Avanca

2 de Novembro de 2004

Me achei, finalmente, no site do Festival de Avanca. O Avanca é um festival de animação em… em… Avanca! Não, sério… Avanca é perto do Porto, em Portugal. E lá tem um mega-ultra-super-vitaminado festival de animação. Eu mandei em 1998 o meu “Tão Longo Amor”, uma animação em 3D com o soneto de Camões “Sete Anos de Pastor”, que eu continuo achando lindo. Provavelmente vou achar lindo até morrer. Demorei a me achar no site. Talvez seja porque o título do filme está errado. Deve ser um problema de tradução… Nossa, estou hilária hoje. Vou parar enquanto é tempo.
-x-
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
-x-

Velázquez

19 de Outubro de 2004

artigo publicado na revista Autor – Cultura/Ano IV – nº 40 – Outubro de 2004

artigo publicado na Revista Digital Art& – ISSN 1806-2962 – Ano II – Número 02 – Outubro de 2004

Velázquez

Aprendi a gostar de Velázquez com minha mãe. Ele tem uma calma que só era possível no século XVII. Foi preparado pelos pais, desde os 12 anos de idade, para ser pintor, indo estudar com Francisco de Herrera, o Velho1. Acabou saindo de lá porque o Velho era irreverente demais para ele. Estudou nas melhores escolas e, filho de pais pertencentes à pequena nobreza, não teve problemas para trabalhar na corte de Filipe IV2. A corte, no entanto, era péssima pagadora e Velázquez acabou fazendo outros trabalhos pequenos aqui e ali para se sustentar. Acabou nomeado aposentador-mor do palácio, em 1652, meio que uma forma de Filipe IV mantê-lo ali mesmo lhe devendo dinheiro. Sempre senti em Velázquez uma certa mentira; de repente, o sonho da vida do cara era outro e ele acabou ficando nessa história de pintura para atender a um desejo de seus pais. Depois de sair do atelier do Velho, foi estudar com Francisco Pacheco, seu futuro sogro, que era um pintor medíocre, mas com quem conseguia manter uma relação pacífica e morna. Velázquez tinha essa superfície calma e sob controle para revelar sua vida e força somente em suas pinceladas disformes e cruas na tela.

Suas pinturas não têm linhas, são manchas de cor e luz, pura e simplesmente. Desta água, com certeza bebeu o Impressionismo. Ele vem do preto ou, na pior das hipóteses, de outro tom neutro, e aí é luz para tudo que é lado. Se algum dia você tiver a oportunidade de estar tête à tête com um quadro dele, repare bem como o quadro brilha. Imagine, então, os séculos e séculos de desgaste da tinta, de poeira, de manuseio, de armazenagens duvidosas. Olhe para o quadro de novo. É impressionante mesmo. A paixão está toda na tinta, no erro, no incontido, no involuntário. O mais bonito é a ausência da forma rígida que só em seu conjunto, e quando vista como um todo, se transforma no objeto retratado. A pincelada crua na tela, sem uma marcação anterior, sem um guia, sem uma linha, é quase a sua libertação. É como se pintasse a independência da nobreza decadente a que servia. Reparem nos detalhes; a vida está nos detalhes. Foi, ainda vivo, considerado como “o” grande realista e suas obras, a maior expressão da verdade. Um de seus retratados, Papa Inocêncio X3, considerou o seu quadro troppo vero4. Toda essa veracidade, todo esse realismo visual não tem em si a forma, daí a mentira, a ausência do que há lá. A forma dele, perfeita, é composta pelo nada, ou melhor, por cor e luz somente; a forma perfeita não é uma forma perfeita em sua essência.

