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Carolina Vigna-Marú é designer, ilustradora e mais um monte de outras coisas. Gosta de quase todos os assuntos, de alguns mamíferos e de praticamente nenhum inseto. Em 2010 continuará a estudar no MASP e vai (tentar) aprender alemão.

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publicado em 1 de março de 2010 no Aguarrás,
ISSN 1980-7767, ano 5, número 24, março & abril de 2010

Recebi para análise três livros de Arlindo Gonçalves, Desonrados e outros contos, Desacelerada mecânica cotidiana e o Carinhas(os) Urbanas(os). Este último, escrito e fotografado a quatro mãos com Luciana Fátima. Preciso confessar que tinha firme intenção de escrever três resenhas separadas, uma para cada livro. Depois de ler os livros, percebo que esta tarefa tornou-se impossível para mim.

Os contos, assim como as fotos, possuem uma estrutura narrativa interessantíssima, de reflexo. Um conto é complementar e reflexo do outro, todos os personagens se entrelaçam, todas as estórias se tocam e todos os livros tocam profundamente o leitor.

São muitos níveis diferentes de espelhamento. Começa, claro, com o Eu da estória sendo contada. Não existe um narrador, existem muitos e nenhum ao mesmo tempo. O narrador é o personagem, o autor e o leitor simultaneamente. Depois, as estórias em si, incluindo seus cenários e personagens, que parecem ser a prova viva de que a teoria das cordas é muito mais palpável do que supõe a Física. O autor brinca com os muitos níveis da cidade de São Paulo, cenário escolhido para os livros. Poderia ser qualquer centro urbano e continuaria funcionando igual. São realidades absolutamente distantes, paralelas, tangentes e próximas ao mesmo tempo. Sim, eu sei que isso não faz qualquer sentido. Leia os livros, fará. O ponto de vista do observador destes muitos mundos é também parte dele e, ao mudar o Eu narrativo, o autor insere o leitor em uma observação ativa, como parte integrante deste cenário multidimensional. E, o último e mais importante espelhamento, é a humanização destes diferentes mundos. Não há qualquer julgamento de valor, não existe uma única moral adotada. Para cada ponto de vista, ou seja, para cada Eu narrador, o autor adota a escala de valores daquele personagem e com isso tece um conjunto – que ultrapassa os limites físicos de um único livro – cromático heterogêneo, rico e por isso mesmo interessantíssimo.

E tem as fotos. As fotos repetem o mesmo diálogo. São rostos olhando para você e você para os rostos. Há uma generosidade de olhar e de se permitir ser olhado que é incomum, tanto para fotógrafos quanto para escritores. As duas profissões, por natureza, são voyeurs, gostam de observar mas preferem manter-se fora do olhar do outro. Estes autores abraçam e acolhem o olhar que volta.

É necessário um olhar maduro para perceber o Outro e enxergá-lo como similar e humano. Não existem grandes diferenças entre você, um marciano, uma prostituta portadora de HIV, um comerciante ou um autor de livros. Luciana Fátima e Arlindo Gonçalves não apenas sabem disso como aceitam o espelho. E isso é mais do que generoso, é lindo.

A grande dificuldade na fotografia não é técnica, é de discurso. É claro que existem questões de controle da luz, profundidade de campo, etc. O discurso é mais importante. De nada adianta você ter um microfone se não tem nada a dizer. Luciana Fátima tem muito a dizer. E fala junto com outro brilhante orador, Arlindo Gonçalves.

“Há poesia em fachadas de prédios históricos. Ornatos, capitéis, pedestais, cornijas, molduras, abóbadas, cúpulas, motivos vegetais, rostos de pessoas ou de criaturas – ora doces, ora sisudas.

(…) Para quem observa as construções mais detalhadamente, não passa despercebido um certo sentimento carinhoso que partia do responsável pelo projeto para com a cidade. Mesmo as feições mais rabugentas tinham por objetivo afugentar os seres indesejáveis.

Estão lá, resistindo ao descaso, ao vandalismo; verdadeiras gentilezas urbanas que os mestres das fachadas nos legaram.”

