos 4 primeiros números da revista? Novidades para as próximas edições?

Carolina Vigna-Marú: O leitor. Sem dúvida alguma o principal resultado foi o leitor da Next Brasil. Nós temos leitores nos mais altos cargos do empresariado brasileiro. Seria indelicado de minha parte divulgar os nomes, mas estes leitores formam um time que muito nos orgulha. As próximas edições talvez venham a ser publicadas em parceria com uma universidade, mas como o acordo ainda não está certo, prefiro não comentá-lo.

A Grande Idéia!: Tendo a Next Brasil essa proposta de ser um instrumento para a inovação, como podem ser definidas as inovações apresentadas pela própria revista em relação ao mercado editorial, que é extremamente competitivo e recheado de boas publicações sobre os mais diversos assuntos?

Carolina Vigna-Marú: A Next começa a inovar pelo formato. É uma revista-livro. É um pequeno pocket book, com 192 páginas de texto, 11,5 x 16,5cm, e com um zelo gráfico de primeira linha. Aqui no Brasil, a Next é a única publicação periódica de que temos conhecimento que conta com 3 (sim, três) revisões inteiras, para todos os textos publicados. Nós temos uma certa obsessão com a qualidade dos textos. Isto não deveria ser inovador, mas é. Isto deveria ser o padrão de toda publicação, mas infelizmente não é isso que acontece. Outro aspecto interessante da Next é a distribuição. Nós distribuímos apenas em livrarias. É uma revista que não vai à banca. Como vocês podem ver, é uma revista que recebe tratamento de livro.

rafael frota

31 de Maio de 2006

Rafael Frota

31 de maio de 2006

Aguarrás é um novo portal de arte e suas vertentes, criado pela polivalente designer Carolina Vigna-Marú. Neste portal, assuntos como artes plásticas, cinema, fotografia, design, filosofia e muitos outros serão tratados de uma forma inteligente, contando com nomes de peso, como Elvira Vigna, Eric Novello, Jurema Sampaio (…). Dentre tanta gente boa, me orgulha muito ter sido convidado para integrar a equipe de colaboradores. Portanto, se você gosta de arte tratada de maneira séria, ajude-nos a divulgar o portal Aguarrás. A cultura nacional agradece.

link

aguarrás – lançamento

30 de Maio de 2006

aguarras 1

Alan Cichela
30 de maio de 2006

Aguarrás
Diretamente do Vigna-Marú:
O Aguarrás é um projeto antigo meu. Já esteve neste site, já esteve em iniciativas como o 700km, entre outras, todas ótimas. Finalmente o Aguarrás agora assumiu uma forma que muito me agrada e conseguiu preciosos colaboradores, como Elvira Vigna, Eric Novello, profª. drª.Jurema Sampaio, Marcelo de Alvarenga, e Rafael Frota, por enquanto.

O Aguarrás ainda não está “oficialmente” no ar e apenas algumas editorias tem matérias publicadas.

O blog que estava aqui está sendo reiniciado (rebooted, reinventado, recriado, como preferir) lá.

Se o Lautrec pode…

29 de Maio de 2006

publicado no Aguarrás

Henri de Toulouse-Lautrec. O hífen dele é muito mais chique que o meu. Esta pobre criança era chamada pela mãe de Petit Bijou e usou vestidos até 4 anos de idade. O cara não podia ser muito certo da cabeça mesmo. Para ajudar mais ainda na piração ele fraturou as duas pernas que pararam de crescer e o transformaram num tampinha. Os amigos da boemia, mais tarde, sacaneavam o chamando de anão.

Lautrec era filho de pais separados, algo consideravelmente raro naqueles tempos – ainda mais na nobreza. É, o doido varrido era filho de aristocratas, famílias tradicionais nobres francesas. Chiquérrimo.

Lautrec fantasiado

O primeiro professor de desenho dele foi um surdo-mudo chamado Princeteau, um pintor de animais que teve como maior contribuição para a história da arte o fato de ter sido professor do Lautrec.

Até chegar a Paris e cair na farra, Lautrec era um pintor mediano, preso a conservadorismos bobos e frios. Chegando a Paris, ele ingressa no atelier de Léon Bonnat, um pintor acadêmico que gozava de bastante prestígio na época.

Lautrec aconselhou Van Gogh a prosseguir com os seus estudos e tinha uma pinimba desgraçada com o Degas. A história com o Degas é muito engraçada: Degas sempre foi o modelo para o Lautrec, sua inspiração e principal influência. O Degas, por sua vez, admirava profundamente o trabalho do Lautrec. E os dois se odiavam. Mandavam recadinhos um para o outro de provocação, falando mal da roupa vestida na noite anterior e outras afrontas ainda menores. Reza a lenda que os dois eram amantes da mesma mulher.

atelier de Lautrec

atelier de Lautrec

Não é por nada, não, mas a noite parisiense nessa época deve ter sido divertidíssima.

Foi só em 1877 que o Lautrec fez o seu primeiro cartaz. A litografia acabou se tornando a marca registrada dele. Lautrec foi o grande pai da ilustração publicitária. A partir dele é que a coisa realmente passou a ser levada a sério. Eu o considero o primeiro designer (e por isso este artigo está em “gráficas/design”).

Moulin Rouge Moulin Rouge

Lautrec era grande frequentador de bordéis. Ele adorava pintar as prostitutas enquanto estavam aguardando clientes. Ele costumava dizer que elas não tinham a artificialidade das modelos profissionais e suas posturas corporais burguesas. Eu o entendo perfeitamente. Só não vou na Vila Mimosa desenhar porque não sou corajosa o suficiente.

Fotografia foi outra grande paixão para Lautrec. E ele fazia o que todo e qualquer professor de artes abomina: usava fotos como referências para seus desenhos. Todo – sério, t-o-d-o artista já fez isso pelo menos uma vez na vida mas ninguém assume, é menos “nobre”. Se você puder usar modelo vivo, recomendo, a fotografia não te permite dar a volta no modelo para ver a textura de algo ou a luz de um objeto lá trás e nem te permite mudar ângulo, enfim, é mais pobre sim. Mas aí, fala sério, duvido muito que um Cliente vá aprovar o meu orçamento de ir desenhar “ao vivo” a Torre Eiffel, por exemplo. Existem situações em que a foto se faz necessária mesmo, não tem saída. Agora, dê sempre preferência ao modelo vivo, mesmo que seja a sua avó.

Mlle. Marcelle Lender Mlle. Marcelle Lender

Maurice Joyant Maurice Joyant

À La Mie À La Mie

A Passageira da Cabine 54 A Passageira da Cabine 54 A Passageira da Cabine 54

“Trata-se sempre do mesmo: tornar uma coisa melhor a partir da sua essência.”
Henri de Toulouse-Lautrec

Alan Cichela

19 de Abril de 2006

Matéria no site de arte de Alan Cichela, falando tanto sobre a NEXT Brasil como sobre o meu site pessoal, o vignamaru.com.br, 19 de abril de 2006.

leia a matéria na íntegra