As Meninas teve 44 versões por Picasso. A homenagem que eu mais gosto é a do Goya, que pintou A Família de Carlos IV5 se colocando também à esquerda, atrás de uma tela, da mesma forma impassível e sem envolvimento – típica de um retratista barroco – como forma e mecanismo de crítica, talvez o único possível na época, ao mesmo sistema de poder ao qual seu antecessor serviu. As Meninas é, na composição, uma série de triângulos e, com isso, Velázquez impõe ao quadro e aos seus personagens um equilíbrio matemático e, com esse formalismo, coloca reflexos do tempo, com versões do retrato, seu auto-retrato, o reflexo da rainha e do rei no espelho e o retrato de corpo inteiro de um membro subalterno da corte em uma presença mais marcante que a do rei e a da rainha. Nos reflexos triangulados de Velázquez existe a sua crítica. Uma apresentação formal e rígida para agradar aos seus clientes e, ao mesmo tempo, a irreverência e a não-existência da forma em suas pinceladas. Tem também o fato de que “meninas” eram as babás, e não os nobres; portanto, o quadro, teoricamente um retrato da princesa Margarita, tem como título a classe servidora.

Velázquez nunca pintou um objeto. Velázquez nunca pintou uma pessoa. Velázquez pintava a luz que se refletia nos objetos e nas pessoas. E eu acho que isso é um statement.

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1 Francisco de Herrera, O Velho (1576-1656). Pintor e gravurista espanhol. Seus trabalhos marcam a passagem do Maneirismo para o Barroco.

2 Filipe IV de Espanha e III de Portugal (1605-1665). Ele foi o rei que distribuiu as capitanias do Brasil e marcou os foros dos donatários.

3 O Papa Inocêncio X nasceu Giambattista Pamphili, em 1574, foi nomeado cardeal em 1629 e manteve o Sumo Pontífice de 1644 a 1655. Faleceu em 1655.

4 Troppo vero, expressão italiana que significa algo exageradamente verdadeiro.

5 Carlos IV, rei da Espanha. Carlota Joaquina, sua filha, casou-se com D. João VI. Carlos IV era rei na época de Goya. O quadro As Meninas retrata a filha de Filipe IV.

Bibliografia

1 – STRICKLAND, Carol & BOSWELL, John. Arte Comentada: da Pré-História ao Pós-Moderno. 2ª ed., Rio de Janeiro: Ediouro, 1999.

2 – WOLF, Norbert. Velázquez. Köln (Alemanha): Taschen, 2000.

Hikifuda

21 de Julho de 2004

Hikifuda – Hilighting one of the oldest forms of Japanese advertising, this on-line exhibit is a unique collaboration between the Milwaukee Public Museum and the Eisner Museum. (Courtesy of the Milwaukee Public Museum) @ William F. Eisner Museum.

Da Mundi

19 de Junho de 2004

Artigo publicado na Next Brasil nº 2, antes da minha entrada no corpo editorial.
[versão em pdf]

 

“Ferro enferruja com o desuso;
água parada perde sua pureza e no frio congela;
da mesma forma, a inatividade também tira o vigor da mente.”
- Leonardo da Vinci

Rápida bio

Leonardo nasceu ilegítimo, de mãe pobre, às três da manhã do sábado de 15 de abril de 1452. Aos cinco anos, foi largado pela mãe na casa dos avós paternos e, a partir de então, foi criado pela família paterna. Na certidão de nasci­mento de Leonardo consta ape­nas o nome do pai. Leonardo foi filho de mãe ausente. Em 1468, seu pai mostrou alguns de seus desenhos a Andrea del Verrocchio. No ano seguinte, Leonardo ingressou no atelier de Verrocchio onde aprendeu algo extremamente valioso: andar sempre com um caderno de ras­cunhos para todo canto. Preciso voltar a ter esse hábito.

Em janeiro de 1478, Leonardo recebe sua primeira encomenda importante: uma pintura de altar para a capela Bernhard na sede do governo em Florença, que ele não terminou. Em março de 1481, recebe outro pedido grande, dessa vez para a igreja San Donato a Scopeto, que Leonardo tam­bém não concluiu. De 1489 a 1494, Leonardo trabalha na estátua do cavalo de Francesco Sforza em Milão, encomendada por Ludovico Sforza, o mesmo mecenas que encomendou A Última Ceia, que Leonardo pintou de 1495 a 1498. Em 1500, retorna a Florença. Em 1503, pinta a Mona Lisa, retra­to da esposa de Francesco del Giocondo, que nunca recebeu o quadro encomendado.