Luciana Fátima e Arlindo Gonçalves, vocês estão errados. A delicadeza, a generosidade, a poesia e a beleza pertencem a vocês.



Carinha(os) Urbanas(os) – Luciana Fátima e Arlindo Gonçalves – Editora Horizonte

Desonrados e outros contos – Arlindo Gonçalves – Editora Marco Zero

Desacelerada mecânica cotidiana – Arlindo Gonçalves – Editora Horizonte

Alemão tem 3 artigos. Masculino, feminino e neutro.

O idioma diz muito a respeito de seu povo.

Além disso, o plural é sempre o artigo feminino.

Ou seja, um grupo de médicos é as médicos, que, por sinal, é o  nome de uma banda que eu gosto muito, Die Ärzte.

Divertidíssimo.

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Bibliografia resumida para o curso A arte no Brasil entre os séculos XIX e XX: do fim da arte acadêmica até os modernistas, MASP 2010.

Almeida Júnior – um criador de imaginários. Catálogo de Exposição. Curadoria de Maria Cecília França Lourenço. Pinacoteca do Estado, 25 de janeiro a 15 de abril de 2007.

ALMEIDA, Paulo Mendes de. De Anita ao Museu. São Paulo, Perspectiva, 1976.

AMARAL, Aracy. Arte para quê?: a preocupação social na arte brasileira, 1930-1970 subsídios para uma história social da arte no Brasil. 3a ed., São Paulo: Studio Nobel, 2003.

AMARAL, Aracy. Artes plásticas na semana de 22. 5ª edição revista e ampliada, São Paulo: Ed. 34, 1998.

AMARAL, Aracy. Tarsila Sua Obra e seu Tempo, 3ª. Ed., São Paulo: Editora 34 / Edusp, 2004 (1975) .

BARATA, Mario. Eliseu Visconti e seu tempo. Rio de Janeiro, Zelio Valverde, 1944.

BATISTA, Marta Rossetti et Alli. Brasil: primeiro tempo modernista. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, 1972.

BATISTA, Marta Rossetti: Anita Malfatti no Tempo e no Espaço –biografia e estudo da obra, catálogo e documentação. São Paulo: Editora 34 / Edusp, 2006, 2 v.

Bienal Brasil Século XX. Nelson Aguilar (organizador). 2a edição, São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, 1994.

BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo, Perspectiva, 1981

CAMARGOS, Marcia. Villa Kyrial: crônica da Belle Époque paulistana. São Paulo:SENAC, 2001.

CAVALCANTI, Lauro, Quando o Brasil era Moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960, Rio de Janeiro, Aeroplano, 2001.

CHIARELLI, D.T. “De Almeida Jr. a Almeida Jr.: a crítica de arte de Mário de Andrade” 2 vols., Tese de Doutorado, ECA/USP, 1996.

COLI, Jorge. “Almeida Jr: o caipira e a violência”. In Como estudar a arte brasileira do século XIX. São Paulo: Editora Senac, 2005.

FABRIS, Annateresa. O futurismo paulista: hipóteses para o estudo da chegada da vanguarda ao Brasil. São Paulo: Perspectiva/ Edusp, 1994.

FABRIS, Annateresa. Portinari, Pintor social. SP: Edusp/ Perspectiva, 1990.

GOTLIB, Nadia Battella: Tarsila do Amaral: a modernista. 2a ed., São Paulo: Senac, 2000.

HERKENHOFF, Paulo; e Pedrosa, Adriano (Curadores): Catálogos da XXIV Bienal de São Paulo. Núcleo Histórico: Antropofagia e Histórias de Canibalismo. São Paulo, 1998.

MAGALHAES, A. G. Picasso e o Parque do Ibirapuera: o Brasil moderno? Revista Número, São Paulo, p. 6 – 7, 01 set. 2004.

MATTOS, Claudia Valadão de: Lasar Segall. São Paulo, 1997.

MICELI, Sergio. Imagens negociadas, retratos da elite brasileira (1920-40). São paulo: Cia das Letras, 1996.

PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo: Edusp, 1998. 429 p., il. p&b.

SCHWARTZ, Jorge (org) Da Antropofagia à Brasília: 1920-1950. Ed revista e ampliada, São Paulo: FAAP e Cosac & Naify, 2002.

