A já amiga virtual Cristina Maria Ribeiro Benevides comentou no post da matéria de janeiro da Webdesign que viu no Boca do povo uma pergunta a respeito da cor branca como representativa da paz e uma possível interpretação racista, e me pediu para comentar.
A oposição entre branco e preto, na iconografia ocidental, vem daquele que recebe luz e não tem qualquer relação com racismo ou preconceito. Essa iconografia vem desde os gregos, que colocavam raios de sol (luz) na cabeça dos sábios, especialmente de Apolo. O cristianismo, muito tempo depois, usou a mesma iconografia para criar as suas auréolas. O Espírito Santo, por exemplo, é alado (uma pomba, voa!) porque é quem habita tanto o mundo celeste quanto o nosso e é branco por ser iluminado.
Agora, é importante ressaltar que esta é a iconografia ocidental. Eu sei muito pouco – infelizmente – sobre a oriental mas sei que é bem diferente. O branco, por exemplo, é considerado a cor do luto no Japão.
Aristóteles achava que as cores eram propriedades físicas dos objetos, como peso ou tamanho. Foi só com Leonardo Da Vinci que o conceito de luz foi atribuído às cores, mas mesmo muito, muito, muito antes disso tudo, o branco era aquele que recebia a luz (representado assim, independente do entendimento filosófico das cores).
Um fato curioso, que pouca gente conhece, é que as estátuas gregas e romanas eram todas pintadas, de cores vivíssimas. Pintavam o olho, detalhes, tudo. As tintas não sobreviveram ao tempo e por isso nós temos a tendência (errada) a imaginar o período cheio de estátuas branco-mármore.
A única ocorrência ocidental da relação do claro-escuro com a pele humana vem de Roma, em que se considerava que aqueles muito brancos não trabalhavam porque não expunham a sua pele ao sol. Esta idéia foi totalmente deturpada depois, nas cortes francesas do século XVIII (Luís XIV de Bourbon e sua entourage especialmente), com aqueles que eram e/ou queriam parecer ricos (e portanto não precisavam trabalhar) jogando pó de mármore (tóxico, não foi uma boa idéia) na cara. Mas por outro lado, tudo era muito estranho nessa época mesmo e já naquele tempo esses trejeitos da corte eram considerados ridículos pela população.
Com isso não estou dizendo que não existam preconceitos e/ou conceitos repetidos ad nauseaum nas artes, mas a questão do branco como símbolo da paz ou da iluminação não tem, de fato, qualquer relação com racismo.
A referência que temos ainda hoje em dia sobre teoria das cores é a de Goethe, mas no Scribd encontrei um pdf bem didático sobre o assunto que merece visita.