De 1508 a 1512, serve ao governador francês em Milão, Charles d’Amboise. Em 1512 os franceses são expulsos de Milão e, em 1513, da Vinci vai para Roma trabalhar para Giuliano de Medici, irmão do Papa Leão X.

Fidelidade política não era o seu forte. Em 1516, muda-se para a França com dois alu­nos seus, Francesco Melzi e Giocomo Salai, ocupando o lu­gar de pintor da corte. Em 23 de abril de 1519, escreve o seu testamento, deixando todos os seus manuscritos, desenhos, instrumentos e ferramentas para Melzi, e suas pinturas (inclusive a Mona Lisa) para Salai. Morre nove dias depois, aos 67 anos.

Leonardo da Vinci terminou 12 pinturas e milhares de desenhos. Considero esse fato muito significativo. Os desenhos são sempre a origem do pensamento, da criação. Ninguém projeta alguma coisa sem desenhá-la antes. Leonardo foi um criador, não um arte-finalista, e isso é suficiente para defini-lo como gênio, penso eu. O desenho, justamente por ser o princí­pio, mantém-se moderno e atual. As mídias mudam, as técnicas evoluem, mas um bom desenho será sempre um bom desenho. Como disse o fotógrafo Cartier-Bresson, o importante mesmo é saber desenhar bem.

O Gênio

Alto, louro, cabelos longos e cacheados, Leonardo canta­va divinamente e tinha bom papo. Era um sujeito distraí­do, desatento, volúvel, cheio de caprichos e que se ente­diava facilmente. Leonardo era considerado um homem belo, sedutor e bem sucedido. Gozou de fama e popularidade enquanto vivo. Reza a lenda que a população de Florença aguardou durante dois dias em frente a seu atelier, na rua, só para poder ver um de seus quadros. Esse negócio de artista sofredor, pobre e que só ganha fama depois de morto surgiu mais tarde, com o Maneirismo.

Leonardo foi arquiteto, de­senhista, pintor, músico, engenheiro, cantor, alpinista, naturalista, inventor e mais um monte de outras coisas igualmente impressionan­tes. Foi ele quem inventou o helicóptero, a tesoura, o carro blindado e várias má­quinas de guerra. Um homem incrível, que pertenceu a dois grandes mundos: o da arte e o da ciência. A genialidade de Leonardo pode ser lida em qualquer biografia sua. O que me impressiona é a serieda­de com que ele se dedicava a um determinado projeto. Não deixe o fato de ele não ter terminado muitos deles confundir você – Leonardo se cansava rapidamente, e uma vez que atingisse o co­nhecimento do assunto, este perdia a graça. Contudo, ele era obstinado, disciplinado e sério em seus estudos.

Leonardo passou anos como interno em um hospital e dissecou mais de trinta cadáveres para aprender anatomia, coisa proibida na época. Fatos como esse são o que mais me apaixonam nele. Tenho um certo repú­dio a esses pretensos profis­sionais de hoje em dia que fazem as coisas sem entender os porquês. Existe hoje uma grande confusão entre ferra­menta e criação por causa do computador. Não basta saber usar um programa, é preciso entender os motivos de cada coisa. A informática é uma ferramenta ímpar, mas, sob o aspecto do embasamento, é o câncer da criatividade.

Diga-me com quem

Leonardo e Niccolò Machiavelli, autor de O Príncipe, fo­ram bons amigos. Maquiavel era um conselheiro impor­tante em Florença e prova­velmente a sua influência conseguiu para Leonardo dois importantes trabalhos: uma obra para desviar as águas do Arno (impedindo que fossem até Pisa, cidade rival na época) e um mural – Batalha de Anghiari – para o Palazzo Vecchio. A Signoria (corpo governante, algo como uma prefeitura) entregou a ta­refa a dois rivais, Leonardo e Michelangelo. Os dois pinta­ram em paredes diferentes da mesma sala as suas versões para o mural, numa espécie de competição pública. A situação se tornou um even­to popular justamente pelo fato de os dois não se darem. Nenhum dos dois cumpriu o contrato. Michelangelo fez um enorme esboço da Batalha de Coscina, mas nunca a pintou, ao passo que Leonardo terminou apenas a parte central de seu mural.