SCHWARTZMAN, BOMENY, & COSTA. Tempos de Capanema. São Paulo: Paz e Terra; Fundação Getúlio Vargas, 2000.

SEGAWA. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. São Paulo: Edusp, 1998.

SEVCENKO, Nicolau. Orfeu Extático na Metrópole: São Paulo sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo: Cia das Letras, 1992.

ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil – II. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães : Instituto Walther Moreira Salles, 1983.

ZANINI, Walter. Vicente do Rego Monteiro. Artista e poeta. São Paulo, Empresa das Artes/Marigo Editora, 1997.

ZILIO, Carlos. A querela do Brasil, a questão da identidade na arte brasileira: a obras de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari/1922-1945. Rio de Janeiro, Funarte, 1982.

Toda animada recebo o email do MASP com o programa do curso que se inicia na quinta próxima, A arte no Brasil entre os séculos XIX e XX: do fim da arte acadêmica até os modernistas, com a Profa. Dra. Leticia Squeff.

Reproduzo aqui para vocês ficarem aí se mordendo de inveja.

Objetivos e metodologia

O objetivo do curso é discutir as peculiaridades do processo de modernização da pintura brasileira entre os anos de 1890 e 1930. Trata-se de focar um momento-chave da cultura brasileira – que transcorre, em sua maior parte, durante a chamada “República Velha” – e que, paradoxalmente, nem sempre tem sido estudado com o devido vagar pelos historiadores da arte.

Por muito tempo artistas como Eliseu Visconti ou Rodolfo Amoedo foram vistos como pintores acadêmicos ou como representantes de correntes tardiamente alinhadas ao impressionismo. Nessa história pontuada por etapas divididas entre acadêmico e moderno, tradição e vanguardas, a Semana de 1922 ganhou significado de marco divisor fundamental, que organizava a interpretação de artistas e obras. Contudo, estudos mais recentes vêm mostrando o quanto os valores artísticos foram fluidos no caso brasileiro.

Tendo essa questão como pano de fundo, esse curso será centrado na análise de obras e na discussão de estudos de caso.

Programa

11/03 – Aula 1 – A geração de 1880: modernidades possíveis

Leitura: MARQUES, Luiz (org). “Introdução” in 30 Mestres da pintura brasileira. Catálogo da Exposição no MASP. São Paulo, 2001.

18/03- Aula 2 – “Acadêmicos” e “precursores”

Leitura: SOUZA, Gilda de Mello e. “Pintura Brasileira: os precursores”. In Exercícios de Leitura. Campinas: Duas Cidades, 1980.

25/03 – Aula 3 – A “Exposição de Arte Moderna Anita Malfatti”

Leitura: CHIARELLI, “Tropical de Anita Malfatti: reorientando uma velha questão” In Novos Estudos, 80, março de 2008.

01/04 – Aula 4 – A semana de 22: alcance e impasses

Leitura: CAMARGOS, Márcia. “O festival modernista”. In Semana de 22: entre vaias e aplausos. São Paulo: Boitempo, 2003.

08/04 – Aula 5 – Arte moderna e a arte brasileira

Leitura: ZILIO, “A questão política no modernismo”. In Mestres do modernismo. Catálogo de Exposição. Pinacoteca do Estado: Imprensa Oficial, 2005.

15/04 – Aula 6 – Antropofagia e Surrealismo 

Leitura: “O manifesto Antropofágico” In Mestres do modernismo. Catálogo de Exposição. Pinacoteca do Estado: Imprensa Oficial, 2005.

22/04 – Aula 7 – Pintura e arquitetura nos anos 30 e 40

Leitura: FABRIS, A. . A Semana de Arte Moderna e seus desdobramentos. In: Gonçalves, Lisbeth Rebollo. (Org.). Arte brasileira no século XX. São Paulo, SP: ABCA-MAC/USP-Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007, v. , p. 67-87.

29/08 – Aula 8 – O Modernismo em questão: estudos de caso

Leitura: FABRIS, “Modernidade e vanguarda: o caso brasileiro”. In FABRIS, Annateresa (org.) Modernidade e modernismo no Brasil. Campinas, Mercado de Letras, 1994. (Col Arte: ensaios e Documentos)

Dia 08 de março de 2010 – dia internacional da mulher
100 anos de luta constante, por um mundo mais justo para todos.