A Renascença foi repleta de grandes rivais. Leonardo, Michelangelo e Rafael se admiravam mutuamente e competiam o tempo todo. Antes de a Mona Lisa ter sido terminada, Rafael visi­tou o atelier de Leonardo e ficou tão impressionado que adotou o seu esquema de re­trato (meia figura virada dois terços na direção do observa­dor, balaustrada com pilares ligando os planos e objeto próximo à extremidade fron­tal do quadro). Este modelo de retrato perdurou por déca­das. Por outro lado, o único desenho que Leonardo fez de uma outra obra, que não sua, foi o David, de Michelangelo. Eles competiam pelos mesmos trabalhos e por quem desen­volvia melhor uma técnica ou estilo. Briga de cachorro grande, sem dúvida.

Inventum

A casa em que Leonardo nasceu e viveu seus cinco pri­meiros anos, em Anchiano, era pobre, pequena, mal ilumina­da e de poucas janelas, como mandava a arquitetura cam­pesina da época. Criou para si um universo belo e rico, oposto à sua realidade natal. O grande homem renascen­tista se recriou, transformou a sua primeira infância ruim e de poucos carinhos em uma vida plena e cheia de admira­ção. Pegou a sua vivência do abandono materno e pintou a mulher mais bela e famosa do mundo. Leonardo é reconheci­do por suas criações e, de fato, ninguém mais, antes ou depois dele, mereceu o título de gê­nio. Entretanto, poucos falam de sua maior criação, a de si mesmo. Em poucos momentos o termo “renascentista” fez mais sentido para mim.

Às vezes me pergunto se o que vivemos hoje não é uma idade “remedieval”. Tempos confusos, com uma sociedade quase feudal, de tão injusta. A burguesia, que nunca foi lá essas coisas, está cada vez mais decadente e burra, e se não investir em cultura – a exemplo da época do mecenato – vai ser comida viva. As pes­soas precisam se reinventar o tempo todo para sobreviver, mesmo que em uma sala de chat para prazeres imediatos. Criamos personas, nos sub­dividimos em profissionais, parentes, amigos e outros inúmeros sub-rótulos de nós mesmos. Não somos mais pessoas inteiras. É necessá­rio saber “separar as coisas” – “amigos, amigos, negócios à parte”. Os grandes centros carregam consigo a solidão da pólis e sua estratificação so­cial. Conviver consigo mesmo já é difícil; com pedaços de si, então, nem se fala. Precisamos nos inventar a cada instante. E é justamente este aspecto da nossa sociedade que torna Leonardo da Vinci tão neces­sário. Precisamos reunificar as nossas vidas. Precisamos juntar arte com economia e colocar um pouco de poesia na política.

Talvez a internet seja um Leonardo contemporâneo, nos falando em zeros e uns como em um espelho de nossos tantos idiomas. A internet é a democratização da informa­ção e da expressão individual e, portanto, da arte. Ela nos traz novos horizontes, notí­cias frescas d’além mar. É o mundo sendo solucionado pela navegação mais uma vez. A boa notícia é que depois de tudo isso vem algum tipo de renascimento. A má é que só vem com uma reestruturação profunda das relações sociais e trabalhistas, e isso não é lá muito rápido nem indolor.

O Povo – Fortaleza

24 de Maio de 2004

o povo

O Povo – Fortaleza
24 de maio de 2004
TECNOLOGIA
Blog muda de cara e conceito

A agilidade e a praticidade dos weblogs, diários virtuais que surgiram em 1999, está atraindo profissionais que querem divulgar seus trabalhos ou trocar idéias com colegas da mesma área

Sílvio Mauro
da Redação

[24 Maio 02h12min 2004]

Os weblogs, ou simplesmente ”blogs”, diários pessoais que surgiram na Internet em 1999, chegaram à fase adulta. De simples páginas onde os autores apenas descreviam o cotidiano para amigos e conhecidos, eles agora são importantes instrumentos de divulgação de idéias, projetos profissionais e currículos. Jornalistas, programadores, escritores, artistas plásticos e até especialistas em conceitos novos como arquitetura da informação e usabilidade estão se expondo na rede através dos diários.

Esse é o caso, por exemplo, de Carolina Vigna-Maru, que mantém um blog (www.vignamaru.com.br) com um portifólio dos seus trabalhos de direção de arte, fotografia, design e ilustração. Nos comentários periódicos que coloca no site (chamados de ”posts” pelos usuários de blogs), ela expõe idéias sobre sua área de atuação profissional – e nenhum detalhe sobre sua vida pessoal. ”Sou uma pessoa muito fechada. Não saberia escrever sobre o meu cotidiano”, explica.

Para ela, o mais importante do uso profissional do blog não é fazer contatos ou negócios, mas conseguir credibilidade. ”Já fiz alguns trabalhos de leitores que me acharam pelo blog, mas isso não é o mais importante. Quero que as pessoas, quando lerem o que escrevo, percebam que eu sei do que estou falando. É um investimento na minha imagem”, diz.

Divulgar conceitos também é a intenção do consultor de usabilidade Alexandre Castro e Silva. Ele mantém dois sites (www.sobresites.com/usabilidade/blog e blogdeusabilidade.blogspot.com), ambos em formato de blog, sobre o tema, com a intenção de popularizá-lo. ”Muitos clientes não conhecem nem sabem que precisam dela”, afirma. De acordo com Alexandre, a usabilidade estuda métodos e propõe alternativas para simplificar e facilitar o uso das tecnologias.

Alexandre mantém um dos blogs com outros dois profissionais da área e cada um intervém de forma independente no site, valendo-se da agilidade de atualização dos blogs. Ele assegura que o retorno tem sido muito bom. ”O blog possibilita a troca de informações com os colegas. E surgem convites para palestras sobre usabilidade graças a ele”, diz.

O uso coletivo dos blogs, que já era comum quando turmas de amigos atualizavam informações sobre festas e programas de lazer em comum, também se estende para o campo profissional. A escritora e publicitária Daniela Abade juntou-se a outros seis colaboradores e criou o projeto Cadeia de Palavras. Através de ”posts” semanais em um blog (www.cadeiadepalavras.com.br), eles pretendem escrever um livro com o acompanhamento periódico dos leitores. Um detalhe: em cada capítulo, todas as palavras começam sempre com a mesma letra do alfabeto.

A idéia dos autores, segundo ela, é aproveitar a estrutura do blog, que permite comentários dos internautas a cada novo ”post” enviado, para ver a aceitação do livro enquanto ele está sendo escrito. ”Queremos proteger a criação e por isso os textos estão sendo colocados em forma de imagem, para que ninguém copie ou faça alterações. Mas as pessoas podem ler e deixar comentários dizendo o que acharam”, informa.

Além dos blogs de divulgação dos trabalhos, como os já citados, também é possível encontrar na Internet páginas mais direcionadas, destinadas a públicos bem específicos. Esse é o caso, por exemplo, do Blog do Rafa (www.clickrafa.com.br/blog), do programador Rafael Silva. Além dos ”posts” em linguagem bastante técnica, ele aproveita o espaço para dar dicas de programação, além de expor os projetos nos quais já trabalhou e disponibilizar o seu currículo.

Em comum com os primeiros usuários das páginas pessoais, os profissionais têm o gosto pela praticidade dos blogs, que permitem atualização rápida, inclusão de links e fotos e interação com os leitores através dos espaços para comentários. Mas as semelhanças acabam nos detalhes técnicos. A atualização quase diária, por exemplo, não é um hábito usual. ”Normalmente, faço uma vez por semana. Não tenho assunto para ficar fazendo comentários diários”, informa Alexandre.

Outro detalhe que diferencia os blogs pessoais dos profissionais é a preocupação com o conteúdo do que é escrito. ”Não tenho muita paciência para ler alguns blogs pessoais”, afirma Carolina. Ela garante que acessa poucas páginas com esse perfil. ”Não é todo mundo que escreve bem o suficiente para tornar uma página pessoal interessante. Eu conheço muita gente que chama esses blogs mais bobinhos de debilogs”, brinca.