Publicado por Márcia Neves no
Fanzine eletrônico Marketing Social no Brasil,
ano 8, nº 44.

A violência simbólica envolve o processo de socialização do indivíduo e está baseada na fabricação de crenças, onde este passa a avaliar o mundo de acordo com os critérios, valores e padrões definidos por uma pessoa, grupo de pessoas, ou classe dominante. Como exemplos clássicos de violência simbólica podemos citar as interpretações sexistas religiosas com relação à mulher, pois “Eva ao entregar a maçã a Adão” passa a ‘culpa’ do pecado original à mulher. Outro forte exemplo está no Evangelho de Maria Madalena (Os pergaminhos de Nag Hammadi), texto gnóstico, encontrado em Oxirrinco, Egito, cujos textos foram publicados entre os anos de 1938 e 1983, que nos revela a face preconceituosa de Pedro, que rejeita os ensinamentos passados a Maria Madalena, por Jesus, por esta ser mulher, que, por sua vez, no ano de 591, foi associada pelo Papa Gregório com a figura da prostituta. E somente no ano de 1969 o Vaticano corrigiu essa afirmação, ou seja, 1.378 anos depois. Uma prova cabal da Igreja oficial contra a liderança da mulher, visto ser, entre os discípulos de Jesus, Maria Madalena a mais próxima. Como reflexo temos exemplos, como o do juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas, MG, que foi contra a Lei Maria da Penha, um marco na defesa da mulher contra a violência doméstica, que rejeitou pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras, com a seguinte justificativa:

“Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”

Segundo o juiz, o controle sobre a violência contra a mulher “tornará o homem um tolo”.

NEVES, Márcia. A violência contra a mulher no mercado de trabalho. E-papers: Rio de Janeiro, 2009, p.26,27.

Coloquei lá no site do Godô uma relação de locais onde é possível encontrar o Godô dança.

A relação foi gentilmente enviada pela editora e nela constam algumas distribuidoras também, portanto é possível encontrar o livro em outras lojas das redes que aparecem na lista.

Vale a lembrança de que é possível comprar o Godô diretamente no site da editora, recebendo em casa no maior conforto.


ATLANTICA LIVRARIA PAP.E DISTR. FEIRA DE SANTANA BA
W.J. LIVRARIA E PAPELARIA LTDA VITORIA DA CONQUISTA BA
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LEITURA ALAMEDA LTDA – ME BRASILIA DF
LEITURA ALVORADA COMERCIO DE LIVROS BRASILIA DF
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LIVRARIA DO PSICOLOGO E EDUCADOR BELO HORIZONTE MG
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LEITURA CAMPO GRANDE COM. DE LIVROS CAMPO GRANDE MS
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BOLIVAR CULTURAL E LIVRARIA COM. LT RIO DE JANEIRO RJ
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SARAIVA E SICILIANO S/A BARUERI SP
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LIVRARIA SOBRADO LTDA – ME SAO PAULO SP

Saiu hoje no Estadão uma matéria sobre o último livro da minha mãe, Nada a Dizer, de onde destaco:

“A escritora exemplifica com a obra do pintor americano Edward Hooper (1882-1967) e seu universo de pessoas solitárias diante de portas e janelas, com o olhar desesperançado em um horizonte vazio. ‘Hooper parte de um recorte neutro ou até positivo da realidade e o transforma em algo perverso. Sua atitude é desestabilizadora.’ (…) A trajetória de Paulo e a mulher representa ainda um balanço dos ideais de uma geração que foi jovem durante os anos 1960, época libertária que contrasta com as instáveis relações atuais. ‘A geração de hoje, ligada à internet, apresenta uma brutal mudança de paradigmas, pois comprova ter memória’, comenta Elvira. ‘O fato de utilizarem a rede mundial constrói uma visão com resíduos históricos que vão se chocar (e destruir) essa fragmentação.’”

Veja também o vídeo sobre o livro:

Nas livrarias!